Versos, Anversos e Antiversos (E-Journal)
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A regra do estado de exceção / (Enquanto isso, os ricos)
A regra do estado de exceção
José D’Assunção Barros
A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando lhe invadem as casas
Quando violentam as suas intimidades
Quando lhe pedem documentos com aquela cara
De “tu és ladrão”
A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando não lhe deixam sair mais com a sua cor predileta
Quando a fuzilam – primeiro com os olhos –
Por causa de suas opiniões
Também percebe as ditaduras, a Boa Classe Média,
Quando lhe dirigem preconceitos de cor
Apesar dos seus ternos cuidadosamente engomados
Agora, suas mulheres ouvem piadas
E o assédio dos chefes foi liberado.
Seus filhos são preteridos,
quando tentam entrar para certas universidades,
pois estas são destinadas aos de maior patente
A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando arrombam a porta de suas casas
Quando mancham de fardas policiais o seu lar
Quando lhe despejam o arrogante arbítrio
Como um balde gelado de água
Quando lhe tiram o emprego sem aviso prévio
Já os pobres, estes mal percebem as ditaduras,
Pois já fazem todas essas coisas com eles
Durante todo o tempo
(Enquanto isso, os ricos)
José D'Assunção Barros
Enquanto isso, os ricos percebem o estado de exceção
Quando não lhes avisam que o dólar irá subir
Com a devida antecedência
Ou quando são gentilmente informados que seu mordomo
Faleceu fuzilado
Porque não tinha carteira de identidade
SOBRE O AUTOR:
José D’Assunção Barros
José D'Assunção Barros é escritor, músico, historiador e professor. É Professor-Associado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em História, e Professor-Permanente do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ. É Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense. Na área de literatura, publicou o livro de contos 'O Avesso do Pau-de-Arara' (1988) e o romance 'Desacordados' (2012)
JÉSSICA MAFRA MELO, através da fotografia artística, documental e do fotojornalismo, retrata histórias, corpos, rostos, sentimentos e sensações vivenciadas pelas mulheres.
JÉSSICA MAFRA MELO, através da fotografia artística, documental e do fotojornalismo, retrata histórias, corpos, rostos, sentimentos e sensações vivenciadas pelas mulheres.
O objetivo dessa mostra fotográfica é expor a relação das mulheres em seus espaços de trabalho e lazer e como o corpo responde a isso. Destacamos as relações de força, suor, estrutura física, formas de sentar, estatura, postura em pé e também expressões faciais a partir desses ambientes. Os espaços são desde o lar, a casa, o ambiente seguro e de proteção, até o trabalho, no campo, ou ainda na religião, nas festas e nos espaços públicos, no teatro, no circo. Nessas fotografias, objetivamos a formação de um conjunto de obras cênicas como elementos da cultura de mulheres que adquirem uma potência de materialidade.
As fotografias expõem mulheres que lutam para sobreviver nos seus espaços. Através de força e determinação, observamos catadoras de lixo, agricultoras, mulheres que lideram sindicatos e movimentos sociais, mulheres das zonas rurais e comunidades quilombolas. As fotos utilizam os critérios de representação da mulher que luta para sobreviver nesses espaços. Mulheres que não têm espaços definidos e brigam por sobrevivência, direitos e visibilidade.
A imagem desempenha uma função de descoberta do corpo. Os fragmentos singulares vão além da aparência do ambiente, navegando entre as versões da realidade. O corpo humano é uma estrutura mergulhada no universo inescapável da linguagem e quando pensamos o corpo dentro da imagem, dentro da imagem fotográfica, fotojornalística, como instrumento de denúncia ou apenas de exposição e visibilidade de sujeitos que não são vistos, temos uma visão efetiva de nós mesmos como sociedade e da realidade. Nós jamais conseguiremos nos ver, como mulheres, como cidadãs de direitos, como seres humanos, se nós não conseguirmos ver o outro, as outras. Eis o objetivo dessa exposição.
DO PREFÁCIO (Jeanemeire Eufrásio da Silva).
SOBRE A AUTORA:
JÉSSICA MAFRA MELO
Mossoroense criada em Assú. Graduada em Jornalismo pela UERN e pós-graduanda em Direitos Humanos. Atualmente também é graduanda em Direito. Fotógrafa comercialmente há 8 anos. Ganhou 7 prêmios na categoria estudante nos concursos de jornalismo: FIERN, Sebrae, Banco do Nordeste de Jornalismo, Intercom Nordeste, Intercom Nacional, Ministério Público do Trabalho e Expocom. Com fotografia selecionada pelo National Geographic, Expo Contemporânea 2015, Metro Photo Challenge e Brasília Photo Show 2020
Amor a transbordar
É difícil rever-te e não tocar-teVer meu peito quieto, padecendoE sentir o teu ser que vai tecendoToda rima silente que não parte
É meu peito que aos poucos se reparteÉ meu canto que vai se enfraquecendoÉ um jardim que sem néctar vai morrendoÉ um sonho sonhando sem sonhar-te
É um verso sem rima e sem sentidoÉ um quase sentir-se sem ter sidoÉ se ter pesadelo sem acordar
É um choro sem toque de sanfonaÉ um fato ruim que vem à tonaÉ um amor sufocado a transbordar