Portal de Publicações Eletrônicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
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Echoes of an anti-fascist memory:: The radical right and the foibe in Italy
Este artigo propõe analisar os usos políticos da memória da foibe por parte da direita radical italiana nas últimas três décadas. Para tanto, buscarei analisar como a mobilização da memória dos massacres sofridos por italianos nas montanhas de Trieste durante a Segunda Guerra Mundial (foibe) tem servido para relativizar o Holocausto e isentar o fascismo de qualquer responsabilidade por crimes de guerra cometidos nos Bálcãs. A partir do estudo dos silêncios da memória da foibe na Itália, bem como da crise do paradigma antifascista nos anos 1990, pretende-se compreender como as narrativas em torno dos massacres sofridos por italianos na Segunda Guerra estruturaram as estratégias de normalização da direita radical no país. Ao mesmo tempo, o artigo problematiza os contantes apelos das direitas italianas por uma “reconciliação nacional” a partir do ponto de vista do chamado “antiantifascismo”, que iguala a violência fascista e antifascista e celebra resistentes e os chamados “ragazzi di Salò” como heróis da nação italiana.This article aims to analyze the political uses of the memory of the foibe by the Italian radical right in the last three decades. To this end, I will analyze how the mobilization of the memory of the massacres suffered by Italians in the mountains of Trieste during the Second World War (foibe) has served to relativize the Holocaust and exempt fascism from any responsibility for war crimes committed in the Balkans. By studying the silences of the memory of the foibe in Italy, as well as the crisis of the anti-fascist paradigm in the 1990s, the aim is to understand how the narratives surrounding the massacres suffered by Italians in the Second World War have structured the normalization strategies of the radical right in the country. At the same time, the article problematizes the Italian right's constant calls for “national reconciliation” from the point of view of so-called “anti-antifascism”, which equates fascist and antifascist violence and celebrates resistance fighters and the so-called “ragazzi di Salò” as heroes of the Italian nation
Imprensa, ditadura e sociedade: Leituras sobre o Rio de Janeiro a partir dos jornais em circulação na cidade em tempos de autoritarismo (1964-1985)
FERREIRA, Jorge; COUTINHO, Renato Soares (Org.). O Rio de Janeiro nos jornais: ideologias, culturas políticas e conflitos sociais (1964-1985). São Gonçalo: Igualdade, 2025. 268 p
Trump e as novas direitas transnacionais: Uma entrevista com David Nemer
The interview with David Nemer analyzes Donald Trump’s second administration as both a continuation and radicalization of Trumpism, marked by the centralization of power, attacks on university autonomy, and the consolidation of a digital authoritarianism. Nemer describes Trumpism as a multi-platform communication ecosystem that combines open and closed networks to disseminate narratives, monetize activism, and sustain a permanent cultural war. According to him, the phenomenon has become a transnational matrix for the new right, inspiring movements such as Bolsonarism in Brazil and Spain’s Vox, which replicate strategies of communication, disinformation, and digital mobilization. The interview also addresses the symbiosis between the Trump administration and Big Tech companies, the political use of digital platforms, and the normalization of exclusionary racial and gender discourses. Nemer defines Trumpism as a “platform authoritarianism,” in which digital technologies function as both the infrastructure of power and a mechanism of legitimation. Finally, he highlights three main contributions of academic research on the digital far right: the ethnographic diagnosis of disinformation ecosystems, the mapping of information flows between platforms, and the design of public policies and social practices to confront extremism without resorting to authoritarian measures.A entrevista com David Nemer analisa o segundo governo de Donald Trump como continuidade e radicalização do trumpismo, caracterizado pela centralização do poder, ataque à autonomia universitária e consolidação de um autoritarismo digital. Nemer descreve o trumpismo como um ecossistema comunicacional multiplataforma que combina redes abertas e fechadas para difundir narrativas, monetizar a militância e sustentar uma guerra cultural permanente. O fenômeno, segundo ele, tornou-se matriz transnacional das novas direitas, inspirando movimentos como o bolsonarismo e o Vox espanhol, que replicam estratégias de comunicação, desinformação e mobilização digital. A entrevista também aborda a simbiose entre o governo Trump e as Big Techs, o uso político das plataformas e a normalização de discursos raciais e de gênero excludentes. Nemer define o trumpismo como “autoritarismo de plataforma”, no qual as tecnologias digitais funcionam como infraestrutura de poder e legitimação. Por fim, destaca três contribuições da pesquisa acadêmica sobre as novas direitas digitais: o diagnóstico etnográfico de ecossistemas de desinformação, o mapeamento dos fluxos entre plataformas e a formulação de políticas públicas e práticas sociais para enfrentar o extremismo sem recorrer a medidas autoritárias
MAGIC AND SUBVERSION: WEAVING REALITY’S FABRIC
Magic is a fundamental element present in Fantasy works and an under analyzed aspect of such genre and mode. We will attempt to provide an open-ended definition of Magic as a modal aspect of Fantasy, whose function lies in the very process that subverts and transforms reality intratextually and/or intertextually. Concomitantly we will argue that such definition is better fit within a processual and organic metaphysical framework, especially due to Magic’s power to erase ontologically absolute layers of the world. Such subversive capacity, as Magic reimagines reality and weaves processes in new actualized concrescences, is a constant reminder of the inexorable limits of any given system and its ultimate lack of concreteness — such latter terms are often understood as a reifiying attempt forced by the collectively established mental constructs and the dominant cultural order. Due to its raw and core unbound potentiality and by understanding Magic modally, we can extend its presence to most if not all non-mimetic fictionalized productions through its defining capacity of enabling and performing subversion
A LITERATURA DE FANTASIA E O LEITOR: CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS A RESPEITO DO DESAFIO DE VIVER IMAGINATIVAMENTE:
Neste artigo, faz-se uma revisão teórica sobre a manifestação da fantasia na literatura à luz das ideias de Lewis (2009, 2018), Tolkien (2014), Zilberman e Lajolo (2017), entre outros. A investigação objetiva, sobretudo, avaliar: os sentidos e usos do termo fantasia na literatura; o modo como a fantasia se expressa no texto, estabelecendo intercâmbios com o público leitor, que se instauram na dinâmica das relações entre conceitos, tais como mundos primário e secundário, fantasia, numinoso e mito; e desdobramentos para o fenômeno contemporâneo do gênero fantasy fiction. Por fim, reflete-se sobre a importância da experiência leitora com a fantasia para a formação de mediadores de leitura literária
NARRATIVA-PRISÃO, OU A NARRATIVA GÓTICA COMO CÁRCERE
O texto que ora se apresenta, suplemento a dois textos publicados previamente, circunscreve e conceitua a ideia de narrativa-prisão, entendida no sentido de narrativa gótica como cárcere, como força de contenção do monstro e da monstruosidade. O conceito é desenvolvido a partir da constatação de sua ocorrência em três obra canônicas do gênero-modo gótico de ficção-literatura, as quais são tomadas como exemplos emblemáticos, mas não casos únicos ou isolados. Demonstrada sua ocorrência, o conceito de narrativa-prisão é tornado episteme por meio da mobilização de aparato teórico pós-estruturalista, com vista a se tornar útil para explicar seu acontecimento em outras narrativas pertencentes especificamente ao gênero-modo gótico
a response to ecclestone and hayes’ critique of therapeutic education using the community of inquiry to bridge the divide between the therapeutic and the educational
Este artigo argumenta contra as alegações de Ecclestone e Hayes (The Dangerous Rise of Therapeutic Education, 2009) de que crianças e jovens são mais ansiosos e menos resilientes devido à “educação terapêutica”. Propomos que eles apresentem uma visão parcial da educação baseada no conceito de “eu diminuído”. Sugerimos que o uso da abordagem da comunidade de investigação, conforme concebida por Lipman e Sharp (Lipman, 2003; Sharp, 2018c; Lipman et al., 1980), longe de criar aprendizes ansiosos, os introduz aos desafios relacionais da comunicação interpessoal, às incertezas do engajamento filosófico e, ao fazê-lo, oferece-lhes espaço para desenvolver seu pensamento e raciocínio independentes e colaborativos, tornando-se, assim, aprendizes mais confiantes e resilientes, capazes de se envolver com as incertezas que os cercam. A chave para essas capacidades aprimoradas é uma ênfase maior na “investigação agonística”, em que o conflito e as relações agonísticas não são evitados; o afetivo é parte integrante da investigação; e um consenso seguro sobre fins e meios é menos valorizado como uma característica da investigação.Este artículo refuta las afirmaciones de Ecclestone y Hayes (2009) de que los niños y los jóvenes son más ansiosos y menos resilientes debido a la «educación terapéutica». Proponemos que presentan una visión parcial de la educación basada en el concepto del «yo disminuido». Sugerimos que el uso del enfoque de la comunidad de investigación ideado por Lipman y Sharp (Lipman, 2003; Sharp, 2018; Lipman, et al., 1980), lejos de crear alumnos ansiosos, les introduce en los retos relacionales de la comunicación interpersonal, las incertidumbres del compromiso filosófico y, al hacerlo, les ofrece un espacio en el que desarrollar su pensamiento y razonamiento independientes y colaborativos, convirtiéndose así en alumnos más seguros y resilientes, capaces de enfrentarse a las incertidumbres que les rodean. La clave de estas capacidades mejoradas es un mayor énfasis en la «investigación agonística», en la que no se evitan los conflictos y las relaciones agonísticas, en la que lo afectivo es parte integrante de la investigación y en la que un consenso seguro sobre los fines y los medios se valora menos como característica de la investigación.This paper argues against Ecclestone and Hayes’ claims (2009) that children and young people are more anxious and less resilient because of ‘therapeutic education’. We propose that they present a partial view of education premised on the concept of ‘the diminished self’. We suggest that using the community of inquiry approach as devised by Lipman and Sharp (Lipman, 2003; Sharp, 2018; Lipman, et al., 1980), far from creating anxious learners, introduces them to the relational challenges of interpersonal communication, the uncertainties of philosophical engagement and in doing so, offers them space within which to develop their independent and collaborative thinking and reasoning, thus becoming more confident and more resilient learners who are capable of engaging with the uncertainties that surround them. The key to these enhanced capacities is an increased emphasis on ‘agonistic inquiry’ where conflict and agonistic relations are not avoided, where the affectual is integral to inquiry, and where a safe consensus over ends and means is less valued as a feature of inquiry
to meet each other, to know and grow, and to have a good time: insights from swedish pupils with intellectual disabilities who participated in philosophical dialogues
Este proyecto de investigación tiene como objetivo responder a las siguientes preguntas: (1) ¿Qué experiencias relatan los alumnos con discapacidad intelectual (DI) tras participar en una educación basada en el diálogo filosófico? y (2) ¿Cómo se relacionan estas experiencias con las necesidades de los alumnos con DI? Para abordar estas preguntas, se llevó a cabo un estudio de entrevistas con 12 alumnos, de entre 13 y 15 años, con DI principalmente leve, que asistían a la Escuela Obligatoria Sueca para Alumnos con Discapacidad Intelectual. Los alumnos participaron en un programa de intervención a pequeña escala que consistía en 12 sesiones de diálogos filosóficos a lo largo de 6 semanas, guiadas por dos facilitadores experimentados. Hacia el final del programa, los niños participaron en entrevistas semiestructuradas para compartir sus experiencias con los diálogos filosóficos. Las respuestas a estas entrevistas se analizaron en relación con las necesidades identificadas de los alumnos con discapacidad intelectual, concretamente la necesidad de actividades estimulantes desde el punto de vista cognitivo, habilidades comunicativas y sociales, y habilidades para la toma de decisiones. El análisis temático de los datos reveló los siguientes temas: Para conocerse, aprender, crecer, y pasar un buen rato. Los resultados indican que el diálogo filosófico es prometedor a la hora de abordar las necesidades identificadas de los alumnos con discapacidad intelectual. En particular, resultó de especial interés el papel del humor en las experiencias de los niños durante los diálogos filosóficos.This research project aims to answer the following questions: (1) What experiences do pupils with intellectual disabilities (ID) report after participating in education based on philosophical dialogue? and (2) How do these experiences relate to the needs of pupils with ID? To address these questions, an interview study was conducted with 12 pupils, aged 13 to 15 years, with primarily mild ID, attending the Swedish Compulsory School for Pupils with Intellectual Disabilities. The pupils participated in a small-scale intervention program consisting of 12 sessions of philosophical dialogues over 6 weeks, guided by two experienced facilitators. Toward the end of the program, the children took part in semi-structured interviews to share their experiences of the philosophical dialogues. The responses to these interviews were analyzed in relation to identified needs of pupils with ID, specifically the need for cognitively stimulating activities, communication and social skills, and decision-making skills. Thematic analysis of the data revealed the following themes: To meet each other, to know and grow, and to have a good time. The results indicate that philosophical dialogue holds promise in addressing the identified needs of pupils with ID. Notably, the role of humor in the children’s experiences during the philosophical dialogues was of particular interest.Este projeto de pesquisa tem como objetivo responder às seguintes perguntas: (1) quais experiências os alunos com deficiência intelectual (DI) relatam após participar de uma educação baseada no diálogo filosófico?; e (2) como essas experiências se relacionam com as necessidades dos alunos com DI? Para responder a essas questões, foi realizado um estudo de entrevistas com doze alunos, com idades entre 13 e 15 anos, com deficiência intelectual predominantemente leve, matriculados na Escola de Ensino Fundamental Sueca para Alunos com Deficiência Intelectual. Os alunos participaram de um programa de intervenção em pequena escala, composto por doze sessões de diálogos filosóficos ao longo de seis semanas, conduzidas por dois facilitadores experientes. Ao final do programa, as crianças participaram de entrevistas semiestruturadas para compartilhar suas experiências com os diálogos filosóficos. As respostas a essas entrevistas foram analisadas em relação às necessidades identificadas de alunos com DI, especificamente a necessidade de atividades cognitivamente estimulantes, de habilidades sociais e de comunicação, e de habilidades para a tomada de decisões. A análise temática dos dados revelou os seguintes temas: encontrar-se, conhecer e crescer e divertir-se. Os resultados indicam que o diálogo filosófico apresenta potencial para atender às necessidades identificadas de alunos com DI. Destaca-se, de forma especial, o papel do humor nas experiências das crianças durante os diálogos filosóficos
tornar-se professora pode ser uma arte quilombola menina? CUNHA, Edna Olímpia da. Por um devir quilombo na escola pública: resistir com infâncias na filosofia. Rio de Janeiro: NEFI, 2025.
The book Por um devir quilombo na escola pública: resistir com infâncias na filosofia, published by NEFI Edições, is the result of the doctoral research of public school teacher and researcher Edna Olímpia da Cunha. It is a book that will certainly interest those who live and/or dream of “the teaching profession” as an art of aquilombar (quilombo-making) and resisting. Edna Olímpia develops a escrevivência (life-writing) from her participation as a teacher in the project "Filosofia: Em Caxias a Filosofia En-caixa?!", promoted since 2007 at Joaquim da Silva Peçanha Municipal School, in Duque de Caxias/RJ, in partnership with the Núcleo de Estudos de Filosofias e Infâncias (NEFI – Center for Studies on Philosophies and Childhoods). This concrete experience with the project serves as the starting point of the book, which expands the listening to childhoods and connects these voices with broader philosophical and educational questions. Indeed, the author reports that her concerns are moved by the invitation to philosophize made by the very children who were already participating in the thinking experiences carried out in the project. Thus, the book addresses the relationship between philosophy and education in a public school on the urban periphery, highlighting the importance of dialogue, listening, and the recognition of childhoods as affirmative forces of life. The text emphasizes the strength of the partnership between the school and the public university.Fruto da pesquisa de doutorado da professora e pesquisadora da escola pública Edna Olímpia da Cunha, o livro Por um devir quilombo na escola pública: resistir com infâncias na filosofia, da NEFI Edições, certamente vai interessar àquelas pessoas que vivem e/ou sonham “o ofício docente” enquanto uma arte de aquilombar e resistir. Edna Olímpia desenvolve uma escrevivência a partir da sua participação enquanto professora no projeto “Em Caxias, a filosofia en-caixa?”, promovido desde o ano de 2007 na Escola Municipal Joaquim da Silva Peçanha, em Duque de Caxias (RJ), em parceria com o Núcleo de Estudos de Filosofias e Infâncias (NEFI). Essa experiência concreta com o projeto serve como ponto de partida do livro, que amplia a escuta das infâncias e articula essas vozes com questões filosóficas e educativas mais amplas. De fato, a autora relata que as suas inquietações são movidas pelo convite a filosofar feito pelas próprias crianças que já participavam das experiências de pensamento realizadas no projeto. Assim, o livro versa sobre a relação entre filosofia e educação numa escola pública de periferia, evidenciando a importância do diálogo, da escuta e do reconhecimento das infâncias como potências afirmativas da vida. O texto destaca a potência da parceria entre a escola e a universidade pública.Fruto de la investigación doctoral de la profesora e investigadora de escuela pública Edna Olímpia da Cunha, el libro Por un devenir quilombo en la escuela pública: resistir con infancias en la filosofía, de NEFI ediciones, es un libro que sin duda interesará a aquellas personas que viven y/o sueñan “el oficio docente” como un arte de aquilombar y resistir. Edna Olímpia desarrolla una “escrevivência” a partir de su participación como profesora en el proyecto "Filosofía: Em Caxias a Filosofía En-caixa?!", promovido desde el año 2007 en la Escuela Municipal Joaquim da Silva Peçanha, en Duque de Caxias/RJ, en colaboración con el Núcleo de Estudios de Filosofías e Infancias (NEFI). Esta experiencia concreta con el proyecto sirve como punto de partida del libro, que amplía la escucha de las infancias y articula esas voces con cuestiones filosóficas y educativas más amplias. De hecho, la autora relata que sus inquietudes son movidas por la invitación a filosofar hecha por las propias niñas y niños que ya participaban en las experiencias de pensamiento realizadas en el proyecto. Así, el libro trata de la relación entre filosofía y educación en una escuela pública de la periferia, evidenciando la importancia del diálogo, de la escucha y del reconocimiento de las infancias como potencias afirmativas de la vida. El texto destaca la fuerza de la colaboración entre la escuela y la universidad pública