Portal de Periódicos do IFRS (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia)
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MULHERES AFRICANAS E INDÍGENAS, LIDERANÇAS NA SOBERANIA ALIMENTAR E LITERATURA: Ensinos e aprendizagens de possíveis intersecções contra hegemônicas
Trata-se de uma análise de possibilidades de intersecções entre os estudos sobre a presença da mulher negra na literatura, a representação da mulher indígena na sustentabilidade da aldeia e na soberania alimentar dos povos originários. Temas de pesquisa das mestrandas do Programa de Pós Graduação em Ensino e Relações Étnico-raciais da Universidade Federal do Sul da Bahia. As autoras dessa proposta intencionam destacar que, nos seus diversos nichos de estudo, pode haver inúmeras possibilidades de desenvolver processos de ensino-aprendizagem escolar, numa perspectiva de resistência nessas e dessas inter-relações, e que estas experiências podem contribuir no combate à invisibilidade feminina nessas atuações. Adota-se o método da pesquisa bibliográfica a partir da abordagem de uma certa “fenomenológico - militância afro e indígena”, numa outra concepção de subjetividade intersecional, a ser tratada melhor posteriormente.
 
POR UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: Descolonizar currículos como desafio para a construção da democracia
Este trabalho, de caráter bibliográfico e documental, tem por objetivo discorrer sobre como a colonialidade opera por meio do currículo, discutindo a forma de organização do conhecimento nas escolas de educação básica, que acaba por privilegiar perspectivas racistas, colonialistas e epistemicidas, sustentando assim a colonialidade implantada nos continentes não europeus, especificamente no Brasil, apresentando-se, assim, como um desafio a implementação das Leis 10.639/03 e a Lei 11.645/08. Dessa forma, busca-se analisar as contribuições dos estudos do Grupo Modernidade/Colonialidade, tendo em vista que o pensamento decolonial propõe a construção de um conhecimento outro, a partir da consideração de outros tipos de conhecimento, uma vez que a luta pelo direito ao ensino da cultura e história dos povos de origem africana e dos povos indígenas tem um longo caminho percorrido. Fala-se de um currículo que possa estabelecer um diálogo com as demais culturas, não se tratando simplesmente de troca de centralidades, mas sim da inclusão de outras visões de mundo.
 
“A IGREJA CATÓLICA TE CONDENA. A IGREJA EVANGÉLICA TE CONDENA”: O discurso religioso judaico-cristão afetando a construção da identidade lésbica
Este trabalho é um recorte de uma pesquisa de mestrado que se orienta pela seguinte questão norteadora: quais os efeitos do discurso religioso judaico-cristão na construção da identidade lésbica? A pesquisa amparou-se na vertente pós-estruturalista, preocupando-se em questionar, borrar e problematizar as verdades tidas como absolutas e universalistas. Como caminho metodológico foi realizado um grupo focal constituído de três encontros com oito lésbicas contactadas por meio das redes sociais e de ativistas de uma organização LGBT de Jequié – BA. Dessas lésbicas, seis nasceram em Jequié, uma em Ubatã e uma em Itagi, cidades do interior baiano. Quanto às questões étnicas e raciais, duas se declararam brancas, três pretas e três pardas. A idade delas varia entre 21 a 30 anos. Sobre a religião, três se declararam católicas, uma espírita, uma evangélica, uma agnóstica e duas não têm religião. Dentre os apontamentos, destacamos neste texto o quanto o discurso religioso judaico-cristão, entendido como um marcador étnico da branquitude, afeta a construção identitária das lésbicas partícipes da pesquisa, inclusive algumas delas evidenciam a lesbofobia intrafamiliar advinda desse discurso e se autoculpabilizam por conta de sua sexualidade, embora questionem alguns dos discursos dessas religiões sobre a lesbianidade. Outras são menos afetadas e resistem ao discurso de ódio proferido por essas religiões judaico-cristãs.
 
CONTRIBUIÇÕES DE JANE ELLIOTT PARA SE PENSAR A QUESTÃO RACIAL NO BRASIL: Discriminação racial, lugar de fala e empatia
Objetiva-se inicialmente, realizar uma análise do documentário “Olhos Azulados” de Jane Elliott, o qual problematiza os efeitos da segregação racial nos Estados Unidos da América, tendo como foco alunos de terceira série primária e workshops promovidos pela professora Elliott. O vídeo servirá a este artigo como mote para discutir dominação histórica, cultural e racista. A partir do documentário em tela, discutem-se categorias chave como “discriminação racial”, “lugar de fala” e “empatia”, como instrumentais para a decodificação das relações raciais no Brasil. A contribuição de autores como Frantz Fanon (2008), Gayatri Spivak (2014), Joaze Costa & Ramón Grosfoguel (2016) e Djamila Ribeiro (2017) foram essenciais para aprimorar o diálogo temático.
 
EPISTEMOLOGIA DO SER: O que pode o corpo feminino?
O presente artigo aborda as nuances do discurso sobre o controle do corpo feminino, bem como o relaciona ao pouco conhecimento sobre as questões fisiológicas feminais como fonte de repressão e coação do comportamento mulheril. O texto apresenta alguns exemplos que guiaram na construção do arquétipo cultural do que é ser mulher. Narra como alguns movimentos históricos influenciaram o modo de ver o corpo femíneo. Aponta reflexões sobre a construção cultural do que é ser mulher.
 
BLUESMAN: Retomada da identidade negra em Baco Exu do Blues
Esse trabalho objetiva apresentar a importância do Hip Hop na formação identitária negra, uma vez que desde seu surgimento, nos anos de 1970, se faz importante no processo de afirmação cultural do povo negro quando questões como resistência e identidade são temas recorrentes nas manifestações artísticas desse movimento. O Rap, elemento musical do Hip Hop, reflete mesmo que indiretamente, a situação social do negro em suas letras. Na música Bluesman, que dá título ao seu segundo trabalho, o rapper Baco Exu do Blues, traça um paralelo do rap com o blues, abordando questões identitárias e de subalternidade, onde o negro se constituí como agente ativo de sua trajetória. Para tanto, nossa pesquisa se ocupa, metodologicamente, de uma abordagem bibliográfica e documental, através de uma análise que se ocupará em buscar no texto indícios desta retomada cultural e os seus tensionamentos com a cultura “padrão”. Nosso aporte teórico se baseia nas categorias sobre identidades e mediações culturais, cuja ancoragem está em Hall (2009); já as definições de hip hop e rap em Buzo (2010) e do Blues em Mugiatti (1995). Nesse sentido, consideramos que o processo de afirmação identitária está intimamente ligado a estas expressões artísticas, de modo que a produção decorrente desta cultura é parte constitutiva desta identidade, sendo o gênero musical um influenciador para reconhecimento da identidade negra. O hip hop, além de um manifesto artístico é um movimento que evidencia uma maneira de expressão, que viabiliza a visibilidade dos negros que buscavam pela afirmação racial e existência social
EDUCAÇÃO E DECOLONIALIDADE: A história da África e diáspora longe do olhar europeu
Esta pesquisa traz reflexões preliminares para (re)pensar a introdução do ensino da história da África e diáspora negra no currículo escolar a partir da perspectiva dos próprios africanos, privilegiando seus fundamentos epistemológicos e herança intelectual, como estratégia e possibilidade de descolonização de saberes eurocêntricos, oficiais e dominantes, que silenciam e reduzem as produções de outros saberes a um conjunto de representações estereotipadas, tornando necessárias medidas de intervenção que possam insurgir e resistir promovendo outras epistemologias e práticas docentes. Trata-se de pesquisa de caráter qualitativo combinada com revisão bibliográfica. Tendo como fundamento teórico o marco decolonial. Como resultado espera-se desvelar as dimensões básicas da colonialidade do saber no currículo escolar e apresentar uma possibilidade de intervenção decolonial na Educação Básica a partir de uma pesquisa que tem sido desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ensino das Relações Étnicos-Raciais- PPGER, da Universidade Federal do Sul da Bahia, UFSB.
 
O TRABALHO INFINITO DAS RELAÇÕES ÉTNICAS E SUAS ENCRUZILHADAS
O objetivo desta comunicação é tecer comentários reflexivos e dialógicos sobre a pesquisa de mestrado concluída recentemente, representada por uma escrita acadêmica e um lugar, e os interlocutores principais, produtores e enunciadores de saberes. Descreve-se um processo de constituição de etnicidades em torno da feitura da feijoada no restaurante Filhinha da Feijoada, dentro do Centro de Abastecimento Vicente Grillo – Jequié/BA. Os estudos das teorias de etnicidades e também teorias de(s)coloniais trazem a jogo saberes, tradições e costumes cujos dispositivos de colonialidade e epistemicídio historicamente apagaram identidades, pertencimentos e conhecimentos não-brancos. A partir de um ponto de vista bem localizado nas pesquisas do Órgão de Educação e Relações Étnicas e dentro de uma perspectiva mais pessoal construiremos um diálogo com alguns interlocutores e autores.
 
POR UMA ESCRITA INDÍGENA: Meu ser, minha voz, minha autoria
O texto faz um convite a uma reflexão acerca da produção de autoria indígena tendo como ferramenta a escrita, um chamamento para que pensemos a escrita indígena como instrumento de resistência, por meio da qual as vozes dos povos subalternizados se auto representem, não mais prendendo-se aos agenciamentos silenciadores. Faz uma exortação quanto ao potencial de militância dos escritos e produções indígenas e sobre a importância de seu papel para a divulgação dos saberes ancestrais dos diversos povos, através de sua voz-práxis-autoral, indo de encontro aos discursos que, historicamente, criaram a imagem do índio genérico, romântico e preso ao passado.
 
ATUAÇÃO DO PROJETO “CIÊNCIA INTERATIVA” NA MICRORREGIÃO DE ILHÉUS-ITABUNA: Um relato de experiência
Este artigo objetiva estabelecer uma discussão acerca de como o projeto “Ciência Interativa” (CI) pode contribuir para o ensino de ciências e matemática. Isto é feito a partir de um panorama geral sobre iniciativas existentes que atuam na divulgação e popularização da ciência na microrregião de Ilhéus-Itabuna. A proposta de criação do projeto era se constituir como um importante veículo de divulgação científica, somando esforços a outras iniciativas existentes e, por conseguinte colaborar para a melhoria da educação em ciências e matemática em sua região de atuação. Neste trabalho, de caráter descritivo, apresenta-se o CI, tecendo uma análise a partir das exposições realizadas nos anos de 2014 e 2015. Como resultado, fica evidente a expansão do CI demonstrado pelo número significativo de visitantes, pela presença de comunidades escolares e sociedade civil do entorno do campus e cidades circunvizinhas nas exposições, pelo surgimento de parcerias com outras instituições, além do aumento expressivo de experimentos na área de ciências naturais (representados aqui pela física, química e biologia) e matemática. As discussões trazidas neste trabalho, além de auxiliar para reflexão das ações do CI e seu papel como projeto que atua na divulgação e popularização da ciência, apontam para a necessidade de investigações a respeito de projetos de divulgação científica e sua relação com o ensino regular, mesmo como uma forma de fomentar investimentos por parte do governo e/ou organizações não governamentais na área