UNIFRAN - Publicações Acadêmicas (Univ. de Franca)
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TRATAMENTO DE DEFEITO ÓSSEO COM COMPÓSITO DE HIDROXIAPATITA, FIBROÍNA DE SEDA E ÁCIDO HIALURÔNICO EM COELHOS – AVALIAÇÃO HISTOMORFOMÉTRICA
Fraturas ósseas afetam consideravelmente a qualidade de vida de humanos e animais. Quando lesões ou perda de tecido são extensas, a reparação pode ficar prejudicada, havendo a necessidade de emprego de biomateriais. O objetivo deste trabalho foi avaliar o tratamento de defeito ósseo em olecrano de coelhos com o uso de compósito constituído de hidroxiapatita (HAP), fibroína de seda (FS) e ácido hialurônico (AH) nas concentrações de 1% ou 3%. Quarenta coelhas da raça Nova Zelândia foram distribuídas em quatro grupos de acordo com cada tratamento. Todos os animais foram submetidos a procedimento cirúrgico para realização de um defeito circular de 5 mm na cortical lateral do olecrano direito. No mesmo procedimento cada animal recebeu um dos seguintes tratamentos: (1) HAP + FS; (2) HAP + FS + AH 1%; (3) HAP + FS + AH 3%; (4) Controle. Aos sete e aos 30 dias após o implante, cinco animais de cada grupo foram eutanasiados e tiveram o olecrano coletado e processado para análise histomorfométrica por planimetria por contagem de pontos. Os dados foram submetidos a ANOVA de dois fatores, seguido por Holm-Sidak (α = 5%). Houve interação entre tempo e tratamento (p=0,011) para a variável “osso”, tendo a quantidade de osso diminuído da primeira coleta para a segunda no grupo HAP + FS e aumentado no grupo HAP + FS + AH 3%. Pode-se concluir que a adição de AH ao compósito de HAP + FS estimula a reparação óssea. Agradecimentos: CAPES, CNPq e FAPEMI
AVALIAÇÃO DA ANGIOGÊNESE EM XENOENXERTOS IMPLANTADOS EM SÍTIOS INTRACORPÓREOS DE COELHOS COMO MODELO DE BIORREATOR IN-VIVO – RESULTADOS PRELIMINARES
É crescente a procura por materiais naturais ou sintéticos que auxiliem na recuperação tecidual, inclusive em grandes falhas ósseas decorrentes de traumas de alta energia, complicações pós-operatórias ou neoplasias ósseas. Como alternativa para corrigir tais falhas, lança-se mão de enxertos ósseos, na qual os autólogos apresentam as melhores respostas teciduais em termos de biocompatibilidade. Devido à baixa quantidade de enxerto autólogo, há crescente número de pesquisas sobre o uso de enxertos xenólogos, mais usualmente de origem bovina. Porém, para potencializar a produção e a quantidade de células neoformadas a partir do enxerto, o uso de biorreatores vem sendo explorado. Desta maneira, os enxertos xenólogos de origem bovina, foram implantados em sítios intracorpóreos de coelhos (biorreatores). Foram utilizados 30 coelhos, sendo seis grupos contendo cinco animais cada. Os sítios de implantação foram: bolsa de omento intrabdominal, intermuscular (entre os músculos bíceps e vasto femorais) e subperiosteal na região ilíaca. As amostras foram colhidas com sete, 15, 30, 45 e 60 dias de pós-operatório, sendo feitas análises macroscópicas (mostrando apenas reação de discreto hematoma nos dois primeiros tempos de avaliação) e amostra histopatológicas. Até o presente momento, as análises preliminares mostraram presença de intensa reação inflamatória no local, presença de células gigantes e formação de poucos vasos sanguíneos ao redor dos implantes colocados no omento, porém novas análises serão feitas dos tempos finais de coleta
COMPILADO DE 43 PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS REALIZADOS COMO TRATAMENTO PARA PACIENTES COM Dioctophyme renale NA REGIÃO DE PELOTAS – RIO GRANDE DO SUL
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) – RS conta com o Projeto Dioctophyme renale em cães e gatos (PRODic), criado em 2012 e estruturado como grupo de pesquisa e extensão. Objetiva conscientizar a população, pesquisar, diagnosticar e tratar cirurgicamente os animais positivos para a dioctofimatose, doença causada por Dioctophyme renale, o “verme gigante do rim”. Conta com o Hospital de Clínicas Veterinárias – UFPel como sede, onde os pacientes são diagnosticados e submetidos a exames complementares, como os hematológicos, ultrassonográficos, ecocardiodioppler e monitoração com holter 24 horas. Após, são encaminhados aos cuidados cirúrgicos necessários. O PRODic já realizou 43 procedimentos cirúrgicos para tratamento da dioctofimatose. Dentre eles, 42 foram realizados em cães (19 machos e 24 fêmeas) e um em gato (macho) eas nefrectomias direitas correspondem a 33 procedimentos. Também foram realizadas uma nefrectomia esquerda, uma nefrotomia, a remoção de um parasito torácico através de toracotomia transdiafragmática, a remoção de um parasito intramuscular e celiotomias exploratórias para remoção de parasitos abdominais. Os animais sem raça definida apresentaram superioridade dos casos. A dioctofimatose é uma zoonose pouco conhecida, afetando principalmente animais errantes com hábitos alimentares pouco seletivos, principalmente com consumo de peixes e rãs crus e água não tratada. Necessita de ambiente aquático para evolução do ciclo, o que explica a alta casuística da região de Pelotas – RS, às margens da Lagoa dos Patos e com intensa atividade pesqueira. O Dioctophyme renale representa grande importância na rotina veterinária do HCV – UFPel, levando a diversos procedimentos cirúrgicos para tratamento da parasitose
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E MICROBIOLÓGICAS DA SEPSE EM CÃES DE UM HOSPITAL VETERINÁRIO ESCOLA
A sepse é causa importante de mortalidade, mas existem poucos estudos em cães com base no Segundo Consenso de Sepse. Os objetivos deste estudo foram aplicar esse instrumento de avaliação em cães, classificá-los em sepse, sepse grave ou choque séptico e identificar os agentes infecciosos e perfil de resistência à antimicrobianos no foco infeccioso, corrente sanguínea e colonizando mucosa retal. Dos 37 cães avaliados, 26 (70,2%) apresentaram pelo menos dois sinais de SIRS, e sepse grave foi diagnosticada em 27 (73%) animais. As principais disfunções orgânicas verificadas foram diminuição do nível de consciência em 56,8% (21/37), hiperlactatemia em 51,4% (19/37) e hipoalbuminemia em 48,6% (18/37). O foco infeccioso mais frequente foi pele/partes moles (54%), seguido por órgãos/cavidades (21,6%). A taxa de sobrevivência foi 56,7% e animais em choque séptico apresentaram maior mortalidade. Na hemocultura confirmou-se bacteremia em nove pacientes (24,3%), com predominância de microrganismos gram-positivos. As bactérias mais frequentes no foco de infecção foram as gram-negativas (46,2%), principalmente Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. Na mucosa retal foram encontradas E.coli -ESBL (31,5%), K. pneumoniae-ESBL (15,7%), P. aeruginosa (15,7%) e Enterococcus resistentes à vancomicina (VRE) (10,8%), sendo bactérias ESBL mais associadas ao óbito. Concluiu-se que a frequência de sepse e mortalidade foi elevada e a presença de dois ou mais sinais de SIRS, hipotensão e hipoalbuminemia foram bons preditores de óbito. Os microrganismos gram-negativos foram os mais frequentes, tanto nas infecções quanto nas colonizações, mas não nas hemoculturas, sendo que a maioria apresentava resistência à fluorquinolonas, sulfonamidas, tetraciclinas e cefalosporinas
REFRACÃO E CURVATURA CORNEAL APÓS ENXERTIA CIRÚRGICA INTRA-ESTROMAL DE MEMBRANAS DE COLÁGENO. ESTUDO EM COELHOS
Biomaterias colagênicos estão sendo empregados como substitutos teciduais em cirurgias corneais. Objetivou-se, portanto, avaliar a refração, a curvatura/astigmatismo e a microestrutura de córneas de coelhos, após enxertia de membrana colagênica. A Comissão de Ética no Uso de Animais da FCAV/Unesp (N.6.330/16) autorizou o estudo. Somente olhos direitos foram usados. Dois grupos (n = 16 cada) compuseram a pesquisa: o grupo CM formado de córneas que tiveram membranas colagênicas (patente INPI BR1020180103237) implantadas dentro de um "bolso" (300 µm) criado na região paracentral; e o grupo SM, formado de córneas com “bolso”, sem implantação de membranas. Córneas foram avaliadas usando autorefrator (Potec-PRK7000), imediatamente antes (pré.op) e por até 28 dias depois dos procedimentos (pós.op). Emetropia foi definida como o erro refrativo entre -0,5 e +0.5 dioptrias (D). No final do experimento, córneas foram colhidas para histopatologia. Diferenças com P<0,05 foram significativas. Intercorrências não foram observadas. Todas as córneas no grupo CM tinham erros refrativos em mais de 1 D, sendo que os valores foram +2,15 (±1,21) D no pré-op vs. +4,75 (±1,62) D no pós-op. (P<0,01). Os valores para curvatura/astigmatismo foram -1,75 (±0,58) D no pré-op vs. -2,4 (±0,96) D no post-op do grupo CM (P=0,13). Os procedimentos efetuados nas córneas do grupo SM não alteraram os valores de astigmatismo (P=0,105). Estudos histopatológicos revelaram que a membrana foi totalmente incorporada ao estroma corneal remanescente. Sinais de rejeição não foram observados. Em suma, o enxerto mostrou-se seguro, porém alterou a refração e a curvatura/astigmatismo corneal (Fapesp Proc. 2016/00743-1; CNPq Proc. 467289/2014-0).Palavras-chave: refração corneal, curvatura corneal, cirurgia ocular, biomateriais cirúrgicos, colágeno.Keywords: corneal refraction, corneal curvature, ocular surgery, surgical biomaterials, collagen.
ANÁLISE BIOMECÂNICA DO JEJUNO DE CADÁVERES DE GATOS PREPARADOS QUIMICAMENTE COM ÁLCOOL ETÍLICO E SAL DE CURA VISANDO A PRÁTICA DA CIRURGIA VETERINÁRIA – EFEITO AGUDO DA PREPARAÇÃO
Este estudo objetivou analisar, biomecanicamente, o intestino de cadáveres de gatos preparados quimicamente visando a prática da cirurgia veterinária. Foram determinadas a força máxima, em Newtons, de ruptura do jejuno de 8 cadáveres de gatos injetados com solução de álcool etílico puro com 5% de glicerina, na quantidade de 150ml/kg de peso corporal, e 120ml/kg de solução contendo 200g/litro de cloreto de sódio, 10g/litro de nitrito de sódio e 10g/litro de nitrato de sódio, via artéria carótida comum. Os cadáveres foram colocados em sacos plásticos e mantidos refrigerados entre 2° e 6°C. Foram colhidos 3 fragmentos jejunais previamente à fixação (amostras controle/frescas; dia 0) e foram realizadas análises biomecânicas nos dias 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, e as médias da força máxima de ruptura, em Máquina Universal de Ensaio, foram 22,37±8,171N; 28,63±9,2N; 26,07±8,22N; 27,24±10,63N; 30,48±14,49N; 23,89±10,24N; 31,89±12,07N e 33,58±19,91N, respectivamente. Segundo o teste de Dunnett, houve diferença significativa da média de força máxima em relação às amostras controle apenas dos dias 6 e 7, ou seja, apenas em 2 dos 7 momentos analisados, o que é extremamente importante para a prática cirúrgica intestinal por mimetizar com grande similaridade a resistência do intestino de gatos conservados quimicamente em relação ao de cadáveres frescos, o que é excelente
CORREÇÃO DE DESVIO VARO EM FELINO COM LUXAÇÃO PATELAR MEDIAL BILATERAL ATRAVÉS DA TÉCNICA DE CLOSING WEDGE – RELATO DE CASO
A luxação patelar é caracterizada pelo deslocamento da patela do sulco troclear medialmente ou lateralmente de forma permanente ou recorrente. É uma patologia muito comum em cães de pequeno porte, com poucos relatos em felinos. Pode ser de origem congênita com caráter hereditário ou adquirido de forma traumática, representada por quatro níveis de graduação dependendo gravidade da luxação, e frequentemente está associada a outras anormalidades musculoesqueléticas, como por exemplo, a coxa vara, sendo o tratamento cirúrgico o mais eficaz para esses casos. Foi atendido um felino, macho, sem raça definida, de 4 anos apresentando dificuldade de deambulação e claudicação bilateral em membros pélvicos. Após anamnese, exame físico e radiográfico, foi constatada luxação patelar medial associada a um desvio bilateral de fêmur (coxa vara). Como forma de tratamento, foi realizada uma osteotomia corretiva em cunha bilateral de fêmur utilizando implante bloqueado de titânio para síntese óssea, visando corrigir a angulação inadequada responsável por causar a luxação. Também foi realizada no mesmo procedimento uma trocleoplastia em cunha, seguida de imbricação lateral da cápsula articular. Optou-se por operar primeiro o membro direito, considerado o mais grave, e após 45 dias, operado o membro esquerdo. No 50º dia pós-operatório após a cirurgia do membro esquerdo, o animal já apresentava recuperação completa. A associação dessas técnicas tenta reestabelecer a distribuição mecânica o mais próximo possível do ideal em ambos os membros e trazer estabilidade patelar ao paciente, apresentando um excelente resultado final, trazendo conforto e melhor qualidade de vida ao paciente
BIÓPSIA HEPÁTICA LAPAROSCÓPICA SINGLEPORT EM CANINO: RELATO DE CASO
As doenças hepáticas em caninos necessitam da realização de biópsias para confirmação do diagnóstico definitivo, porém na grande maioria das vezes ela não é realizada, prejudicando o tratamento dos pacientes. O presente relato descreve o caso de um canino, macho, sharpei, com 6 anos de idade que apresentava anorexia há 3 dias e aumento das enzimas fosfatase alcalina e alanina amino tranferase. Ao exame ultrassonográfico de abdômen evidenciou-se hepatomegalia e parênquima com perda da ecotextura e baixa ecogenicidade difusas. O paciente foi submetido à avaliação videolaparoscópica hepática onde foram verificadas áreas sugestivas de lesão hepática onde coletadas três amostras de biópsia através da utilização de pinça de biópsia saca-bocado de 5mm. O acesso cirúrgico ocorreu utilizando um único acesso abdominal com a utilização de dois portais de laparoscopia, de 10mm e 5mm. O tempo cirúrgico foi de 25 minutos, sem a ocorrência de complicações transoperatórias e sem a evidência de sangramentos. No pós-operatório o animal apresentou anorexia por 2 dia, sendo instituída a alimentação pastosa forçada e após este período passou a ingerir a dieta normalmente. Os pontos foram retirados com 7 dias de pós-operatório sem evidências de complicações sistêmicas e da ferida cirúrgica. A abordagem videolaparoscópica do sistema hepático mostrou-se efetiva para a confirmação do diagnóstico de hepatite crônica canina, através de avaliação histopatológica, com a coleta de três fragmentos por meio da pinça laparoscópica de biópsia saca-bocado de 5mm
Simulação computacional por elementos finitos e teste in vivo de uma nova haste intramedular polimérica para osteossíntese de fraturas femorais em bovinos
O objetivo foi testar um compósito à base de resina de poliéster e fibra de vidro na forma de haste intramedular para ostessíntese de fraturas femorais em bezerros. Inicialmente, utilizou-se modelo de elementos finitos de fêmur de bovino jovem para simular uma fratura diafiseal oblíqua estabilizada pela haste proposta, bloqueada com 4 parafusos de aço inox, dois aplicados proximais e dois distais à fratura. O fêmur virtual foi submetido às forças calculadas com base na massa corpórea do bovino jovem em condições estática e dinâmica. Foram testadas diferentes configurações da haste quando à espessura dos parafusos, seu posicionamento e o distanciamento em relação ao foco da fratura. Uma vez determinada a melhor configuração, realizaram-se os testes in vivo em seis bezerros. Desses, cinco obtiveram consolidação completa da fratura após 60 dias. No sexto animal foi submetido a nova osteossíntese devido a falha no implante após 22 dias, que foi resultante de rachadura longitudinal da haste. Apesar dessa falha, que demonstra que o processo de confecção das hastes precisa de ajustes, considerou-se que o compósito foi satisfatório. A utilização prévia da análise de elementos finitos foi fundamental para prever a tolerância do material em relação às cargas geradas no pós-operatório. Em conclusão, a haste intramedular à base de resina de poliéster e fibra de vidro (materiais de baixo custo e fácil aquisição) foi capaz de resistir às cargas mecânicas tanto na simulação quanto no teste in vivo, permitindo a consolidação óssea de fraturas femorais de bovinos jovens