Sistema de Publicações da UNILA (Univ. Federal da Integração Latino-Americana)
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    El juego como artefacto intercultural y mediador pedagógico en la enseñanza de las ciencias

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    Cultural diversity at school, ignorance of the game as a socio-cultural element and westernized science teaching have been constant in the educational context. This text shows the partial results of the doctoral work conceptualized from 3 references: diversity and cultural difference, science teaching and play. The objective is to characterize the game as an intercultural artifact and pedagogical mediator in science classes. The methodological approach is qualitative and framed in the interpretive paradigm. Participation Action Research and informational bibliographic mapping are used. The partial results have indicated that the approach to the subject in question is scarce and that the game is mostly conceived as a didactic resource. It is concluded that, being a subject little studied, it becomes a possibility of knowing, recognizing and including local-traditional knowledge in the teaching of science.La diversidad cultural en la escuela, el desconocimiento del juego como elemento socio-cultural y la enseñanza de las ciencias occidentalizada han sido la constante en el contexto educativo. El presente texto muestra los resultados parciales del trabajo[1] doctoral conceptualizado desde 3 referentes: diversidad y diferencia cultural, enseñanza de las ciencias y juego. El objetivo es caracterizar al juego como artefacto intercultural y mediador pedagógico en las clases de ciencias. El enfoque metodológico es de corte cualitativo enmarcado en el paradigma interpretativo. Se emplea la Investigación Acción Participación y el mapeamiento bibliográfico informacional. Los resultados parciales han indicado que es escaso el abordaje del tema en cuestión y que el juego es concebido mayoritariamente como un recurso didáctico. Se concluye que, al ser un tema poco estudiado, se convierte como una posibilidad de conocer, reconocer e incluir los conocimientos locales-tradicionales en la enseñanza de las ciencias.  A diversidade cultural na escola, o desconhecimento do jogo como elemento sociocultural e o ensino ocidentalizado de ciências têm sido constantes no contexto educacional. Este texto mostra os resultados parciais do trabalho de doutorado conceituado a partir de 3 referências: diversidade e diferença cultural, ensino de ciências e jogos. O objetivo é caracterizar o jogo como artefato intercultural e mediador pedagógico nas aulas de ciências. A abordagem metodológica é qualitativa e enquadrada no paradigma interpretativo. São utilizados pesquisa-ação participativa e mapeamento bibliográfico informativo. Os resultados parciais indicaram que a abordagem do tema em questão é escassa e que o jogo é concebido principalmente como um recurso didático. Concluímos que, por ser um assunto pouco estudado, torna-se uma possibilidade de conhecer, reconhecer e inserir os saberes tradicionais locais no ensino de ciências

    Gamificação no ensino de ciências: desenvolvimento de uma plataforma de gerenciamento das atividades

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    The term gamification is recent and entered education as a teaching methodology and in favoring motivation, being better known and used in the remote context of teaching during the Covid-19 pandemic. But how to gamify in the remote context, manage all activities and provide feedback? The objective of this article is to present the steps of developing a management platform, using Google Classroom and Google Sheets, as well as gamified activities applied with graduates of the Natural Sciences course at the Federal University of Maranhão, in the discipline of Natural Science Teaching Methodology. The structuring was based on the game elements proposed by Schell, adapted by other authors in the context of gamification: Mechanics, Dynamics and Aesthetics (Component). The discipline\u27s syllabus was divided into five great journeys (challenges) inserted in a plot in which students were the protagonists. The platform allowed greater management and feedback of activities and the dynamics provided a good involvement, motivation and cooperation of the students. Keywords: Gamification; Science Teaching; Cultural Tools; Active Methodologies.El término gamificación es reciente y entró en la educación como una estrategia de enseñanza y para favorecer la motivación, siendo más conocido y utilizado en el contexto remoto de la enseñanza durante la pandemia de Covid-19. Pero, ¿cómo gamificar en el contexto remoto, gestionar todas las actividades y proporcionar retroalimentación? El propósito de este artículo es presentar los pasos para desarrollar una plataforma de gestión, utilizando Google Classroom y Google Sheets, así como las actividades gamificadas aplicadas con los alumnos del curso de Ciencias Naturales de la Universidad Federal de Maranhão en la disciplina de Metodología de Enseñanza de las Ciencias Naturales. La estructuración se basó en elementos del juego propuestos por Schell, adaptados por otros autores en el contexto de la gamificación: Mecánica, Dinámica y Estética (Componente). El temario de la disciplina se dividió en cinco grandes viajes (desafíos) insertados en una trama en la que los estudiantes eran los protagonistas. La plataforma permitió una mayor gestión y retroalimentación de las actividades y la dinámica brindó una buena implicación, motivación y cooperación de los alumnos. Palabras clave: Gamificación; Enseñanza de las Ciencias; Herramientas Culturales; Metodologías Activas.O termo gamificação é recente e entrou na educação como estratégia de ensino e no favorecimento da motivação, sendo mais conhecida e utilizada no contexto remoto de ensino durante a pandemia do Covid-19. Mas como gamificar no contexto remoto, gerenciar todas as atividades e fornecer feedback? O objetivo deste artigo é apresentar as etapas de desenvolvimento de uma plataforma de gerenciamento, utilizando o Google Classroom e Google Planilhas, bem como as atividades gamificadas aplicadas com licenciandos do curso de Ciências Naturais da Universidade Federal do Maranhão, na disciplina de Metodologia do Ensino de Ciências Naturais. A estruturação tomou por base os elementos de game propostos por Schell, adaptados por outros autores ao contexto da gamificação: Mecânica, Dinâmica e Estética (Componente). A ementa da disciplina foi dividida em cinco grandes jornadas (desafios) inseridas em um enredo no qual os alunos eram os protagonistas. A plataforma permitiu um maior gerenciamento e feedback das atividades e as dinâmicas proporcionaram um bom envolvimento, motivação e cooperação dos alunos.

    Diferença ontológica: A dicotomia humana como espaço de produção da diferença colonial

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    Este artigo pressupõe que a expressão máxima da diferença colonial foi possível graças à fratura ontológica emergida não pela potência ou força presuntiva dos povos colonizadores, mas sim por suas cosmologias limitadas e fragilizadas pela natureza conservadora e normativa dos valores que secularmente se articularam para formação da dimensão de sujeito, identidade e poder dos povos europeus. Nesse sentido, a diferença colonial manifesta pela produção de espaços de dominação, em que histórias e projetos que eram locais (europeus) se tornaram universais, silenciando histórias e projetos do Sul Global, só foram possíveis graças ao ethos ontológico dicotomizado dos povos colonizadores. Compreendo essa fratura ontológica como diferença ontológica e proponho sua razão como fundamento para a produção dos sentidos autorreferenciados de superioridade europeia, elemento imprescindível para a globalização das narrativas colonizadoras e a imposição do silêncio às memórias, discursos e cosmologias ameríndias e afrodescendentes. Proponho, por fim, que superar a diferença colonial implica em transcender a histórica cisão ontológica promovida pelo colonialismo, desenvolvendo radicalmente uma ontologia de fronteira pautada na pluralidade, uma vez entender que é no pensamento pluriverso que reside, em grande medida, a potencia de coalisão para o enfrentamento dos variados limites impostos pela colonialidade do poder

    Descentralizando o centro, territorializando a arte: No coração do mundo

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    Esse artigo propõe refletir sobre o filme No Coração do Mundo (2019) e o trabalho da produtora Filmes de Plástico. Buscamos compreender o papel central da arte territorializada e os conflitos com a pretendida monopolização da produção dos imaginários pela indústria cultural. Igualmente, fazemos um diálogo com o debate sobre centro x periferia expresso por Gunder Frank, Milton Santos e a Estética do Oprimido, proposta pelo Teatro do Oprimido

    Uma análise interseccional do documentário ‘Meu Nome é Daniel’

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    O objetivo deste artigo é realizar uma análise interseccional proporcionada pela narrativa audiovisual do documentário autobiográfico Meu nome é Daniel (2018), cuja produção está dirigida, protagonizada, produzida e roteirizada por Daniel Gonçalves, cineasta carioca de 35 anos e uma pessoa com deficiência. A análise da narrativa audiovisual nos possibilita uma análise interseccional da temática da deficiência, problematizando tanto o “lugar de fala” do protagonista, quanto o cruzar da interseccionalidade da deficiência com outras conceituações multidimensionais que sinalizam como as categorias socialmente construídas de diferenciação interagem e criam uma complexa hierarquia social

    Produção e uso do aplicativo QUIMILOL como recurso tecnológico educacional no ensino de química

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    O presente trabalho é uma proposta de ensino-aprendizagem em química desenvolvido no Mestrado em Rede Nacional PROFQUIi, cujo objetivo foi promover a produção e uso de um aplicativo de química, denominado Quimilol como ferramenta e recurso educacional. Para tanto, foi realizado a delimitação do perfil do público participante das turmas de 1º ano do Ensino Médio das Redes Estadual e Federal, situadas em Maceió. Em seguida, instruções do uso dos aplicativos Socrative e Plickers foram dadas para coleta de dados. O aplicativo Quimilol foi testado e avaliado por discentes e docentes de química convidados. Como resultado, 90% dos alunos o consideraram de fácil manuseio e potencializador do conhecimento acerca do conteúdo distribuição eletrônica como facilitador do processo de aprendizagem de química. O aplicativo teve boa aceitação pelos docentes e, considerado eficiente como recurso educacional ao qual se propôs

    LA RUPTURA DE LA EDUCACIÓN DIGITAL EN LATINOAMERICA EN MEDIO DE LA CRISIS DEL COVID-19

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    MEDIDAS HOMOGENÉAS PARA SOCIEDADES COLECTIVAS: : RESPUESTAS Y CONCEBIMIENTOS COMUNITARIOS DEL COVID-19 FRENTE AL DISCURSO OFICIAL DEL GOBIERNO BOLIVIANO (2020)

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    Dossiê especial sem necessidade de resumo. Dossiê especial sem necessidade de resumo.&nbsp

    PERSPECTIVAS DE GÊNERO SOBRE A FACE DA PANDEMIA:: UMA BREVE ANÁLISE À LUZ DO ECOFEMINISMO MARXISTA

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    Introdução Até o fechamento desta pesquisa, o Brasil alcança a média móvel de 2.152 mortes em 24hrs – a maior já registrada desde o início da pandemia (G1, 2021). Enfrentamos uma crise sanitária e humanitária apontada com a maior dos últimos cem anos; a interrupção de trabalhos, o aumento de pessoas em situação de subemprego, a intensificação da violência de gênero, a normalização da morte e a fome de volta para a mesa de muitos – sobretudo da parcela da população mais vulnerável – fora alguns dos reflexos cruéis da resposta defasada e insuficiente dos estados-nação à pandemia. É importante pontuar, portanto, que nossa atual conjuntura e uma grande parcela de sua letalidade repousam na essência do sistema capitalista. Este sistema é responsável por cultivar condições para que essa crise - costurada à outras demais - se dissemine no seu mais profundo grau, fomentando a barbarização da vida e da natureza. A origem do novo coronavírus, e de outros vírus de nosso recente século, possuí um vínculo frontal na relação entre indivíduos e natureza que interagem sobre a base desta estrutura hierarquizada e opressora. A gradativa penetração do capitalismo nos sistemas naturais, através do esgotamento de solos, saque e pilhagem de recursos naturais das terras originárias por meio da prática (neo)extrativista e o envenenamento processual da água e do ar, são responsáveis por criar brechas nos ecossistemas, o que possibilita as epidemias emergentes que, assim como a mudança climática, são de origem antropogênica. O capital consome e explora em total descaso, sem considerar a desaceleração ou os impactos da poluição e de emissão de gases do efeito estufa, produzindo efeitos colaterais, sobretudo, aos povos marginalizados do Sul Global. É indubitável que esta pandemia é o desenlace da perpetuação da guerra do capital contra a natureza e, portanto, da guerra do capital contra os corpos plurais e diversos de mulheres ao redor do globo. A incerteza de natureza irrestrita, que se soma ao acúmulo da crise do sistema multilateral, da democracia, da saúde pública mundial, da economia e da natureza, nos coloca no cerne do que se desenvolve em uma extensa crise metabólica. Ainda que a pandemia tenha nos afetado universalmente, esse fator não significa, por condição, que nos atravessou de forma democrática e imparcial. Nesse sistema substancialmente patriarcal e racista, a vulnerabilidade e precarização das vidas é seletiva. O presente ensaio pretende, portanto, realizar uma reflexão sobre a relação entre gênero e natureza frente a atual pandemia do COVID-19 à luz da perspectiva ecofeminista marxista, dessa forma utilizar-se-á o método de pesquisa qualitativa e o materialismo histórico. A partir disto, busca-se compreender a importância da consciência ecológica de gênero e como a atual crise ecológica e sanitária reverbera sobre mulheres. ECOFEMINISMO MARXISTA: A RELAÇÄO HIERARQUIZADA DO CAPITAL SOBRE MULHERES E A NATUREZA Fomentada pela lógica dos conquistadores e do exercício de seus imperialismos, durante séculos – e até os dias atuais – a lógica colonialista ocidentalizada passou a reger nossos modos de governo e o formato de estruturação de nossas sociedades em sociedades capitalistas. O padrão de cumprimento civilizatório antropocêntrico, patriarcal, monocultural e do agronegócio promoveu a dominação da natureza, o apagamento das relações da figura do ser-humano e a sinergia com o meio ambiente e a hierarquização das explorações. Sua dinâmica altamente destrutiva, de mercantilização de todos os ramos de nossas vidas, de expansão a qualquer custo, tem minado, aceleradamente, uma crise ambiental e climática terminal; sobre as quais não temos dimensões anteriores na história. Os marcadores de gênero, construído e nos embutido socialmente, são atravessados pelas relações de poder (SAFFIOTI, 2015), sobre as quais o homem figura-se no papel da centralidade, da autoridade e do domínio sobre tudo aquilo que pensa que o pertence de forma material e mercadológica, como as mulheres e a natureza. O sistema capitalista, baseado na separação de seres-humanos, e na superioridade sobre outras espécies, corroborou para a justificação do domínio comoditizado sobre a natureza. Portanto, o patriarcado capitalista objetiva a natureza como matéria inerte e as mulheres como seres passivos, as quais naturalmente carecem de racionalidade superior e que ocupam trabalhos marginalizados e precarizados, ocupando-os sem nenhuma garantia de seus direitos. Assim como aponta Salleh (1992), as imagens patriarcais de gênero estão imersas em instituições sociais que coligam as mulheres aos eixos “feminino-emocional-caótico-obscuro-natureza”. Dessa forma, afirma: Nas culturas patriarcais, os homens gozam do direito de explorar a natureza do mesmo modo que exploram as mulheres [...] O trabalho e a sexualidade das mulheres, por este meio, são utilizados pelos homens de maneira similar de como exploram a natureza [...] corroborando para as noções patriarcais que pautam nosso corpo (Salleh, 1992, p.90-91, tradução nossa)             As mulheres são, portanto, portadoras de um papel socialmente originado da sociedade de classes, da propriedade privada e do Estado (ENGELS, 2010). Por este meio, a mudança no papel exercido por mulheres ocorreu por meios de violências estruturais que cumprisse a função de domesticação a uma conduta de exploração do trabalho pautado pelo gênero e vinculada a dominação de classes. O sistema de dominação patriarcal baseado na divisão sexual do trabalho, costurado aos marcadores raciais e de classe, ataram as mulheres, sobretudo indígenas, campesinas, negras, quilombolas e de identidade originária, a maior parte da força de trabalho rural; ao mesmo tempo em que se tornaram as principais responsáveis pelo trabalho de reprodução social. Devido seu papel central em promover a alimentação, a vestimenta e o abrigo para os seus, as mulheres, como apontam Arruzza, Bhattacharya e Fraser (2019) “representam a parcela descomunal no trabalho de lidar com a seca, a poluição e a superexploração da terra˜, sendo forças centrais de resistências concretas a este modelo reprodutivo de expansão do capital e encontrando-se, na maioria das vezes, nas linhas de frente na luta contra a crise climática, crise ambiental, racismo ambiental, a consolidação de uma soberania alimentar e o reconhecimento das mulheres e da natureza como um ser de direitos. MULHERES E NATUREZA FRENTE A PANDEMIA DO COVID-19 A pandemia de Covid-19, ao qual passamos a enfrentar na América Latina a partir de fevereiro, escancarou a realidade: o desastre do mundo capitalista. Se hoje enfrentamos uma crise ecológica, ambiental e sanitária, diretamente ligada ao capital, é importante ressaltar que as camadas dessa crise também reproduzem e agravam a opressão de gênero, que se norteiam com o componente de classe e de raça no processo de sobreposição de violências das dominações existentes, e da superexploração da natureza. Como afirma Fernandes (2020), o capitalismo é um sistema que gera contradições que geram crises, lidas como “meras interferências” a sua estrutura. A pandemia do covid-19 portanto acelera os impactos da profunda crise estrutural do sistema capitalista, ampliando processos de violência estatal, expropriação de direitos, incêndios criminosos promovidos pelo agronegócio na Amazônia, Cerrado e Pantanal, além da desterritorialização e cerceamento de direitos dos povos indígenas. Desta forma, O enorme impacto ambiental de nossa era não é resultado de simples ação humana, mas da ação humana no sistema capitalista. Se o capitalismo é um sistema de acumulação contínua, essa acumulação tem que ser baseada em algo; no caso, na exploração da força de trabalho e dos materiais da natureza (FERNANDES, 2020, p. 81-82). Como o capitalismo opera enquanto sistema global, diante destes momentos de crise tende a pressionar mais ainda a classe trabalhadora, intensificando profundamente a precarização do trabalho e da própria vida (Paim, 2020). Essa precarização também é um formato de alavancar a violência contra mulheres, cis e trans, sobretudo de grupos étnicos minoritários, através da invisibilização, do descaso promovido pelo governo federal, a materialização da violência doméstica e a normalização da destruição da natureza e dos lares e corpos dos povos tradicionais, em uma ação puramente genocida. As formas de violência contra mulheres continuam sendo decorrentes das relações entre patriarcado e capitalismo. Como afirma Frederici (2017), a guerra contra mulheres é condição necessária para a existência do capitalismo em qualquer conjuntura; a divisão sexual e racial do trabalho conjura as mulheres em um eixo de raízes de exploração e opressão que as confina, dentro da violência estatal, ao trabalho reprodutivo. Os efeitos colaterais das crises do capital e a constante intensificação da destruição da terra são sentidos de maneira singular pelas mulheres, não pela essência feminina, mas pela relação hierarquizada nos imposta pelo capital de prover, reproduzir e cuidar. Considerações finais O pensamento e a práxis ecofeminista foi responsável por revelar as conexões das crises ambientais e climáticas com a deterioração da condição de vida das mulheres, sobretudo do Sul Global, demarcando como gerar uma consciência ecológica de gênero nas próprias análises feministas, inclusive no feminismo marxistas, era um fator de grande importância para compreensão do papel das relações hierárquicas e de opressão, e de como a libertação das mulheres também envolve a libertação da natureza. O papel das mulheres na resistência e na luta pela preservação das terras, pela justiça ambiental, asseguração de direitos básicos – como a moradia e a alimentação –, além de serem grandes articuladoras de redes e casas de acolhimento e solidariedade, cozinhas coletivas, atuando como lideranças políticas nos seus campos, aldeias e nas favelas. É luta é travada por mulheres, desde a linhas de frente do combate ao covid-19 à sobrevivência e autonomia de gerir sua própria vida; não ficamos paradas, nem mesmo frente a crise sanitária e humanitária que enfrentamos, nos movimentamos. O futuro imediato não parece nem um pouco promissor, principalmente para as mulheres, as quais sofrem mais duramente as consequências das crises do capital. No entanto, a luta das mulheres pelo viés coletivo e solidário levanta esperanças de que a libertação de nossos corpos, e da natureza, poderá se tornar possível através da luta marxista e ecossocialista

    O mundo da imagem: transformação de ideias icônicas e construção de uma poética

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    Este artigo aborda a imagem como faculdade icônica do homem e elemento estético de fundamental relevância para a construção de uma poética, a partir do entendimento de que tudo que o homem testemunha o faz enquanto imagem, para, em seguida, aprofundar-se no papel da imagem em sua representatividades do ser americano moderno, através da linguagem literária inaugural da América do século XX. Pautar-nos-emos, em nossa análise qualitativa e crítica, em um levantamento bibliográfico baseado, principalmente, nas concepções teórico-críticas dos seguintes autores: Cortázar (1999), Lezama Lima (1968), Pereira (2006), Rincón (2002), Souza e Campos (2016) e Villafañe (2002). Justifica-se este estudo porque a modernidade atribui nova visão concernente ao papel da imagem, a qual passa a ser fato temático e realização estilística. O imaginário visual e coletivo são compostos por metáforas, logo, é papel destes tensionar as metáforas que conduzem o pensamento comum, criadas a partir da insistência em uma determinada imagem simbólica repetitiva, fruto da rigidez das máscaras sociais hierarquizadas e engendradas pelo senso comum. O imaginário tanto estabiliza quanto desestabiliza as forças sociais, de acordo com as imagens que logrem constituí-lo. Este estudo entende, portanto, a imagem como construção discursiva e é nesta proposta de levantamento imagético que se enquadram os poetas latino-americanos do século XX, os quais relativizam as verdades tomadas como “oficiais”, solidificadoras das raízes histórico-sociais da Conquista da América, porém, ressignificadas pelo indivíduo latino-americano contemporâneo. &nbsp

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