Sistema de Publicações da UNILA (Univ. Federal da Integração Latino-Americana)
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A ALBA ENQUANTO FERRAMENTA INTEGRACIONISTA EMANCIPATÓRIA NAS RELAÇÕES SUL-SUL
A Venezuela é um importante agente ao pautar as Relações Sul-Sul enquanto ferramenta contra hegemônica nas relações entre Estados. Ao olhar para a política externa venezuelana é possível já no século XX, na Carta de1961, observar um posicionamento multilateralista e a diversificação das relações econômicas e políticas com um caráter terceiro-mundista. A instrumentalização de parcerias políticas, econômicas e sociais, ganha outro contorno com a chegada de Hugo Chávez à presidência, no início do século XXI. Foram incentivadas as parcerias com o Sul global e, mais especificamente, América Latina. Um dos objetivos da política externa chavista foi construir uma arena internacional com equidade, um dos caminhos para alcançá-lo seria a independência econômica e política da América Central e Caribe dos Estados Unidos por meio da integração regional. Tendo isso em mente assina conjuntamente com Fidel Castro a declaração em que surge a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA), em 2004; um mecanismopara o desenvolvimento dos países da região sem a ingerência do Norte, dando potência a um acordo mútuo. A pesquisa parte de uma análise comparada da política externa do primeiro governo de Rafael Caldera e os dois governos de Hugo Chávez para entender qual papel a ALBA tem na política externa venezuelana pós-1999 e nas Relações Sul-Sul
O PAPEL DA OIT NA INTERLOCUÇÃO DO COMBATE À EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTOJUVENIL NA TRÍPLICE FRONTEIRA (2001-2005)
A proposta deste artigo é refletir sobre a contribuição das organizações internacionais como mediadoras de desafios transfronteiriços a partir da atuação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), entre 2001 e 2005
Parque Nacional do Iguaçu: o processo de migração, ocupação e as marcas na paisagem natural.
Este artigo tem como objetivo lançar olhares sobre o processo de migração e ocupação do Parque Nacional do Iguaçu, bem como perceber as mudanças perpetradas por estes sujeitos que viveram no espaço do parque durante os anos de 1960-1970. Nessa direção, investiga memórias e dinâmicas socioambientais relacionadas à instituição do parque enquanto área de proteção ambiental. Metodologicamente o artigo utiliza-se da História Oral para pensar as diferentes maneiras como os próprios agricultores colonos rememoram as experiências de permanência no interior do parque e como estes antigos moradores alteraram de forma permanente a paisagem natural
A escrita feminina nos “clássicos” antropológicos do Sul: Uma reflexão anticânone
O presente artigo propõe uma reflexão sobre as fontes autorais dos “clássicos” que definem o aprendizado de antropologia no Sul global, especialmente no Brasil e na Argentina. Partindo da análise crítica e retrospectiva do conteúdo das ementas disciplinares de “clássicos em antropologia” em universidades nacionais dos dois países, e observando a quase total ausência de mulheres na escrita, propomos aqui a inclusão estratégica da escrita antropológica realizada por mulheres ? pudendo elas serem ou não formadas em antropologia ?, observando as particularidades metodológicas do trabalho de campo e as possibilidades epistemológicas levantadas por algumas autoras mulheres escolhidas, a saber: Aurinha do Coco, Lia Zanotta Machado, Rita Segato, Oyeronk? Oyewumi, Ifi Amadiume, Lorena Cabnal, Silvia Rivera Cusicanqui e Leda Kantor. Propomos que uma inclusão da leitura dessas mulheres nos materiais de ensino antropológico nas universidades e institutos estimula a revisão sistemática desses “clássicos” escritos desde o paradigma da masculinidade branca, os quais tenderam a ser aprendidos, reproduzidos e herdados de forma automática por gerações de antropólogxs dos países do Sul global.
Desenvolvimentismo, modernidade e teoria da dependência na América Latina
Os dependentistas latino-americanos produziram um conhecimento que criticava os pressupostos eurocêntricos dos cepalistas, incluindo a ortodoxia marxista e as teorias da modernização norte-americana. A crítica da escola dependentista ao estagismo e ao desenvolvimentismo foi uma intervenção importante que transformou o imaginário dos debates intelectuais em muitas partes do mundo. No entanto, argumentarei que muitos dependentistas ainda estavam presos ao desenvolvimentismo e, em alguns casos, até mesmo ao estagismo, que tentavam superar. Além disso, embora a crítica dos dependentistas ao estagismo tenha sido importante ao negar a “negação da coetaneidade” que Johannes Fabian (1983) descreve como central para as construções eurocêntricas de “alteridade”, alguns dependentistas a substituíram por novas formas de negação de coetaneidade. A primeira parte deste artigo discute a ideologia desenvolvimentista e o que chamo de “mania-feudal” como parte da longa duração da modernidade na América Latina. A segunda parte discute o desenvolvimentismo dos dependentistas. A terceira parte é uma discussão crítica sobre a versão da teoria da dependência de Fernando Henrique Cardoso. Finalmente, a quarta parte discute o conceito de cultura dos dependentistas
Um olhar decolonial sobre a Tempestade, de William Shakespeare
Nosso ensaio analisa a peça A Tempestade, de William Shakespeare, sob a ótica das experiências históricas, sociais, estéticas e políticas do Sul, defendendo a possibilidade de uma leitura decolonial, a partir do diálogo com os autores do chamado grupo Modernidade/Colonialidade, constituído no final dos anos 1990 na América Latina. Os elementos que possibilitam uma abordagem decolonial da peça dizem respeito à noção de colonialidade. No ensaio, abordaremos a colonialidade do poder e do ser, buscando articulá-las com uma leitura da peça que compreende a categoria racial e os saberes produzidos como fator de distinção entre as personagens e que, considerando o contexto shakespereano, pensamos se tratar de uma crítica do autor ao empreendimento colonial europeu e toda violência decorrida deste process