Sistema de Publicações da UNILA (Univ. Federal da Integração Latino-Americana)
Not a member yet
7292 research outputs found
Sort by
Foucault e a morte do sujeito
O objetivo deste texto é expor os argumentos de Michel Foucault sobre a relação saber-poder. A crise atual de algumas disciplinas coloca em questão o conhecimento, a forma de conhecimento, a norma sujeito-objeto. Interroga as relações entre as estruturas econômicas e políticas de nossa sociedade e o conhecimento, não em seus conteúdos falsos ou verdadeiros, mas em suas funções de poder-saber. Crise por consequência histórico-política. Foucault argumentou sobre a morte do sujeito moderno, argumentando sobre a relação entre saber e poder em seu período genealógico. A verdade concebida como acontecimento é uma perspectiva que deixa entrever as relações de poder que fazer parte do processo de produção do conhecimento. Essa verdade constatação, tal como a caracteriza Foucault, admite dois supostos básicos da história das ideias: o sujeito universal de conhecimento, por um lado, e o objeto permanente por outro. Ambos altamente problemáticos segundo nosso autor
Escola e identidades étnico-raciais: literatura infantil
RESUMO Esta comunicação discute como a literatura infantil, que atualmente tem explorado a questão da cultura e estética negra afirmativa, pode favorecer por meio das imagens e histórias de personagens negros e do Continente Africano uma auto identificação positiva dos alunos negros da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Diferentes obras literárias lançadas na última década podem ser trabalhadas em sala de aula com esse objetivo. Livros infantis podem ser usados para reverter a visão negativa da identidade negra, que tem sofrido fortes impactos pela forma como os negros são retratados nos livros e na mídia e devido à influência das relações estabelecidas no cotidiano escolar e na convivência social. Preconceitos, discriminações e a presença de estereotipias associadas às características dos negros tem trazido alterações nas subjetividades e manifestações de angústias relacionadas a uma visão negativa da identidade do negro e isso afeta de forma injusta as crianças negras. O estudo reflete sobre essas questões a partir da abordagem do papel da literatura infantil afrodescendente na escola, reforçando a identidade negra. Palavras-chave: escola, identidade negra, literatura infanti
Desenvolvimento regional e pensamento social latino-americano
IntroduçãoA teoria e prática do desenvolvimento regional na América Latina, em grande medida, vem reforçando o imaginário da modernidade ocidental. O “Primeiro Mundo” teve a oportunidade de inventar várias classificações e ser parte privilegiada delas: criou identidades culturais (branco-negro-índio-amarelo-mestiço), geoculturais (América-Europa-Ásia-África-Oceania, Oriente-Ocidente) e geopolíticas (Primeiro-Segundo-Terceiro-Quarto Mundo, Norte-Sul, Desenvolvido -Subdesenvolvido, Centro-Periferia). Classificou, assim, espaços, corpos e mentes. No campo do desenvolvimento regional, por um lado, temos os enfoques eurocêntricos e, por outro, enfoques que incorporam as experiências que têm lugar na América Latina e em outros países “Subdesenvolvidos”.O objetivo deste trabalho é relacionar o campo do desenvolvimento regional ao pensamento social latino-americano, buscando resgatar alguns enfoques que têm como referência o pensamento social regional. Partimos do pressuposto de que, ao considerarmos a teoria/prática do desenvolvimento, estamos considerando não o desenvolvimento livre e autônomo de um país ou de uma região, mas o desenvolvimento de um padrão de poder. Este padrão de poder desconsidera gentes, culturas e conhecimentos latino-americanos e faz com que as pessoas conheçam e atuem apartadas do conhecimento e das práticas constituídas aqui.Do resgate do pensamento social regional emerge a possibilidade de olhar criticamente o desenvolvimento regional. Para além das classificações de identidades culturais, geoculturais e geopolíticas, está pendente a desnaturalização destas e o mapeamento de alternativas. Neste sentido, colocamos no centro do debate a dominação, exploração e discriminação; buscando desnaturalizar o desenvolvimento como padrão de poder capitalista. A teoria e prática do desenvolvimento regional na América LatinaO uso do termo desenvolvimento e a elaboração de enfoques se difundiu principalmente após a Segunda Guerra Mundial, como forma de organizar as relações internacionais tendo como base a classificação dos em países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Desenvolver não envolve o curso “natural” dos seres, das coisas e dos acontecimentos, nem uma evolução “espontânea” de tudo que existe. A invenção do desenvolvimento, sua intencionalidade e suas condições históricas são bem específicas: o excedente criado pelo homem é pedra angular no estudo do desenvolvimento, juntamente com sua lógica da acumulação (FURTADO, 1980; 1994).A teoria do desenvolvimento tem forte inspiração na ideia do desenvolvimento como crescimento econômico e tem origem nos países considerados desenvolvidos. Podemos citar alguns enfoques que caminham nessa direção: as teorias dos pólos de crescimento, desenvolvimento econômico e causação circular cumulativa, desenvolvimento desigual e transmissão inter-regional do crescimento, teoria da base de exportação, dentre outras (LIMA; SIMÕES, 2010). São enfoques que surgem para explicar ou impulsionar determinados tipos de desenvolvimento localizados no espaço e no tempo.No atual contexto de mundialização do capital há de se considerar que antes a produção se encontrava localizada e, atualmente, a divisão geográfica do trabalho envolve atribuições diferentes entre os espaços. A teoria do desenvolvimento regional e sua prática se converteu em uma panaceia: “Não na perspectiva de um enfrentamento à periferização produzida pela mundialização do capital, mas na de uma inserção na economia globalizada com vistas a extrair dela, para a localidade/região, suas respectivas vantagens competitivas.” (THEIS, 2014, p. 18).Na América Latina destacam-se entre as décadas de 1950 e 1970 a teoria da modernização, o estruturalismo cepalino e a análise da dependência. Nas décadas de 1980 e 1990, ganham audiência os enfoques neo-institucionalista e neoliberal e, mais recentemente, as perspectivas do pós-estruturalismo, pós-colonialismo, pós-desenvolvimentismo e as teorias feministas de desenvolvimento (BUTZKE; MANTOVANELI JR.; THEIS, 2016). A América Latina é um fracasso se tivermos como parâmetro as experiências bem sucedidas da Europa e dos Estados Unidos e a adoção das teorias “de lá” para a realidade “daqui” é limitante. Existem aqueles que desejam um vínculo maior com o desenvolvimento “de lá” e outros que desejam olhar para a América Latina, para a história compartilhada pelas gentes, culturas e conhecimentos historicamente desconsiderados. É sobre esses últimos que vamos nos debruçar. O resgate do pensamento social latino-americanoPara tratar da história compartilhada, culturas e conhecimentos desconsiderados utilizamos como referência o pensamento social latino-americano. Entendemos o pensamento social latino-americano como o coletivo de mulheres e homens cuja “práxis” (pensamento e ação) toma a América Latina por referência. Consideramos a existência de um pensamento social regional, práxis identificada com os interesses e angústias de nossos povos (FALS BORDA, 1970; IANNI, 2004; PINTO, 2010).Neste sentido, o pensamento social regional, os enfoques decoloniais e pós-coloniais nos trazem possibilidades de pensar a América Latina a partir da América Latina. Podemos citar vários pensadores que refletiram sobre o papel da América Latina no sistema-mundo: Sergio Bagú (capitalismo colonial), Raúl Prebisch (centro-periferia), Ruy Mauro Marini (subimperialismo) e Theotônio dos Santos (dependência). Outras contribuições relevantes: Darcy Ribeiro (processo civilizatório), Josué de Castro (Sociologia da Fome), Orlando Fals Borda (Pesquisa-Ação Participativa), Aníbal Quijano (Colonialidade do Poder), Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido), Octavio Ianni, Celso Furtado, Héctor Silva Michelena, Armando Córdova (Crítica da globalização), Leonardo e Clodovil Boff (Teologia da Libertação), Gino Germani e José Nun (Teoria da marginalidade), Fernando Henrique Cardoso, Enzo Faletto (Enfoque da dependência), Ruy Mauro Marini, Theotônio Dos Santos, Vânia Bambirra e Andre Gunder Frank (Teoria da dependência), Heinz Sonntag e Roberto Biceño (Sociologia latino-americana), Edgardo Lander (Eurocentrismo e colonialismo), Enrique Dussel (Filosofia e Ética da libertação), Walter Mignolo (Violência epistêmica), Arturo Escobar (Análise cultural), Enrique Leff (Crítica ao desenvolvimento sustentável), Atílio Boron (Crítica ao neoliberalismo), Xabier Gorostiaga (Civilização geocultural), Carlos Vilas, Emir Sader, Francisco Delich, Manuel Antonio Garretón, Norbert Lechner, Guilhermo O’Donnell (Transição, democracia, cidadania e Estado), Nestor García Canclini (Culturas Híbridas), Hermes Tovar Pinzón (Economia da Coca), Gerard Pierre Charles, Suzy Castor (Sociologia do Caribe), Ramiro Guerra, Eric Williams, Manuel Moreno Fraginals e Juan Pérez de la Riva (Economia das plantações do Caribe) e Edelberto Torres Rivas (Sociologia centro-americana) (SEGRERA, 2005).Se a preocupação, durante muito tempo, foi com os obstáculos ao desenvolvimento, entra em debate os limites do crescimento, os estilos de desenvolvimento, a desconstrução e a negação do desenvolvimento. “Ao caráter interdisciplinar da reflexão sobre o desenvolvimento deve-se, seguramente, sua fecundidade. De todos modos, os horizontes por ela abertos contribuíram para aprofundar a consciência crítica do homem contemporâneo” (FURTADO, 1980, p. 27) e também do desenvolvimento que tem lugar na América Latina. Contribuições latino-americanas à agenda de pesquisa em desenvolvimento regionalO desafio é elaborar uma agenda de pesquisa que tome a região como espaço supra-nacional e sub-nacional e que contemple as preocupações presentes no pensamento social latino-americano. Alguns temas podem ser sugeridos: colonialidade interna e subimperialismo na América Latina, resistências ao desenvolvimento, ao desenvolvimentismo e ao neodesenvolvimentismo, a questão regional como discurso e como contra-discurso, a exploração de classes e regiões, a exploração de gênero e de raça, dentre outros.Os autores e autoras que assumem enfoques decoloniais e pós-coloniais partem do pressuposto de que existe uma “realidade criada” que passamos a enxergar como “realidade”. Para efetuar qualquer mudança, precisamos desconstruir essa realidade e criarmos outra. Todos enfatizam os limites (das pessoas, do Estado-nação, da dominação/exploração em todas as escalas geográficas), e apostam na ruptura estimuladas por experiências das pessoas que aqui vivem, da ruptura com os Estados-nação que foram constituídos de costas para a população e suas necessidades e ruptura com as relações de dominação/exploração local/regional/nacional/continental/ internacional
A emergência de vozes contra-hegemônicas e o papel do jornalista
A discussão a respeito da democratização dos meios de comunicação hoje já encontra grande reverberação, seja na academia, entre os movimentos sociais ou no meio dos profissionais da comunicação. No entanto, a experiência atual mostra que existe um debate urgente no que diz respeito ao papel do jornalista mediador e da sua legitimidade como portador oficial do discurso contra-hegemônico.No Brasil, a emergência das publicações alternativas ocorreu de maneira mais expressiva no período da ditadura civil-militar, com os jornais O Pasquim, Opinião, Movimento etc. Atualmente, no contexto da internet, vemos novamente a emergência dos discursos contra-hegemônicos, cumprindo um papel importante nesses tempos em que vemos novamente a violação de princípios democráticos no cenário político, com destaque para os Jornalistas Livres e o Mídia Ninja.Embora o advento das redes online tenha possibilitado a inserção de novos atores no campo da comunicação, existe ainda uma distância entre os atores políticos populares e os veículos de comunicação alternativa. Ao mesmo tempo em que os movimentos sociais ainda se esforçam para abranger um público maior sem possuir a técnica ou os contatos para tanto, os maiores grupos de jornalismo alternativo se colocam como os emissores do discurso contra-hegemônico muitas vezes sem a participação dos movimentos sociais em suas discussões.É importante questionar, portanto, o que seria a real quebra da hegemonia do discurso? Seria o ato de divulgar ideias e valores que diferem do discurso da mídia hegemônica ou seria questionar também a hegemonia do emissor legitimado, que em geral vem da classe dominante, de formação universitária ou mesmo egressos das grandes publicações? Quais as implicações discursivas dessa quebra parcial dahegemonia?Essas questões serão colocadas na exposição oral com base na minha pesquisa de mestrado sobre jornalismo e televisão e na minha experiência como colaboradora dos Jornalistas Livres
O Sol de Maio de Foz do Iguaçu: Debate Étnico-Racial na Escola
Este artigo visa analisar as atividades desenvolvidas pela equipe multidisciplinar do Colégio Estadual Sol de Maio em Foz do Iguaçu (PR) formada para tratar das relações étnico-raciais no contexto escolar. A proposta de elaboração deste artigo é resultado do trabalho final para o Curso de Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Étnico-Raciais, oferecido por meio de parceria entre a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz do Iguaçu. Delimitou-se este tema devido ao papel que as equipes multidisciplinares têm a desempenhar na comunidade escolar, especialmente ao lidar com o preconceito e discriminação racial, com o propósito de implementar as Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08. Por este meio, apresenta-se o contexto de formação das equipes multidisciplinares, especialmente no Colégio Sol de Maio, por intermédio da experiência em realizar a VIII Mostra Cultural da instituição, com ênfase na discussão étnico-racial. Os resultados obtidos com o desempenho da equipe multidisciplinar em atuação nesta escola foram satisfatórios e comprovam que um trabalho feito em conjunto, no qual haja discussão de ideias e uma reflexão da práxis pedagógica, tende a enriquecer o ensino e a formação dos estudantes
A Implementação das Políticas Raciais e suas Resistências
Este artigo tem como objetivo relatar e analisar as ações da equipe multidisciplinar do Colégio Estadual João Manoel Mondrone, em Medianeira (PR), e, de igual modo, os fatos que contribuíram e limitaram suas atividades entre os anos de 2010 e 2014. O estudo faz parte de um conjunto de ações do Curso de Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Étnico-Raciais, promovido pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) em parceria com o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz do Iguaçu. O livro ata da equipe, os planos de ação anuais e um questionário elaborado pelos autores foram as fontes de pesquisa. As práticas possibilitaram que a comunidade escolar tivesse maior conhecimento sobre a temática da Lei n° 11.645 de 2008, mudaram as relações com os alunos, proporcionaram um olhar diferenciado em relação às religiões de matriz africana e, por isso, geraram conflitos. Para manter um grupo de profissionais da educação trabalhando em prol das mudanças de consciência, diante das limitações das ações da equipe, como a falta de apoio da direção, a falta de comprometimento dos professores e conflitos internos, fizeram-se necessários persistência e diálogos críticos
VIVIENDO LIBROS LATINOAMERICANOS EN LA TRIPLE FRONTERA: UNA MIRADA AL ACERVO LITERARIO
Este relato de experiencia se muestra ela proyecto de extensión Viviendo Libros latinoamericanos en la Triple Frontera, en el cual se presentan sus etapas de desarrollo con respecto al acervo y la cantidad de obras latino-americanas
Venezuela: convulsão democrática em meio aos giros políticos regionais
Este relato de experiência parte das reflexões realizadas sobre o contexto político Venezuelano em sua profunda crise de estabilidade. Estas reflexões foram motivadas pela oportunidade de participar de um evento acadêmico com o objetivo de fomentar este debate . Esta experiência foi fundamental para que fosse possível revisitar aspectos essenciais da história política desse país, assim como buscar uma análise mais propícia a compreensão de seu regime político, seu sistema político e instituições e como estes se inserem dentro da problemática das jovens democracias latino-americanas