Sistema de Publicações da UNILA (Univ. Federal da Integração Latino-Americana)
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Agrotóxicos no ensino de química: proposta contextualizada através de um jogo didático
O presente trabalho apresenta resultados de uma pesquisa realizada com alunos da terceira série do Ensino Médio a partir da aplicação de uma sequência didática contextualizada sobre Agrotóxicos, no qual foram discutidos conceitos como: revolução verde, semente crioula, controle biológico, produção orgânica, toxidade e conceitos da Química por meio da temática agrotóxicos. Focalizou-se as discussões no último encontro, em que foi realizado um jogo didático denominado "Trilha dos Agrotóxicos" para discutir a temática e retomar alguns pontos trabalhados anteriormente. Aplicou-se um questionário de perguntas abertas para verificar se o jogo didático contribuiu para a aprendizagem dos estudantes. Os dados foram analisados pela Análise de conteúdo, em que a maioria relatou que as atividades diversificadas promoveram melhor compreensão do conteúdo, tornando a aula mais atraente e propiciando um entendimento menos abstrato da Química, visto que os conceitos foram relacionados com o contexto
Invadindo Territórios e Explorando Corpos: Hernán Cortés e La Malinche
Assim como as terras invadidas do "novo" continente, o corpo feminino nativo é caçado e invadido como se fosse uma terra virgem para explorar e dominar. Em outras palavras, a violência contra o corpo feminino nativo se torna uma metáfora para o colonialismo e a imposição do patriarcado. Após uma discussão de como Hernán Cortés e Malinche são retratados na literatura espanhola da Idade de Ouro, e com base em uma discussão de arquétipos, malinchismo, dualidade e binarismo, tendo como base também a definição de Octavio Paz de chingar o ser chingado e a definição de Roland Barthes de ravishment, este artigo analisa como Malinche é representada em dois poemas, "La Malinche" por Claribel Alegría (1993) e "La Malinche" por Carmen Tafolla (1993), e na série da TVE Carlos, Rey Emperador (Dir. Oriol Ferrer 2015)
A América Latina como Fronteira
O artigo tenta esclarecer o significado da situação fronteiriça da América Latina. Para isso, ele explora duas hipóteses: a) que nos constituímos como uma parte da Europa; b) que nos constituímos como uma cultura original fora das fronteiras do mundo europeu. Embora nenhuma das alternativas seja inteiramente razoável, parece que compartilhamos elementos de ambas, de tal forma que nos constituímos como europeus não europeus. Conclui-se com a tentativa de explicitar o significado de nossa condição fronteiriça destacando a necessidade de pensarmos a condição paradoxal da América Latina. Ou seja, trata-se de pensar o que temos sido a partir do que temos sido e não a partir de um ponto de vista europeu tradicional
Darcy Ribeiro e o pensamento insubordinado
Este trabalho apresenta aspectos críticos e descolonizados do pensamento do antropólogo Darcy Ribeiro, a partir de observações sobre sua teoria da civilização. Como metodologia se utilizou a análise bibliográfica do autor e de seus estudiosos. Identificou-se a construção de uma nova narrativa da história da humanidade: o antropólogo, educador, político e romancista Darcy Ribeiro propôs uma reelaboração da teoria da civilização a partir de sua perspectiva insubordinada à antropologia da civilização produzida pelo cânone da Europa e dos Estados Unidos. Motivado pelo anseio de compreender e superar o subdesenvolvimento latino-americano e consequentemente, o brasileiro, Ribeiro criou novas categorias a fim de entender a história da humanidade sob uma perspectiva não eurocêntrica em que fosse possível a valorização dos povos latino-americanos após o contato com o europeu. Darcy Ribeiro iniciou sua trajetória intelectual como antropólogo e teve grande parte de sua vida direcionada à produção de obras etnográficas em defesa da causa indígena e da educação. Criou a Universidade de Brasília (1961) e foi Ministro da Educação (1962) no governo de João Goulart. Chegou ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil (1963), de onde coordenou a implantação de reformas estruturais pretendidas pelo governo até o momento de sua interrupção pelo golpe militar (1964) que o forçou ao exílio no Uruguai. A partir de então o seu interesse se voltou para América Latina.O mesmo aconteceu a outros políticos e intelectuais brasileiros, a situação de exílio em países latino-americanos em consequência da Ditadura Militar aproximou-os do debate sobre a América Latina: Leonel Brizola, Ruy Mauro Marini, Ferreira Gullar, Fernando Henrique Cardoso, Glauber Rocha, entre os exemplos mais expressivos, certamente está Darcy Ribeiro. Ao exilar-se, primeiramente no Uruguai, onde exerceu o cargo de professor de Antropologia da Universidade da República Oriental do Uruguai, o escritor brasileiro gestou parte de sua obra antropológica, entrou em contato com diferentes intelectuais uruguaios, criou intensos laços de amizade e se reconheceu como latino-americano (COELHO, 2002, p.212). A partir dessa experiência, nota-se uma mudança na sua produção intelectual evidenciada por obras como La Universidad Latinoamericana y el Desarrolllo Social (1967), Las Américas y la Civilización – Proceso de formación y causas del desarrollo desigual de los pueblos americanos (1968) e O Dilema da América Latina: Estructuras de poder y fuerzas insurgentes (1971). Assim como sua obra, não ficou restrito às fronteiras e morou em diversos países da região, atuando prioritariamente em temas relacionados à educação e integração regional, sem perder de vista, contudo, a temática indígena.Passada a melancolia inicial do exílio em meio a leituras de ciência e ficção, Darcy Ribeiro voltou a levar uma vida intelectual intensa, começou a fazer um programa de reforma universitária e assumiu um questionamento que viria a ser o fio condutor de toda a sua produção intelectual: “Porque o Brasil ainda não deu certo?” (GRUPIONI, L. D. B, 1997, p. 180). Para chegar a alguma conclusão, Ribeiro percebe a necessidade de uma teoria capaz de explicar o Brasil, uma vez que as existentes não o faziam. Propõe a si mesmo reelaborar a teoria da evolução humana com base no desenvolvimento tecnológico e compreender dez mil anos de história de forma não eurocêntrica. Seguindo a intenção de entender o Brasil lança cinco obras que juntas conformam seus estudos civilizatórios: Processo civilizatório: etapas da evolução sociocultural (1968); As Américas e a civilização: processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos (1970); Os índios e a civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno (1970); O dilema da América Latina: estruturas do poder e forças insurgentes (1978); e O Povo Brasileiro (1995).A obra o Processo civilizatório responde também ao interesse crítico que A origem da família, da propriedade privada e do Estado, de Frederich Engels despertou em ribeiro desde o início de seus estudos de graduação somado ao efeito da publicação tardia de Grundrisse, de Karl Marx. Com uma abordagem que não se restringia ao continente europeu, a teoria busca apresentar definições de características permanentes atuantes dos povos americanos em contato com as forças da expansão europeia decorrentes da revolução mercantil e industrial tendentes a integrá-los numa civilização humana comum (Ribeiro, 1975, p. 15). O livro recebeu a apreciação da revista Current Anthropology na modalidade de debate e divulgação de estudos científicos, conhecida como CA Treatment que consiste em submeter à apreciação crítica de antropólogos interessados no tema e enviar as avaliações ao autor para que produza sua réplica. Ao final, tudo é publicado conjuntamente. O presente buscou sublinhar os aspectos insubordinados e descolonizados da teoria de Ribeiro apresentados nessa publicação.A teoria de Darcy Ribeiro desloca a categoria de análise do modo de produção para os meios de produção, encontrando na tecnologia um elemento mais preciso para entender as etapas evolutivas dos distintos povos. Nesse sentido, opunha-se ao etnocentrismo de Karl Marx que abordou uma única linha de evolução histórica como geral. O Processo Civilizatório divide a evolução em uma sequência de oito revoluções tecnológicas: agrícola, urbana, do regadio, metalúrgica, pastoril, mercantil, industrial e termonuclear. E aborda de maneira original o feudalismo compreendendo-o não como uma etapa evolutiva ou um processo civilizatório gerador de uma formação sociocultural específica, mas como uma regressão cultural seguida do mergulho no estancamento socioeconômico em que pode tombar qualquer sociedade no nível de civilização urbana (Ribeiro, 2016, p 110). Sua teoria era otimista, uma vez que objetiva entender e superar o desenvolvimento. Tinha fé no progresso. Previa uma sociedade mais homogênea e a redução do número de complexos étnicos como consequência. Percebia o caráter acumulativo do progresso tecnológico que possibilitava a aceleração do ritmo evolutivo entre as revoluções, e mesmo sendo uma teoria evolucionista, admitia regressões como seu entendimento de feudalismo mostra. O esquema apresentado por Darcy Ribeiro traz um complexo de oito revoluções tecnológicas, 12 processos civilizatórios e 18 formações socioculturais, algumas divididas em dois ou mais complexos complementares.Dessas diferentes formações socioculturais, conforme experimentassem uma aceleração evolutiva - dominando autonomamente nova tecnologia - ou uma atualização histórica - sendo subjugados por sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente - surgem os tipos de configurações histórico-culturais dos povos americanos que Ribeiro separa em quatro categorias, a fim de conhecer aceleradores ou retardadores de sua integração no estilo de vida das sociedades industriais modernas: Povos-testemunhos - representantes de altas civilizações que sofreram o impacto da expansão europeia: Índia, China, Indochina, Japão, Coréia e países islâmicos; México, Guatemala e Altiplano Andino (descendentes de Maias, Astecas e Incas). Passaram por uma desintegração cultural e transfiguração étnica e têm como desafio a inclusão do enorme contingente de marginalizados como indígenas; Povos-novos – cada vez mais mestiçados e uniformizados, e desse modo, homogeneizados racial e culturalmente. Distanciados culturalmente de sua matriz étnica pela deculturação e aculturação: Brasil, Colômbia, Venezuela e sul dos Estados Unidos. Precisam superar as heranças do sistema de plantation. Povos-transplantados - perfil caracteristicamente europeu, de tipo racial predominantemente caucasoide e mais maduramente capitalista. Estão presentes em zonas temperadas e possuem homogeneidade cultural: Argentina, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Uruguai. Mais suscetíveis à discriminação e segregacionismo (preconceito de origem e de marca) com minorias raciais bem definidas; Povos-Emergentes - ainda não presente nas Américas. Paralelamente à homogeneização dos povos na modernidade industrial desenvolvem-se resistências que preservarão múltiplas faces étnicas singulares: populações africanas e asiáticas que ascendem da condição tribal à nacional. Terão que alcançar o reconhecimento de sociedades políticas multiétnicas e consolidação de Estados multinacionais.Mesmo que sua tipologia seja considerada ideologicamente artificiosa (Rouquié, 1991, p. 35), não é mais nem menos do que as desenvolvidas por outros teóricos como L.H. Morgan, F, Engels, V Gordon Childe, Julian Steward, entre outros, que se lançaram em empreendimentos dessa natureza. A teoria de Darcy Ribeiro perturbou o meio antropológico como evidenciam as críticas publicadas na Current Anthropology, o que mostra que o livro estimula novos exames de suas generalizações. A obra é marcada pela ambivalência de sua postura teórico/militante. Em oposição às representações totalizantes, “O Processo Civilizatório” explicita uma plêiade de formações socioculturais, por vezes simultâneas e interdependentes, que questionam as hierarquizações do colonizador. “A posição em que se encontra uma sociedade não corresponde a qualidades inatas ou a qualidades imutáveis de sua cultura, senão, em larga medida, às circunstâncias susceptíveis de transformação” (RIBEIRO, 2001, p. 135). Conclui-se que, sua ousadia em denunciar o subdesenvolvimento como uma ferramenta de aceleração evolutiva de outros povos e não como uma etapa evolutiva dos povos que o vivenciam é um exemplo da sua busca por uma teoria que sustente a superação do subdesenvolvimento latino-americano, reconhecendo suas conformações étnicas, a partir de um esforço epistemológico original e insubordinado. PALAVRAS-CHAVE: Darcy Ribeiro, Antropologia da civilização, América Latina, insubordinação e descolonização do pensamento.
Disputas epistêmicas nas universidades brasileiras e o debate em torno das “Epistemologias do Sul”
A comunicação pretende discutir como o pensamento do intelectual português Boaventura de Sousa Santos tem sido introduzido nas esferas universitárias brasileiras, especialmente suas formulações em torno das chamadas Epistemologias do Sul. Nesse sentido, parte da compreensão de que as universidades se caracterizam, em princípio, como um dos lócus de produção científica e assumem também a condição de difusoras do que se convencionou denominar “ciência moderna”, um tipo de saber dominante e que se reconhece como universal. Por outro lado, as universidades podem também abrigar em suas estruturas o debate e a mobilização em torno de um pensamento e uma prática que sejam críticas ao viés do saber universal. Nessa perspectiva, considera as disputas epistêmicas como parte dos embates sociais em torno a democratização da produção e acesso ao conhecimento. Desse modo, Boaventura indaga sobre as bases sociais do conhecimento e afirma que “a universidade será democrática se souber usar o seu saber hegemónico para recuperar e possibilitar o desenvolvimento autónomo de saberes não-hegemônicos, gerados nas práticas das classes sociais oprimidas e dos grupos ou estratos socialmente discriminados” (SANTOS, 1989, p. 56). A partir de tais premissas, busca-se analisar como tem se constituído a interlocução dessa perspectiva crítica com a produção acadêmica em universidades brasileiras e suas interrelações com os debates em torno dos conceitos de pós-colonialidade e decolonialidade
O giro epistêmico da psicanálise de base lacaniana: estilo científico entre o erro fundamental e o impossível
Pensamento descolonial epistêmico e feminismo descolonial: notas para o desenvolvimento do conceito de “sistema moderno/colonial de gênero."
Este trabalho propõe-se a realizar uma discussão teórica acerca do desenvolvimento do conceito de sistema moderno/colonial de gênero, proposto pela feminista descolonial argentina María Lugones. Esta autora, ao apresentar, ampliar e complicar o modelo de Aníbal Quijano da Colonialidade do Poder, se desloca metodologicamente do feminismo negro para o feminismo descolonial. Assim, a partir das lentes do pensamento descolonial epistêmico, busca-se compreender a análise de Lugones da violência sobre as mulheres de cor, vítimas da colonialidade do poder e a colonialidade do gênero. O trabalho forma parte do conjunto de atividades programadas pela disciplina optativa “Estudos interdisciplinares de Gênero”, ofertada pelo PPGCS: Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Literatura: Contação de História com Ênfase na Cultura Afro-Brasileira
Este artigo é resultante do trabalho desenvolvido pela equipe multidisciplinar da Escola Estadual Olavo Bilac em Medianeira (PR), com assessoria da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), a qual ofereceu, em parceria com o Núcleo Regional de Educação, o Curso de Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Étnico-Raciais. Na programação do referido curso, foram promovidos debates e analisados conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo escolar. O objetivo foi destacar a importância da leitura e da oralidade para transmissão dos conhecimentos — historicamente construídos — da cultura afro-brasileira e, principalmente, enfocar o uso deste conhecimento como instrumento de mudança de mentalidade, de elevação da autoestima e de reconhecimento de uma matriz referencial por parte dos afrodescendentes que, embora tenham contribuído substancialmente para a formação da “comunidade imaginada” chamada Brasil, não obtiveram até hoje tratamento igualitário no que se refere aos direitos humanos e à cidadania. Trata-se de um projeto que busca promover a leitura, motivando os alunos a despertar o gosto pelos livros, uma vez que quem adquire o hábito de ler pode ampliar seus conhecimentos. No entanto, como a leitura em sua fase inicial talvez não seja suficiente para a assimilação de conhecimento, muitas vezes torna-se necessária a utilização de métodos lúdicos e coletivos para despertar o leitor que há na criança. Ademais, no Brasil, o livro não serviu para democratizar o acesso aos bens culturais, conforme observa Jesús Martín-Barbero (1989) que afirma que, na América Latina, esse papel de difusor massivo e democrático coube aos meios audiovisuais. Com base nisso, relacionamos a oralidade africana e a identidade afro-brasileira, a partir dos contos Menina bonita do laço de fita(2004), de Ana Maria Machado, e As tranças de Bintou(2010), de Sylviane A. Diouf, como estratégia de ensino de literatura e os vinculamos ao universo africano, pois verificou-se que os afrodescendentes ainda demonstram dificuldades para assumirem-se como tais e, com isso, manterem sua cultura viva. Em suma, busca-se, neste projeto, aprimorar o desempenho na prática pedagógica por uma leitura mais atraente aos alunos, levando em consideração a oralidade. Para esse estudo, foram consultados autores que exploram o tema e que apontam dinâmicas para trabalhá-lo em sala de aula. Com isso, acredita-se que o presente trabalho poderá contribuir com a prática docente para que favoreça a compreensão dos alunos no que se refere à cultura aqui abordada, já que os negros ainda são vistos por muitos de maneira negativa
Oficina de Turbantes: Relato de Experiência
Relato sobre a oficina de turbantes incluída na programação da IV Semana da Consciência Negra da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), realizada em 2014. A oficina, que teve como principal objetivo mostrar as influências da cultura negra no Brasil e na América Latina, foi dividida em duas partes: discussão teórica visando à obtenção e propagação de conhecimentos sobre a cultura afro, e a parte prática, que consistiu no ensino e realização da amarração de turbantes