Revistas da Unilab (Univ. da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira)
Not a member yet
1125 research outputs found
Sort by
Género e identidade na poesia angolana do século XX: Gender and identity in 20th century Angolan poetry
Para o presente artigo, propomo-nos discutir a poesia de insurreição ao sistema colonial do terceiro quartel do século XX. Geralmente, esta poesia contém uma narrativa cujo epicentro é a discussão sobre a usurpação do espaço, o domínio do homem negro pelo branco, a miséria, a aculturação, etc. Na presente pesquisa, buscar-se-á, a partir de um poema angolano de cunho reivindicativo, analisar qual o lugar da mulher na construção da identidade espacial. A pesquisa terá como objetivo compreender como, no discurso poético angolano de sublevação contra o sistema colonial do século XX, a temática do género se constrói, destacando a participação da mulher na construção da identidade angolana. Assim, adoptar-se-á a análise do discurso como método para interpretação dos dados, ou seja, do poema, uma vez que este método considera a ideia como síntese dos processos de assujeitamento das atividades discursivas. Sendo que o objeto da presente pesquisa é o texto poético produzido num determinado contexto espácio-temporal – Angola colonial – a recolha bibliográfica que faça referência a conjuntura histórico-social da época de produção dos textos se mostrará fundamental. Desta feita, a pesquisa trará abordagens de diferentes áreas de conhecimento como a sociologia, a história, a psicologia, entre outras, de forma a demonstrar o contexto em que o discurso do sujeito poético mulher emerge. Para além da bibliografia indicada, a pesquisa trará um embasamento teórico sustentado em discussões conceptuais sobre identidade e espaço conciliando investigações mais recentes com as mais clássicas.
****
In this article we propose to discuss the poetry of insurrection against the colonial system in the third quarter of the 20th century. Generally, this poetry contains a narrative whose epicentre is the discussion of the usurpation of space, the domination of blacks by whites, misery, acculturation, etc. The aim of this research is to analyse the place of women in the construction of spatial identity, based on an Angolan poem of a vengeful nature. The focus of the research will be, among other things, to understand how, in the Angolan poetic discourse of revolt against the colonial system of the 20th century, the theme of gender is constructed, emphasising the participation of women in the construction of Angolan identity. Discourse analysis will therefore be adopted as the method for interpreting the data, i.e. the poem, since this method considers the idea as a synthesis of the processes of subjection in discursive activities. Since the object of this research is the poetic text produced in a specific spatial and temporal context - colonial Angola - it will be essential to collect bibliography on the historical and social context of the time in which the texts were produced. For this reason, the research will bring together approaches from different areas of knowledge, such as sociology, history, psychology, among others, in order to demonstrate the context in which the discourse of the poetic subject arises
Dimensão artístico-cultural da vida e obra de Nagrelha e seu impacto na cultura musical angolana: Dimension artistic-cultural ya vie na mosala ya nagrelha na impact na yango na culture musical angolane
Este artigo visa abordar a vida e obra de Nagrelha, num contexto de contributos sobre um estilo musical angolano “Kuduro” e a influência que esta personalidade irreverente e carismática teceu a um grupo de jovens dos subúrbios do país, sobretudo da província de Luanda, que se indentificaram e identificam com o mudus vivendi de Gélson Caio Mendes, mais conhecido por “Estado Maior do Kuduro”. Uma vida marcada por muitos altos e baixos devido as vicissitudes e as dificuldades que o seu meio social apresentaram. O nosso estudo ancora-se no método meta-analítico, sob a perspectiva qualitativa, um estudo que consiste no levantamento de dados, procurando identificar através de diferentes categorias, semelhanças e controversas em uma determinada pesquisa, por outro lado, este método trata de um processo de descrição interpretativa, orientada por determinadas categorias teóricas, por meio de bases bibliográficas.
****
Lisolo oyo ezali na mokano ya kolobela bomoi mpe mosala ya Nagrelha, na contexte ya ba contributions sur un style musical angolais “Kuduro” mpe influence oyo personnalité oyo ya irreverent mpe charismatique ezalaki na yango na groupe ya bilenge ya ba banlieues ya mboka, surtout ya etuka ya Luanda , oyo amimonisaki mpe amimonisaki na mudus vivendi ya Gélson Caio Mendes, oyo ayebani mingi na nkombo “Estado Maior do Kuduro”.Bomoi oyo e marqué na ba hautes et ba basses ebele mpo na ba vicisitudes mpe ba difficultés oyo environnement social na ye e présentaki. Boyekoli na biso ezali ancré na méthode méta-analytique, na perspective qualitative, boyekoli oyo ezali na kosangisa ba données, koluka koyeba na nzela ya ba catégories différentes, ba similarités pe ba polémiques na recherche moko donnée, par contre, méthode oyo etali processus moko ya ndimbola ya ndimbola, oyo etambwisami na ba catégories théoriques mosusu, na nzela ya ba bases bibliographiques
Apodos de los futbolistas insignia mexicanos, colombianos, argentinos y peruanos
Las personalidades icónicas del fútbol son ampliamente conocidas por sus apodos o perífrasis onomásticas. La diversidad de apodos de los futbolistas latinoamericanos se debe a los rasgos idiosincráticos del estilo comunicativo latinoamericano en sus variedades nacionales, la creatividad verbal latinoamericana con un amplio repertorio de formas de tratamiento, metáforas culturales y la importancia del fútbol en la formación y reflejo verbal de la identidad nacional. La presente investigación se centra en los apodos de los emblemáticos futbolistas mexicanos, colombianos, argentinos y peruanos. Se establece que los apodos de futbolistas de dichos países tienden a enfatizar metafóricamente sus relevantes cualidades deportivas, a menudo a través de zoometáforas y americanismos que, a su vez, tienen características motivadoras de acuerdo con la singularidad de las culturas lingüísticas nacionales. Por ejemplo, el mediocampista y entrenador mexicano Javier Aguirre Onaindía (n. 1958), por su origen vasco, es conocido como El Vasco o El Vasco Aguirre. Carlos Valderrama (n. 1961), el único futbolista colombiano incluido en la lista de FIFA de los 125 mejores futbolistas es conocido con el sobrenombre de El Pibe, un sudamericanismo que significa ‘chico’, ‘niño’. La célebre personalidad del fútbol latinoamericano y mundial, el argentino Diego Armando Maradona (1960-2020) recibió los apodos Pibe de oro, Pelusa, El barrilete cosmico, si bien los vocablos pibe y barrilete son sudamericanismos. El centrocampista peruano Teófilo Juan Cubillas Arizaga entró en la retórica futbolística como El Nene o El Nene Cubillas. La principal conclusión consiste en que en los apodos de futbolistas se destacan los epítetos elogiosos, los americanismos, la combinación del apodo con el apellido del jugador, los lexemas de edad como medios retóricos para mostrar simpatía por el jugador y al mismo tiempo enfatizar la unidad colectiva en el discurso futbolístico
Antroponímia e toponímia guineenses: desafios linguístico-culturais
O nome é uma forma de identificar pertencimentos culturais dos povos ao longo da história das línguas naturais. O ato de nomear estabelece constitutivamente relações de poder entre o nomeado e quem nomeia. No contexto africano, matizado pelo empreendimento colonizador europeu e dentre os países que foram colonizados por Portugal, Guiné-Bissau carrega no seu nome essa representação de poder, uma vez que, nos primeiros contatos com os portugueses, foi apagada do topônimo bossau, através do seu aportuguesamento, a referência à etnia pepel. A estratégia de silenciamento da identidade linguístico-cultural do povo guineense se fez notar também em seus antropônimos, onde se podem verificar apagamentos étnicos em nomes e sobrenomes guineenses transmutados para aqueles de origem portuguesa. No entanto, o povo guineense também resistiu à colonialidade, mantendo muitos de seus nomes nos quais se recuperam pertencimentos étnico-culturais, como apresentaremos nesse estudo. Para demonstrar como aspectos linguístico-culturais de resistência étnica se fazem registrar em topônimos e antropônimos guineenses, apresentaremos um cotejo de alguns nomes comuns como Guiné-Bissau e Bijagós, além de alguns antropônimos por meio dos quais se identifica o grupo étnico-linguístico a que pertence a pessoa nomeada. Os signos foram inventariados em bases como relatórios do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) e documentos cartográficos e sua análise incorporou aspectos da cultura guineense e da composição morfológica, à luz do contexto de significação para a comunidade multilíngue e multicultural de Guiné-Bissau, tema de relevância nos estudos da linguagem
Migração, identidades e a permanência da toponímia paralela (informal) na Cidade de Maputo: o caso dos topónimos Bairro Xinyembanini e Bairro Magude, de 1975 à actualidade
Com a presente comunicação pretende-se discutir a permanência de nomes geográficos não oficiais (toponímia paralela/informal), que até à actualidade coexistem com os nomes geográficos oficiais na Cidade de Maputo. Trata-se de uma reflexão conduzida com recurso à pesquisa bibliográfica e documental, movida pelo questionamento que se coloca em torno das razões por detrás da permanência da toponímia paralela na Cidade de Maputo e pelo país todo, havendo nomes geográficos oficiais que designam os mesmos lugares. Debruça-se sobre a origem e significado histórico e social dos topónimos Bairro Xinyembanini e Bairro Magude, que coexistem respectivamente com os topónimos Bairro Luís Cabral e Bairro da Urbanização, na Cidade de Maputo. Argumenta que a permanência dos primeiros deve-se ao facto de, a toponímia paralela ou informal surgir muitas vezes de forma espontânea, reflectindo as vivências, experiências, memórias e identidades das comunidades que os usam, o que facilita a sua interiorização, aceitação e perpetuação. Aponta um catalisador social do fenómeno, que é a fobia que os Rhonga e os grupos mais privilegiados da população não colona residente nos bairros circunvizinhos tinham contra pessoas de grupos etnolinguísticos oriundos de outras regiões de Moçambique, que eram vistos como seus concorrentes no acesso aos recursos de sobrevivência na cidade. Conclui que o surgimento e manutenção dos topónimos em estudo são sustentados pela relação: migração e identidades, em que estes funcionaram como elementos de afirmação e exclusão de grupos na disputa pela construção de territorialidades
Toponímia do Estado de Mato Grosso do Sul: estudos já realizados e perspectivas
A Toponímia, estudo dos nomes geográficos, é considerada umas das divisões principais da Onomástica, que, por sua vez, se define como o campo da Linguística responsável pelo estudo dos nomes próprios em geral. Especialmente nas duas últimas décadas, os estudos toponímicos no Brasil estão em franco crescimento, e determinados estados têm se destacado no que se refere à quantidade de trabalhos acadêmicos concluídos e publicados, como é o caso de Mato Grosso do Sul. Partindo desse contexto, o objetivo da comunicação será apresentar um relato a respeito das pesquisas já realizadas sobre a toponímia sul-mato-grossense, demonstrando, por exemplo, que já existem estudos referentes à toponímia da área rural (incluindo nomes de rios, córregos, morros, serras...) de todos os municípios do estado. Além disso, os topônimos coletados para essas pesquisas encontram-se catalogados em um Banco de Dados, que no momento, possui, aproximadamente, 19 mil topônimos. Registra-se que o acesso a esse Banco de Dados é restrito aos pesquisadores vinculados a projetos que visam o estudo da toponímia do estado. A exposição tem também o objetivo de apresentar, como forma de exemplificação, resultados obtidos por meio da análise da toponímia da região sul de Mato Grosso do Sul, que se caracteriza pela significativa presença de comunidades indígenas e pelo fato de ter municípios que fazem fronteira com o Paraguai. Para encerrar, serão apresentadas as principais perspectivas relacionadas aos estudos que ainda precisam ser realizados, como aqueles referentes à toponímia das áreas urbanas dos municípios e ao tratamento lexicográfico dos topônimos já catalogados. 
José Carlos Schwarz: a sua escrita literária após a independência da Guiné-Bissau: José Carlos Schwarz: si skrita literária dipus di independensia di Guiné-Bissau
Este artigo tem por objetivo descrever e interpretar os significados dos escritos de José Carlos Schwarz na fase pós-independência e, também, entender o papel que a língua guineense desempenhou na criação dessas escritas. De modo igual, propõe-se compreender as suas contribuições no seio social guineense, tal como elas ajudam a ampliar a cosmovisão do povo à nível político-social e, sobretudo, em possibilitá-lo a se engajar em (re)criar e alavancar a esperança de um futuro jovial, harmônico e aglutinador. Este trabalho indicou que essas características são as marcas bem pontuadas em suas poesias e, principalmente, que elas reforçam, de modo geral, a ideia filantrópica à nação guineense, pois em suas poesias, que, posteriormente, foram musicalizadas com vista a permitir a classe não escolarizada a ter acesso ao entendimento dos conteúdos que elas difundem, assuntos esses que retratam as ocorrências locais, sobretudo na (re)construção da identidade guineense. Portanto, o desenvolvimento desse trabalho ocorreu a partir das leituras de outros textos, e não só, mas, também, partindo-se de premissa endógena que sustentou na interpretação de suas escritas. Conclui-se, ainda, que as escritas de Schwarz cooperaram significativamente em (trans)formação identitária guineense e em progressão do imaginário literário guineense, singularmente, em subsidiar a disseminação da cultura do país.
***
E artigu tene suma objetivu mostra i sklarisi signifikadus di skritas di José Carlos Schwarz dipus di indipendensia, i tambê ntindi papel ku lingu guineense dizimpenha na si skritas. Di mesmu manera, es tarbadju buska ntindi kontribuisons dês skritas na tchon guineense, suma tambê ntindi kuma ku e djuda na aumenta manera di odja di povu a nível polítiku-social i tambê kuma ki djuda es povu na ingaja na kria, i na promovi speransa di un futuru alegre, di ermondadi i di union. E tarbadju mostra kuma ku es karakteristikas e sta mostradu na poesias di Schwarz, prinsipalmenti, e ta reforsa ideia humanitária a nason guineense, pabia na si poesias, ku dipus e bin sedu musikalizadu ku objetivu di pirmiti pa djintis ku ka studa pa e tene ntindimentu di konteudus ku poesias divulga, e assuntos e ta fala di akontisimentus di país, ou seja, di (re)konstruson di identidade guineense. Pabia dês, disinvolvimentu dês tarbadju i akontisi a partir di leituras di textos, não so, mas tambê nô parti di kunhisimentu/spriênsia lokal ku djuda na interpretason di skritas di autor. Pa kabanta,skritas di José Carlos djuda na (trans)formason identitária guineense i na disinvolvimentu di imagináriu literáriu guineense, partikularmenti na kontibuison di spalha kultura di país.
 
Apresentação do Vol. 4, nº Especial II (2024): A Linguística, a Literatura, a educação e outras áreas afins na mesa de debates em favor do avanço da ciência
A língua portuguesa de São Tomé
São Tomé e Príncipe é localizado no golfo da Guiné e está dividido em duas ilhas: a de São Tomé e a do Príncipe. O português tornou-se a única língua oficial desde 1975 após a independência até a presente data e convive com línguas crioulas faladas nas ilhas. A maior parte da população são-tomense se comunica em português, ou seja, 80% dos jovens com menos de 20 anos só falam a língua portuguesa (Araujo, 2020). O presente artigo tem por objetivo mostrar alguns aspetos da variedade do português são-tomense baseado nas transcrições dos áudios gravados nos anos 2016 e 2019 em São Tomé. Todos os informantes são falantes nativos com nível escolar de 4ª classe, 9ª classe, 12º e ensino superior completo com a idade entre 19 anos a 52 anos. O trabalho é muito importante para obtenção das informações sobre a variedade do português são-tomense, que ainda é pouco estudada. Os aspectos analisados mostram que o português falado na ilha de São Tomé é uma variedade específica, os róticos do português de São Tomé apresentam uma característica inovadora diferente do PE e do PB. No português de São Tomé é comum, como em outras variedades, a ausência da concordância verbal e nominal e ausência dos artigos
Alternância pronominal na língua bissau-guineense
A Guiné-Bissau é um país multilíngue e multicultural, situado na costa ocidental da África, entre dois países francófonos. A língua bissau-guineense é a língua franca, da união, de conforto e também mais falada do país, mas, apesar disso, ainda não está completamente descrita e não conta com uma norma-padrão. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo descrever os processos variáveis de alternância pronominal na língua bissau-guineense (também chamada de kriol, guineense ou crioulo guineense). Como base teórica, do ponto de vista descritivo, temos Couto e Embaló (2010); Intumbo (2007); Scantamburlo (1999, 2021), Danfá (2022), dentre outros. A abordagem é qualitativa/quantitativa, com a aplicação de formulários com ocorrências de emprego de formas pronominais, as quais foram submetidas a estudantes guineenses residentes no Brasil e na Guiné-Bissau. Os resultados apontam que: i) há processos de variação em todas as pessoas do discurso na língua bissau-guineense, no que se refere ao emprego dos pronomes; ii) As alternâncias pronominais ocorrem entre o emprego das formas clíticas e não-clíticas; iii) a não possibilidade de apagamento das duas formas pronominais está relacionada ao fato de a língua bissau-guineense não aceitar o sujeito nulo