Revistas da Unilab (Univ. da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira)
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Inversão de realidade e ironia: o humor nas crônicas de Porchat
Considerando-se que Fábio Porchat – além de ator, roteirista, diretor, apresentador brasileiro e humorista – também é escritor, tendo em vista que publicou no jornal O Estado de S. Paulo crônicas humorísticas no período de setembro de 2014 a julho de 2016, neste trabalho, visa-se, por meio da análise de algumas de suas crônicas, assinalar as técnicas de produção de humor a que o cronista recorre para provocar um efeito humorístico, de modo que sejam além de bem-humoradas, também particulares de seu estilo. Na área do humor, as pesquisas a respeito das técnicas de produção de humor utilizadas para tornar um texto engraçado vem sendo tema de muitas pesquisas para estudiosos da área. Contudo, estudos a respeito da produção de humor em textos contemporâneos são ainda poucos – o que vem a justificar o presente trabalho. A pesquisa tem como hipótese que as técnicas de produção de humor mais utilizadas por Porchat nas crônicas selecionadas (que foram agrupadas em dois tipos) sejam a “inversão da realidade” (técnica que depende também do conhecimento prévio do leitor para que se deflagre o humor) no primeiro tipo e a ironia no segundo tipo. O estudo tem como base autores e teses que tratam de questões referentes ao humor e às técnicas humorísticas, tais como Bergson (1987); Possenti (1998, 2010) e Travaglia (1992, 2015)
Quando religião e estudos de línguas se encontram: o advérbio ONDE em textos de temática religiosa
O presente artigo busca apresentar o uso do item ONDE em textos religiosos medievais. Tal proposição se pauta mediante o fato de haver o uso do ONDE em referências que estariam para além de sua etimologia - uso locativo consagrado nos compêndios gramaticais - como usos temporais ou esvaídos de sentido, conforme estudos já publicados (SOUZA, 2007). A pesquisa ora relatada foi feita a partir da análise de textos religiosos e, por isso, estudamos também algumas marcas discursivas correntes nesses tipos de textos, as quais influenciariam no uso locativo do referido item. As obras pesquisadas foram os livros medievais Virgeu de Consolaçon e Boosco Deleitoso. Concluiu-se que, dadas características dos textos religiosos, houve significativo uso do ONDE como locativo.
Consequências do ensino da língua portuguesa no ensino fundamental na Guiné-Bissau 43 anos após a independência
A criação do estado novo, após à independência em 1973 trouxe problemas sérios no sistema ao oficializar apenas o português como a única língua oficial da Guiné-Bissau. Questiona-se o português como língua oficial do povo guineense, sabendo que o crioulo é a mais falada e mais conhecida. Assim, levantam-se as seguintes hipóteses: os alunos reprovam porque a língua de casa é diferente da língua de casa; os professores não dominam a gramática do português europeu; políticas educacionais falhas que elevam a autoestima dos alunos e; finalmente, o português tem criado dificuldades no desenvolvimento e na qualidade de aprendizagem dos alunos. Objetivo geral é de conhecer o estado do português no ensino fundamental na Guiné-Bissau e seu impacto da educação formal. Para a pesquisa utilizou-se o método bibliográfico e documental que serviram de análise e discussão dos dados. Da pesquisa se conclui que a falta da oficialização do crioulo como língua oficial atrasou a progressão dos alunos. Tanto a gramática e como o dicionário do português não responde à variedade do português guineense. Sendo assim, defende-se a necessidade investimento no sistema educativo para aumentar a qualidade do ensino. Defende-se a formação de professores em quantidade e em qualidade para responder as preocupações da educaçã
A Construção do ethos heroico em Lampião e Volta Seca em Itabaiana
O presente artigo visa à análise da narrativa cordelista Lampião e Volta Seca em Itabaiana, de autoria de Robério Santos, em que serão observados os recursos retórico-argumentativos referentes aos lugares de pessoa e de essência, utilizados pelo orador na construção do ethos heroico para o cangaceiro Volta Seca. Para tanto, discorreremos acerca do conceito de ethos, por meio da retórica e de estudos recentes que adaptam essa noção. Na análise, privilegiaremos os estudos de argumentação perelmanianos, que têm base aristotélica. Além disso, firmaremos a construção da imagem desse herói evidenciando sua aproximação com o herói épico, visto que ambos se constroem pela mescla do plano mítico e do plano histórico. Para esta aproximação, tomaremos como referência Silva e Ramalho (2007). Ainda desenvolveremos, a partir dos estudos de Santos (2014), um breve comentário sobre o cangaço e sua história, mais especificamente, na cidade de Itabaiana, no estado de Sergipe, onde viveu Volta Seca. A partir da análise, evidenciamos uma relação entre o ethos de bravura do cangaceiro e dos próprios moradores da cidade