Revistas da Unilab (Univ. da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira)
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BIO-GEO-GRAFIAS “INCOMUNS”: quando o rio é Oxum.
A manifestação da energia vital cultivada pelo quilombo anima seres vivos e não vivos, perturbando a lógica ocidental de organização da vida e amplificando o campo da (r)existência. A compreensão do rio como um ente que participa das relações de parentescos exige comprometimento e relações de cuidados com o ambiente não necessariamente entendidas pelo mundo ocidental. Aqui busca-se compreender como a “bio-geo-grafia” elaborada pelas memórias quilombolas cria outros modos de fazer pensar, agir, marcar e grafar o território e como se dão as relações de disputa e composição da cidade, propondo um exercício imaginativo com as seguintes suposições: E se os quilombolas fossem convidados à mesa de negociação das decisões que impactam suas vidas nos espaços urbanos? E se fossem escutados e pudessem narrar oficialmente sua cosmovisão de mundo? As comunidades quilombolas elaboram sofisticadas formas de viver mesmo em situações arruinadas pelo mundo capitalista e podem inspirar outras relações territoriais
Os desafios do Período das Onças: uma breve etnografia entre gente, gado e carnívoros
Este artigo aborda a predação de gado por grandes carnívoros na comunidade Kalunga da Prata. Buscamos identificar e compreender conceitos e perspectivas locais, incluindo a própria noção do "Período das Onças". A pesquisa de campo foi realizada em 2023, com doze criadores de gado locais. A partir dos relatos dos moradores, examino as relações da comunidade com a fauna, incluindo o sistema de classificação de riscos local e as percepções atribuídas aos grandes carnívoros. Em seguida, discuto as categorias de "desafio" presentes nas conversas e os métodos utilizados pela comunidade para reduzir os conflitos. Na conclusão, reflito sobre os achados da pesquisa à luz da biologia da conservação
ANAIS DO CONGRESSO INTERNACIONAL DE LETRAS LÍNGUA PORTUGUESA EAD-UNILAB: I SEMINÁRIO INTERNACIONAL DA TOPONIMIA E ANTROPONIMIA
O I Seminário Internacional da Toponímia e Antroponímia (evento inserido no Congresso Internacional de Letras-Língua Portuguesa em EAD-UNILAB) é um evento acadêmico-científico internacional cujo intuito é de reunir estudos e pesquisas de pesquisadores, docentes e estudantes da pós-graduação com intuito de interagir, trocar teorias, metodologias e experiências sobre as diversas temáticas que serão propostas a cada ano
Ideopatuagramas
O que são, então, ideopatuagramas? A compreensão dos ideopatuagramas passa antes, ou melhor, também e igualmente, pelo entendimento do significado, sempre movediço e plástico, dos patuás de palavras. Patuás de palavras são teias e/ou emaranhados de palavras esculpidas. Talhadas e objetificadas, como extensão corpórea, pelo verbo, hálito e sopro ancestral. Podemos, de modo complementar, nos referir aos patuás enfatizando que são palavras mágicas, encantadas e de proteção-ataque. A noção de patuá de palavras ficará doravante estabilizada, mesmo que parcialmente, como uma tipologia textual. É na categoria de tipologia textual que se insere o conjunto de poemas, com a pretensão de palavras esculpidas e patualizadas, do livro Ideopatuagramas
O esporte como inclusão de gênero e a interseccionalidade nos países africanos-Palop
O presente estudo pauta-se como resultado de pesquisa pós-doutoral, financiado por órgãos de fomento à pesquisa, desenvolvido na UNILAB (Nordeste brasileiro) pelo seu contexto de integração com países africanos e com grande número de estudantes da África-PALOP (Países africanos de língua oficial portuguesa) - sendo a população desta pesquisa mulheres de origem africana. Teórico-metodologicamente se fundamenta em estudos decoloniais, feminismos africanos e feminismos negros, utiliza o método de intervenção, entrevistas e observação in loco. Recorta como principal território a Guiné-Bissau e o futebol como a modalidade esportiva por ser globalmente lugar do homem, machocêntrico, heterossexual e branco (no Ocidente). E como se caracteriza em países africanos? Objetiva-se discutir e difundir conhecimentos a respeito de inclusão e interseccionalidades no esporte na África, destacando as relações de gênero, trabalho e poder. Nos resultados, as concepções de gênero e esporte na África-PALOP representadas pelo futebol em Guiné-Bissau, apresentou-se como lugar de conflito, insubmissão e empoderamento e suscita pensar em ressignificação da tradição. Tais fatores impulsionaram algumas inclusões de gênero, estas, integralmente são negras, provocando refletir em um modelo de inclusão sem a perspectiva do racismo. Contudo, há complexidade
A trajetória de lutas das mulheres negras no Brasil e na América Latina e algumas notas sobre os desafios educacionais à igualdade étnico-racial e de gênero.
O objetivo aqui é a contextualização histórica e o diálogo sobre as singularidades das lutas das mulheres negras: pelo reconhecimento, afirmação e valorização de suas identidades, pela igualdade e justiça na superação dos efeitos sociais do patriarcado e da escravidão e especialmente pela exortação de suas pautas de lutas e direitos no âmbito do Movimento Negro, assim como fundamento crítico a uma educação antirracista e antissexista. Algumas das principais autoras e intelectuais negras que nos guiarão nessa disposição são: Lélia Gonzalez (1935-1994), Sueli Carneiro (1950-), Matilde Ribeiro (1960-), Luiza Bairros (1953-2016), bell hooks (1952-2021), Patricia Hill Collins (1948-), Angela Davis (1944-) e María Lugones (1944-2020), num breve panorama crítico e histórico do movimento feminista negro e anti-hegemônico. Pretendemos, com isso, evidenciar as questões que distinguem o feminismo negro do movimento feminista branco e hegemônico, ao mesmo tempo em que expormos os eixos de opressão que tradicional e repetidamente se cruzam contra as mulheres negras, compondo a trama particular de suas lutas e resistências