Portal de Periódicos da UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco)
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O HISTORIADOR DA EDUCAÇÃO E SEU OFÍCIO
O artigo aborda uma reflexão acerca do ofício do historiador da educação. Para tanto, parte-se da consolidação da História da Educação como disciplina e campo do conhecimento, de acordo com os conceitos de Chervel (1990) e Bourdieu (1983). No que tange a atividade docente, serão destacados os desafios vivenciados na formação dos professores. Nunes (2006) entendeu que a disciplina História da Educação tem por finalidade ensinar a pensar historicamente, destacando-se o desafio intrínseco dessa missão. Já como cientista, o historiador da educação, independentemente de sua formação inicial, possui um compromisso com o que Certeau (1982) denominou de operação historiográfica, sendo esta constituída por três etapas distintas: o lugar social, a prática na pesquisa com as fontes históricas e a construção da narrativa histórica. Na primeira etapa serão destacados os lugares de fala do historiador da educação, tais como: os programas de Pós-Graduação, Associações, grupos de trabalho, eventos acadêmicos e revistas científicas. Na sequência, as fontes utilizadas para a construção do conhecimento em História da Educação e a constituição de arquivos físicos e virtuais para o atendimento dessa demanda. E, no que se refere à construção da narrativa, Certeau (1982) destacou que essa é diretamente influenciada pelos cânones cronológicos da História, pela prática e pelo lugar social. Para a elaboração dessa reflexão, buscou-se ainda respaldo nas obras de diversos autores que refletiram sobre a História da Educação: Antônio Nóvoa, Demerval Saviani, Diana Vidal, Luciano Mendes de Faria Filho, Claudinei Lombardi, Antônio Carlos Ferreira Pinheiro, dentre outros. Por fim, entende-se que o ofício do historiador da educação é permeado pelo caráter didático da atividade docente e pela escrita da história que tem como objeto os processos educativos, sendo ambos influenciados pela memória e pelo esquecimento inerentes aos embates representacionais
De Roberto Succo a Roberto Zucco: a criação dramatúrgica a partir do fait divers
Este artigo investiga a gênese de Roberto Zucco (1988), texto dramático escrito por Bernard-Marie Koltès. Para a sua criação, o dramaturgo partiu de um fait divers: o assassino italiano Roberto Succo, que aterrorizou a França no final de 1980. Após breve apresentação sobre o autor, são tecidas considerações acerca de Roberto Zucco, em relação ao enredo, composição e estrutura. Na sequência, o foco recai especificamente sobre o tema em análise. Parte-se da inspiração e processo de escrita do texto, verifica-se pontos de aproximação entre a obra dramática e os fatos reais, mostrando quais elementos do percurso de Succo aparecem no percurso de Zucco. Por fim, o artigo lança algumas propostas de leitura sobre a polêmica escolha do criminoso como inspiração para a obra. Entre os referenciais teóricos, destacam-se Koltès (1999), Fernandes (2009), Maïsetti (2018), Sarrazac (2017), Benhamou (1996), Faerber (2006), Patrice (2008) e Ubersfeld (1999)
AÇÕES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE DIRECIONADAS A PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ACADÊMICOS DE MEDICINA
A Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) é a área de saúde pública responsável por ações e normas para estudo, prevenção, assistência e vigilância à saúde do trabalhador, atuando sobre as condições de saúde, ambiente e organização do trabalho, corroborando com o direito universal à saúde preconizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Frente à necessidade de aproximar a comunidade acadêmica das ações de saúde do município de Paulo Afonso-BA e para fornecer cuidado e educação em saúde aos professores, um grupo de acadêmicos de medicina executou uma ação de intervenção em uma escola municipal. Tratou-se de um estudo qualitativo do tipo relato de experiência cujo objetivo foi relatar a experiência de acadêmicos de medicina na realização de atividades de educação em saúde para professores de uma escola pública. O grupo construiu um formulário do tipo pesquisa de opinião e um banner informativo para fomentar uma roda de conversa acerca do tema saúde do professor, síndrome de Burnout e qualidade de vida. Ao final da vivência, notou-se que o grupo de alunos compreendeu a situação de saúde dos professores da escola e executou uma ação de educação em saúde para informá-los da importância da saúde para o trabalho e suas repercussões na sociedade. Evidenciou-se que experiências em cenário prático são enriquecedoras para os acadêmicos, que adquirem conhecimentos importantes para sua futura realidade profissional, e para os que participaram da ação, que puderam conhecer acerca da saúde do trabalho, do manejo de seus riscos e como ter melhores hábitos de vida
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E OS REPOSITÓRIOS DE HISTÓRIA ORAL NO BRASIL
Ir a campo, encontrar sujeitos, trocar olhares, ver, ouvir, transcrever, transcriar e compor novas escritas, inclusive videográficas (MAUAD, 2016), são algumas das práticas comuns aos historiadores oralistas. No entanto, cabe pensar qual a responsabilidade que temos para além desses momentos. Afinal, para onde vão as entrevistas de História Oral depois que uma pesquisa se encerra? Como asseguramos que futuros pesquisadores tenham acesso a tais materiais? E em que medida manter e disponibilizar tais fontes pode suscitar novas pesquisas em História da Educação? Pensando em tais questionamentos, este trabalho se propõe a discutir a importância dos repositórios de memórias de expressão oral (MEIHY; SEAWRIGHT, 2020) para as pesquisas em História da Educação no Brasil. Para além disso, reflete acerca das dificuldades e limitações de pesquisas que envolvem tais narrativas no Rio Grande do Norte, tendo em vista a dispersão dos acervos, espalhados sob a guarda de diferentes pesquisadores e/ou grupos de pesquisa. Para sistematizar as considerações desta produção, utilizamos autores como: Paul Thompson (2002), Meihy e Seawright (2020), Ângela de Castro Gomes (2020) e Ana Maria Mauad (2016). Também foi realizado um levantamento dos principais acervos de História Oral no Brasil, com ênfase naqueles que já disponibilizam seus materiais em áudio, audiovisual e/ou transcrições para download imediato. A partir desse levantamento inicial e considerando o modo como tais acervos são organizados, é possível começar a pensar sobre a sistematização de novos repositórios, ampliando o alcance das memórias de expressão oral e fortalecendo seu uso em pesquisas na área da História da Educação
DOCUMENTO/MONUMENTO: REFLEXÕES TECIDAS A PARTIR DAS IDEIAS DE MICHEL FOUCAULT E JACQUES LE GOFF PARA A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL (EP)
Esse escrito tem como finalidade tecer reflexões sobre as categorias documento/monumento a partir das ideias de Michel Foucault e de Jacques Le Goff. Para problematizar o diálogo, se junta filosofia e história tentando possibilitar uma compreensão da arqueologia ou quem sabe uma arqueologia do saber e do texto documento/monumento, capítulo que compõe a “História e Memória”. Os conceitos tecidos nesse artigo serão pensados a partir da historiografia foucaultiana e legoffiana, investigando as definições, os aspectos e os procedimentos para que desse modo, se potencialize e articule a pesquisa nos campos da história da educação e da história da Educação Profissional (EP). Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa bibliográfica para a compreensão das categorias mencionadas, sendo também realizada a Análise Temática por meio da distinção das ideias centrais das secundárias; problematizações e proposições, conforme recomendação de Severino (2007). Com este trabalho pode-se concluir que as categorias documento/monumento teorizadas por Michel Foucault e Jacques Le Goff possibilitam uma nova forma de fazer história, assim como antes a arqueologia tendia à história, podendo-se dizer, jogando um pouco com as palavras, que a história, tecida no campo da nova história cultural e da história cultural, tende para a arqueologia, assim como para a descrição intrínseca do monumento
GAMIFICAÇÃO DO ENSINO: CONCEPÇÕES DOCENTES ACERCA DO USO DE ATIVIDADES GAMIFICADAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
As competências e habilidades necessárias à atuação no mundo contemporâneo, permeado por tecnologias digitais, vêm suscitando mais do que nunca inquietações no fazer pedagógico em sala de aula. Nesse contexto, a gamificação do ensino tem ganhado espaço nas discussões e práticas de metodologias ativas que possam motivar e engajar o aluno no processo de ensino e aprendizagem. O presente estudo tem o objetivo de identificar as concepções de um grupo de docentes acerca do uso da gamificação e suas implicações para o processo de ensino-aprendizagem nos anos iniciais do ensino fundamental. Para isso, foi realizada uma pesquisa de campo, com cunho quanti-qualitativo. Os sujeitos envolvidos na pesquisa foram 22 docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental de duas escolas da rede pública de ensino do município de Petrolina-PE. A coleta de dados se deu por meio de formulário online. Os resultados mostraram que predomina entre o grupo investigado a concepção de gamificação enquanto a aplicação de elementos de games em situações de não game. O estudo também apontou que a temática é alvo de discussão desde a formação inicial entre alguns participantes. Com isso, o cenário mostra-se favorável ao emprego de tal abordagem como estratégia de ensino
UMA AVALIAÇÃO DE CÁLCULO COMO POSSIBILIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA
Tradicionalmente, a avaliação serve para conferência de saberes e comprovação da capacidade de memorização de conteúdos. Na contramão dessa lógica, entendemos-a como uma possibilidade para o desenvolvimento profissional do professor que ensina matemática, a medida que se busca a promoção de estratégias que permitem a mobilização dos conhecimentos docentes - do conteúdo, pedagógico, do currículo. Com base nisso, o objetivo deste artigo é apresentar uma análise das percepções de licenciandos em Matemática acerca de um processo avaliativo não tradicional em aulas de Cálculo Diferencial e Integral, além de identificar indícios de como tal prática pode contribuir para seus percursos formativos. Essa avaliação foi desenvolvida numa disciplina do curso de Licenciatura em Matemática de uma instituição pública de Santa Catarina. Para produção dos dados utilizamos um questionário, respondido pelos estudantes da disciplina, explorado a partir de um viés qualitativo, com base na análise de conteúdo. Como resultados, percebemos que a avaliação se mostrou como potencial para superação de aspectos afetivos de medo e de insegurança relacionados a práticas avaliativas tradicionais, bem como potencial para mobilização de conhecimentos docentes e a retomada de conhecimentos prévios
PROMOÇÃO À SAÚDE NA FORMAÇÃO DE ESTUDANTES: RELATO DE EXPERIÊNCIA INTERDISCIPLINAR SOBRE PRÁTICA DE ENSINO NA COMUNIDADE
O Ensino em Saúde detém o desafio de promover pilares da formação acadêmica, os quais ultrapassam as barreiras da universidade. O objetivo geral deste estudo é descrever, a partir do relato de estudantes que integravam um grupo de 08 discentes, as práticas vivenciadas através da disciplina Prática de Ensino em Comunidade (PEC). A disciplina Prática de Ensino em Comunidade (PEC), através do uso de metodologias ativas, realiza atividades que se fundamentam em estudos no âmbito da Promoção em saúde, territorialização, iniquidades, princípios e história das políticas públicas de saúde em nosso país. Os instrumentos e recursos adotados relacionam-se com um modo de Educação comprometido com uma formação problematizadora, que pode contribuir para que futuros profissionais de saúde promovam ações participativas, que fortaleçam coletividades. O Método Bambu mostrou ser uma ferramenta essencial que, partindo de características do território, facilitou a participação dos moradores, resgatando memórias e protagonismo dos mesmos. As estratégias descritas também promoveram a valorização dos saberes da comunidade, fortalecendo o vínculo entre estudantes, profissionais de saúde e a população. Por fim, conclui-se que as atividades realizadas enfatizam a necessidade de que os profissionais deste campo de atuação devem reconhecer e garantir os direitos que regem nosso Sistema Único de Saúde, visualizando de forma mais ampla e crítica o processo de cuidado em saúde.
A MODELAGEM MATEMÁTICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA ANÁLISE DAS PRODUÇÕES DO EPREM
O presente estudo enfoca a importância da Modelagem Matemática na formação de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental e suas implicações no processo de ensino e aprendizagem. Assim, com base na análise das produções publicadas entre os anos de 2011 até 2020, no Encontro Paranaense de Educação Matemática (EPREM), objetivou-se demonstrar como a Modelagem Matemática é abordada nas pesquisas e suas respectivas contribuições para os anos iniciais do Ensino Fundamental. A natureza desta pesquisa constituiu-se de forma qualiquantitativa, sendo também exploratória e bibliográfica. A pesquisa é embasada em autores como Klüber (2016), Barbosa (2004, 2001), Burak (2016, 2004, 1992), Biembengut e Hein (2013), Bassanezi (2002, 1999), entre outros. Desta forma, o trabalho foi estruturado em três momentos, sendo primeiramente abordadas as definições e considerações sobre a Modelagem Matemática; posteriormente são ressaltadas as contribuições da Modelagem Matemática no processo de ensino e aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental; para, em seguida, analisar-se os dados referentes ao levantamento dos trabalhos com foco na formação de professores e Modelagem Matemática publicados na última década no EPREM. Os resultados apontaram um número restrito de pesquisas que tratam da formação de professores e do uso da Modelagem Matemática nos anos iniciais, mas demonstram que a Modelagem Matemática apresenta-se como uma metodologia de ensino capaz de favorecer a aprendizagem significativamente aos estudantes, sendo que os trabalhos pesquisados utilizam-se de concepções de Modelagem que seguem os pressupostos da Educação Matemática
PERCURSO DE ESTUDO E PESQUISA COMO METODOLOGIA DE PESQUISA E DE FORMAÇÃO
Este artigo de cunho teórico, tem o propósito de tecer reflexões, de forma sucinta, sobre uma parte da contribuição teórica da Didática da Matemática para a compreensão dos processos de ensino e de aprendizagem de conceitos matemáticos. Focaremos, mais especificamente, o estudo de Percurso de Estudo e Pesquisa (PEP) e Percurso de Estudo e Pesquisa para a Formação de Professores (PEP-FP), desenvolvidos como metodologias no seio da Teoria Antropológica do Didático. Nossos apontamentos e reflexões têm como pano de fundo teórico essa teoria, mais especificamente os construtos de organizações praxeológicas (matemática e didática), de sistema didático, as dimensões de um problema didático etc. O estudo mostra que o PEP e PEP-FP, como referência metodológica de pesquisa e formação de professores articulado à TAD, configuram-se como um dispositivo teórico-metodológico que permite o questionamento do mundo, mais especificamente, do mundo da matemática escolar