Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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Sesmarias, posses e terras indígenas na vila de Ilhéus (Bahia, 1758-1822)
Neste artigo se realiza uma breve análise do processo de ocupação territorial na vila de Ilhéus, Bahia, entre a segunda metade do século XVIII e as duas primeiras décadas do XIX. A tradição historiográfica regional consolidou a visão da decadência e da estagnação da vila ao longo do período colonial. Somente com o estímulo da ascensão do cacau no mercado externo, em meados do século XIX, chegariam a Ilhéus os “desbravadores”, nacionais e estrangeiros, para transformar a floresta virgem em lucrativas lavouras. Pretende-se questionar esta perspectiva tradicional, trazendo um quadro multiétnico da ocupação fundiária, no qual figurava a presença de diferentes institutos de propriedade e usufruto da terra, como a posse, a sesmaria e a terra indígen
A construção do inimigo: considerações sobre a legislação penal brasileira
Este artigo tem como proposta analisar a introdução da teoria do inimigo no Direito Penal, nas políticas penais brasileiras, destacando a substituição do direito penal que criminaliza a conduta ou o ato praticado, para um direito penal que criminaliza o autor. Nas últimas décadas, algumas leis foram promulgadas com a finalidade de aumentar a repressão penal sob o argumento de aumento da criminalidade violenta. No entanto, o que se observa como resultado é uma política de encarceramento contínuo dos grupos e indivíduos considerados “indesejáveis”, os vulneráveis, os etiquetados. Assim como ao longo da historia do Ocidente os inimigos foram definidos e perseguidos como obstáculos políticos aos interesses de determinados grupos sociais, também hoje assiste-se à construção de um inimigo que deve ser “eliminado ou encarcerado” devido à exclusão e à seletividade da política penal
Trabalho docente na educação infantil: uma atividade relacional
Esse estudo é parte de uma tese de doutoramento intitulada: Cuidado, relações de gênero e trabalho docente na Educação Infantil: um estudo de caso na pré-escola pública, e se refere às professoras (cinco) e aos raros professores (dois) que atuam em uma pré-escola pública, situada no Município de Itabuna – Bahia. O estudo tem como foco principal o trabalho docente e foi analisado com base nas questões ligadas ao cuidar/educar e às relações de gênero na Educação Infantil
Sobre as relações entre os media: do paragone de Da Vinci à “pseudomorfose” de Adorno
Este artigo enfoca a questão da discussão teórica sobre as relações mútuas entre as diversas linguagens artísticas, partindo do Trattato della pittura de Da Vinci, abordando também as posições conexas na reflexão contemporânea sobre arte e estética (especialmente Clement Greenberg e Theodor Adorno). Enquanto o artista e pensador renascentista advoga para a pintura o primeiro lugar entre todas as artes, Lessing aponta para a superioridade da poesia. Quanto a Greenber, o que está em questão é – tendo em vista a dominação de uma arte sobre as outras – a demanda de que cada linguagem deveria se ater ao traço que melhor a caracteriza. Essa mesma reivindicação é conexa, em Adorno, com o diagnóstico cultural de um sério processo de reificação na cultura e na sociedade
Memoria und Ästhetik. Über Geschichte und Geschichtlichkeit in der Kunst
Der Essay geht dem Gedanken Walter Benjamins nach, dass die Kunstwerke einerseits in einer historischen Tradition stehen, andererseits diese aber auch brechen und nicht aus ihr abzuleiten sind. Vielmehr wirken sie immanent und ihr historischer Gehalt wäre erst durch eine von außen kommende Interpretation zu erläutern. Die Kategorien der Geschichte und der Kunstwerke stehen also quer zueinander. Ähnliches gilt auch für die Erinnerung und das Vergessen, sowie für die Konzeption und die Ausführung eines Kunstwerkes. In diesem Sinne mag auch die Kategorie der Barbarei in den Geschichtsthesen – wonach „kein Dokument der Kultur“ existierte, ohne zugleich ein solches der Barbarei zu sein“ – ebenfalls doppeldeutig angelegt: als Affi rmation eines Bruches nämlich, von dem aus die Kultur und die Kunst jeweils neu gestiftet wird
Do plano transcendental para o plano histórico: críticas de Adorno à estética kantiana
O trabalho pretende abordar uma divergência central da estética de Adorno em relação à estética kantiana. Segundo Adorno, tal como ele, Kant pensa que a constituição do conceito de arte se deve a sua separação da realidade. Esta interpretação é decorrente do fato da estética kantiana fundamentar o prazer estético num jogo livre entre as faculdades da imaginação e do entendimento, com independência da faculdade de desejar. Com isto, Kant teria livrado a arte de tornar-se apenas um apêndice do âmbito da autoconservação, ou seja, a teria pensado como se opondo à totalidade social na qual a autoconservação é determinante. Entretanto, apesar da concordância no aspecto aludido, Adorno discorda de Kant na medida em que propõe que a separação entre arte e realidade se deu historicamente, enquanto que para Kant restringe-se ao âmbito transcendental. Nosso trabalho pretende enfocar justamente esta passagem do transcendental para o histórico procurando problematizar que modelo conceitual está em jogo na “dialética negativa” de Adorno que permite afirmar que o transcendental não é o fundamento da objetividade filosófica, mas é resultado do processo histórico