Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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    Argumentação retórica na literatura epistolar da Antiguidade

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    Mais familiar e espontânea que a oratória, a epistolografia tendeu na antiguidade a seguir as mesmas regras. A cultura geral de base era retórica no mundo greco-romano, e a carta limitou-se a tirar proveito dela tanto na estruturação lógica dos conteúdos como na sua elaboração final. A lógica de argumentação que modelou o processo de escrita epistolar no período helenístico tendeu, pois, a ser a mesma sob a influência soberana do código retórico. As epístolas aqui analisadas o provam. Na forma como no conteúdo, no género como na espécie, o recurso às convenções retóricas é uma constante. No discurso epistolar de Isócrates a Nícocles, na carta de consolação de Séneca a Lucílio (7.63), e na epístola paulina de exortação aos Gálatas a evidência é a mesma. Textura argumentativa e raciocínio lógico operam juntos como um todo, incorporando estratégias de argumentação e persuasão. Os três dão testemunho, cada um a seu modo, da clara influência da retórica sobre a literatura epistolar

    Resenha de La palabra y el puño. Perfiles de la retórica nazista en el Mein Kampf de Adolfo Hitler, de Gerardo Ramirez Vidal

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    Qual o poder da palavra? Questão sempre atual, frequentemente esse mesmo poder é confrontado com o poder da força. Aristóteles, em sua Arte retórica, ensinava que a palavra é mais própria ao homem do que seu corpo, motivo pelo qual seria vergonhoso o homem saber se defender com a força física, e não saber fazê-lo por meio de suas possibilidades oratórias. De grande importância na Antiguidade grega, o uso da palavra era ensinado nas aulas de retórica, visando ao preparo do cidadão para a participação político-democrática.

    Boca do inferno: os procedimentos da intertextualidade e da metaficção historiográfica

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    A metaficção historiográfica é uma das manifestações do Pós-modernismo. No romance histórico, observa-se o processo de criação e resignificação do contexto histórico baseado em releituras do contexto social. Com base em subsídios teóricos acerca do discurso como linguagem, do recurso da intertextualidade (M. Bakhtin, J. Kristeva, Y. Reuter, G. Genett e), dos procedimentos do romance histórico e da metafi cção historiográfi ca (G. Lukács, R. Zilbermann,L. Hutcheon), a proposta desse trabalho é analisar o estatuto do narrador, a construção da personagem, o recurso da intertextualidade e os procedimentos da metaficção historiográfi ca no romance Boca do inferno (1990), de Ana Miranda. Nesse sentido, pretende-se abordar o processo da intertextualidade no discurso poético da personagem histórica Gregório de Matos e no discurso sermonístico de Pe. Antônio Vieira. Com subsídios nas teorias acerca da perspectiva narrativa dos recursos da intertextualidade, desenvolve-se um trabalho de pesquisa com as poesias gregorianas e os sermões de Vieira, tendo como objetivos detectar trechos das poesias e dos sermões, além de averiguar a reelaboração e a recriação da linguagem e da temática dos dois escritores em Boca do inferno. É na proposta da discussão da fi cção Pós-moderna que o romance de Ana Miranda se confi gura, envolto na perspectiva do já citado recurso da intertextualidade, como montagem, apropriação parafrásica e citação, que o caracterizam como romance histórico.

    A dificuldade de ser: uma leitura do corpo envelhecido no conto “Agda”, de Hilda Hilst

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    corpo envelhecido – uma das mais constantes representações do corpo nas narrativas de autoria feminina – é o núcleo ao redor do qual se organiza “Agda”, conto de abertura da obra Qadós (1973), de Hilda Hilst. A narrativa nos apresenta o percurso doloroso de descoberta e assunção da velhice empreendido via linguagem por Agda, narradora e protagonista, em cujo discurso verborrágico se entrecruzam sem demarcação nítida vozes de outros personagens com os quais convive ou conviveu. Segundo Beauvoir (1990), a velhice é uma realidade revelada ao indivíduo primeiramente pelo outro e, só depois, interiorizada, de modo que, a fi m de demonstrarmos como a narrativa se tece temática e estruturalmente em torno desse corpo-núcleo, isolaremos e analisaremos a enunciação de Agda (o ponto de vista da interioridade) e a dos que a circundam (o ponto de vista da exterioridade). Assim procedendo, poderemos delinear os estágios por que passa Agda no processo de interiorização de sua nova condição, os quais necessariamente lidam com as diferentes formas de relacionamento da protagonista com seu novo corpo. O percurso linguístico de Agda mostrará ao final uma reflexão contundente acerca da morte que se aproxima e uma peregrinação metafísica em busca do sentido de sua existência

    Nas fissuras da contemporaneidade: a contranarrativa da nação em Iararana e Viva o povo brasileiro

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    O presente trabalho pretende analisar a construção da nação na contemporaneidade a partir dos discursos performático e pedagógico no corpus literário Viva o povo brasileiro de João Ubaldo Ribeiro - narrativa épica da literatura moderna brasileira, que abrange mais de três séculos de história do Brasil, recontada na perspectiva dos excluídos: escravos e as camadas populares - e  Iararana, de Sosígenes Costa - alegoria que narra a formação étnico-cultural do Sul da Bahia, partindo de elementos formadores da identidade nacional, ou seja, elementos que remetem ao  hibridismo cultural da nação brasileira: o branco Tupã-Cavalo, Iara e o índio. O questionamento que norteará o trabalho busca explicar a narrativa dos mitos fundadores no tempo historicista do discurso pedagógico e as fissuras provocadas no discurso historicista pela contranarrativa do performático. A análise será feita com base na Teoria dos Estudos Culturais, sobretudo, nos conceitos dos teóricos: Homi K. Bhabha (1998) - tempo disjuntivo, povo, discursos pedagógico e performático – e Nestor Canclini (2000) – hibridismo cultural, que serão trabalhados, concomitantemente, com sua aplicabilidade no corpus literário. Nas obras elencadas, a escrita da nação, possivelmente, está pautada no tempo disjuntivo, contemplando os discursos ambivalentes e plurais, bem como o conceito de povo que emerge de tais discursos, instaurando, a partir do tempo performático, uma nova escrita da nação na pós-modernidade

    Relações comerciais e políticas entre Brasil e Angola: uma possibilidade em Luanda, Beira, Bahia de Adonias Filho

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    No romance Luanda, Beira, Bahia, de Adonias Filho, publicado em 1971, estão representadas intensas relações comerciais entre o Brasil e os países da África de colonização portuguesa como Angola, Moçambique e São Tomé. Isto de maneira ilícita – através do tráfico de diamantes - como também de maneira lícita – através da exportação de outros produtos. Relações que remontam àquelas estabelecidas historicamente durante o comércio de africanos escravizados entre os séculos XVI e XIX e indicadoras de relações que novamente deveriam se intensificar durante as décadas que se seguiam à publicação do romance, de acordo com a “política africana” que o Brasil estava a desenvolver e que envolveu uma ofensiva política, diplomática e cultural para com diversos países africanos. Angola, que tem relações privilegiadas com o Brasil na narrativa ficcional, ocupava papel central nesta política externa brasileira

    Space-temporal thinking in salinger’s “Uncle wiggily in connecticut” and its film adaptation My foolish heart

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    This essay attempt to develop a study on J.D. Salinger’s Uncle Wiggily in Connecticut (1948) in rela-tion to its adaptation to the cinema entitled My Foo-lish Heart (1950), regarding the review of literature of both masterpieces and an analysis of specific parts and scenes according to Mikhail Bakhtin’s theory of space--temporal relations in literature and arts. The repulse of Salinger to his story’s adaptation and his behavior of reclusiveness is also mentioned as a matter of con-textualization because of the difficulty of finding the film nowadays. Some other comparisons are made in the essay, putting Salinger, Edward Albee and Kathe-rine Mansfield in dialogue to each other through their literature

    Poética do corpo a céu aberto. Movimento poetas na praça: cultura, trajetória e resistência

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    O artigo tem como cenário o estado da Bahia, enfatizando a produção cultural literária entre 1970/85, período em que a Poesia Marginal adquiriu visibilidade em diversas regiões do país, inspirando o Movimento Poetas na Praça (MPP), na cidade de Salvador, em 1979. Os Marginais produziram uma literatura imbuída de vocabulário popular, privilegiando uma estética não tradicional e, em alguns casos, perpassada por uma linguagem pornográfica. Pode-se considerar que a poesia do MPP se revestiu de um caráter vivencial e até mesmo existencial em que hierarquização e convenções sociais foram questionadas. Os jovens poetas frequentavam as praças com cabelos grandes, vestidos de forma semelhante aos hippies ou usando poucas roupas, descalços ou com sandálias, faziam uso de palavrões, mas também declamavam poesias, falavam do feijão, da fome, da miséria, da injustiça e da censura. Pretende-se apontar aqui como a performance corporal deles estava aliada à declamação do poema, destacando, sobretudo, a exposição da sexualidade como elemento de oposição à moral. Esta pesquisa fundamenta-se em História oral, análise de poemas, fotografias e depoimentos dos poetas, assim como em matérias de jornais. O trabalho contribui para uma nova avaliação do cenário literário baiano, apresentando uma temática que, pouco pesquisada, é útil para a historiografia regional, pondo a Bahia como um cenário de atuação poética

    (Auto)biografia e autoria no caldeirão do Bruxo

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    O presente trabalho dispõe-se primeiramentea situar o "mito autobiográfico", lançado por Mário deAlencar logo após o falecimento de Machado de Assis.Seguida tanto por críticos quanto por biógrafos, a ideiade que o escritor se projetaria em suas personagensperdura até o silenciamento que lhe impõe a críticamodernista. Rever, entre outros, os trabalhos deAugusto Meyer e Lúcia Miguel-Pereira, elaborados nosanos de 1930, permite demonstrar que a reabilitação daperspectiva biográfica desempenha importante papelna futura difusão da obra machadiana. Até a décadade 1960, embora revigorado por visões filosóficos existencialistase sob vigilância da nova crítica exercidanas universidades, o ângulo biográfico não deixa deassinalar uma das dimensões de análise à produção deMachado - leitura cognitiva, existencial ou expressiva.A essa vem somar-se, a partir de finais dos anos 60do século XX, a leitura mimética, representativa ousociológica. Por sua vez, a leitura construtiva ouformal, marcada por abordagens interdiscursivas dodiscurso narrativo e inaugurada com o influxo dosaportes pós-estruturalistas no Brasil, vai convivercom uma nova dimensão para estudos do ficcionistacarioca - a transitiva ou relacional, focada na crítica ena recepção da obra junto ao leitor. Os dois últimostipos de leitura mencionados permitem indicar, nosromances de Machado, uma presença nada gratuita degêneros (auto)biográfi cos reconhecidos como tais, sejacomo procedimento dialógico e/ou interdiscursivo,seja como pilar estruturante dos textos ficcionais

    Resistência e leitura na Itália de A trilha dos ninhos de aranha, de Italo Calvino

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    Este estudo propõe uma análise do personagem Zena do romance neorrealista A trilha dos ninhos de aranha (2004), de Italo Calvino, a partir da temática do exercício da leitura e da escrita. Ressalta-se a importância do personagem leitor na obra e destaca-se o movimento da Resistência Italiana em oposição ao Regime Fascista e à dominação alemã

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