Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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Retórica e objetividade
Apesar da oposição que vulgarmente se estabelece entre “objetividade” e “retórica”, subscreve-se, num primeiro momento desta exposição, que a retórica está no coração dos processos de objetividade. Associando a retórica a dois procedimentos inerentes ao uso da linguagem natural, a saliência e a filtragem, e considerando que a análise e a síntese são operações incontornáveis na tematização dos assuntos, seja em que registo for, mostra-se como aqueles procedimentos se inscrevem na funcionalidade destas operações. Num segundo momento, e extrapolando as consequências da tese defendida, tematiza-se a argumentação retórica segundo uma conceção que a encara mais ao nível da oposição entre discursos, e no registo do perspetivismo, do que ao nível da expressão, do raciocínio e das proposições. Conclui-se abordando-se a questão das relações entre argumentação e demonstração e explora-se a tese de Plantin segundo a qual podemos falar de uma “construção argumentativa da demonstração”
Discursos sindicalistas femininos em Sergipe (1932 a 1935)
Os discursos femininos na mídia impressa de Sergipe emergem, com maior constância, na primeira metade do século XX, período em que podemos observar a crescente luta da mulher por seus direitos. Na década de trinta, com o advento do movimento operário sergipano, surgem as primeiras organizações sindicais, que passam a reivindicar melhores condições de trabalho. Diante dessas manifestações, as mulheres, no início silenciosas, somam-se, aos poucos, aos movimentos trabalhistas e anunciam seus primeiros discursos em jornais como A Tribuna (1932), Sergipe-Jornal (1934), A República (1935), entre outros, assumindo posições ideológicas em que deixam transparecer sua busca por uma sociedade igualitária. Baseado na Análise do Discurso de linha francesa, o trabalho em tela examina discursos femininos ocorrentes em jornais do período 1932-1935, com o intuito de interpretá-los e verificar as posições-sujeito que mulheres operárias neles assumiram
Os estudos ideológicos: epistemologias da Análise do Discurso
Este artigo se inscreve no quadro dos estudos ideológicos que levam em conta a construção das identidades individuais e coletivas. Ele trata das diferentes definições e estudos da ideologia em suas dimensões históricas, políticas e analíticas. A partir dos escritos de R. Fossaert (1983), ele visa e critica a perspectiva marxista inclinada a conceber a ideologia como “falsa consciência”. As correntes contemporâneas de análise do discurso, anglo-saxãs e francófonas, principalmente a Análise Crítica do Discurso (ACD) e a Análise do discurso “Escola Francesa” (AD/ADF) se ocupam de diferentes observáveis sociocognitivos. Cada uma das correntes observa, à sua maneira e segundo seu domínio de intervenção, aquilo que elas se deram em termos de teorias e de objetos de análise ideológicos
A argumentação para o desenvolvimento de visão crítico-criativa de educadores
Este estudo contextualiza-se na atividade de formação de educadores a partir do projeto de Extensão Universitária “Tempo de Aprender”, na Universidade de Sorocaba. O texto tem o objetivo de analisar a produção de significados na atividade de formação docente e compreender o uso da argumentação para o desenvolvimento de uma visão crítico-criativa e está fundamentado na Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural (VYGOTSKY, 1934). A análise é realizada a partir de dois excertos advindos de uma discussão em um encontro de formação docente, embasada pelo aporte teórico-metodológico da Pesquisa Crítico-Colaborativa (MAGALHÃES, 2009). Os excertos são discutidos por meio de categorias argumentativas que centralizam os aspectos enunciativo-discursivo-linguísticos (LIBERALI, 2013) e interpretados mediante o aporte teórico apresentado neste trabalho. A análise aponta que, entre outras questões, a condução de forma impositiva não contribui para o desenvolvimento de visão crítico-criativa dos educadores.
O caso “Hope ensina”: a questão do contrato e os parâmetros de pré-validação
Neste artigo, buscamos analisar um caso de rejeição de um discurso publicitário no que diz respeito às estratégias de captação utilizadas pela instância de produção. Nosso intuito é o de discutir a questão do contrato e dos parâmetros de pré-validação em situações monolocutivas, por meio da campanha “Hope Ensina”, uma vez que ela retrata um imaginário sociodiscursivo não reconhecido – e questionado – pela instância de recepção. Analisando o corpus selecionado, bem como sua repercussão na e pela instância de recepção, pudemos observar que os alicerces que fundamentam a polêmica gerada pela campanha se pautam, principalmente, na questão do processo de pré-validação das esferas referentes ao parâmetro axiológico. Para sustentarmos nossa análise, pautamo-nos nos estudos de Ghiglione (1984), Emediato (2007), Charaudeau (2008) e Jeanneret & Patrin-Leclère (2012) acerca da noção do contrato de comunicação e dos parâmetros de pré-validação
Uma visão geral das teorias do humor: aplicação da incongruência e da superioridade ao sarcasmo
Este artigo apresenta uma revisão de duas grandes teorias do humor: a da Superioridade e a da Incongruência. Nós aplicamos essas duas teorias ao estudo do sarcasmo, que tem sido visto como um caso paradigmático de ironia (TOBIN & ISRAEL, 2012) ou uma subcategoria dela (KIHARA, 2005). A retomada dessas teorias ajuda a esclarecer o fenômeno do sarcasmo, pois explica como ele se apoia em certas características de ambas as perspectivas. Nós analisamos exemplos de duas séries de televisão, House M.D. e The Big Bang Theory, as quais apresentam grande número de comentários sarcásticos. Esses exemplos são explicados a partir das duas perspectivas, mostrando como o sarcasmo constantemente se baseia na incongruência de certas ideias apresentadas pelo falante e na existência de um alvo que é ridicularizado no discurso
“Sobre bonecas e carrinhos”; desconstruindo as categorias “feminino” e “masculino” no passado
A naturalização dos modelos sociais contemporâneos por meio da manipulação do passado é uma estratégia frequentemente empregada pelo sistema. Dentro desta linha, interessa-nos discutir o caso das identidades de gênero e a maneira como a Arqueologia tem se aproximado deste tema. Assim, a projeção ao passado de nossas concepções do feminino e do masculino como tipos ideais, universais e corretos validam a existência de desigualdades de gêneros na sociedade atual
Estudo de impacto ambiental, gestão do patrimônio cultural e bens históricos. Aprendendo com os erros dos Estados Unidos da América
A EAD pensada no contexto do paradigma tecnológico e educacional e os desafios postos à formação docente
Este texto toma a produção teórica de alguns autores referenciais para desenvolver questionamentos acerca das críticas atualmente formuladas à Educação a Distância. Considera que as novas tecnologias da Educação provocam reações diversas e contraditórias, que vão do otimismo exacerbado ao questionamento radical e, nesse sentido, aponta os aspectos político-ideológicos que subjazem aos posicionamentos críticos. Apresenta a questão da formação docente como o foco central do debate e o uso reflexivo e pedagógico das novas ferramentas tecnológicas como um dos fatores prioritários para a criação de processos capazes de responder às necessidades e desafios que se impõem à sociedade do conhecimento
Desigualdades culturais e modernidade periférica
Esse artigo clama por uma nova conceitualização: desigualdade cultural. O artigo realiza uma análise social de uma articulação entre indústria cultural e o novo conceito, desigualdade cultural, no Brasil, e inclui uma reflexão do estado teórico e metodológico da clássica disciplina intitulada Sociologia da Cultura. Na última parte, alguns exemplos e evidências empíricas são descritos e analisados