Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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Persuasão e eficácia discursiva no direito: dois textos exemplares
Este artigo tem como objetivo apresentar como se produziu a credibilidade discursiva em dois textos jurídicos constantes de um processo penal. Parte do conceito aristotélico de éthos como prova discursiva e conceitua-o nos dias de hoje, para buscar, então, verificar seu funcionamento em dois textos considerados exemplares, pois responsáveis pela mudança na direção argumentativa processual. Analisa-os, fundamentando-se teoricamente tanto na semiótica da Escola de Paris como na retórica e na nova retórica, e verifica com que intensidade as qualidades éticas da prudência, virtude e benevolência são neles utilizadas. Conclui que, no discurso jurídico, a persuasão eficaz ocorre por meio de moderada intensidade passional, expressa na benevolência em relação ao outro, mas altas intensidades na expressão da prudência e da virtude/excelência moral. A expressão das qualidades éticas em tais intensidades torna o discurso confiável, e a imagem do orador, criada no texto, fiadora daquilo que afirma
Uma analista do discurso face aos ditos de dois políticos: narrativas de vida que se entrecruzam
Este artigo gira em torno de três sujeitos empíricos e de seus ditos ou escritos. O primeiro sujeito é representado pela voz da analista do discurso que assina o artigo e que se enveredou, por uma série de circunstâncias, em caminhos mais ou menos complexos, que a levaram a se colocar no lugar de observadora do universo discursivo dos dois outros sujeitos: os políticos Lula e Sarkozy durante seus mandatos como presidentes da República, respectivamente, no Brasil e na França. O artigo visa a mostrar como a narrativa de vida e as emoções que acompanham certos discursos dos três sujeitos refletem algumas estratégias argumentativas
De que lado você está? análise da dimensão argumentativa em fotografias jornalísticas da guerra do Vietnã
Este trabalho busca analisar a dimensão argumentativa em fotografias jornalísticas sobre a Guerra do Vietnã. Foram escolhidas seis imagens vencedoras da categoria “Foto do ano” do concurso internacional World Press Photo. A abordagem teórica baseia-se em conceitos discutidos por Ruth Amossy (2009), que considera a argumentação como integrante do discurso em determinada situação. A intenção é observar como a dimensão argumentativa pode submeter, de modo mais ou menos diretivo, um tema de reflexão, e em quais representações sociais ou estereótipos as imagens se apoiam para buscar a adesão do auditório. Com a análise das fotografias, pode-se verificar como, ao partilhar um olhar sobre o real, é possível reforçar valores e orientar a reflexão
Desenvolvimento de competências e capacidades de linguagem por meio da escrita de textos de opinião
A intenção deste trabalho é discutir o desenvolvimento de competências e capacidades discursivas em atividades de escrita, tendo em vista as polêmicas teóricas existentes em torno desses termos (CHOMSKY, 1978; ROEGIERS & DE KETELE, 2004; CHARAUDEAU & MAINGUENEAU, 2004). Ao assumir a perspectiva dialógica e histórico-cultural da linguagem, os conhecimentos enunciativos, pragmáticos e linguísticos, entre outros, quando colocados em interação, promovem aprendizagens diversificadas, que ampliam os limites das práticas escolares. O corpus constituído por dissertações produzidas para o Exame Nacional do Ensino Médio/2004 evidencia que os gêneros (BAKHTIN, 2003), em particular os textos de opinião, como se vê no exemplar destacado no artigo, embora sejam relativamente estáveis, são eventos textuais dinâmicos e plásticos que impactam o exercício da autoria (TFOUNI & ASSOLINI, 2008), mas, ao mesmo tempo, estimulam os sujeitos a assumirem lugares discursivos que demarcam posições enunciativas. Isso porque os processos de negociação e sustentação estimulam o jogo interacional de natureza polifônica que permite articular os conhecimentos construídos ao longo do tempo a pontos de vista variados
Argumentação e discursos sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nas mídias sociais
Um grande desafio que tem se apresentado, no contexto de ensino, é o tema dos transtornos de aprendizagem, destacando-se o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) como temática, tanto em estudos acadêmico-científicos, quanto em publicações de abrangência mais popular. O aumento exponencial do número de indivíduos diagnosticados (MATTOS, et al., 2012) afetou diretamente o ambiente escolar, fomentando, assim, uma grande procura por informações e estudos que norteassem a comunidade docente para tentar lidar com essa realidade em sala de aula. Dessa forma, torna-se necessária a análise dos textos que, provavelmente, atingem esse público, possibilitando um confronto das diversas posições e interesses envolvidos no debate. Como fundamentos teóricos principais deste estudo, destacam-se Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005) e o “Guia das Falácias” de Downes (1996). Num primeiro momento, são discutidas algumas teorias da argumentação e as respectivas aplicações nos discursos sociais. Após esta etapa, é feita a análise da publicação jornalística “Somos todos hiperativos? A era da desatenção” – da Folha de São Paulo. O estudo objetiva, portanto, explicitar algumas estratégias argumentativas utilizadas no texto, bem como o ponto de partida da argumentação do qual o artigo se constitui. Dessa forma, é possível supor certas intenções e posicionamentos presentes na argumentação dos autores. Espera-se que este artigo possa contribuir, principalmente, com a comunidade docente, auxiliando na recepção crítica de estudos publicados sobre o tema
Efeitos de imparcialidade e de neutralidade na decisão judicial “fruto de duas melancias”
O discurso jurídico é construído a partir de processos argumentativos, e envolve relações de poder decorrentes dos papéis devidamente institucionalizados; principalmente a decisão judicial, tendo em vista que ela deve ser justificada. Atualmente, o discurso jurídico não se limita a argumentos dessa esfera, mas permite a aplicação de argumentos extrajurídicos. O éthos, o páthos e o lógos são mecanismos para se alcançar os objetivos perseguidos, e a análise da escolha dos argumentos permite identificá-los, cada um dentro de sua esfera, mas em conjunto como fios construtores da argumentação por tri-dimensão discursiva. Assim, propomos analisar, através da Retórica e da Argumentação, a decisão judicial que trata da manutenção ou não da prisão de dois indivíduos sobre o furto de duas melancias, no que se refere aos argumentos que a fundamentam, considerando-se os elementos dóxicos, os quais subsidiam os efeitos na decisão seja de imparcialidade, necessário em discursos decisórios, seja de neutralidade
O espaço biográfico e a construção de imagem do sujeito político na contemporaneidade
Este artigo baseia-se no estudo de alguns elementos discursivos que podem contribuir para a (des)construção de imagem do sujeito político, em momento eleitoral, levando-se em conta a divulgação de relatos (auto)biográficos. O trabalho, baseado na análise de um vídeo (com depoimentos de familiares do presidenciável Aécio Neves acerca de sua vida pessoal), busca explorar a presença de uma dimensão argumentativa mais ampla em tal discurso, voltada não somente à persuasão, mas também a aspectos ligados à emoção. O artigo pretende mostrar, ainda, que formas circulantes no “espaço biográfico”, na contemporaneidade, podem motivar o surgimento de estratégias responsivas, considerando neste caso o cenário de uma disputa político-eleitoral
Prestação de contas e paternalismo: estratégias argumentativas na despedida de Lula à nação
O perfil paternalista encarnado de forma explicitada pelo presidente Lula, ao final do seu mandato, representa a imagem edificada de um protetor dos trabalhadores. O orador em questão integra a história política democrática brasileira e exprime uma grande popularidade construída “nos braços do povo”. O discurso “Despedida à Nação”, exibido em forma de vídeo e veiculado na TV em rede nacional no dia 23 de dezembro de 2010, ainda que seja uma prestação de contas, expõe a sensação de que o governo havia atendido ao clamor popular. O objetivo deste artigo é depreender as estratégias argumentativas presentes nesse discurso. Sendo assim, o arcabouço teórico está associado às concepções da Retórica construídas por Aristóteles (2003), Perelman & Olbrechts-Tyteca (2005) e Meyer (2007). As técnicas argumentativas aplicadas por Lula ressaltam o sentimento de identidade e intimidade entre o chefe de Estado e a população brasileira que assiste ao pronunciamento.
Um painel da arqueologia pré-histórica no Estado de São Paulo: os sítios cerâmicos
Este artigo apresenta um painel da arqueologia pré-histórica do Estado de São Paulo a partir do estudo de sítios-chave para a discussão de fronteiras culturais entre os grupos ceramistas. Para tanto, foram realizados dois recortes, sendo um temporal para enfocar apenas os sítios cerâmicos pré-históricos, e o outro espacial, de modo a contemplar os limites territoriais do Estado de São Paulo (sudeste do Brasil). Uma vez que o Estado é delimitado por três grandes cursos d´água, Rio Grande, ao norte, Rio Paranapanema, ao sul e Rio Paraná a oeste, além da Serra do Mar e do Oceano Atlântico, a leste, estes limites têm um significado geográfico e não apenas político-administrativo. As indústrias dos sítios cerâmicos localizados em São Paulo podem ser agrupadas nas da tradição Tupiguarani (em São Paulo, estaria o limite entre Tupinambá, ao norte, e Guarani, ao sul), tradição Itararé/Taquara (Kaingang), no sul do Estado, tradição Aratu, no norte e leste do Estado, e tradição Uru, no norte do Estado. Indicam uma influência Tupi (abrangendo todo o território) e Jê (norte, leste e sul do estado), além de revelarem uma grande complexidade da interação cultural das ocupações ceramistas
Justiça restaurativa nas escolas: “novas” alianças e “velhas” estratégias?
O artigo traz reflexões sobre a justiça restaurativa nas escolas. Partindo da perspectiva histórica, pretende-se mostrar como o controle da infância foi estabelecido a partir da aliança entre a justiça e a assistência. Atualmente, “novas” alianças são estabelecidas, como a aliança entre a justiça e a educação com vistas a combater a violência escolar. Trata-se de “nova” roupagem de “velhas” estratégias de controle da infância e adolescência no Brasil