Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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As teorias da conspiração como espelho do século: entre a retórica, a sociologia e a história das ideias
Este artigo propõe um novo olhar, mais realista e menos político, sobre as teorias da conspiração. Desconstruindo certos mitos, ele convida a um questionamento tanto da modernidade como de nossa racionalidade à luz dessas teorias. Trata-se de analisar, sem pretensões ou falsa modéstia, as lógicas próprias do discurso conspiratório, de enfatizar seus limites, destacar nele o impensável em termos de razão moderna e de suas exigências. Segue-se daí que o objetivo do artigo é esclarecer o papel e as funções que esse tipo de discurso preenche no seio do espaço social e político. O percurso realizado provavelmente auxiliará a criar ferramentas úteis tanto para compreender essas produções do espírito – cuja força de persuasão não é negligenciável – quanto para responder a elas. Pelo menos, este é nosso desafio
“Então eu posso dizer ‘eu’ na redação?”: da subjetividade na linguagem à autoria na argumentação escrita
Este artigo busca responder à seguinte questão: em que medida o uso da primeira pessoa do discurso e a prática do plágio permitem falar em subjetividade na linguagem e autoria na argumentação escrita? Para tanto, recorre às noções de subjetividade (BENVENISTE, 2005; 2006) e autoria (SIMÕES et al., 2012) para analisar uma experiência docente em Língua Portuguesa na qual essas duas questões de linguagem se destacaram. O artigo conclui que o ensino de recursos linguísticos para expressar efeitos de objetividade e subjetividade, bem como para referir o dizer do outro, são conhecimentos necessários à constituição da autoria na argumentação escrita, pois implicam a dupla relação do aluno com o seu discurso e com o discurso do outro
Resenha de Argumentação em contexto escolar: relatos de pesquisa, de Liberali, Damianovic, Ninin, Mateus & Guerra
Os estudos relacionados à argumentação colaborativa em situação escolar vêm atualmente sendo realizados em diversos grupos de pesquisa de variados contextos acadêmicos no Brasil. Esta resenha apresenta a obra Argumentação em contexto escolar: relatos de pesquisa, organizada Liberali, Damianovic, Ninin, Mateus & Guerra, que propõe contribuir com a temática supracitada, trazendo um conjunto de pesquisas que possuem como objetivo principal proporcionar discussões e trazer aporte teórico para a compreensão dos processos argumentativos na esfera educacional
Matéria e geometria: a ontologia dos Discursos
A conhecida passagem do Ensaiador (1623) sobre a linguagem geométrica danatureza pode ser considerada uma síntese do projeto galileano: dirigir-se à naturezasem conhecer essa linguagem é um inútil vaguear em um obscuro labirinto. Na defesada necessidade do uso da geometria na filosofia natural, destaca-se o problema datese tradicional da heterogeneidade entre a exatidão matemática e a matéria imperfeita.Para resolvê-lo (e para recusar essa heterogeneidade), o autor mostra que só ageometria permite a superação das dificuldades relacionadas com o contínuo. Taldiscussão é assunto dos Discursos sobre as duas novas ciências (1638). Tanto o atomismoincomum presente na obra quanto as novidades referentes ao estudo do movimentodependem do tratamento geométrico dado ao problema do contínuo. Por outro lado,a tensão entre a exatidão matemática e a imprecisão dos dados da experiência, queé responsável por parte das controvérsias interpretativas que envolvem Galileu, éfundamental para que se compreenda sua proposta de uma nova física
Os princípios metafísicos e as suposições cartesianas sobre a natureza da matéria
Este artigo visa apresentar algumas hipóteses interpretativas quanto aopapel dos princípios metafísicos nas suposições cartesianas sobre a natureza damatéria. Trata-se de uma avaliação preliminar, na qual analiso a teoria cartesianada matéria em três de seus textos: O mundo, Os meteoros e os Princípios de filosofia. Seas evidências presentes no primeiro e terceiro desses textos indicam o papel de taispressupostos na constituição da teoria cartesiana da matéria, o segundo não parecepermitir o mesmo tipo de conclusão
Descartes e o avesso da matéria
Este artigo visa tratar do caráter imaterial das emoções, segundo a perspectivacartesiana, enquanto são afecções da alma. Nascidas no plano da união substancial ecausadas pelo corpo, elas não podem, entretanto, ser redutíveis a elementos físicos equantitativos. Pensadas segundo o dualismo substancial cartesiano, nossas emoções,em si mesmas, são experiências subjetivas que não podem ter sua natureza compreendidaa não ser qualitativamente
Leituras de Corpo vivo, identidades híbridas por escrito
Estudo o romance Corpo vivo, de autoria do escritor baiano Adonias Filho.Esse romance, ao mesmo tempo em que atualiza uma corrente forte na ficção brasileira– o indianismo, providencia uma visão problematizada da ocupação econômicada região sul do Estado da Bahia. A cultura do cacau, uma das mais ricas culturasagrícolas do início do século XX, no país, oferece oportunidade de o romancistainvestigar o modo de civilização, organização política, encontro de culturas, configuradosem torno da urgência das lavouras cacaueiras. Por isso, faz-se oportuno ouso da nomenclatura teórica em voga no início do século XXI, notadamente, o póscolonialismoe o agenciamento
Imagem e violência na literatura de Adonias Filho
Este artigo reflete sobre as imagens da violência e da morte que se irradiamna prosa romanesca e ficcional de Adonias Filho, a partir das leituras de dois clássicos do autor: Corpo vivo e As velhas. São imagens da terra, da região, da mata, do homem e da mulher, da condição humana e seu sentido de existência no território, no espaço real e ficcional, cuja narrativa feita de sangue e brutalidade, faz jorrar nas terras do cacau, nesse espaço-tempo marcado pela desigualdade social, gestos de baixa humanidade, expressões da degradação da vida e do sem sentido na vida de homens e mulheres, onde o mercantilismo hegemônico e a dominação a todo custo instauram contradições entre vida e morte, amor e ódio, céu e inferno, e do processo contraditório de ocupação da terra do sul na região Sul do Estado da Bahia, criando um turbilhão de imagens da violência – e da violência simbólica – que nos remete à fenomenologia da finitude e da morte, enquanto horizonte de uma teoria dramática da representação da existência
A inserção poética do quimbundo no romance Luanda Beira Bahia
Neste texto dois eixos se interligam: mostrar a importância da participaçãodo escritor Adonias Filho no Congresso das Comunidades de Cultura Portuguesa,em Moçambique, o que lhe permitiu coletar vocábulos do quimbundo, por ele utilizados na produção do romance Luanda Beira Bahia –, prestigiando, assim, uma língua banto falada nas então colônias Angola (em Luanda e Malange) e Moçambique; para melhor compreensão do romance apresentação de um glossário com a tradução dos termos do quimbundo inseridos pelo referido autor, na obra em questão; uma história de amor incestuoso