Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Análise Comparativa do Desempenho de Chatgpt, Deepseek e Gemini Como Apoio Aos Processos de Ensino-aprendizagem

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    Em 2022, a OpenAI mostrou ao mundo o poder de uma das primeiras inteligências artificias generativas (IA) que possuíam fluidez na comunicação, o ChatGPT. Desde então, diversas empresas do ramo têm lançado seus próprios modelos de linguagem, como o DeepSeek de empresa homônima e o Gemini do Google. Esses modelos mudaram a forma como interagimos com a tecnologia, automatizando tarefas e apoiando atividades complexas, como criação de textos e código de programação. Nesse contexto, essas IAs possuem aplicações relevantes, sobretudo no âmbito educacional, atuando como ferramentas de apoio ao processo de ensino-aprendizagem, oferecendo explicações personalizadas, auxiliando na resolução de exercícios, criando materiais de estudo adaptados ao nível do aluno e estimulando o pensamento crítico com questionamentos e cenários hipotéticos interativos. Todavia, esses modelos não são capazes de admitir desconhecimento o que podem provocar o fenômeno denominado alucinação. Assim sendo, buscando quantificar e qualificar a capacidade dessas IAs em aplicações educacionais, este trabalho se baseia na comparação entre as 3 principais IAs utilizadas no Brasil (ChatGPT, DeepSeek e Gemini), levando em conta os seguintes fatores: capacidade de explicação concisa e coerente, criação de resumos em tópicos para rápida conferência, e resolução de questões. Além disso, para garantir objetividade, foi mensurando a frequência de alucinações, a taxa de acertos em questões e o desempenho ao longo de múltiplas interações. Para testar se as IAs poderiam explicar determinado conteúdo de forma correta, foram selecionados alguns tópicos da área de biologia e física, sendo 10 conteúdos de cada área, comparando sempre as explicações com livros didáticos para ter certeza da exatidão da IA. Para avaliar a explicação didática utilizou-se o prompt: Quero que atue como professor didático e explique sobre x com ênfase em y, sendo x o conteúdo e y o tema específico. Nessa avaliação, o ChatGPT mostrou-se possuir a maior capacidade explicativa, apresentando alucinações em pequenas situações pontuais em cerca de 5% dos conteúdos solicitados e apenas nos tópicos relacionados à biologia. Ademais, o ChatGPT mostrou-se superior em termos didáticos, criando analogias e situações hipotéticas para melhor elucidar o aprendizado. O DeepSeek e Gemini apresentaram padrões de alucinações semelhantes em cerca de 10% dos conteúdos abordados em ambas as matérias, e não foram efetivos na criação de analogias e situações hipotéticas. Para comparar a capacidade de síntese e criação de resumos em tópicos aplicou-se o seguinte prompt: Vou te fornecer textos referentes aos conteúdos que estou estudando no momento, quero que você realize um resumo conciso e coerente, baseado no formato em tópicos e subtópicos sem adicionar qualquer informação que não estejam nos textos bases que te passei. Além disso, você deve se ater em manter os títulos e subtítulos iguais. Como resultado, o ChatGPT conseguiu elaborar os resumos mais completos, mantendo sempre os principais conceitos de cada texto que lhe foi fornecido. Entretanto, após cerca de 22 rodadas fornecendo textos na mesma conversa, o ChatGPT apresentou incoerências no modelo que devolvia os resumos, passando a confundir tópicos ou apresentar resumos em texto corrido. O DeepSeek apresentou desempenho semelhante ao do ChatGPT nesse quesito, porém, em raros casos omitia conceitos importantes dos conteúdos, e que obviamente deveriam estar explícitos nos resumos gerados. O DeepSeek, assim como o ChatGPT, apresentou problemas quando a conversa estava chegando próximo de 25 rodadas. Nesse ponto, o DeepSeek passou a inserir, de forma aleatória, palavras em língua inglesa nos resumos. Em ambos os casos, esse problema foi facilmente resolvido simplesmente criando um novo chat de conversa com a IA e reenviando o prompt de comando para ela. O Gemini não apresentou essa limitação. No entanto, seus resumos mostraram-se excessivamente extensos, evidenciando baixa capacidade de síntese. Por fim, para avaliar a capacidade de resolução de questões, foi utilizado um banco com 100 questões objetivas com 4 alternativas de cada uma das grandes áreas informadas anteriormente, totalizando 200 questões. Além do mais, foi passado para as IAs uma questão de cada vez e o seguinte prompt foi utilizado: Vou te enviar algumas questões, quero resolva e me informe o gabarito. Nesses pontos, as 3 IAs obtiveram desempenho semelhantes, com o Deepseek acertando o gabarito em 98% das vezes, seguido pelo ChatGPT com 96% de acerto e por fim o Gemini com 95,5%. Portanto, embora as três IAs apresentem potencial desempenho em diferentes aspectos, o ChatGPT destacou-se pelo apoio didático, o DeepSeek pela confiabilidade em resolução de questões e o Gemini pela constância ao longo de interações prolongadas. Assim sendo, as 3 IAs demonstraram que podem ser aliadas ao processo de ensino-aprendizagem desde que utilizadas de forma crítica e reflexiva

    Clube de Ciências: Uma Estratégia para o Desenvolvimento do Pensamento Crítico na Educação Básica

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    O ensino de Ciências no contexto escolar vai além da simples transmissão de conteúdos, pois busca também formar cidadãos críticos, reflexivos e capazes de compreender o mundo em que vivem. Nesse cenário, o clube de ciências se apresenta como uma ferramenta pedagógica inovadora, capaz de despertar a curiosidade, promover a aprendizagem ativa e estimular a autonomia intelectual dos estudantes. Por meio de atividades experimentais, conversas mediadas, produções escritas e momentos de reflexão coletiva, os alunos são incentivados a relacionar o conteúdo aprendido com situações cotidianas, compreendendo que a ciência não está restrita às paredes da sala de aula, mas se manifesta em todos os aspectos da vida social e cultural. Além disso, o clube cria um espaço diferenciado de convivência, marcado pela troca de ideias, pelo respeito à diversidade e pela construção conjunta do conhecimento, fortalecendo a memória afetiva e tornando a aprendizagem significativa. A partir do exposto, essa proposta tem por objetivo apresentar um Clube de Ciências como estratégia para desconstruir visões equivocadas e reducionistas possuem em relação à Ciência, desenvolver o pensamento crítico e investigativo, além da potencialidade de aproximar os estudantes de práticas científicas e despertar neles a curiosidade pelo funcionamento do mundo natural e tecnológico. Busca-se também valorizar o protagonismo discente, colocando o aluno no centro do processo de aprendizagem, seja na elaboração de ideias, na proposição de experimentos ou na análise reflexiva de resultados. A pesquisa foi desenvolvida em uma escola pública estadual, contemplando turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Os encontros ocorrem semanalmente, às quintas-feiras, com duração de 1h30min, em turno inverso aos das aulas e envolvem estudantes entre 12 e 17 anos. O clube é coordenado por acadêmicos do curso de Ciências da Natureza Licenciatura, que atuam como bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) sob orientação da professora de Ciências. As atividades são realizadas no laboratório utilizando metodologias ativas, como a Resolução de Problemas, Sala de Aula Invertida, entre outras, que estimulam a experimentação, a investigação e a resolução de problemas. Além disso, são produzidos relatórios e registros reflexivos sobre as práticas realizadas, possibilitando que os participantes expressem suas percepções acerca da ciência no cotidiano e da relevância dos temas estudados. Os resultados indicam que, desde a criação do Clube de Ciências, março de 2025, observou-se um crescimento significativo no engajamento e no interesse dos estudantes pelas práticas científicas. Os participantes demonstraram maior capacidade de formular hipóteses, levantar questionamentos e propor soluções criativas para problemas apresentados. Percebe-se também um fortalecimento da autonomia e da criticidade, uma vez que os alunos passaram a enxergar a ciência de forma mais ampla, compreendendo sua relação com aspectos sociais, culturais e tecnológicos da realidade. Outro ponto importante é que o clube contribui para quebrar a ideia de que a Ciência é inacessível ou restrita a especialistas, tornando-a mais próxima e significativa ao cotidiano escolar. Ao valorizar a participação ativa dos estudantes, a experiência no clube tem potencializado a construção de uma visão mais ampla e investigativa sobre o conhecimento científico. Considera-se que o Clube de Ciências tem se configurado como uma prática pedagógica eficiente e necessária no contexto escolar, pois cria um espaço dinâmico de aprendizagem em que os estudantes desenvolvem a curiosidade, a criticidade e a autonomia intelectual. Ao integrar experimentos, reflexões e práticas colaborativas, o projeto contribui para a formação de sujeitos capazes de analisar e interpretar o mundo sob uma perspectiva científica, superando a visão limitada que muitos possuem sobre a área. Ressalta-se também, que iniciativas como esta, que unem a universidade à escola por meio do PIBID, fortalecendo a iniciação à docência e, ao mesmo tempo, que enriquecem a construção de conhecimentos dos alunos da educação básica, contribuem de forma sintomática no processo de formação dos licenciandos atuantes no PIBID

    Expedição de Estudos da Promoção da Compreensão do Bioma Pampa

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    O Bioma Pampa, localizado no sul do Brasil, Argentina e Uruguai, é um ecossistema pouco falado e conhecido, porém, muito rico em biodiversidade, sendo caracterizado pela expressiva presença de gramíneas. Os campos são naturais, tendo o clima subtropical, sendo com invernos rigorosos e frios e verões bem quentes. Devido a relevância desse bioma, é fundamental trabalhar a temática dentro do contexto escolar para promoção da conscientização acerca da biodiversidade brasileira e da importância de sua preservação e conservação. Uma das maneiras de abordagem realização de atividades como expedição de e estudos em ambientes que permitam uma melhor compreensão, para além dos muros da escola e de espacos urbanos caracterizados pela presença de construções e asfalto. Esse tipo de proposta traz um olhar de valorização ao ambiente e ao nosso ecossistema, permitindo ainda a construção de conhecimento científico. Deste modo, esse relato tem por objetivo apresentar a organização de uma expedição de estudos que visou impulsionar a construção do conhecimento dos educandos sobre o Bioma Pampa, além da valorização do território e o senso de pertencimento no espaço em que se vive. A proposta toi organizada por icenciandos pertencentes ao curso de Ciências da Natureza da Unipampa e integrantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e mediada pela professora de Ciências supervisora do PIBID. O cenário da atividade foi uma escola pública estadual de uma cidade situada na região da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Participaram da atividade 18 educandos, entre meninos e meninas, de uma turma do 7° ano com média de idade de 13 anos. Como etapa inicial foi selecionado o trajeto da expedição de estudo, tendo como ponto inicial a escola e ponto final de observação área próxima ao Arroio Cacarreu e do rio Uruguai, perfazendo uma média de 1800 metros entre ida e volta. Na organização inicial foi solicitado a autorização dos responsáveis pelos educandos, explanação do objetivo da atividade, orientação sobre vestimentas adequadas, hidratação e orientações sobre a atividade. Para coleta de dados foi aplicado um questionário inicial e outro ao final das atividades com questões objetivas e subjetivas visando identificar a potencialidade da proposta desenvolvida com o estratégia para construção de conhecimento. Após o questionário inicial trabalhou-se por meio de pesquisa orientada na internet a parte conceitual sobre o Bioma Pampa e suas diferenças em relação aos demais biomas brasileiros. Na parte inicial da expedição, dentro dos objetivos da atividade, os educandos foram orientados a observar, registrar com fotos e anotações características do Bioma Pampa, como flora e fauna, além de identificar as ações antrópicas que afetam o ambiente. Como proposta mediadora da atividade foram contempladas no decorrer do percurso de da e volta paradas em pontos importantes para observação e problematização sobre o que visualizaram e relacionado com o conteúdo teorico desenvolvido em sala de aula. O pós-questionário, com a intenção de verificar a compreensão do que foi observado e problematizado, foi aplicado quatro dias após a realização da expedição de estudo. Na sequência, para sistematização da atividade, os educandos foram organizados em grupos para elaboração de material sobre os conhecimentos construídos e formada uma roda de conversa, mediada pelo grupo de licenciandas do PIBID, visando o debate acerca dos saberes construidos sobre as espécies de plantas observadas, conservação da mata ciliar e ações antrópicas, além da importância do Bioma Pampa para a população. Os resultados indicaram que a expedição de estudo permitiu estimular a percepção por meio da observação e ampliação dos conhecimentos acerca da biodiversidade do Bioma Pampa. Sendo que no questionário inicial verificou-se que mais de 90% dos educandos não tinham compreensão sobre a existência e características do Bioma Pampa e no questionário pós atividade eles souberam reconhecer 3 características da fauna e da flora nativa deste bioma. No trabalho em grupo indicaram ter observado O entorno e identificado espécies da flora local, Como a Bauhinia forficata, popularmente conhecida como Pata-de-Vaca, assim como ervas medicinais, também nativas do Bioma Pampa, a mata ciliar, destacaram as diferenças entre os biomas, bem como a importância de compreender e conhecer as características do bioma em que vivemos, além de algumas ações antrópicas que poluem o ambiente. Conclui-se que a atividade contribui na construção de conhecimento e foi essencial no desenvolvimento do pertencimento dos educandos em relação ao Bioma Pampa Permitiu ainda, ao grupo do PIBID, vivenciar práticas para além da sala de aula, as diferentes abordagens didáticas, práticas pedagógicas alinhadas com necessidades atuais do ensino, contribuindo assim com O processo de formação dos futuros docentes

    Os Diários de Bordo no Pibid Como Ferramentas de Reflexão e Registro das Práticas Pedagógicas

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    A formação inicial de professores exige mais do que a simples apropriação de conteúdos específicos e metodologias de ensino; demanda também o desenvolvimento de uma postura reflexiva, crítica e autônoma diante dos desafios que emergem no cotidiano escolar. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) se destaca como política pública fundamental, ao inserir licenciandos em experiências práticas desde os primeiros anos da graduação, promovendo a articulação entre teoria e prática e aproximando-os da realidade da escola básica. Entre os instrumentos utilizados nesse processo, os diários de bordo dos bolsistas configuram-se como ferramentas centrais para o registro sistemático de experiências, expectativas, dificuldades e conquistas, permitindo que o percurso formativo seja acompanhado e constantemente reavaliado. Este trabalho, desenvolvido no âmbito do PIBID, busca analisar a importância dos diários de bordo como instrumentos de registro e reflexão na formação inicial docente. O estudo se apoia em pressupostos da aprendizagem significativa e em referenciais da didática reflexiva, entendendo que o ato de escrever sobre a prática não se limita a descrever fatos, mas constitui uma oportunidade de ressignificação das experiências vividas, possibilitando ao futuro professor elaborar interpretações, questionamentos e novas perspectivas. Os bolsistas foram orientados a manter registros regulares de suas vivências nas escolas, relatando não apenas as atividades realizadas, mas também suas impressões, sentimentos, expectativas e percepções sobre os desafios enfrentados e as potencialidades observadas no processo de ensino-aprendizagem. Metodologicamente, o trabalho organiza-se em torno da leitura e análise dos registros produzidos, que foram sistematizados em três grandes eixos: desafios, expectativas e potencialidades. O eixo dos desafios contempla anotações sobre as dificuldades relacionadas à infraestrutura, à gestão do tempo, à participação dos estudantes e à própria insegurança dos licenciandos diante de situações inesperadas. O eixo das expectativas evidencia os anseios dos bolsistas quanto à sua futura atuação docente, revelando tanto inseguranças quanto desejos de transformação. Já o eixo das potencialidades destaca elementos positivos vivenciados no processo, como a receptividade de professores supervisores, a colaboração entre pares e o entusiasmo dos estudantes em determinadas atividades. Os resultados parciais indicam que os diários de bordo funcionam como um processo avaliativo contínuo e como um espaço de diálogo consigo mesmo e com o coletivo do programa. A escrita reflexiva permitiu aos bolsistas identificar padrões recorrentes em suas práticas, perceber avanços pessoais e coletivos, e desenvolver maior clareza sobre o papel do professor em contextos reais. Além disso, os registros mostraram-se relevantes para os coordenadores e supervisores, ao possibilitar uma visão mais detalhada das experiências dos licenciandos, oferecendo subsídios para ajustes no acompanhamento pedagógico. A análise preliminar também aponta que os diários favorecem a construção de um juízo crítico sobre a prática docente, estimulando a autonomia intelectual e a capacidade de fundamentar decisões pedagógicas. Conclui-se que os diários de bordo representam muito mais do que simples relatórios de atividades: constituem instrumentos formativos potentes, capazes de promover a reflexão crítica, a autoavaliação e a ressignificação da prática. Ao registrar os desafios, expectativas e potencialidades do cotidiano escolar, os bolsistas constroem um percurso formativo mais consciente, no qual a escrita se torna espaço de diálogo, memória e elaboração de novos sentidos para a docência. Nesse sentido, a experiência em andamento no PIBID reafirma a importância de práticas de registro reflexivo no processo de formação inicial, apontando os diários de bordo como ferramentas indispensáveis para consolidar a identidade docente em construção e para fortalecer a qualidade da formação de professores no Brasil

    PROMOÇÃO DA SAÚDE: ATIVIDADES COM IDOSOS EM UM CENTRO DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

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    O envelhecimento populacional é um fenômeno crescente e multifatorial, que envolve não apenas mudanças biológicas, mas também transformações psicológicas, sociais e culturais. Esse processo exige estratégias efetivas de promoção da saúde, incentivo à convivência social e fortalecimento da autonomia da pessoa idosa, de modo a garantir qualidade de vida e participação ativa na sociedade. No Brasil, legislações como o Estatuto da Pessoa Idosa asseguram a proteção dessa população, ressaltando a necessidade de iniciativas intersetoriais que integrem saúde, assistência social e educação. Dentro desse cenário, as universidades, por meio da extensão, têm papel fundamental ao articular ensino, pesquisa e serviço, construindo ações que respondam às demandas reais das comunidades e possibilitem espaços de cuidado, lazer e integração social. Este estudo tem como objetivo relatar a experiência de acadêmicos do Programa de Educação Tutorial Práticas Integradas em Saúde Coletiva (PET PISC), da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Uruguaiana, no desenvolvimento de atividades com um grupo de idosos acompanhados por um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Esse trabalho trata-se de um relato de experiência, realizado entre os meses de abril a junho de 2025, junto a um grupo de 12 idosos vinculados ao CRAS. As atividades foram conduzidas por discentes de Enfermagem e Fisioterapia, em encontros semanais, no período da tarde. As ações foram planejadas de forma participativa, visando estimular a socialização, a cognição, a coordenação motora e a capacidade funcional dos participantes. Entre as práticas desenvolvidas, destacam-se: vôlei adaptado (realizado de forma sentada), mímicas temáticas, jogo da memória, circuito funcional, dança da cadeira adaptada e bingo. Todas as atividades foram aplicadas em formato lúdico, favorecendo o engajamento e a participação ativa do grupo. As ações obtiveram grande aceitação pelos idosos, que se mostraram motivados e engajados em todas as atividades propostas. Foi possível observar melhora na interação social, fortalecimento de vínculos, estímulo à memória e à autonomia funcional, além da criação de um espaço de escuta e acolhimento. As atividades foram previamente planejadas e aplicadas de forma interdisciplinar, utilizando os materiais já disponíveis no CRAS, o que possibilitou maior dinamismo e variedade de práticas. Quando algum recurso não estava disponível, os acadêmicos complementam com materiais próprios, garantindo a realização integral das propostas. Ao final de cada encontro, realizava-se um momento de alongamento coletivo, com foco em grandes grupos musculares e técnicas leves de respiração, proporcionando relaxamento e encerramento saudável das práticas. Os encontros favoreceram a aproximação entre acadêmicos e comunidade, permitindo o desenvolvimento de habilidades relacionais, trabalho em equipe e compreensão das necessidades do território. A experiência vivenciada pelos bolsistas do PET PISC evidenciou o impacto positivo das atividades extensionistas na promoção da saúde e do envelhecimento ativo. A realização das ações no CRAS consolidou-se como estratégia eficaz de fortalecimento comunitário, ao valorizar a participação da pessoa idosa em espaços coletivos e proporcionar estímulos motores, cognitivos e sociais. Além disso, a vivência acadêmica oportunizou a formação prática e cidadã dos estudantes, ampliando sua compreensão sobre o papel da universidade na transformação social. Em síntese, a integração entre universidade, serviço e comunidade, por meio de atividades interdisciplinares, mostrou-se um caminho promissor para garantir qualidade de vida à população idosa e, simultaneamente, para enriquecer a formação dos futuros profissionais da saúde

    Acolher, Informar e Cuidar: Ações do PET PISC em salas de espera de Estratégias de Saúde da Família.

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    As salas de espera das Estratégias de Saúde da Família (ESFs), frequentemente compreendidas apenas como locais de passagem ou permanência temporária, podem ser ressignificadas como ambientes de troca de saberes, acolhimento e fortalecimento do vínculo entre pacientes e profissionais de saúde. Quando utilizadas de maneira estratégica, configuram-se como espaços de grande potencial para a promoção e educação em saúde, permitindo que o tempo de espera se converta em momento de aprendizado, diálogo e construção coletiva do cuidado. O presente estudo tem como objetivo relatar uma experiência extensionista desenvolvida em salas de espera de ESFs, por meio de ações educativas voltadas à comunidade. Trata-se de um relato de experiência realizado por bolsistas integrantes do Programa de Educação Tutorial Práticas Integradas em Saúde Coletiva (PET PISC) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus Uruguaiana. Os acadêmicos participantes pertencem aos cursos de Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia, o que proporcionou uma vivência multiprofissional e interdisciplinar, ampliando as perspectivas do cuidado e favorecendo a integralidade da atenção à saúde. As atividades ocorreram entre os meses de maio e julho de 2025 e foram conduzidas por meio de metodologias ativas de educação em saúde, buscando aproximar o conhecimento científico da realidade cotidiana da população. Entre os recursos utilizados, destacaram-se cartazes ilustrativos, materiais informativos e linguagem acessível, adequados ao perfil dos usuários. A escolha dos temas partiu das demandas observadas nas próprias unidades de saúde, priorizando questões de relevância local e nacional, como: incentivo à doação de sangue, orientações sobre a importância da vacinação contra o vírus H1N1 e esclarecimentos sobre a bronquiolite, condição comum na infância e de grande impacto para as famílias. Essa prática extensionista possibilitou maior aproximação entre a comunidade e a universidade, promovendo vínculos de confiança, diálogo e troca de saberes. Foi possível perceber a boa receptividade dos usuários, marcada pela participação ativa durante as atividades, relatos pessoais e dúvidas relacionadas aos temas abordados. Essa interação evidenciou o papel transformador da educação em saúde como ferramenta de empoderamento, capaz de estimular a autonomia dos sujeitos em relação ao autocuidado e ao cuidado coletivo. Para os acadêmicos envolvidos, a experiência contribuiu de maneira significativa para o desenvolvimento de habilidades comunicacionais, escuta qualificada, postura crítica e prática interprofissional. Além disso, reforçou a compreensão do papel social da universidade, que ultrapassa a formação técnica e se insere no compromisso de transformar realidades locais por meio do diálogo com a comunidade. Dessa forma, a sala de espera se revelou um espaço estratégico de intervenção em saúde, capaz de transformar um momento de espera em oportunidade educativa, de acolhimento e de fortalecimento do cuidado. Conclui-se que a prática educativa desenvolvida nesse ambiente mostrou-se uma ferramenta potente para a promoção da saúde, favorecendo a participação social, ampliando a visão dos acadêmicos acerca da integralidade do cuidado e reafirmando a importância da inserção de práticas educativas no cotidiano da Atenção Básica. Assim, destaca-se que experiências dessa natureza contribuem não apenas para o aprendizado dos usuários, mas também para a formação crítica, cidadã e humanizada dos futuros profissionais de saúde

    Vivências Acadêmicas: Estágio Observacional no CAPS-AD por Estudantes de Medicina em Uruguaiana

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    Em nossa sociedade, é sabido que muitas pessoas fazem uso de substâncias que alteram funções orgânicas. Porém, alguns desses indivíduos tornam-se dependentes delas, o que acarreta diversas dificuldades na vida de muitos desses usuários, pois acabam sendo invisibilizados pela sociedade por conta de todos os preconceitos e estereótipos criados acerca deles. Isso, por muitos anos, implicou dificuldade de acesso para tratar as causas e auxiliá-los a deixar a adicção, já que o tratamento consistia em interná-los em hospitais psiquiátricos, afastando-os da sociedade, notando-se não ser um método eficaz de tratamento, além de ir contra os direitos humanos. Com o passar dos anos e com o surgimento da Reforma Psiquiátrica, essa população começou a ser vista pelo sistema público de saúde, que entendeu que os métodos de tratamento utilizados não eram adequados. Nesse contexto, foi criado o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD), surgindo como uma alternativa para o acompanhamento e o tratamento dos usuários dependentes de álcool e drogas, resultando em uma melhor resposta terapêutica, tendo em vista que busca atendê-los seguindo os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Desse modo, garantiu-se a participação social desses indivíduos a fim de diminuir a discriminação e promover o retorno à convivência na sociedade de uma maneira emocionalmente saudável, sem o fardo de olhares preconceituosos, embora essa realidade ainda esteja em evolução. Tendo isso em vista, tivemos a oportunidade, por meio de atividade prática da disciplina Saúde Coletiva I, de sermos direcionados a passar uma vez por semana, durante cinco semanas, no CAPS-AD de Uruguaiana, para realizarmos um estágio observacional. O objetivo era que conhecêssemos o ambiente, compreendêssemos mais sobre as ações realizadas com os usuários, observássemos o trabalho dos profissionais e enxergássemos como os princípios e diretrizes do SUS eram de fato implementados nesse serviço e, posteriormente, pudéssemos ajudar nas demandas apresentadas ou percebidas. Como resultado dessa atividade acadêmica e de nossas observações, pudemos realizar algumas demandas que estavam pendentes naquele local, com o objetivo de auxiliar no cotidiano tanto dos profissionais quanto dos usuários. Assim, a primeira atividade foi a organização dos sapatos recebidos de doações, de acordo com a numeração; e como resultado, quando houvesse demanda de algum calçado, seria mais rápido de encontrar. Já a segunda atividade foi o plano de revitalização do ambiente externo, no fundo do prédio, sendo esse muito importante para os usuários, pois é nele que ocorrem boa parte dos seus momentos de socialização e onde realizam alguns projetos disponibilizados pelo CAPS-AD, entre os quais está a horta- também colocada em pauta para voltar a atividade, estando parada por conta das chuvas ocorridas semanas antes. Outra demanda observada foi a organização da sala de enfermagem, que, por conta das mudanças nos espaços de atendimento, ainda não estava pronta, e seguindo as necessidades dos profissionais, organizamos o espaço com o intuito de agilizar o encontro dos materiais necessários e de aumentar a biossegurança dos funcionários. E então, como última atividade realizada nessas semanas, arrecadamos kits de higiene pessoal para serem disponibilizados durante uma festa junina planejada pela coordenação, fazendo parte desta atividade divertida junto aos usuários, que também receberam brindes, oriundos de doações obtidas na comunidade. Ao fim de toda essa experiência pudemos concluir que apesar de o CAPS-AD apresentar alguns problemas estruturais, trabalhando com escassez de materiais e, às vezes, enfrentando dificuldades de comunicação com outros serviços para complementar a terapêutica, seu trabalho é de extrema importância para a sociedade. Portanto, conseguimos observar que esse serviço vai muito além da teoria e do que está escrito nas suas diretrizes de funcionamento. Por ser um serviço de portas abertas, todos que precisam são bem acolhidos e atendidos; as atividades realizadas, como bocha, artesanato e prática pedagógica, permitem que seus usuários se relacionem melhor com a sociedade e que se sintam pertencentes a ela, algo que culmina em maior aderência ao tratamento e lhe confere melhores resultados. Por isso, é um serviço que precisa de maior reconhecimento e investimento, para poder atingir mais pessoas que dele necessitem e garantir a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos

    Pet Conexões Fisioterapia e a Unipampa Cidadã - Uma História

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    O grupo PET Conexões Fisioterapia da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) deu início às suas atividades em 2011, com o objetivo de unir ensino, pesquisa e extensão em um único programa. Em 2014, o programa estava com ações de caráter cultural, pesquisa e extensão, com o objetivo de dá um passo a mais nas ações, resolveram em criar uma nova ação que fosse comunitária e então surgiu o projeto Unipampa Cidadã, os integrantes realizavam o trabalho comunitário com a carga horária de 50 horas durante seus períodos de recesso da universidade. Em 2019, o grupo decidiu que era viável que essa ação fosse proposta a a comissão do curso de fisioterapia para a possibilidade da ação entrar no plano pedagógico do curso de fisioterapia, e assim foi feito, a comissão do curso decidiu que era importante para a formação de seus alunos ações como essa e portanto, tornou-se obrigatória a realização da ação. Posteriormente, em 2021 foi aprovada a resolução nº 317/2021 que garante que uma parte da prática extensionista seja destinada ao UNIPAMPA Cidadã nos outros cursos de graduação da Unipampa, em que o aluno realiza práticas comunitárias que não seja relacionadas ao seu curso vigente, mas sim, sendo um apoio a instituições públicas, organizações não governamentais (ONGs) e organizações ou associações da sociedade civil organizada, essa expansão aos demais cursos mostrar o compromisso da universidade ao alinhamento com os Objetivos de desenvolvimento sustentável(ODS) feito pela ONU principalmente no que diz respeito com à compromisso de erradicar a pobreza extrema, combater a desigualdade e a injustiça, Conter as mudanças climáticas, metas a serem batidas até 2030. Com ações nessa linha de elaboração é o que torna o diferencial uma instituição de ensino completa aos seus alunos. Os alunos têm o livre arbítrio para escolher a instituição que tem o interesse de prestar seus serviços e assim, a carga horária total somada é de 100 horas, porém o aluno tem a oportunidade de decidir se fará tudo em um só lugar ou será dividido. O processo para a realização segue os passos : 1) Busca pela instituição; 2) Definição do tipo de trabalho a ser desenvolvido; 3) Definição da carga horária total e período de realização; 4) Validação do supervisor; 5) Realização do trabalho comunitário, após validação do supervisor de extensão; 6) Certificado emitido pelo local do trabalho; 7) Validação da carga horária para inclusão no currículo do discente e para validação da carga horária de extensão, a carga horária total do soma 100 horas, porém o aluno tem a oportunidade de decidir se fará tudo em um só lugar ou será dividido. O PET Conexões fisioterapia foi fundamental pela implementação dessa ação que até 2014 era somente destinada ao grupo e em 2019 passou a ser obrigatória dentro do curso de fisioterapia, e em 2021 passou a ser obrigatória em demais cursos de graduação da UNIPAMPA. Aos participantes da ação, o que trazem os relatos feitos pelos mesmos, é a percepção do desenvolvimento de um olhar mais humano, a vivência aos diferentes cenários, criando autonomia diantes de diversas situações, criações e pensamentos para a busca de solução na situação atual que se encontra aqueles indivíduos, resultados de levar a universidade até a comunidade, também é perceptível a forma sensível ao falar da ação que foi realizada no local, o quanto aquela ação foi capaz de tocar o aluno. O PET Conexões Fisioterapia é um grupo que veio para somar junto a universidade, sendo fundamental na criação de uma das maiores ações comunitárias dentro no PPCs dos cursos, um grupo que permitiu abranger uma ação para o crescimento diferencial dos alunos da instituição, sendo então, desde 2019 praticado pelo curso de fisioterapia inicialmente e posteriormente ao demais cursos para a formação de seus alunos, tornando-os mais humanos, eficazes em qualquer situação que venha a acontecer durante sua carreira profissional e o olhar amplo ao demais indivíduos que são esquecidos pela sociedade

    Microrganismos Invisíveis e Hábitos Visíveis na Promoção da Saúde: Higiene e Primeira Infância.

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    A primeira infância compreende o período desde a concepção até os seis anos de vida. Fisiologicamente, devido a explosão de conexões sinápticas, mielinização, crescimento dendrítico e aumento do volume da substância branca e cinzenta resultantes da alta demanda metabólica, o cérebro atinge cerca de 90% do tamanho de um cérebro adulto nos primeiros 5 anos de vida. Nesse período, as crianças se encontram altamente receptivas à estímulos e experiências que desde o primeiro contato se tornam fundamentais para a consolidação de habilidades cognitivas, sociais e emocionais, sendo ideal para realização de ações de educação em saúde. Frente a esse cenário, o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de acadêmicos de Medicina em uma atividade de educação em saúde realizada no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), a partir de uma solicitação de uma Escola Municipal de Educação Infantil em parceria com a Estratégia de Saúde da Família (ESF), no município de Uruguaiana, em junho de 2025. A atividade foi direcionada a alunos de 5 anos, de quatro turmas do Pré-escolar II do ensino infantil, fase marcada por grandes saltos de desenvolvimento e amadurecimento cerebral, expressos no refinamento de movimentos, formação do caráter e fortalecimento da base de aprendizagem e socialização. O objetivo da atividade foi promover, de forma lúdica e interativa, a conscientização das crianças da pré-escola sobre a importância da higiene pessoal, estimulando a reflexão sobre práticas adequadas, demonstrando como os microrganismos se espalham e evidenciando o papel do sabão na sua remoção, a fim de incentivar hábitos saudáveis e prevenir doenças. No que se refere à metodologia, trata-se de um relato de experiência vinculado ao componente curricular Saúde Coletiva IV, integrante do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Medicina da Universidade Federal do Pampa da região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, orientado pelo princípio da curricularização da extensão. Para a construção da ação, inicialmente, foi realizada uma roda de conversa entre os membros do grupo e a escola para definir um tema recorrente entre a faixa etária escolhida. Optou-se por abordar higiene pessoal como forma de prevenção de doenças. A dinâmica proposta incluiu a entrega de duas plaquinhas distintas, sendo uma verde e outra vermelha, para que os alunos sinalizassem se as afirmações que estavam sendo lidas eram verdadeiras ou falsas, gerando um ambiente descontraído, considerando os aspectos biopsicossociais. As afirmativas serviram de disparadores para a explicação de cada um dos tópicos e incentivaram as crianças a compartilharem suas experiências e construírem junto aos acadêmicos os conceitos e práticas essenciais de higiene pessoal. Relatos pessoais de como escovavam os dentes, o que faziam quando ficavam resfriadas, quantas vezes tomavam banho e lavavam as mãos tornaram o ambiente leve para o compartilhamento de experiências por todos e exemplificaram como o tema é algo pertinente e de interesse dessa faixa etária. Ao término da primeira dinâmica, os acadêmicos exemplificaram como doenças comuns do inverno, como gripe e resfriados, são transmitidos facilmente de uma pessoa para outra e como o simples hábito de lavar as mãos pode prevenir a infecção. Utilizando glitter para simbolizar o germes, os acadêmicos cumprimentaram com apertos de mão cada um dos alunos, que se tornaram infectados, posteriormente em um recipiente com água foi colocado um pouco de glitter, seguido por detergente que dissipa o glitter pela quebra da tensão superficial da água, o que deixou as crianças ainda mais engajadas em assumir o compromisso de manter hábitos saudáveis de higiene. Quanto às dificuldades vivenciadas, constatou-se que devido a empolgação em participar, muitas vezes os alunos falavam ao mesmo tempo e interrompiam a explicação para contar experiências vividas em casa ou conhecimentos aprendidos em sala de aula. Posteriormente, se foi contornando essa situação, ao organizar quem falaria em cada momento sem interrupção, e que todos escutassem. Além disso, ao final foram muito afetivos com os acadêmicos. A experiência evidenciou a relevância do uso do lúdico como estratégia de promoção da saúde com essa faixa etária, favorecendo o desenvolvimento de hábitos saudáveis de higiene desde a primeira infância no contexto da educação infantil, como forma de ofertar além da informação, agência para que essas crianças disseminem o conhecimento aprendido com seus familiares, amigos e comunidade em geral. Conclui-se que a atividade atingiu seus objetivos ao ofertar um espaço lúdico e divertido na construção do saber sobre higiene e prevenção de doenças, levando todos os envolvidos à reflexão e ao compartilhamento de experiências. Iniciativas como essa fortalecem a formação em Medicina na promoção da saúde desde a infância e contribuem ao Programa Saúde na Escola, fortalecendo a interrelação entre ensino, serviço e comunidade

    Crônicas da Cidade, 15 Anos: Contribuindo Ao Patrimônio Cultural Imaterial de São Borja/rs

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    O presente resumo reflete sobre os 15 anos trilhados até agora por um projeto de pesquisa empírico que contribui para a cultura e a memória de São Borja. Registrado como Jornalismo Humanizador em Crônicas do Cotidiano (nº 2023.PE.SB.2396/GURI), é conhecido como o Crônicas da Cidade título da coluna que, desde 2010, o jornal impresso Folha de São Borja disponibiliza em suas edições, sem ônus, à equipe, em página inteira. Coordenado por professores do Jornalismo, tem como propósito a prospecção e o compartilhamento de histórias de vida, através de crônicas-reportagens feitas pelo grupo formado pelos docentes, por discentes que atuam como bolsistas voluntários e por colaboradores jornalistas egressos da Unipampa. A dinâmica do projeto se constitui na abordagem guiada pelo jornalismo humanizado (Ijuim, 2017), que busca a real dialogia na horizontalidade das relações (Medina, 2003). Também enfatiza o valor da escuta (Brum, 2006) na realização das pautas que resultam em publicações sobre pessoas, lugares e episódios relacionados a São Borja. As narrativas verbal e imagética enaltecem passagens reveladoras de lições. Nas mais de 800 histórias já contadas há um extenso número de temas. Pelo Crônicas passam personagens que reportam vivências empreendedoras, que mostram resiliência diante de adversidades; figuras ilustres e desconhecidas; nomes do passado e do presente ligados não apenas à história oficial, como também ao imaginário popular e a uma espécie de história paralela da contemporaneidade. Uma das ênfases é contribuir para o combate à invisibilidade social (Costa, 2008), uma vez que tanto o morador de rua quanto o empresário são convidados a relatar suas jornadas. O projeto considera, tal qual o Museu da Pessoa (www.museudapessoa.org), que tornar pública uma história conduz à sua incorporação enquanto bem cultural imaterial representativo de um povo e de uma época. Todo indivíduo, quando conta algo, soma-o a uma espécie de mosaico de memórias coletivas. Assim, o projeto fortalece o senso de pertencimento e a conexão entre as pessoas. Consequentemente, também nós, discentes, transcendemos os conceitos mais tradicionais do jornalismo e alcançamos um entendimento amplo e altruísta sobre nosso papel não apenas como mediadores da informação, mas também como mediadores culturais (Velho, 2001). Isso nos permite ver o quanto nos tornamos pontes entre mundos diversos. Essa é uma das reverberações junto à nossa formação acadêmica e humana. Igualmente há um contato periódico entre a equipe e escolas e museus, para palestras e exposições. Em um cenário em que o usual é o destaque aos expoentes associados à identidade do local, como os célebres nomes da política, o Crônicas inverte a ordem e vai atrás dos personagens que não costumam aparecer. Como reflexo, um número expressivo de depoimentos acaba por registrar fatos e feitos inéditos, que ajudam a comunidade a lançar novos olhares sobre personagens e períodos. Constata-se que o projeto concilia o pitoresco e o incomum e o tradicional e o conhecido, e ao mesmo tempo os apresenta a partir do olhar atual, humanizado. Além da via impressa, a comunidade acessa o acervo feito sobre e para São Borja pelo Instagram (cronicasdacidadesb) e o Facebook (colunacronicasdacidade). Portanto, o projeto consolida um repertório de bens culturais de natureza imaterial, conforme a concepção do IPHAN (www.portal.iphan.org.br), já que as produções acabam por trazer à tona, em meio às histórias privadas, a manifestação de práticas ligadas a saberes, ofícios e modos de fazer; a formas de expressão individual e coletiva e a lugares e suas características. O projeto, pois, mantém-se firme, após década e meia, com a ideia de prosseguir constituindo o patrimônio cultural imaterial da cidade, através de histórias singulares, perpetuando e visibilizando relatos de pessoas comuns a figuras emblemáticas e, assim, oferecendo a São Borja um repertório de narrativas tão vasto quanto diverso, e que a cada edição fortalece, no reconhecimento dos cidadãos, a percepção do vínculo entre a Unipampa e a comunidade. Referências: BRUM, Eliane. A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006; COSTA, Fernando Braga da. Moisés e Nilce: retratos biográficos de dois garis. Um estudo de psicologia social a partir de observação participante e entrevistas. Tese de Doutorado. São Paulo: USP, 2008; IJUIM, Jorge Kanehide. Por que humanizar o jornalismo (?). São Leopoldo: Verso e Reverso/Unisinos, set-dez 2017; IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Disponível em www.portal.iphan.gov.br. Acesso em: 27 ago. 2025; MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente. São Paulo: Summus, 2003; MUSEU DA PESSOA. Disponível em www.museudapessoa.org.br. Acesso em: 27 ago. 2025; VELHO, Gilberto e KUSCHNIR, Karina (orgs.) Mediação, Cultura e Política. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001

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