Revistas Eletrônicas da UFPI (Univ. Federal do Piauí)
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Cadernos do NEFI
O Núcleo de Estudos de Ensino de Filosofia da Universidade Federal do Piauí (NEFI-UFPI) consolida-se como um dos mais importantes núcleos de estudos de ensino de filosofia do Brasil, sendo referência para estudantes, professores e pesquisadores, que encontraram no NEFI-UFPI o ambiente ideal para discussão, que aceita e acolhe todos os pontos de vista, sem perder o foco. No início de 2023, o Núcleo realizou o II Colóquio com o tema “A Filosofia e a Nova BNCC: primeiro ano de experiência”, fomentando esta edição dos Cadernos, fruto das discussões desse período. Um debate amplo e franco sobre o ensino de filosofia e a nova BNCC, sobretudo no primeiro ano de experiência, foi criado para refletir sobre a Filosofia e os impactos desta unidade curricular no contexto de implantação da Reforma do Ensino Médio. Os artigos selecionados versam sobre os pontos sensíveis ao tema, propondo uma construção coletiva de reflexão e engajamento para melhoria das condições do Ensino de Filosofia e sua importância para formação integral dos estudantes
Maurice Blondel e o fato histórico sobrenatural em Histoire et Dogme (1904) e De la valeur historique du dogme (1905)
Histoire e dogme (1904) é um dos documentos chave para a interpretação da crise modernista, mais precisamente para a compreensão do papel da questão histórica nesse contexto. O escopo deste artigo é tomá-lo como síntese da posição blondeliana frente às questões levantadas à fé cristão pelo desenvolvimento da ciência histórica no século XIX e parcialmente sintetizadas nas posições de Alfred Loisy em L’Évangile et l’Église (1902) e Autour d’um petit livre (1903). Para tanto, o texto se divide em três partes. Primeiro, volta-se à crise modernista e à reação blondeliana às teses de Loisy. Depois, destaca os termos da questão, quer dizer, “história”, “dogma” e naturalmente a relação entre eles. Por último, acompanha a interpretação de Guillaume Cuchet quanto à definição de Blondel para “fato histórico sobrenatural” em “De la valeur historique du dogme” (1905)
IMPACTOS POST MORTEM DAS DOAÇÕES SUCESSIVAS
O direito de doar não é absoluto no ordenamento pátrio. Uma das restrições à autonomia privada se dá quando o doador tem herdeiros necessários, hipótese em que apenas poderá dispor gratuitamente de metade do seu patrimônio, em respeito à legítima. A parte que exceder esse limite legal configura doação inoficiosa, prevista no art. 549 do Código Civil, como hipótese de nulidade, tratando-se de matéria de ordem pública. A inoficiosidade das doações e a ofensa à legítima, por si só, abrange vários aspectos controvertidos, tanto na doutrina quanto na jurisprudência. Mais complexa e relevante é a questão dos impactos post mortem quando as doações forem sucessivas, visando tentar identificar, na doutrina e na jurisprudência, como realizar o cálculo da inoficiosidade. Para tanto, fez-se uma pesquisa doutrinária em 14 livros (manuais e obras especializadas) e 8 artigos, além da busca pelo tema no Superior Tribunal de Justiça e nos 27 Tribunais Estaduais. O método empregado foi o hipotético-dedutivo
"A morte em segredo": moralidades e falência civilizacional na pandemia da Covid-19, Brasil
O artigo problematiza a produção de moralidades em disputa no contexto atual da morte por Covid-19 no Brasil, em que se configura um cenário pandêmico de grave crise sanitária e tragédia nacional expressas em mais de 600 mil óbitos oficiais. Parte do pressuposto da emergência de (a)moralidades como novas configurações de sociabilidade na medicalização do "kit covid" e na ocultação de mortes por Covid-19. Busca entender de que modo a questão de moralidades, atrelada a uma específica vocação política na gestão de corte neoliberal da pandemia, instaura uma falência civilizacional e, em consequência, uma crise social e anticivilizatória no país. A metodologia da análise é qualitativa e tem com base reportagens e notícias atualizadas da mídia impressa e virtual e de quadros situacionais performáticos referentes à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, realizadano Senado Federal
AGÊNCIA E ESCRITA CIENTÍFICA NO PIBIC-TEC: UMA ANÁLISE SOCIORRETÓRICA DO GÊNERO RELATÓRIO FINAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Produzir textos científicos na Educação Básica é uma tarefa que pressupõe práticas de letramentos pouco comuns no contexto escolar. A fim de promover tais práticas, na perspectiva de formação científica, algumas instituições desenvolvem atividades de iniciação à pesquisa. Nesse processo, o relatório final de projeto de iniciação científica surge como um gênero acadêmico relevante. Assim, o propósito deste trabalho é descrever a organização retórica do gênero relatório final, vinculado ao Programa de Iniciação Científica Técnica (PIBIC-TEC). A análise se ampara nos conceitos dos estudos retóricos de gêneros, em especial o conceito de agência (BAZERMAN, 2009), e na análise de movimentos retóricos proposta pela abordagem de língua para fins específicos (SWALES, 1990, 2004). Este estudo, de natureza exploratória, buscou identificar os estudantes/pesquisadores como agentes na produção do relatório final no PIBIC-TEC do Instituto Federal de Educação (IFPE/Campus Recife) e descrever os movimentos e passos manifestos na introdução dos textos escritos pelos estudantes/pesquisadores, utilizando o Modelo CARS (SWALES, 1990). O corpus foi constituído por dez relatórios finais escritos por estudantes/pesquisadores do PIBIC-TEC, na grande área de linguística, letras e artes. Constatamos a realização dos movimentos e passos previstos por Swales (1990) na seção introdutória dos relatórios finais, além de as marcas linguísticas que evidenciam a agência dos estudantes.
O USO DA INTELIGÊNCIA FINANCEIRA NA PERSECUÇÃO PENAL: LEGALIDADE, CONSTITUCIONALIDADE E ADEQUAÇÃO DA TRADUÇÃO BRASILEIRA DA RECOMENDAÇÃO 29 DO GAFI
O artigo busca responder se a tradução brasileira da Recomendação 29 do GAFI, no que toca ao uso de informações pela unidade de inteligência financeira, atende às exigências constitucionais e processuais penais brasileiras, bem como do próprio GAFI. São discutidos o uso da inteligência financeira na persecução penal no Brasil, a natureza jurídica do Relatório de Inteligência Financeira e as posições doutrinárias e jurisprudenciais sobre o seu compartilhamento. É possível deste modo demonstrar que a tradução brasileira da Recomendação 29 na parte relativa ao compartilhamento de informações é legal, constitucional e adequada. A pesquisa é limitada pela pouca quantidade de estudos nacionais sobre o tema. O trabalho é relevante pois o Brasil está em vias de ser avaliado pelo GAFI. Quanto à originalidade, existem poucos trabalhos no Brasil sobre a adequação do regime antilavagem de dinheiro às Recomendações do GAFI, e nenhum com o enfoque dado no presente trabalho.
PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DE RETROCESSO COMO CRITÉRIO DE INTERPRETAÇÃO DO ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
A Convenção Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência trouxe profundas modificações para os Estados integrantes do sistema das Nações Unidas, sendo de suma importância para reafirmação e avanço das medidas de políticas públicas e normativas de afirmação da igualdade, dignidade da pessoa humana e autonomia das pessoas com deficiência. Deste modo, qualquer medida editada pelas funções estatais, seja proveniente do judiciário, legislativo ou executivo, tanto no âmbito de alterações legislativas quanto de políticas públicas que busquem reafirmar o modelo tutelar estabelecido anteriormente, estão em frontal contrariedade ao disposto no sistema convencional de direitos humanos. Para tanto, trabalho com abordagem de natureza qualitativa, de caráter bibliográfica e exploratória, com base em textos de revistas científicas e Websites. O problema desta pesquisa, portanto, é propositivo e investiga a possibilidade de utilização da cláusula constitucional de proibição de retrocesso como critério interpretativo das ações estatais no âmbito judiciário, legislativo e executivo que visem alterar o texto normativo ou a interpretação da norma em claro retrocesso das posições jurídicas já conquistadas
Cabo submarino em periódicos pernambucanos nas décadas 1870 e 1880: base para uma arqueologia da rede
A partir da arqueologia da rede como atividade e metodologia, apresentam-se narrativas de conexão, rompimento e transmissão da infraestrutura de cabo submarino publicadas em periódicos nas décadas de 1870 e 1880, com um foco em acontecimentos dados em Pernambuco. Tal infraestrutura viabiliza a comunicação do Brasil com o restante do mundo há 150 anos, mais especificamente desde 1874, mas são poucos os estudos da área que se dedicam a tal tema. Buscadas na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, as narrativas selecionadas ajudam a entender as expectativas, as frustrações e as tensões em torno da presença do cabo submarino no território nacional. Abre-se, portanto, caminho para uma atenção ao tema nos estudos de comunicação e mídia no Brasil
A emergência do digital no conflito palestino-israelense e a linha do tempo das estratégias político-comunicativas
O presente trabalho analisa os impactos da emergência das redes de comunicação e informação em rede no conflito palestino-israelense. O objetivo é observar o desenvolvimento histórico das estratégias político-comunicativas associadas à utilização da internet. Para tanto, parte-se da revisão bibliográfica para discutir a utilização das redes digitais por palestinos e israelenses com propósitos de conquistar a opinião pública internacional. Inicia-se com a apresentação dos eventos ocorridos na Guerra do Líbano de 2006 e das revoltas populares árabes de 2010, abordando as primeiras perspectivas de utilização estratégica da internet. Na sequência, são abordados os confrontos em Gaza (2008-2014), discutindo as formas contemporâneas do uso da web 2.0 ao longo de eventos conflituosos.