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A recepção de Baudelaire no Brasil: obra e fortuna crítica
This paper revisits the issue of Charles Baudelaire’s reception in Brazil. Not losing sight of the centrality of translation in the reception of the author’s poetry, from the 1970s onwards, as pointed out by Amaral, Meirelles or Candido, I try to indicate a previous reception, with direct reading in French. When researching printed newspapers (in French and Portuguese) in Brazil and French magazines sold in the country, such as the Revue des Deux Mondes, the poet’s presence is noted well before the 70s. Therefore, the event of Baudelaire’s reception is not limited to the first translations, but certainly has its roots in 1855, a crucial year for his reception, according to André Guyaux. In the specific Brazilian context, the transnational circulation of cultural goods and the influence of French culture play a fundamental role in the presence of Baudelaire’s name, whose traces appear not only with references to his works, but also to his critical fortune.El presente trabajo retoma el tema de la recepción de Charles Baudelaire en Brasil. Sin perder de vista la centralidad de la traducción en la recepción de la poesía del autor, de los años 70 del siglo XIX, como señalan Amaral, Meirelles o Candido, intento indicar una recepción previa, con lectura directa en francés. Al investigar periódicos impresos (en francés y portugués) en Brasil y revistas francesas vendidas en el país, como revue des Deux Mondes, se nota la presencia del poeta mucho antes de la década de 1870. Por lo tanto, el evento de la recepción de Baudelaire no se limita a las primeras traducciones, sino que ciertamente echa raíces ya en 1855, un año crucial para su recepción, según André Guyaux. En el contexto específico brasileño, la circulación transnacional de bienes culturales y la influencia de la cultura francesa juegan un papel fundamental en la presencia del nombre de Baudelaire, cuyas huellas aparecen no solo en referencias a sus obras, sino también en su fortuna crítica.O presente trabalho revisita a questão da recepção de Charles Baudelaire no Brasil. Não perdendo de vista a centralidade da tradução na recepção da poesia do autor, a partir da década de 70 do século XIX, conforme apontam Amaral, Meirelles ou ainda Candido, procuro indicar uma recepção anterior, com leitura direta em francês. Ao pesquisar os jornais impressos (em francês e português) no Brasil e as revistas francesas vendidas no país, a exemplo da Revue des Deux Mondes, nota-se a presença do poeta bem antes da década de 1870. Portanto, o acontecimento da recepção de Baudelaire não se limita às primeiras traduções, mas deita certamente suas raízes já em 1855, ano crucial para sua recepção, segundo André Guyaux. No contexto específico brasileiro, a circulação transnacional de bens culturais e a influência da cultura francesa têm papel fundamental na presença do nome de Baudelaire, cujos vestígios aparecem não somente em referências a suas obras, como também a sua fortuna crítica
Espantalhos e monstros teóricos: “teoria como resposta” como pergunta
Review: ARAÚJO, Nabil. Teoria da Literatura e História da Crítica: momentos decisivos. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2020.Resenã: ARAÚJO, Nabil. Teoria da Literatura e História da Crítica: momentos decisivos. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2020.Resenha: ARAÚJO, Nabil. Teoria da Literatura e História da Crítica: momentos decisivos. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2020
É possível jogar ecocriticamente no Brasil?
Today we know that there is an urgent need to think about digital games from a Brazilian perspective, in the context of the Global South, through Ecocriticism. This is due to the fact that Ecocriticism for digital games, or Ecoplay, as put by Melissa Bianchi (2018; 2020), assimilates a lot with its literary counterpart, that is, it comes almost exclusively from Anglophone researchers. Although much of Ecocriticism has already freed itself from its Northern roots, turning to decolonial and ecofeminist perspectives, little is seen of this reality in digital games. Thus, I argue that it is extremely necessary to think and analyze games, whether they are produced or consumed in Brazil. As well as their forms of engagement, narratives, mechanics, rules, production and sales contexts. Especially considering that today we are one of the biggest consumer markets and, even though we do not have any AAA publishers (triple A as the billion-dollar gaming companies are called) in the country, there are several indie studios and there is a lot to be gained through Ecoplay. In this way, we can aim at giving a voice to nature and the external world of the narrative, which are often silenced, to imagine ways to decentralize the player from his anthropocentric perspective, to think about different ways of playing, and about all material production and consumption, such as energy expenditure, as well as other elements that surround gaming and its consumption and manufacturing processes.Hoy sabemos que hay una necesidad urgente de pensar los juegos digitales desde una perspectiva brasileña, en el contexto del Sur Global, a través de la Ecocrítica. Esto se debe al hecho de que Ecocriticismo para juegos digitales, o Ecoplay, como dijo Melissa Bianchi (2018; 2020), se asimila mucho con su contraparte literaria, es decir, proviene casi exclusivamente de investigadores anglófonos. Aunque gran parte de Ecocriticismo ya se ha liberado de sus raíces nórdicas, recurriendo a perspectivas decoloniales y ecofeministas, poco se ve de esta realidad en los juegos digitales. Por lo tanto, sostengo que es extremadamente necesario pensar y analizar los juegos, ya sea que se produzcan o consuman en Brasil. Así como sus formas de engagement, narrativas, mecánicas, reglas, contextos de producción y ventas. Especialmente teniendo en cuenta que hoy somos uno de los mayores mercados de consumo y, aunque no tenemos ningún editor AAA (triple A como se llaman las compañías de juegos de mil millones de dólares) en el país, hay varios estudios indies y hay mucho que ganar a través de Ecoplay. De esta manera, podemos apuntar a dar voz a la naturaleza y al mundo externo de la narrativa, que a menudo son silenciados, imaginar formas de descentralizar al jugador desde su perspectiva antropocéntrica, pensar en diferentes formas de jugar, y en toda la producción y consumo material, como el gasto energético, así como otros elementos que rodean el juego y sus procesos de consumo y fabricación.Hoje sabemos ser premente a necessidade de pensarmos sobre os jogos digitais dentro de uma perspectiva brasileira, partindo do Sul Global, por intermédio da Ecocrítica. Isso se dá devido ao fato de que a Ecocrítica para jogos digitais, ou Ecoplay, como posta por Melissa Bianchi (2018; 2020), assimila-se e muito à sua contraparte literária, ou seja, parte quase que exclusivamente de pesquisadores anglófonos. Embora muito da Ecocrítica já tenha se libertado de suas raízes do Norte, voltando-se para perspectivas decoloniais e ecofeministas, pouco se vê dessa realidade nos jogos digitais. Desse modo, argumento que é de extrema necessidade pensarmos e analisarmos jogos, sejam eles produzidos ou consumidos no Brasil. Bem como suas formas de engajamento, narrativas, mecânicas, regras, contextos de produção e venda. Especialmente dado que hoje somos um dos maiores mercados consumidores e, ainda que não tenhamos nenhuma publicadora AAA (triple A, como são chamadas as grandes companhias bilionárias de jogos) no país, existem diversos estúdios indies e há muito a se ganhar através do Ecoplay. Dessa forma, podemos procurar dar voz à natureza e ao mundo exterior da narrativa, frequentemente silenciados, imaginar maneiras de descentralizar o jogador de sua perspectiva antropocêntrica, pensar diferentes formas de jogar, de produzir material e de consumir, o que inclui demais elementos que circundam os jogos e seus processos de consumo e manufatura
Algumas figurações da catástrofe ancestral na América Latina
Taking the idea of “the ancestral catastrophe” – colonial and racial – in opposition to “the coming catastrophe” as a starting point, this paper focuses, in the way of fragments, on A queda do céu, by Davi Kopenawa and Bruce Albert (2015), Primera nueva corónica y buen gobierno, by Waman Puma de Ayala (1615), “Chiapas: el sureste en dos vientos, una tormenta y una profecia”, by EZLN (1994), a recording of Emiliano Zapata’s funeral (1919) and Torto arado, by Itamar Vieira Junior (2019). Through these and other texts, I intend to qualify the anthropos of the anthropocene.Partiendo de la idea de la "catástrofe ancestral" – colonial y racial – en contraposición a la "catástrofe por venir", el texto se centra, en forma de fragmentos, en A queda do céu, de David Kopenawa y Bruce Albert (2015), Primera nueva corónica y buen gobierno, de Waman Puma de Ayala (1615), "Chiapas: el sureste en dos vientos, una storm y una profecía", de Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN, 1994), filmación del entierro de Emiliano Zapata (1919) y Torto arado, de Itamar Vieira Junior (2019). A través de estos y otros textos, se pretende calificar el anthropos antropoceno.Partindo da ideia da “catástrofe ancestral” – colonial e racial – em oposição à “catástrofe por vir”, o texto se debruça, ao modo de fragmentos, sobre A queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert (2015), Primera nueva corónica y buen gobierno, de Waman Puma de Ayala (1615), “Chiapas: el sureste en dos vientos, una tormenta y una profecia”, do Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN, 1994), uma filmagem do enterro de Emiliano Zapata (1919) e Torto arado, de Itamar Vieira Junior (2019). Por meio desses e outros textos, o intuito é qualificar o anthropos do antropoceno
“O último Baudelaire”: 200 anos de nascimento do poeta
O “último Baudelaire” existe? Quando se iniciaria o último período criativo do poeta? Com a publicação dos primeiros poemas em prosa, em junho de 1855? Com a dos Paraísos artificiais, em maio de 1860, ou com a segunda edição das Flores do mal, em fevereiro de 1861? Ou, antes, com a estada do poeta na Bélgica, na primavera de 1864? Essas perguntas implicam uma delimitação temporal que pode parecer artificial.Le "dernier Baudelaire" existe-t-il ? Quand la dernière période créative du poète commence-t-elle ? Avec la publication des premiers poèmes en prose, en juin 1855 ? Avec celle des Paradis artificiels, en mai 1860, ou celle de la seconde édition des Fleurs du Mal, en février 1861 ? Ou plutôt avec l’installation du poète en Belgique, au printemps de 1864 ? Ces questions impliquent une délimitation temporelle qui peut sembler artificielle.O “último Baudelaire” existe? Quando se iniciaria o último período criativo do poeta? Com a publicação dos primeiros poemas em prosa, em junho de 1855? Com a dos Paraísos artificiais, em maio de 1860, ou com a segunda edição das Flores do mal, em fevereiro de 1861? Ou, antes, com a estada do poeta na Bélgica, na primavera de 1864? Essas perguntas implicam uma delimitação temporal que pode parecer artificial
Homoerotismo e subalternidade em Paulicea desvairada
Proponho cinco tropos para relacionar as manifestações de homoerotismo com as de subalternidade em Paulicea desvairada (1922), de Mário de Andrade: mulheres emendadas, impossíveis, desamparadas; passeios noturnos ou mirar no perigo; congresso de marginais; o medo incita o desejo; e normalidade cativa. Além da estilização poética, a homofobia internalizada de Mario de Andrade permite supor o motivo pelo qual não há clara expressão das ideias homoeróticas e explica em parte a rejeição do imaginário obsceno. A estilização em Paulicea é testemunha de como a sociedade condenou práticas e pessoas à ignomínia e ao silêncio. As insinuações poéticas instigam questionamentos, pensamento e imaginação. Com conceitos da teoria queer, da análise do discurso, da história, da historiografia da homossexualidade no Brasil, através de pesquisa em textos, músicas e a medicina da época mais a correspondência de Mário de Andrade, exploro a temática homoerótica e política que jaz na poesia do musicólogo
A terceira margem da Odisseia
The article aims to present a way of interpreting the central character of the Odyssey through a theory of reception based on the co-creator role of the recipient. It is divided into four parts: after the presentation of the problem, the second part examines the key steps of the poem (especially of chants 9, 11 and 19) that support the argument of the third, in which are discussed possible meanings of absences or negations enformed by Odysseus. The final section argues for the possibility of reading the Odyssey as a mode of fiction that is neither mask nor duplicity, but as a radical alterity in relation to the real.El artículo tiene como objetivo presentar un modo de interpretación del carácter central de la Odisea a través de una teoría de recepción centrada en el papel co-creador del receptor. Se divide en cuatro partes: después de la presentación del problema, la segunda parte examina los pasos clave del poema (especialmente de las esquinas 9, 11 y 19) que apoyan la argumentación de la tercera, en la que se discuten posibles significados de ausencias o negaciones Formado por Odisseo. La sección final aboga por la posibilidad de leer la Odisea como un modo de ficción que no perdo ni como máscara ni como duplicidad, sino como alteridad radical en relación con lo real.O artigo visa apresentar um modo de interpretação da personagem central da Odisseia por via de uma teoria da recepção focada no papel cocriador do recebedor. Está dividido em quatro partes: após a apresentação do problema, a segunda parte examina os passos-chave do poema (sobretudo dos cantos 9, 11 e 19) que embasam a argumentação da terceira, na qual são discutidos eventuais significados das ausências ou negações enformadas por Odisseu. A seção final argumenta pela possibilidade de leitura da Odisseia como um modo de ficção que não se perfaz nem como máscara nem como duplicidade, mas como alteridade radical em relação ao real
À tona dos espelhos: : um diálogo entre Guimarães Rosa e Machado de Assis
In this essay a comparative study between the namesake short stories “O espelho” [The Mirror] written by Machado de Assis (1839-1908) and Guimarães Rosa (1908-1967) has been elaborated. Considering textual analysis, the intricated world conceptions of these authors are confronted after an invitation of Guimarães Rosa himself. Such invitation is noticeable not only on account of his story’s title choice and textual imagetic allusions to the preceding work, but also due to the use of narrative techniques orientated to build up a narrator interested in proposing an alternative point of view on two axis of Machado’s short story: the fragmentation of the self and its connection with the other.Neste artigo, elaboramos um estudo comparativo entre os contos homônimos “O espelho” de Machado de Assis e de Guimarães Rosa, trazendo para a discussão, a partir da análise, algumas considerações sobre as intrincadas visões de mundo desses autores, postas em confronto a convite do próprio Guimarães Rosa. Tal convite é percebido não só pela escolha do título de sua estória e por alusões imagéticas e textuais à obra precedente, como também devido ao emprego de técnicas narrativas orientadas para a construção de um personagem-narrador interessado em propor um ponto de vista alternativo sobre dois eixos temáticos do conto machadiano: a fragmentação do eu e sua relação com o outro
O poeta e a criança: a expressão lítero-visual e o impulso criativo de Lewis Carroll
This article proposes an exploration of the context of the emergence of Lewis Carroll’s books Alice’s Adventures in Wonderland (1865) and Through the Looking-Glass and what Alice Found There (1871), presenting curious facts about the author and his creative process. Raising some manifestations that reflect the poetics of this multifaceted artist – producer of poetry, prose, drawings, games and photographs –, the article punctuate relationships established between word and image – especially from an interdisciplinary approach, reverberating voices of authors such as Rui de Oliveira (2008), Benjamin (1984), Didi-Huberman (2017), Jacques Lacan (1971), among others. Throughout the study, cross-readings are articulated, departing from the three Carroll’s poems that are attached to Alice’s editions, since they enable the reader to permeate the interlacings between the textual and the visual, the past and the contemporary, the life and the art work, the poet and the child – his inspiring muse.Este artigo propõe uma exploração do contexto de surgimento das narrativas Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do espelho e o que Alice encontrou por lá (1871), de Lewis Carroll, apresentando curiosos fatos sobre o autor e seu processo criativo. Ao levantar algumas manifestações que refletem a poética desse artista multifacetado – produtor de poesia, prosa, desenhos, jogos e fotografias –, pretende-se pontuar relações estabelecidas entre palavra e imagem – sobretudo a partir de uma abordagem interdisciplinar, reverberando vozes de autores como Rui de Oliveira (2008), Walter Benjamin (1984), Didi-Huberman (2017), Jacques Lacan (1971), entre outros –. Ao longo do texto, são articuladas leituras cruzadas, a partir dos três poemas de Carroll que acompanham as edições de Alice, uma vez que possibilitam permear as tramas tecidas entre o textual e o visual, o passado e o contemporâneo, a vida e a obra, o poeta e a criança – sua musa inspiradora
A conquista de Marte e as aeronaves fantasmas: visagens de Aby Warburg
In 1913, Aby Warburg writes an essay on the representation of aircrafts and submarines in 15th century tapestry. More than a decade later, that topos finds its development in Atlas Mnemosyne’s Panel C. This article aims to retrace this pathway, crossed by two contradictory movements: the violent attempt to overcome the space between Human and Cosmos, and the desire to restore such detachment, denounced by the survival of supernatural figures in modernity. Therefore, the text confronts two issues that populated the early twentieth century imagination: the conquest of planet Mars and the reports of “phantom aircrafts” sightings in the US and Europe’s skies.Em 1913, Aby Warburg escreve um ensaio sobre a representação de aeronaves e submarinos na tapeçaria do século XV. Mais de uma década depois, essa tópica encontra seu desdobramento no Painel C do Atlas mnemosyne. Este artigo tem como objetivo retraçar esse percurso, atravessado por dois movimentos contraditórios: a violenta tentativa de superação da distância entre o humano e o cosmos, e o desejo por restabelecer tal afastamento, denunciado pela sobrevivência de figuras sobrenaturais na modernidade. Para isso, o texto confronta dois temas que povoaram o imaginário do início do século XX: os planos de conquista do planeta Marte e os relatos sobre “aeronaves fantasmas” cruzando os céus dos EUA e da Europa