Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
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    10869 research outputs found

    EDITORIAL

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    Editorial

    HORIZONTES REFLEXIVOS DA TEIA SOCIAL CONTEMPORANEA

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    Artigo de apresentação

    A INFLUÊNCIA DO RAP NA PRODUÇÃO LITERÁRIA MOÇAMBICANA PÓS-2000: DIAGNÓSTICO DE [POSSÍVEIS] INTERFACES DISCURSIVAS

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    A produção literária moçambicana regista um momento em que há emergência de canais de divulgação contra-hegemônicos que fazem com que muitos autores se façam conhecer no mercado literário. Esta caraterística comum invoca outro dado relativo ao fato de esta “geração” de autores ser composta por jovens entusiastas da cultura hip-hop, sendo que, alguns deles, são ou foram fazedores desta manifestação cultural, sobretudo na sua dimensão lírica: o rap. É com base neste horizonte que se pensou em fazer uma abordagem hipotético-dedutiva acerca da “Influência do Rap na Produção Literária Moçambicana Pós-2000: diagnóstico de [possíveis] interfaces discursivas”. Por via disso, buscou-se bases conceituais do Dialogismo de Bakhtin (2006) e da análise do discurso de Maingueneau (2004) para fundamentar a influência das experiências discursivas do indivíduo na sua realização discursiva no plano da escrita literária. Foi, por isso, necessário perceber as concepções do hip-hop enquanto cultura urbana na ótica de Cossa (2009) e Macedo, Lichuge & Laisse (2019). Portanto, com base numa amostragem combinada, estratificada e por julgamento, extrair inferências exploratórias que poderão nortear pesquisas futuras acerca deste fenómeno social e literário.Mozambican literary production is experiencing a moment in which there is an emergence of counter-hegemonic dissemination channels, which means that many authors are making themselves known to the book market. This common characteristic invokes another fact regarding the fact that this “generation” of authors is made up of young enthusiasts of hip-hop culture, some of whom are or were creators of one of its musical genres: rap. It is based on this horizon that we thought about taking a hypothetical-deductive approach to the “Influence of Rap on Post-2000 Mozambican Literary Production: diagnosis of [possible] discursive interfaces. Therefore, conceptual bases were sought from Bakhtin's Dialogism (2006) and Maingueneau's (2004) discourse analysis to substantiate the influence of the individual's discursive experiences on their discursive realization in terms of literary writing. It was, therefore, necessary to understand the conceptions of hip-hop as an urban culture from the perspective of Cossa (2019) and Macedo, Lichuge & Laisse (2019).  Based on a combined sampling: stratified and by judgment, draw exploratory inferences that could guide future research on this social and literary phenomenon

    ATUALIDADE HISTÓRICA DA CRÍTICA DE ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DO CAPITAL: OS MASSACRES EXPROPRIATÓRIOS CONTRA OS GUARANI E KAIOWÁ

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    Marx nos legou um arcabouço teórico-crítico para a compreensão do modo de produção capitalista. Em muitos sentidos, seu pensamento possui atualidade. Contudo, as transformações pelas quais passou o sistema do capital nos últimos cento e cinquenta anos, nos marcos de suas crises e reestruturações produtivas, nos desafiam a melhor compreender sua dinâmica contemporânea. Neste artigo, busca-se compreender a atualidade da noção marxiana à acumulação primitiva do capital, considerando especificamente a forma prioritária pela qual se expressa o padrão de acumulação de capital no sul do estado de Mato Grosso do Sul, ou seja, via o agronegócio sobre as lutas socioterritoriais dos povos indígenas Guarani e Kaiowá. Para tanto, apresentam-se contribuições de Rosa Luxemburgo, David Harvey e Silvia Federici sobre o tema e um breve histórico da resistência Guarani e Kaiowá contra as expropriações, destacando os acontecimentos conhecidos como Massacres de Caarapó e de Guapoy em sua relação com a acumulação de capital. O estudo utilizou-se de revisão bibliográfica, pesquisa documental, fontes jornalísticas e relatos de movimentos sociais. Ao final, entende-se que a expropriação através da violência,típica da acumulação primitiva, permanece inerente ao atual padrão de acumulação, dada a necessidade irrefreável de expansão do capital, em seu movimento de reprodução ampliada.Marx leaves us a theoretical-critical framework for the understanding of the capitalist mode of production. In many ways, his thinking is undeniably timely. However, the transformations the capital system has gone through in the past 150 in terms crises and productive restructuring challenges us to keep the Marxian critical legacy alive. In this article, we seek to understand the updated Marxian notion of primitive accumulation of capital, especially through the main pattern of capital accumulation expressed in the south of the state of Mato Grosso do Sul, Brazil: the agribusiness moves vis a vis the socio-territorial struggles of the Guarani and Kaiowá Indigenous people. To this end, contributions from Rosa Luxemburgo, David Harvey and Silvia Federici are worth on the subject, as well as a brief history of the Guarani and Kaiowá Indigenous people resistance against expropriations, highlighting the Caarapó and Guapoy Massacres in their relation with the accumulation of capital. The methodology of this research included literature review, documentary research, grey literature, and reports from social movements. The research results show that expropriation through violence is typical of “primitive accumulation” and remains inherent to the current pattern of accumulation due to the unstoppable capital expansion in its expanded reproduction movement

    MULHERES NEGRAS, LUTAS TRANSVERSAIS E AMBIGUIDADE DO RECONHECIMENTO

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    A teoria de reconhecimento tem ocupado o centro dos debates recentes nas ciências sociais como uma ferramenta analítica e normativa para lançar luz sobre o fenômeno dos movimentos sociais contemporâneos. Na concepção de Axel Honneth, a teoria ajuda a pontuar a gramática moral que dá legitimação às reivindicações dos movimentos sociais. Porém, esse aspecto só se torna mais evidente ao partirmos de um dado anterior à luta por reconhecimento, isto é, a experiência desrespeito. Este artigo propõe a partir do conceito de desrespeito analisar a estrutura motivacional da luta das mulheres negras na Baixada Fluminense por reconhecimento, assim como pontuar a ambiguidade inerente na dinâmica de reconhecimento tal como evidenciada nas observações empíricas. Desse modo, este trabalho visa a apontar o alcance explicativo da abordagem honnethiana no contexto do Movimento de Mulheres Negras, assim como seus limites conceituais e práticos.Recognition theory has occupied the center of recent debates in the social sciences as an analytical and normative tool to shed light on the phenomenon of contemporary social movements. In Axel Honneth's conception, the theory helps to punctuate the moral grammar that gives legitimacy to the demands of social movements. However, this aspect only becomes more evident when we start from a given fact prior to the struggle for recognition, that is, the experience of disrespect. This article proposes, based on the concept of disrespect, to analyze the motivational structure of the struggle of black women in Baixada Fluminense for recognition, as well as to highlight the ambiguity inherent in the dynamics of recognition as evidenced in empirical observations. In this way, this article aims to point out the explanatory reach of the Honnethian approach in the context of the Black Women's Movement, as well as its conceptual and practical limits

    PERSPECTIVAS SOCIAIS EM MOVIMENTO

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    Em seu segundo número do seu décimo volume, a revista Perspectivas Sociais dedica-se à temática “Perspectivas Sociais em Movimento”. Esta edição apresenta catorze artigos que tratam de diversos temas e apresentam uma sociedade em movimento: o ensino jurídico brasileiro, a reforma do ensino médio, as ações afirmativas no ensino superior, o papel da pedagogia como ciência, a educação inclusiva, os impactos dos transgênicos, o capitalismo verde, a inserção das mulheres no mercado de trabalho capitalista, o desenvolvimento sustentável, o racismo estrutural, a saúde mental, a comunidade cigana no Brasil, a trajetória intelectual de Lucy Parsons, a religião na teoria sociológica, as influências culturais nos campos literário e musical, e, por fim, cuidados paliativos e dor social.In its second issue of its tenth volume, the journal Perspectivas Sociais is dedicated to the theme “Social Perspectives in Movement”. This issue presents fourteen articles that deal with diverse themes and present a society in movement: Brazilian legal education, secondary education reform, affirmative action in higher education, the role of pedagogy as a science, inclusive education, the impacts of GMOs, green capitalism, the insertion of women in the capitalist labor market, sustainable development, structural racism, mental health, the gypsy community in Brazil, the intellectual trajectory of Lucy Parsons, religion in sociological theory, cultural influences in the literary and musical fields, and, finally, palliative care and social pain

    APRESENTAÇÃO

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    A nova edição da revista Norus segue o que tem sido o padrão da revista,desde a sua fundação. Temos nos pautado pela atenção à diversidade temática,seja conceitual, histórica ou empírica, como forma de valorar o trabalhosociológico. Existem muitas formas de se fazer sociologia e é muito importantelevar isso em consideração, especialmente em tempos como o nosso, queexigem uma atenção maior para a complexidade da sociedade contemporânea,em suas mais variadas dimensões: econômica, tecnológica, cultural, políticae institucional

    Pandemia Covid-19:: leituras a partir da sociedade dos riscos e das incertezas

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    O artigo reflete sobre a utilidade da semântica do risco para a compreensão do contexto pandêmico da COVID-19. Discute a teoria da sociedade de risco desenvolvida por BECK e complementada por GIDDENS, buscando salientar como as metamorfoses da natureza dos riscos, desvelam como traços fortes da contemporaneidade não só o aumento profuso dos riscos induzidos pela tecnociência (gerados socialmente), mas também, em consequência dos efeitos secundários incontrolados e imprevistos desse processo, a proliferação de uma incerteza ubíqua que, concomitantemente, coloca em causa a noção de risco enquanto algo objetivamente calculável e gera um estado de ansiedade e vigilância perpétuos. Partindo do binómio liberdade vs. segurança, tecemos algumas considerações sobre o modo como: (i) a ação humana, no mesmo processo em que buscou tornar os medos menos assustadores, acabou por produzir perigos mais ubíquos de que o SARS-CoV-2 pode, quiçá, ser considerado um exemplo; (ii) a maior ou menor confiança depositada na ciência, nos sistemas periciais, políticos, tende a influenciar as representações dos indivíduos relativamente à sua capacidade de lidar com os perigos associados à COVID-19; (iii) as perspectivas construtivista/sociocultural vs. objetiva/realista do risco podem revelar a sua utilidade na compreensão das distintas atitudes comportamentais (prudentes vs. incautas) ante os riscos e as medidas que, paulatinamente, têm sido adotadas para os combater. A análise permite concluir que o SARS-CoV-2 consubstancia um perfil de risco típico da modernidade tardia, e evidencia as influências da problematização das questões da segurança/liberdade e da percepção dos riscos na ação/reação dos indivíduos no contexto estudado

    Negócios de Impacto Social:: o caso Artemisia

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    Inspirado no conceito de espaço social, este trabalho contribui para o entendimento de como são os negócios de impacto empreendidos no Brasil. Para tanto, um estudo de caso na aceleradora Artemisia analisou o espaço social em torno da organização. A inovação organizacional proposta pelos negócios de impacto transforma, ao menos em teoria, a lógica do mundo econômico, aliando maximização de lucros a solução de problemas sociais. . A hipótese da transformação do modelo de negócio tradicional sugere a formação de um novo espaço social formado pelo encontro da lógica tradicional de mercado e da lógica de impacto social. Contudo, a hipótese foi refutada no caso da aceleradora ao evidenciar que o programa de aceleração é destinado, principalmente, aos agentes já estabelecidos na esfera de negócios tradicionais, se afastando da perspectiva dos negócios sociais europeus e de países em desenvolvimento e se aproximando da corrente norte-americana. Concluindo que apesar do conceito de negócios de impacto sugerir teoricamente a integração de lógicas de espaços distintos, o espaço analisado é ocupado por agentes vindos de uma elite empresarial

    A participação do Brasil na revisão periódica universal da Organização das Nações Unidas (2008- 2017): Mulheres indígenas e interseccionalidade

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    This article analyzes the three cycles (2008, 2012 and 2017) of the Universal Periodic Review (UPR) mechanism of the United Nations (UN) in which Brazil has participated so far. Focusing on the way issues concerning indigenous women are approached by the Brazilian State and other involved international actors, and drawing on Crenshaw, we developed an analysis that uses intersectionality as an analytical tool. We used the content analysis (CA) methodology as proposed by Bardin to analyze 38 collected official documents. This research allows us to conclude  that there was a low mention of indigenous women in the three cycles – only 11 mentions. This and other data detailed in the text demonstrate that issues related to indigenous women in Brazilian  participation in the UPR are sometimes totally absent, and sometimes appear peripherally. These results connect with a characteristic already identified in previous research on the Brazilian position in its foreign and national policy: the absence of intersectional approaches when it comes to access to women’s human rights.Este artigo analisa os três ciclos (2008, 2012 e 2017) do mecanismo de Revisão Periódica Universal (RPU) da Organização das Nações Unidas (ONU) nos quais o Brasil participou até o momento.  Com foco no modo como são abordas as questões concernentes às mulheres indígenas por parte do Estado brasileiro e dos demais atores internacionais ali atuantes, elaboramos, com aportes de Kimberlé Crenshaw, uma análise que utiliza a interseccionalidade como ferramenta analítica. Utilizamos a metodologia da análise de conteúdo (AC) conforme  proposta por Bardin, para a análise de 38 documentos oficiais coletados na pesquisa. Esta nos permite concluir que houve uma baixa menção às mulheres indígenas nos três ciclos – apenas 11 vezes. Esse e outros dados detalhados no texto demonstram que as questões relacionadas às mulheres indígenas na participação brasileira na RPU ora está totalmente ausente,  ora surge de modo periférico. Esses resultados se conectam com uma característica já identificada em pesquisas anteriores sobre o posicionamento brasileiro em sua política externa e nacional: a ausência de abordagens interseccionais quando se trata do acesso aos direitos humanos das mulheres

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