Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
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    Contradições entre história e patrimônio: A ausência de patrimônios sobre a diáspora africana em Gravataí (RS)

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    Ao investigar os bens patrimonializados em Gravataí, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, observa-se o enaltecimento de uma imagem luso-açoriana e do reconhecimento de um passado indígena. Todavia, ao revisitar a história do município, percebe-se que as populações negras estiveram presentes há um longo tempo, contribuindo para a formação dessa sociedade. Sua ausência no discurso autorizado do patrimônio tem muito a revelar sobre processos de apagamento vinculados à diáspora africana, que ocorrem em diferentes escalas, sendo uma construção discursiva relacionada à colonialidade e às desigualdades sociais. Analisando alguns aspectos sobre esses debates ligados aos processos de memorialização, busca-se também registrar essas contradições que formam um patrimônio que exclui, mas que pode incluir, a partir da inserção de narrativas dissonantes, onde já não se observam mais as materialidades.  When observing the heritage assets in Gravataí, a city in the metropolitan region of Porto Alegre, in Rio Grande do Sul, we see the exaltation of a Portuguese-Azorean image and the recognition of an indigenous past. However, when revisiting the city's history, we realize that black populations have been present for a long time, contributing to the formation of this society. Its absence in the authorized discourse of heritage has much to reveal to us about processes of disengagement linked to the African diaspora. These occur on different scales, being a discursive construction related to coloniality and social inequalities. Analyzing some aspects of these debates, linked to the memorialization processes, it also aimed to record these contradictions that form a heritage that excludes, but that can include through the insertion of dissonant narratives where we no longer observe materialities

    La patrimonialización de la Usina Candiota I: Memoria e identidad cultural: Memoria e identidad cultural

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    Resumen Este artículo presenta los resultados de una investigación realizada en el marco del trabajo final del curso de Especialización en Patrimonio Cultural, vinculado al Programa de Posgrado en Artes de la Universidad Federal de Pelotas (UFPel). El estudio se centra en el patrimonio industrial de la Usina Termoeléctrica Candiota I, destacando el papel de las industrias carboníferas en la transformación territorial y sociocultural del municipio de Candiota, ubicado en el Pampa Gaúcho. El actual Centro Cultural Candiota I, instalado en el antiguo complejo carbonífero, conserva vestigios materiales y simbólicos de un pasado marcado por la fuerza del trabajo y por las transformaciones generadas por la industria del carbón mineral en el sur del estado de Rio Grande do Sul. La investigación buscó comprender cómo la Rueda de la Memoria, como método de registro y valorización de las memorias colectivas de los primeros trabajadores de la década de 1960, puede contribuir a la conservación del patrimonio industrial. En este sentido, se analizó la Rueda de la Memoria como una estrategia para fortalecer la identidad cultural local y promover la preservación de las experiencias laborales asociadas al desarrollo regional.   Palabras clave: patrimonio industrial; Usina Termoeléctrica Candiota I; memoria colectiva; historia del trabajo; industria carbonífera; Pampa Gaúcho.  Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa realizada no âmbito da monografia do curso de Especialização em Patrimônio Cultural, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O estudo focaliza o patrimônio industrial da Usina Termoelétrica Candiota I, destacando o papel das indústrias carboníferas na transformação territorial e sociocultural do município de Candiota, situado no Pampa Gaúcho. O atual Centro Cultural Candiota I, instalado no antigo complexo carbonífero, preserva vestígios materiais e simbólicos de um passado marcado pela força do trabalho e pelas mudanças geradas pela indústria do carvão mineral no sul do Rio Grande do Sul. A pesquisa buscou compreender como a Roda de Memória, como método de registro e valorização das memórias coletivas dos primeiros operários da década de 1960, pode contribuir para a conservação do patrimônio industrial. O objetivo central consistiu em analisar a Roda de Memória como instrumento de valorização das experiências laborais e de fortalecimento da identidade cultural local. De forma específica, buscou-se registrar e interpretar as narrativas dos primeiros operários, compreendendo o papel dessas trajetórias na constituição da memória coletiva e na preservação do patrimônio industrial da região. O procedimento metodológico adotado foi de natureza qualitativa, fundamentado na realização da Roda de Memória com ex-trabalhadores da usina. Essa estratégia permitiu a coleta de trajetórias por meio de relatos orais, os quais foram registrados e sistematizados, possibilitando o desenvolvimento de uma análise interpretativa orientada à valorização da memória social e à promoção da educação patrimonial. Nesse sentido, analisou-se a Roda de Memória enquanto estratégia para fortalecer a identidade cultural local e promover a preservação das experiências laborais associadas ao desenvolvimento regional. Palavras-chave: patrimônio industrial; Usina Termoelétrica Candiota I; memória coletiva; Pampa Gaúcho

    INOVAÇÃO TECNOLÓGICA OU SOCIAL? : Disputas pelos sentidos da inovação em cidades médias brasileiras

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    This article explores a conceptual dispute surrounding the term innovation and how it is reflected in the spatial production of medium-sized Brazilian cities, contrasting dominant technological approaches with emerging social perspectives. It problematizes the innovation ecosystem model which, when incorporated into urban development policies, privileges a technocratic and market-oriented conception of innovation, often disconnected from local socio-spatial dynamics. Grounded in a systemic approach informed by Varela and Maturana (1994), Luhmann (1998; 2016), and Beer (1993; 2002), the article argues that hegemonic innovation processes tend to marginalize alternative forms of social innovation that emerge from community practices, grassroots movements, and autonomous territorial networks. Through qualitative and exploratory research based on documentary and bibliographic analysis, the study highlights how the selective logic of technological ecosystems reproduces exclusionary patterns over territories and subjects that do not align with dominant innovation criteria. In conclusion, the article underscores the emerging need to reposition social participation as an autopoietic system within urban innovation processes, advocating for the recognition and legitimation of insurgent creative practices that emerge from territories and materially and symbolically reconfigure medium-sized Brazilian cities.O artigo explora uma disputa conceitual em torno do termo inovação e como isto se reflete na produção do espaço de cidades médias brasileiras, contrastando abordagens tecnológicas dominantes com perspectivas sociais emergentes. Problematiza-se o modelo de ecossistemas de inovação que, incorporados às políticas de desenvolvimento urbano, privilegiam uma concepção tecnocrática e mercadológica da inovação, frequentemente desconectada de dinâmicas socioespaciais locais. A partir de uma abordagem sistêmica fundamentada em Varela e Maturana (1994), Luhmann (1998; 2016) e Beer (1993; 2002), argumenta-se que os processos inovativos hegemônicos tendem a marginalizar formas alternativas de inovação social que emergem de práticas comunitárias, movimentos populares e redes territoriais autônomas. Através de uma pesquisa qualitativa e exploratória, baseada em análise documental e bibliográfica, o estudo evidencia como a lógica seletiva dos ecossistemas tecnológicos reproduz padrões excludentes sobre territórios e sujeitos que não se enquadram nos critérios dominantes de inovação. Ao final, o artigo tensiona a necessidade emergente de reposicionar a participação social como sistema autopoiético nos processos de inovação urbana, defendendo o reconhecimento e a legitimação de práticas criativas insurgentes que emergem nos territórios e reconfiguram material e simbolicamente as cidades médias brasileiras. Palavras-chave: cidades médias; ecossistemas de inovação; autopoiese; participação social

    POR QUE PENSAR AS CIDADES MÉDIAS?

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    Como apontado no editorial desse dossiê e evidenciado ao longo dos textos aqui reunidos, as cidades médias têm papel fundamental na articulação da rede urbana no Brasil e também no seu processo de regionalização. No entanto, a reorganização das hierarquias da malha urbana e o potencial econômico, político, cultural e social das cidades médias podem, também, paradoxalmente, produzir novas assimetrias. Ainda mais no atual contexto neoliberal, de mundialização da economia e encurtamento das distâncias, em razão do avanço tecnológico nos setores de transporte e telecomunicações, esses desequilíbrios tendem a intensificar não só disparidades intra-regionais, mas também prolongar as desigualdades intraurbanas e exacerbar, assim, os desafios no que se refere a pensar e a agir sobre essas cidades

    METODOLOGIA PARA ANÁLISE CROMÁTICA E MORFOLÓGICA NO ENTORNO DA ESTAÇÃO FÉRREA DE PELOTAS/RS

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    Este artigo propõe uma metodologia para análise integrada da estrutura morfológica e colorística de áreas urbanas com valor histórico, tendo como estudo de caso o entorno da Estação Férrea de Pelotas. Inserido na pesquisa "Cidades Médias", a investigação parte do entendimento da cor como componente fundamental da identidade visual e da paisagem urbana. O objetivo da pesquisa é desenvolver instrumentos e métodos de análise que integrem cor e morfologia urbana, elaborando diretrizes cromáticas para a preservação e valorização do patrimônio construído. As informações foram organizadas em banco de dados, em mapas temáticos e em paletas de cores, possibilitando uma leitura aprofundada da paisagem e oferecendo base técnica para futuras intervenções em contextos historicamente consolidados. Palavras-chave: análise cromática, patrimônio edificado, morfologia urbana, Estação Férrea de Pelotas

    Pajubá Dialect: Valuation and Otherness from Dialogical Discourse Analysis

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    This work, through Dialogical Discourse Analysis (DDA), seeks to understand how value is attributed to the Pajubá dialect by some locutors based on utterances and comments in a concrete situation of verbal interaction. In this context, we examine these utterances in response to a video post about the Pajubá dialect on the social networking platform Facebook, specifically on the “Breaking Taboo” profile. To this end, we utilize theoretical concepts from the Bakhtin Circle, with an emphasis on the notions of Otherness and Valuation. Thus, the analysis allowed us to reflect on how a concrete situation of verbal interaction can reveal the ideological and sociohistorical position held by the speaker and can even be configured as intolerant discourse based on their lexical choices.O presente trabalho pretende compreender, por meio da Análise Dialógica do Discurso (ADD) e a partir de enunciados-comentários em uma situação concreta de interação verbal, como é atribuído valor ao dialeto pajubá por alguns interlocutores. Nesse viés, busca-se examinar esses enunciados em resposta a um post em formato de vídeo sobre o dialeto pajubá presente na plataforma de rede social Facebook, mais precisamente no perfil Quebrando o Tabu. Para isso, utilizam-se conceitos teóricos do Círculo de Bakhtin, com ênfase nas noções de alteridade e valoração. Nessa perspectiva, o percurso analítico permitiu refletir como uma situação concreta de interação verbal é capaz de revelar a posição ideológica e sócio-histórica ocupada pelo enunciador, podendo se configurar até mesmo como discurso intolerante a partir de suas escolhas lexicais

    Memorial Museums: Memories of the Past and Challenges of Memory in the Present - An Analysis of the Resistance Memorial

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    O final do século XX e o início do XXI foram marcados por um boom da memória, impulsionados por processos de justiça transicional e pela necessidade de enfrentar passados traumáticos. As demandas por reparação, a partir do Holocausto, consolidaram um modelo global de memorialização, com a instalação de museus e memoriais a partir da perspectiva de um dever de memória que não apenas recordam as vítimas, mas também educam sobre os perigos do totalitarismo e os princípios dos direitos humanos. Na América Latina, o enfrentamento das ditaduras militares resultou na conversão de antigos centros de repressão em museus memoriais, como o “Museo Sitio de Memoria – ESMA” na Argentina, “Londres 38 – Espacio de Memorias” no Chile e o “Memorial da Resistência” (MRSP) no Brasil, refletindo diferentes graus de reconhecimento e justiça. A partir do estudo de caso do “Memorial da Resistência”, este artigo analisa o surgimento desses espaços como novas formas de comemoração que refletem a necessidade emergente de abordar a violência histórica e as violações dos direitos humanos. O estudo se concentra em duas questões centrais presentes no circuito expográfico do MRSP. A primeira trata da incorporação do tempo presente, permitindo que o memorial estabeleça conexões entre a violência de Estado do passado e problemáticas contemporâneas, como violações de direitos humanos e práticas autoritárias. A segunda questão trata da ampliação das narrativas de resistência, incluindo grupos historicamente marginalizados, como indígenas, quilombolas, movimentos de periferia e ativistas LGBTQIA+, cujas lutas foram silenciadas tanto durante as ditaduras quanto no período pós-ditatorial. O estudo também discute como exposições temporárias têm tensionado e ampliado as narrativas da exposição permanente, embora persistam desafios de representatividade efetiva e riscos de redução das vozes subalternizadas a 'apêndices narrativos' (Mbembe, 2018). Assim, busca-se compreender como a memória da repressão segue sendo disputada e ressignificada no Brasil, e de que maneira o Memorial da Resistência se posiciona nesse cenário, contribuindo para a construção de políticas de memória mais inclusivas e dinâmicas.  The late 20th and early 21st centuries were marked by a memory boom, driven by processes of transitional justice and the need to confront traumatic pasts. The demands for reparation, particularly following the Holocaust, consolidated a global model of memorialization through the creation of museums and memorials based on a “duty of memory.” These institutions not only commemorate the victims but also educate the public about the dangers of totalitarianism and the principles of human rights. In Latin America, the reckoning with military dictatorships led to the transformation of former centers of repression into memorial museums, such as the Museo Sitio de Memoria – ESMA in Argentina, Londres 38 – Espacio de Memorias in Chile, and the Memorial da Resistência (MRSP) in Brazil, each reflecting different levels of recognition and justice. Based on the case study of the Memorial da Resistência, this article analyzes the emergence of these spaces as new commemorative forms that respond to the pressing need to address historical violence and human rights violations. The study focuses on two central issues present in the MRSP’s exhibition circuit. The first concerns the incorporation of the present, allowing the memorial to establish connections between past state violence and contemporary issues, such as ongoing human rights violations and authoritarian practices. The second issue involves the expansion of resistance narratives to include historically marginalized groups—such as Indigenous peoples, quilombolas, peripheral movements, and LGBTQIA+ activists—whose struggles were silenced both during the dictatorships and in the post-dictatorship period. The article also explores how temporary exhibitions have challenged and expanded the narratives of the permanent exhibition, though obstacles to effective representation remain, along with the risk of reducing subaltern voices to mere “narrative appendages” (Mbembe, 2018). Thus, the aim is to understand how the memory of repression continues to be contested and re-signified in Brazil, and how the Memorial da Resistência positions itself within this context, contributing to the construction of more inclusive and dynamic memory politics.   &nbsp

    Trauma e a Justiça: Desafios da Anistia e Reparação aos Povos Originários em Territórios em Disputa

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    This article examines Transitional Justice in Brazil, focusing on the role of the Amnesty Commission and its contributions to addressing historical injustices suffered by indigenous communities during the military dictatorship (1964-1985). Set within the context of the dossier "The Traumatic Past through Archaeology and Forensic Anthropology," the study highlights the importance of examining traumatic sites present in collective memory and their physical manifestations through forensic archaeology as tools to understand and repair this past. The research emphasizes the four essential pillars of Transitional Justice - victim reparations, preservation of memory, institutional reform, and reconciliation - and investigates the role of the Amnesty Commission in defending indigenous rights, addressing the specificities of the violence faced by these communities and the challenges of holding the state accountable, exemplified by the cases of the Krenak and Guarani-Kaiowá/Ñandéva peoples. The analysis reveals contradictions in the amnesty process and proposes pathways for effectively equitable justice, combating the perpetuation of impunity. Moreover, it underscores the relevance of reflecting on past systematic violence through the recovery of memory sites and spaces of pain, using forensic archaeology to reconstruct and make these traumatic sites visible, promoting a deeper understanding of injustices and contributing to processes of reparation and recognition.Este artigo analisa a Justiça de Transição no Brasil, com ênfase na atuação da Comissão de Anistia e suas contribuições para a reparação das injustiças históricas sofridas por comunidades indígenas durante a ditadura militar (1964-1985). Inserido no contexto do dossiê “O Passado Traumático através da Arqueologia e Antropologia Forense”, o estudo destaca a importância do exame de lugares traumáticos presentes na memória coletiva e suas manifestações físicas, por meio da arqueologia forense, como ferramentas para compreender e reparar esse passado. A pesquisa enfatiza os quatro pilares essenciais da Justiça de Transição - reparação às vítimas, preservação da memória, reforma institucional e reconciliação - e investiga o papel da Comissão de Anistia na defesa dos direitos indígenas, abordando as especificidades das violências enfrentadas por essas comunidades e os desafios na responsabilização estatal, exemplificados pelos casos dos povos Krenak e Guarani-Kaiowá/Ñandéva. A análise revela as contradições do processo de anistia e propõe caminhos para uma justiça efetivamente equitativa, combatendo a perpetuação da impunidade. Além disso, destaca a relevância de refletir sobre as violências sistemáticas do passado por meio da recuperação de lugares de memória e espaços de dor, utilizando a arqueologia forense para reconstruir e visibilizar esses lugares traumáticos, promovendo uma compreensão mais profunda das injustiças e contribuindo para processos de reparação e reconhecimento

    CONSUMO DE PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS NO RS: ANÁLISE DOS HÁBITOS DE CONSUMO, EFEITOS DA PANDEMIA E COMPRAS ONLINE

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    Objective: This Technical Report aimed to identify the consumer behavior of horticultural products in RS, Brazil, taking into account the practices adopted during the Covid-19 Pandemic, habits, market precepts and online shopping behavior. The Covid-19 Pandemic exposed people not only to a potentially lethal virus, but also to a set of situations that impacted their way of life in emotional and psychological terms, as well as changes in eating behavior. Methodology: This research is classified as a Survey. Aimed to describe the characteristics of the consumption of horticultural products and the effects of Covid-19 Pandemic on market variables. The research was carried out in 11 important municipalities in the State of RS. Main results: The survey carried out with consumers in the largest urban centers in RS points out that only a small portion of consumers changed their consumption habits during the Covid-19 Pandemic, which demonstrates constancy in the consumption behavior of horticultural products. Academic and practical contribution: In terms of horticultural products, consumption habits have not undergone major changes during the pandemic, with traditional means of supply such as supermarkets remaining the main choice of consumers, despite the expansion of online commerce in other product segments. This study reinforces that the assertive choice of marketing channels is fundamental for rural producers, as it affects their financial gains. It is essential to know consumer preferences in factors such as eating habits, culture, geographic location and socioeconomic level.Objetivo: Este Relato Técnico teve por objetivo identificar o comportamento do consumidor de produtos hortifrutigranjeiros no RS, Brasil, levando em consideração as práticas adotadas no período da Pandemia de Covid-19, hábitos, preceitos de mercado e o comportamento de compras online. A pandemia de Covid-19 expôs as pessoas não somente a um vírus potencialmente letal, mas também a um conjunto de situações que impactaram o modo de vida em termos emocionais e psicológicos, como também alterações no comportamento alimentar. Metodologia: Esta pesquisa é classificada como Levantamento (Survey). Foi utilizada para descrever as características do consumo de produtos hortifrutigranjeiros e os efeitos da pandemia de Covid-19 em variáveis deste segmento de mercado. A pesquisa foi desenvolvida em 11 importantes municípios gaúchos. Principais resultados: A pesquisa realizada com consumidores dos maiores centros urbanos do Rio Grande do Sul aponta que apenas pequena parcela dos consumidores alterou seus hábitos de consumo durante a Pandemia de Covid-19, o que demonstra constância no comportamento de consumo de hortifrutigranjeiros. Contribuições acadêmicas e práticas: No consumo de hortifrutigranjeiros, os hábitos não sofreram grandes transformações na pandemia, permanecendo os meios tradicionais de abastecimento como os supermercados a principal escolha dos consumidores, apesar da expansão do comércio online em outros segmentos de produtos. Este estudo reforça que a escolha assertiva dos canais de comercialização é fundamental para os produtores rurais, pois afeta seus ganhos financeiros. É essencial conhecer as preferências dos consumidores em fatores como hábitos alimentares, cultura, localização geográfica e nível socioeconômico

    Água, floresta, animais, plantas e frutos, “tudo tem dono”, tudo tem espírito ma'aiwa wazar. Agrobiodiversidadedos quintais tentehar, aldeia Olho D’água, Grajaú, Maranhão, Brasil

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    This article presents the ethnovariety of cultivars—purposes, preparation methods, and uses—as well as the cosmological aspects surrounding the management of backyards and the beings that inhabit them. In the methodological approach, we used participant observation, a field notebook, semi-structured and open interviews, and guided tours with free listings. The study was conducted with 10 women who own backyards in the Olho D’Água Village, Bacurizinho Indigenous Land, Grajaú, Maranhão. The ethnovariety of cultivars identified in this work reveals the Tentehar knowledge about plants, their system for treating illnesses, and their food systems, as well as the group's dependency on the surrounding agroecosystems and their technical and specialized expertise in traditional ecological knowledge. The backyards are spaces of multiple interactions among visible and invisible interspecies, forming a continuum of human and non-human interactions, as among the Tentehar, everything has an owner. Plants have owners, and they have their enchanted beings (Ma'aiwa wazar), who possess their own behaviors and influence the actions of those who interact with them. The multifunctionality of Tentehar backyards emerges as part of a sociocultural reproduction system, a specific way of maintaining plant variety, and as a promoter of food security and health.  Este artigo apresenta a etnovariedade de cultivares-finalidades, modos de preparo e de usos-, bem como, os aspectos cosmológicos em torno do manejo do quintal e dos seres que o povoam. No percurso metodológico utilizamos a observação participante, caderno de campo, entrevistas semiestruturadas e abertas e a turnê guiada com lista livre. Conduzimos o estudo com 10 mulheres donas de quintais na Aldeia Olho D’Água, Terra indígena Bacurizinho, Grajaú, Maranhão. O conjunto de etnovariedade de cultivares elencado neste trabalho revela os saberes Tentehar sobre as plantas, sobre o sistema de tratamento de suas enfermidades e sobre seus sistemas alimentares, e, certa dependência desse grupo com os agrossistemas ao seu entorno, bem como, a expertise técnica e especializada no que se refere aos conhecimentos tradicionais ecológicos. Os quintais são lugares de múltiplas interações entre as interespécies visíveis e não visíveis, em um continuum humanos e não-humanos, pois entre os Tentehar tudo tem dono, as plantas têm donos, têm seus encantados (Ma'aiwa wazar), que têm condutas próprias e influenciam no modo de agir daqueles que interagem com eles. A multifuncionalidade dos quintais Tentehar aparece ora como parte de um sistema de reprodução sociocultural, ora como um modo particular de manutenção de uma variedade de plantas; ora como promotora de segurança alimentar e de saúde. &nbsp

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