Revista Linguagem em Foco
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A Contribuição do Letramento Muldimodal para os Multiletramentos
A contribuição principal do letramento multimodal para o estudo da Teoria do Letramento (TL) é o alargamento desse conceito para multiletramentos, os quais inspiraram os estudos multimodais sobre o discurso e, particularmente sobre o texto. Fairclough (1992); Kress e van Leeuwen (1996, 2006); Fairclough e Chouliaraki (1999); van Leeuwen (2000; 2005) defendem que as práticas discursivas, por sua natureza social, refletem as mudanças da escrita, tornando-se a instância preferencial para estudar os novos letramentos multimodais. A Teoria Multimodal do Discurso (TMD), por sua vez, concentra seus estudos nas semioses sociais que se manifestam tanto em teorias linguísticas quanto em teorias sociais, em uma perspectiva transdisciplinar, as quais podem efetivamente contribuir para o avançodos estudos dos novos letramentos
GÊNEROS TEXTUAIS E O ENSINO DA ORALIDADE NO 8º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA ANÁLISE DE LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA
Neste trabalho, pretendemos analisar como os livros didáticos de Língua Portuguesa do 8º ano da educação básica (EB) têm abordado o ensino da oralidade. Os pressupostos teóricos foram baseados em Antunes (2003), Cardoso (1999), Fávero (2003), Marcuschi (1997) e (2003), Pretti (1999), Ramos (1997) e Rojo (2000) e (2003). Foram analisados, então, três livros didáticos da EB que foram utilizados no ano de 2012 em escolas municipais de Teresina. Resultados apontam para a existência de um esforço por parte dos autores de livros didáticos em abordar a oralidade, embora eles não sejam suficientes para dar conta da complexidade dessa modalidade da língua
A POESIA ERÓTICA NA FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO
Este trabalho tem como proposta estudar a poesia de temática erótica como instrumento de formação na experiência leitora do indivíduo, pelo viés da literatura de autoria feminina. A poesia é um gênero literário que alia as subjetividades e o mundo em vários planos, a partir de enfrentamentos, confrontos e apelos advindos do próprio interior. O eu poético entra em sintonia com a realidade, desenvolvendo uma interação entre o leitor e o texto. Assim sendo, pretendemos analisar a poesia erótica como um campo de conhecimento que abre espaço para algumas discussões sobre erotismo, corpo, desejo feminino, promovendo novas perspectivas na formação e na transformação do leitor literário. Tal poesia tem sido motivo de estudos, em diálogo com outras áreas do saber (mitologia, antropologia, psicanálise, filosofia), e também motivado uma inter-relação entre professores e alunos. Utilizaremos a poesia como meio de formação literária, buscando a reconfiguração dos sentidos pelo prazer que o texto literário propõe, visando, sobretudo sua linguagem eivada de significados. Para tanto, utilizaremos os estudos de Barthes (2004), Joachim (2012) e Kefalás (2012), que imprimem na literatura a marca representativa que integra todos os tipos de discursos e que se tornou um espaço interdisciplinar de conhecimento para todas as formações e áreas
A METÁFORA NO DISCURSO MÉDICO: UMA ANÁLISE DAS EXPRESSÕES METAFÓRICAS USADAS PELO DR. GREGORY HOUSE, M.D.
A metáfora, escolhida em conjunto pelos sistemas linguístico e cognitivo de um indivíduo, é uma ferramenta para o estabelecimento de compreensão mútua na conversação. Cameron (2003) investigou o processo de negociação de metáforas entre falantes em seus principais momentos de uso (sessões de reconciliação).Adotamos os mesmos procedimentos metodológicos sugeridos por Cameron (1999a; 1999b; 2003), para investigar o discurso permeado de metáforas para explicar uma situação médica que atinge um paciente. Nosso corpus reúne cenas nas quais o Dr. Gregory House (personagem principal da série norteamericana HOUSE) se reúne com sua equipe para resolver problemas de diagnóstico em pacientes com casos raros e/ou complicados, momentos em que acontece o processo de negociação de significado
AS METÁFORAS DE SEMELHANÇA NA CONSTRUÇÃO DE REFERENTES DISCURSIVOS: QUAL A ORIENTAÇÃO ARGUMENTATIVA?
Nos anos 80, os trabalhos de Lakoff e Johnson popularizam uma nova visão da natureza da metáfora. Esta passa a ser entendida como figura do pensamento. Como parte do nosso sistema conceitual, o estudo das expressões metafóricas permite-nos flagrar os aspectos avaliativos e afetivos na constituição dos referentes discursivos, assim possibilitando-nos uma compreensão dos valores subjacentes às representações de “objetos” sociais em dado momento sócio-histórico. Com base nesse postulado, analisamos a constituição e a orientação argumentativa de expressões metafóricas de semelhança utilizadas por leitores do blog do jornalista Ricardo Noblat ao longo da discussão do caso policial Isabella Nardoni
DA EMERGÊNCIA DE UM GÊNERO NA MÍDIA DIGITAL: UMA ANÁLISE MULTIMODAL DO SCRAP COMODIFICADO
Este trabalho tem como objetivo analisar os aspectos multimodais composicionais responsáveis por práticas mercantis em scraps do Orkut, permitindo a emergência de um gênero na internet, que chamamos de scrap comodificado. Para isso, embasamo-nos na Gramática do Design Visual (GDV) de Kress e van Leeuwen ([1996] 2006) para a metafunção composicional dos scraps; no conceito de comodificação discursiva trabalhado por Fairclough (2001) e na perspectiva epistemológica bakhtiniana de gênero (BAKHTIN, 1997), apoiada pela corrente sociorretórica (MILLER, [1984] 2009) para a discussão sobre os gêneros discursivos digitais. Os dados apontam que alguns elementos composicionais estudados pela GDV são responsáveis diretos pela promoção de determinados sites que elaboram recados digitais para Orkut, o que leva à hipótese de estar havendo a emergência de um gênero híbrido, o scrap comodificado, constituído por cartões digitais e anúncios
CATEGORIZAÇÃO DE TEXTO MULTIMODAL DE REVISTA DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA POPULAR BRASILEIRA
Este artigo tem por objetivo analisar um exemplar do gênero multimodal infográfico extraído da revista Superinteressante no tocante a sua integração multimodal de informações, com base na Gramática Visual de Kress e Van Leeuwen (2006 [1996]) e Gramática Sistêmico-funcional de Halliday e Matthiessen (2004). Em vários textos multimodais como nos infográficos, o leitor é exposto simultaneamente a todas as informações, cabendo a ele tomar a decisão sobre o que ler. Essa análise confirmou não apenas essa simultaneidade como também reforçou a noção de integração das modalidades em um infográfico. Constatamos haver uma categoria de infográficos na revista Superinteressante a que demos o nome de infográficos de orientação ao conhecimento
LETRAMENTO NO ENSINO MÉDIO: RESULTADO DE TESTES COM ALUNOS DO 3º ANO
Este artigo discute os níveis de letramento de alunos do 3º ano Ensino Médio de uma escola pública de Ipiranga - PI, baseado em testes de letramento e nas contribuições teóricas de Soares (2012), Mortatti (2004), Sousa, Corti e Mendonça (2012), Bunzen e Mendonça (2006) e Matêncio (1994). Foram aplicados questionários aos docentes para verificar suas concepções de letramento e alguns testes aos alunos para verificar os níveis de letramento. Os resultados demonstraram que (a) os professores reconhecem as formas de desenvolver o letramento dos discentes, mas suas práticas docentes ainda estão focadas na apropriação de signos linguísticos descontextualizados e (b) os alunos apresentam desempenho satisfatório na leitura de informações presentes na superfície textual, o que corresponde a um nível de letramento básico e intermediário, mas têm dificuldades de estabelecer uma relação de sentido entre o texto e o contexto amplo, acionando conhecimentos acumulados