Afro-Ásia
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“Mensagens a serem decifradas” - as diferentes formas de expressão e de comunicação de africanos e afro-brasileiros no Brasil do século XIX
Memória e imaginação histórica na narração da origem brasileira e escrava em Luanda contemporânea
Neste ensaio, analisamos algumas narrações genealógicas coletadas em Luanda (Angola) em que um “negro” brasileiro, que teria vindo a Angola na qualidade de escravo ou depois de ter sido escravo no Brasil, é lembrado como fundador da família. Apresentando elementos tanto de plausibilidade como de imaginação histórica, esses contos são expressivos e ricos de concepções locais no plano tanto social como religioso. Na imaginação cosmológica local, a volta da escravidão por mar de almas que se simpatizam com as pessoas é uma imagem que aparece em práticas rituais. Na economia local do prestígio, se dizer descendentes de um negro brasileiro é a única maneira de assumir uma origem escrava. A origem brasileira enobrece a condição escrava e, ao mesmo tempo, é uma estratégia para negar outras origens estrangeiras, nomeadamente a origem portuguesa
O santo de sua terra na terra de todos os santos: rituais de calundu na Bahia colonial
Este trabalho analisa aspectos da experiência religiosa de escravos e seus descendentes na Bahia colonial a partir de documentos da Inquisição de Lisboa, notadamente denúncias reunidas nos Cadernos do Promotor. O estudo analisa, inicialmente, crenças e práticas de escravos de origem centro-africana, focando nos rituais de adivinhação, proteção e cura mediados por entidades ou espíritos ancestrais que ficaram conhecidos como calundus. Em seguida, observa como a influência africana na cultura religiosa local ampliou-se e tornou-se mais complexa na medida da diversidade étnica dos escravos incorporados pelo tráfico atlântico. Analisa a influência de tradições religiosas da África Ocidental e seu reflexo na configuração de calundus da Bahia. A metodologia adotada é o estudo de casos, a partir dos quais o artigo evidencia o papel de destaque desempenhado pelas mulheres nos rituais
Não só mandingas: QaִSīdat al-Burda, poesia ascética (zuhdiyyāt) e as Maqāmāt de al-Ḥarīrī nos escritos dos negros muçulmanos no Brasil oitocentista
Neste artigo, trata-se da descoberta dos textos (inclusive citações) literários nos manuscritos que foram produzidos e conservados pelos africanos no Brasil escravista. A lista agora estabelecida das obras conhecidas pelos escravos cultos já inclui os poemas árabes de al-Būṣīrī e de Abū Madyan al-Tilimsānī, versos sobre a sabedoria e a educação moral, pelo menos uma citação de “Maqāmāt” de al-Ḥarīrī. pesquisa sistemática permitiu mostrar também que os negros muçulmanos estavam familiarizados com a escrita ajami (com caracteres árabes) em línguas africanas, tais como hauçá, mandinga e soninquê. Os problemas não resolvidos são discutidos, como a localização das escolas e mestres muçulmanos no Brasil oitocentista.Palavras-chave: cultura afro-brasileira - Islam - manuscritos - ajami -literatura árabe