Afro-Ásia
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A extraordinária odisseia do comerciante Ijebu que foi escravo no Brasil e homem livre na França (1820-1842)
Este artigo reconstrói a trajetória de vida do comerciante ijebu Osifekunde, com base nos documentos encontrados nos arquivos brasileiros e franceses, utilizando a metodologia da micro-história, com ênfase na redução de escala, que possibilitou relacionar diversos registros a partir de nomes. O texto está dividido em três momentos: uma parte dedicada ao contexto africano, relacionando-o com a história do tráfico de escravos, principalmente entre os anos 1820 e 1830, pano de fundo que possibilita entender as circunstâncias de sua captura; uma segunda, que se concentra na trajetória pessoal de seu segundo proprietário; e uma última parte, subdivida em duas, em que se demonstra como Osifekunde se tornou um homem livre na França e de que maneira o seu retorno ao Brasil fazia parte de sua estratégia de negociação para garantir a liberdade e obter melhores condições de trabalho.Palavras-chave: Biografia - África - escravidão - liberdade - Pernambuco oitocentista.Abstract This article reconstructs the life trajectory of the Ijebu man named Osifekunde, based on documents found in Brazilian and French archives, using micro-history methodology, with an enphasis on scale reduction, which made it possible to link personal names in several different records. The article is divided in three parts: one dedicated to the African context, relating it to the history of the slave trade, mainly between 1820 and 1830, making it possible to understand the circumstances of his capture; a second part concentrates in the life trajextory of his first owner; and a last part, divided in two, in which it is shown how Osifekunte became a free man in France and how his return to Brazil was part and parcel of a negotiation strategy to garantee his freedom and obtain better work conditions.Keywords: Biography - Africa - freedom - 19th-Century Pernambuc
Treze anos após a lei 10.639/03: o que os estudantes sabem sobre a história da África? (Ponta Grossa, 2015)
Este texto busca refletir sobre a efetivação do ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira após 2003. Adotamos como conceitos norteadores a consciência histórica e a cultura histórica, de Jörn Rüsen e Klaus Bergmann. A amostra analisada foi constituída por 254 estudantes ponta-grossenses que responderam a um instrumento com questões fechadas e abertas. Neste texto, são discutidos os resultados referentes especificamente à história da África. A metodologia usada é a estatística descritiva. Os resultados indicam a consecução parcial dos objetivos, com relativa vantagem da amostra de escola privada. Verificou-se ainda que, entre os autodeclarados negros, o alcance dos objetivos revelou-se mais limitado, o que enseja uma reflexão didática adicional para a correção de rumos do processo.Palavras-chave: didática da história - aprendizagem histórica - história da África - educação étnico-racial. AbstractThis text aims to reflect on the teaching of African and Afro-Brazilian history and culture, after 2003. Historical consciousness and historical culture were stated at this text as guiding concepts, in the theoretical bias of Jörn Rüsen e Klaus Bergmann. The sample consisted of 254 students from the city of Ponta Grossa who answered an instrument with closed and open questions. In this text the results referring specifically to the history of Africa are discussed. The methodology used is descriptive statistics. The results indicate the partial achievement of the objectives, with a relative advantage of the private school sample. It was also verified that among the self-declared blacks the scope of the objectives was more limited, which leads to an additional didactic reflection for the correction of course of the process. Keywords: history didactics - historical learning - history of Africa - ethnic-racial education
Em busca dos agudás da Bahia: trajetórias individuais e mudanças demográficas no século XIX
Este texto analisa o movimento oitocentista de africanos que voltaram ao continente de nascimento. São identificadas três etapas principais de migração. A primeira e mais intensa foi entre 1835-37, na esteira da revolta dos Malês em Salvador. Nos anos 1840, números menores de africanos viajaram à África, geralmente empregados no comércio atlântico. Uma terceira fase surgiu depois do fim da importação de novos cativos africanos ao Brasil em 1850. Essas informações, complementadas por dados demográficos sobre gênero e nação, formam um pano de fundo para uma análise micro-histórica de trajetórias individuais. Na primeira e na terceira fases, os viajantes eram de ambos os sexos e frequentemente embarcavam em grupos ligados por diversos laços sociais, desde parentesco consanguíneo até relação senhorial, enquanto na segunda fase a maioria eram homens que voltaram posteriormente ao Brasil. Os dados aqui apresentados proporcionam novas reflexões sobre os variados motivos que impulsionaram africanos egressos do cativeiro a deixar o Brasil e levantam questionamentos sobre a permanência da instituição da escravidão nas suas vidas depois de libertos
O lugar dos africanos na estatística brasileira do século XIX
Ao longo do século XIX, o “lugar” dos africanos passou por transformações na sociedade brasileira, relacionadas, por exemplo, com as leis de repressão ao tráfico atlântico e com a crescente visão de “civilização” baseada em valores europeus. O objetivo deste texto é explorar como os africanos foram representados nas estatísticas produzidas no período. Entende-se “estatística” em seu sentido etimológico, como uma ciência aplicada pelos Estados nacionais para obter uma leitura sinóptica de seus recursos por meio da linguagem matemática. São analisados censos locais do período colonial, a proposta de recenseamento de 1852, o Censo da Corte de 1870 e, por fim, o Recenseamento Geral do Império, de 1872, observando-se, em cada um deles, como os critérios de classificação (especialmente de cor/raça, condição social e nacionalidade) estabeleceram “lugares” para o registro dos africanos no Brasil oitocentista.Palavras-chave: africanos - estatística - Estado imperial brasileiro.AbstractThe 19th century saw transformations in the “place” attributed to Africans within Brazilian society, such as thoserelated to the laws thatrepressed the Atlantic slave trade and the rising view of a “civilization” based on European values. The aim of this paper, therefore, is to explore how Africans were represented in the statistics produced during this period. “Statistics” are here understood by its etymological meaning, as a science applied by nation states to obtain a synoptic reading of its resources through mathematical language. The analysis includes local censuses from the colonial period, the proposed 1852 census, the Census of the Court (Rio de Janeiro, 1870), and the “General Census of 1872”, observing in each of these cases, how classification criteria (especially those of color/race, social condition and nationality) established “places” in which Africans could be registered in 19th century Brazil.Keywords: Africans - statistics - Brazilian imperial state
Cenários do pós-abolição no Vale do Paraíba paulista: tutela, trabalho infantil e violência sexual (1888/1889)
O artigo discute as tensões desencadeadas no pós-abolição em pequenas cidades do Vale do Paraíba Paulista, tais como São José dos Campos, Jacareí e Paraibuna. Uma das questões que se tornou evidente foi a exploração da mão de obra infantil e juvenil por meio de ações de tutela e contratos de soldada. A documentação consultada possibilitou a interpretação de um cenário tenso, no qual trabalho, fugas e violência sexual se mesclavam no cotidiano de órfãos tutelados e seus respectivos tutores.Palavras-chave: tutela - pós-abolição - órfãos.AbstractThe article seeks to discuss the tensions triggered in small post-abolition cities in the Paraiba Valley of São Paulo, including São José dos Campos, Jacareí and Paraibuna. One of the issues that became evident through the analysis was the exploitation of children and youth labor through tutorship actions and soldier contracts. The documentation consulted allowed for an interpretation of a tense scenario, where work, evasion and sexual violence mixed in the daily lives of protected orphans and their respective guardians.Keywords: Guardianship - post-abolition - orphans