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    As crianças na dinâmica do tráfico interno de escravos a partir da cidade do Rio de Janeiro (1809-1834)

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    O estudo do paulatino estrangulamento do tráfico internacional de escravos para o Brasil permitiu detectar a grande elasticidade demográfica do comércio atlântico e de seus padrões expressos no tráfico interno, tomado como parte de um único mercado. Destacamos na presente investigação a existência de um mercado interno fortemente competitivo; concentrado embora não monopolístico; portador de uma racionalidade intrínseca, pois suas oscilações denotavam a presença de agentes econômicos capazes de realizar previsões a curto e médio prazo; e cujas taxas de lucratividade repousavam na multiplicação do número de empresas, e não no aumento da quantidade de escravos transportados por cada uma delas. As crianças africanas e crioulas revelaram-se de grande importância diante da conjuntura de ataque ao tráfico internacional, por meio do trânsito em geral solitário de meninos e de meninas, descortinando a busca da reprodução da plantation via potencial produtivo e reprodutivo a médio e curto prazo. Dificilmente nos será dado conhecer registros tão completos para o estudo do tráfico interno de escravos como os assentamentos gerados pela Seção de Passaportes da Intendência Geral de Polícia. Espera-se que estudos comparativos com outras regiões da América permitam compreender melhor a dinâmica de funcionamento e a lógica empresarial do tráfico interno brasileiro, não apenas ao longo das primeiras décadas do século XIX, mas em especial em períodos anteriores.Palavras-chave: Rio de Janeiro - tráfico interno de escravos - crianças escravizadas. Abstract: Studying the gradual strangulation of international slave trade coming to Brazil reveals the great demographic elasticity of Atlantic commerce, along with internal traffic patterns expressed in this singular Atlantic market. This paper highlights the existence of a strongly competitive internal market that was concentrated, but not monopolistic. The presence of economic agents capable of making short and medium-term forecasts in an oscillating market denotes an intrinsic rationality. Profitability rested on multiplying the number of trading companies, not on increasing the number of slaves transported by each company. Additionally, an international traffic under attack for the solitary transit of African and Creole children reveals the need for Brazilian plantations to reproduce labor via biological and economic means in both the medium and short-terms. Although police records of internal slave traffic in regional settlements are incomplete, we expect comparative studies with other regions of the Americas to result in a better understanding of the functional dynamics and entrepreneurial logics of Brazil’s internal slave traffic during the colonial era and after independence.Keywords: Rio de Janeiro - internal slave trade - slave children

    As artes e os ofícios de um letrado afro-diaspórico: Eliseu César (1871-1923)

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    O artigo reconstitui fragmentos da vida de Eliseu Elias César (1871-1923), um intelectual afro-diaspórico que circulou por diferentes regiões do Brasil. Em todas elas, manteve uma vida profissional polivalente, desenvolvendo seus “talentos” como advogado, jornalista, político, poeta e orador. Procura-se destacar as experiências proativas de um negro que se apropriou das “artes de dizer” pela escrita e oralidade, assim como pela ação política e agência associativa, travando embates na esfera pública e participando de governo e grupos republicanos. A trajetória de Eliseu César sugere a importância de revisitar as interpretações históricas que subestimaram ou mesmo negligenciaram o papel do negro na cena histórica republicana. Assim, ao descortinar e problematizar aspectos da vida desse personagem, o artigo procura lançar luz sobre as complexidades, tensões, lutas e ambiguidades relacionadas à afirmação da cidadania negra no Brasil pós-abolição

    Os negócios globais de uma companhia colonial: a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba e os negócios da China (1759-1783)

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    A Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, sociedade mercantil formada com capital acionista e com intervenção diretiva e financeira da Coroa portuguesa, foi fundada em 1759 por negociantes portugueses com apoio do Marquês de Pombal e operou entre 1760 e 1780, em regime de monopólio comercial no Norte do Estado do Brasil, ou seja, nos territórios de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande e Ceará. Com negócios em escala global de produtos americanos como o açúcar, pau-brasil e couros, essa companhia operou importantes mudanças no cenário mercantil colonial, notadamente na região em que deteve o monopólio comercial durante seus vinte anos de funcionamento, como preceituava seus estatutos. Depois de 1780, mesmo com a perda do monopólio, a Companhia não deixou de existir, tendo atuado na cobrança de dívidas dos negociantes na colônia, assim como na realização de negócios, com capitais próprios, como foi o caso de sua primeira viagem mercantil para a China. Este artigo visa analisar, a partir de uma perspectiva institucionalista, aspectos formais da formação e do funcionamento dessa companhia até o momento de realização de sua empreitada mercantil privativa na China, contribuindo para o debate sobre o papel do endividamento, do adiantamento da mão de obra escrava enquanto crédito e da rentabilidade dos negócios coloniais no aperfeiçoamento e giro do capital dos negócios mercantis europeus.

    A luta continua? A guerra em Moçambique em perspectivas múltiplas

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    Resenha de:MOURIER-GENOUD, Eric; CAHEN, Michel; ROSÁRIO, Domingos M. (orgs.). The War Within: New Perspectives on the Civil War in Mozambique, 1976-1992. Suffolk: James Curry; Nova York: Boydell & Brewer, 2018. 268p

    Negra ou pobre? Migrante ou despejada? Carolina de Jesus e o enigma das classificações (1937-1977)

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    A desigualdade urbana em São Paulo tem sido majoritariamente debatida como decorrência de diferenças econômicas na disputa pelo espaço. A obra de Carolina Maria de Jesus, no entanto, oferece indícios de que, além da pobreza, deve-se acrescentar o componente racial como fator operador dessa desigualdade. A trajetória descrita pela escritora é recuperada neste artigo como instrumento de legibilidade para o problema racial implicado nas ações de remoção de favelas nessa cidade. Os escritos de Carolina de Jesus oferecem um registro singular do período, do ponto de vista de alguém que vivenciou por dentro as políticas de desfavelamento em São Paulo. Confrontam-se os múltiplos significados do léxico empregado em sua obra com as práticas do poder público para as políticas habitacionais do período, permitindo entrever a distância entre as justificativas dadas para essas operações e as efetivas circunstâncias que as condicionaram. 

    Conceição Evaristo: da mulher negra à escritora

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    Imersa na vivência dos negros, a literatura afro-brasileira descreve peregrinações, desencantos, sonhos, deslocamentos, trânsitos, encruzilhadas, errâncias e exílios; denuncia a exclusão do afrodescendente; evidencia a relação subalterna do negro em relação ao branco; e expõe tradições africanas emudecidas em nossa cultura. Nesse contexto, acreditamos que a literatura afro-brasileira não é uma concepção desenvolvida isolada do contexto da literatura denominada canônica, contudo requer outra problematização e necessita ser compreendida como um sistema heterogêneo, de movimentos de rupturas, ressignificações e afirmações. Desse modo, os escritores afrodescendentes intencionam, em suas produções, retomar temáticas relacionadas às suas ascendências e vivências, marcadas pela amargura de um ambiente que aparenta não lhes pertencer. Conceição Evaristo, através de Ponciá, consegue dar fala aos derrotados, que descobrem na literatura uma das escassas aberturas para a construção de uma nova realidade. Por fim, a autora é representante de uma escrita que não se limitada a lamentos, mas traz aflições, perturbações sobre questões referentes à identidade negra, escravidão, racismo, pertencimento étnico-racial autoral e ficcional, afetos, ancestralidade, errância, diáspora, corpo negro, religiosidade, branquitude, negritude e memória, uma literatura empenhada com as origens e os valores culturais afro-brasileiros e/ou africanos.  

    Trabalho livre, trabalho escravo: experiências em comum

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    Resenha de:MATTOS, Marcelo Badaró. Laborers and Enslaved Workers: Experiences in Common in the Making of Rio de Janeiro’s Working Class, 1850–1920. Nova York: Berghahn Books, 2017. 175p

    As crianças que vingaram: sete formas de ser negro no Brasil oitocentista

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    Resenha de:PINTO, Ana Flávia Magalhães. Escritos de liberdade: literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista. Campinas: Editora da UNICAMP, 2018. 376p

    Estratégias e influências das comunidades de muçulmanos e baneanes em Moçambique: um estudo através da legislação sobre a posse de escravos (1727-1752)

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    Este artigo analisa as estratégias e a dinâmica de influência entre as comunidades de muçulmanos e baneanes em Moçambique através do estudo da legislação sobre a posse de escravos entre 1727 e 1752. Mostram-se indícios dos motivadores Índicos para a elaboração desta legislação e para sua revisão e questionamento – sobretudo um temor pela influência omanita em Moçambique –, concluindo-se pela compatibilidade da importância dos comerciantes muçulmanos e baneanes em suas reivindicações, a dependência econômica do papel destes pela esfera portuguesa, e a pouca eficácia na aplicação destas leis mesmo em locais onde a presença administrativa lusitana seria marcante, como era o caso da Ilha de Moçambique.

    Sobre a vida política na Angola contemporânea

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    Resenha de:SCHUBERT, Jon. Working the System: a Political Ethnography of the New Angola. Ithaca e Londres: Cornell University Press, 2017. 247p

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