Afro-Ásia
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Epistemologias marginalizadas: a questão racial no debate sociológico latino-americano
Este artigo analisa o não lugar da questão racial e das epistemologias afrodiaspóricas no pensamento social e na sociologia latino-americana. Argumentamos que ainda é incipiente uma produção do conhecimento no campo sociológico que atente para o caráter marginal conferido às epistemologias africanas e afrodiaspóricas, resultado do racismo científico e da invisibilização dessas epistemologias. Problematizamos este debate enfatizando a necessidade histórica de uma produção sociológica que leve em consideração as epistemologias diaspóricas no processo de teorização sociológica e de seu papel na interpelação do suposto caráter universal de uma ciência eurocentrada e branca em detrimento de outros referentes epistêmicos do fazer sociológico.Palavras-chave: questão racial | epistemologias afrodiaspóricas | sociologia Latino-Americana | racismo epistêmico | descolonização científica. Abstract:This article analyzes the absence of the racial question and African diasporic epistemologies in Latin American sociology and social thought. We argue that the production of knowledge that addresses the marginalization of African and African diasporic epistemologies in Latin American sociology is still incipient, as the result of scientific racism and the lack of visibility of these epistemologies. We further this debate by emphasizing the historical need for a sociological production that takes into account diasporic epistemologies in the process of sociological theorizing, and their role in questioning the supposedly universal character of an Eurocentric and white science, to the detriment of other epistemic referents of sociology.Keywords: racial question | afro-diasporic epistemologies | Latin American sociology | epistemic racism | scientific decolonization
Sotaques e sintaxes: acentuando o falar caboclo nas religiões afro-brasileiras
Os caboclos são espíritos e encantados afro-ameríndios que podem se manifestar por muitas formas nas religiões de matriz africana. Em comum têm a capacidade (nem sempre compartilhada por outras divindades, como os orixás) de falar. Mais do que uma capacidade, trata-se de uma habilidade codificada por meio da qual exercem sua agência sobre o mundo e sobre seus adeptos. Dentre os registros linguísticos mais notórios dos caboclos está o “sotaque”, categoria nativa que nomeia uma situação de desafio em forma de bravata que estabelece um diálogo, uma alternância entre (en)cantadores. Considerado como disputa, mais do que briga, o sotaque sempre dramatiza um conflito como alegoria e abre a possibilidade de encenar, de inovar, de versejar e de construir contextualmente sobre o texto da tradição. Por sua vez, essa enunciação depende sempre da materialidade de um “cavalo” que a vocalize, dando “passagem” ao sujeito oculto pelo racismo estrutural, epistêmico e cotidiano. O presente artigo toma as noções êmicas de “sotaque” e de “cavalo-de-santo” como conceitos rentáveis para projetar as tensões e atravessamentos da linguagem do candomblé, em cuja dinâmica o português é enredado com usos, sentidos e acentos e assentos afro-atlânticos, fazendo dele “pretoguês”, uma língua em modo de simbiose ou, como os autores defendem, uma “sintaxe cabocla”.Palavras-chave: religiões afro-brasileiras | caboclo | sotaque | Língua de santo | Pretoguês Abstract:Caboclos are Afro-Amerindian spirits that manifest in various ways in the African matrix religions of Brazil. They have the ability to speak (not always shared by other divinities of the cult, like Orixás). More than an ability, speaking in this case constitutes a codified mode of agency over the world, the people, and specially their believers. Among the most well-known Caboclo linguistic registers is the sotaque (literally “accent”, but in this context more akin to “sneer”). Sotaque is a native category referring to situations in which one entity challenges another, in a swaggering way, resulting in a competitive dialogue between them. Considered a dispute, not a fight, a sotaque generally dramatizes conflicts in an allegorical way, opening up possibilities for performing, innovating, versifying, providing contexts for building on traditional texts. In turn, such enunciation depends on the materiality of the cavalo (“horse”) that verbalizes it, “clearing the path” for subjects hidden by structural, epistemic and quotidian racism. This paper draws from emic notions of sotaque and cavalo de santo as fruitful concepts for projecting the tensions that are part of the language of Candomblé, in which the use of Portuguese is coupled with Afro-Atlantic usages, meanings, and accents, in what could be termed “pretoguês“: a language of symbiosis, or, as the authors suggest, a “caboclo syntax”.Keywords:afro-brazilian Religions | caboclo | sotaque | Língua de santo | Pretoguês
A insondável vida do lucumí Juan Nepomuceno Prieto
Resenha de:LOVEJOY, Henry B.. Prieto: Yoruba Kingship in Colonial Cuba during the Age of Revolutions. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2018. 240p
As muitas Minas de Minas Gerais
Resenha de:MARTINS, Roberto Borges. Crescendo em silêncio: a incrível economia escravista de Minas Gerais no século XIX. Belo Horizonte: ICAM: ABPHE, 2018. 632p
Despojos do colonizador: os zanryu-hojin exilados entre a política e a sociedade
Tendo por base a derrota incondicional do Japão em 1945, perdendo todo o seu império colonial espalhado pelo continente asiático, este estudo pretende analisar uma das vítimas desse império: as do próprio colonizador. Perante um Exército e um Estado que descartou responsabilidades de os repatriar, estes denominados zanryu-hojin foram forçados a uma adaptação abrupta e nem sempre bem-sucedida à sociedade local do pós-guerra. Imposto o exílio, as consequências foram marcantes. Assim, é objetivo deste estudo conhecer as estratégias de resistência deste grupo deslocado e a sua adaptação à conjuntura local. Igualmente, pretende-se conhecer as políticas governamentais postas em prática para solucionar o seu repatriamento (ou adiamento) e a assistência prestada in loco (se alguma) na adaptação do retornado ao Japão. Uma vez quebrado o exílio com o retorno à ansiada “pátria”, serão esses “japoneses-chineses” reconhecidos como membros plenos da nação japonesa pelo governo e pela sociedade? Ou serão eles – e as suas famílias chinesas – remetidos a outra forma de exílio, perpetuando-se a sua existência “exílica”?Palavras-chave: pós-colonialismo - zanryu-hojin - exílio - subalternidade. Abstract:With Japan’s unconditional defeat in 1945, losing all its colonial empire scattered over Asia, this study intends to analyze one of the victims of that same empire: those of the colonizer. Faced with an army and a state that has ruled out repatriation responsibilities, the so-called zanryu-hojin have been forced to an abrupt and a very difficult adaptation to their local postwar society. With the exile imposed, the consequences were tremendous. It is the objective of this study to know the strategies of resistance of this displaced group and its adaptation to the local conjuncture. It is also intended to know the government policies put in place to solve their repatriation (or postponement) and the assistance rendered in loco (if any) in the adaptation of the returnee to Japan. Once this condition of exile is broken and the return to the “homeland” completed, are these ‘Japanese-Chinese’ recognized as full members of the Japanese nation by their government and society? Or are they - and their Chinese families - relegated to another form of exile, perpetuating their ‘exilic’ existence?Keywords: postcolonialism - zanryu-hojin - exile - subalternity.
A crítica do cânone e as sociologias alternativas
Resenha de:ALATAS, Syed Farid e SINHA, Vineeta. Sociological Theory Beyond the Canon. London: Palgrave Macmillan, 2017. 391p
História ambiental de comunidades mocambeiras na Amazônia durante a escravidão e o pós-abolição
Resenha de:DE LA TORRE, Oscar. The People of the River: Nature and Identity in Black Amazonia, 1835-1945. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2018. 238 p
Diálogos e aproximações
Resenha de:PIRES, Maria Fátima Novaes; SANTANA, Napoliana Pereira; e SANTOS, Paulo Henrique Duque (orgs.). Bahia: escravidão, pós-abolição e comunidades quilombolas – estudos interdisciplinares. Salvador: EDUFBA, 2018, 276p
Renamo: de agente do apartheid a organização política moçambicana
Resenha de:CAHEN, Michel.“Não somos bandidos”: a vida diária de uma guerrilha de direita: a Renamo na época do Acordo de Nkomati (1983-1985). Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais, 2019. 398p