Afro-Ásia
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"Nossa história é outra como é outra nossa problemática": Beatriz Nascimento por sua obra
Resenha de:NASCIMENTO, Beatriz. Beatriz Nascimento, quilombola e intelectual. Possibilidades nos dias da destruição. São Paulo: Editora Filhos da África, 2018. 488p
Campos de batalha intelectual e novos paradigmas do pensamento africano
Resenha de:BARBOSA, Muryatan. A razão africana: breve história do pensamento africano contemporâneo. São Paulo: Todavia, 2020. 216 p
A Lélia Gonzalez que emerge deste livro
Review of:
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Organizado por Flávia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 2020. 376 p.Resenha de:
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Organizado por Flávia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 2020. 376 p
Uma história do movimento LGBT em Maputo
Based on ethnographic and archival research, this article presents a genealogy of the Mozambican LGBT movement from its origin to the present. Thus, it addresses the first homosexual parties; the movement’s first newspaper; the movement’s institutionalization via the organization known as “LAMBDA”; and the latter’s relationship to the Mozambican state. Two arguments are presented here: first, responding to debates about discourse on the exogeneity of homosexuality in Africa, I argue that the history of the local LGBT movement is one of the reasons that the predominating discourse in Mozambique identifies “homosexuality” with foreigners, with whites and with urban settings . Second, the article takes issue with Africanists that emphasize homophobia on the continent, showing that there is a certain ambiguity in the relationship between the Mozambican state and the local LGBT movement.A partir de pesquisa etnográfica e documental, o artigo apresenta uma genealogia do movimento LGBT moçambicano desde sua origem até os dias atuais. Nesse sentido, ele aborda as primeiras festas homossexuais; o primeiro jornal do movimento; a institucionalização do movimento na organização “LAMBDA”; e a relação desta última com o Estado moçambicano. Dois são os argumentos aqui apresentados: respondendo aos debates sobre os discursos de exogenia da homossexualidade em África, argumento que a história do movimento LGBT local é uma das razões pelas quais faz sentido para o senso comum, em Moçambique, atribuir a “homossexualidade” aos estrangeiros, aos brancos e à cidade. Em segundo lugar, o artigo busca se contrapor aos africanistas que enfatizam a homofobia no continente, demonstrando a particular ambiguidade que há na relação do Estado Moçambicano com o movimento LGBT local
A “destruição” de um quilombo na Serra do Cubatão (1827-1828)
In the 19th century, the task of preventing the formation and growth of quilombos was identified as being under the jurisdiction of the Brazilian State. The State´s role was stated in a law issued on October 15, 1827, discussing Justices of the Peace, and later incorporated into other legal codes of Brazil’s Imperial period. At the same time that this legislative parameter was created, different provincial authorities were responsible for the law’s administration. This article reflects over the official attitudes regarding quilombos in Brazilian territory during the first decades of the 19th century, utilizing primary sources that have not yet been examined especially the correspondence related to a quilombo that was found and “destroyed” in the Serra do Cubatão, in the province of São Paulo. The paper indicates the laws and practices pertainingto these enclaves in the 1820s, also examining how the campaign to elimin\te the São Paulo quilombo was organized, the demographics of the community’s population and ways of interpreting its depiction by authorities of the period.No século XIX, impedir a formação e a continuidade dos quilombos tornou-se uma atribuição do Estado brasileiro. O assunto foi incluído na lei referente aos Juízes de Paz, de 15 de outubro de 1827, e incorporado a outras normas do Império posteriormente. Concomitantemente à elaboração desse parâmetro legislativo, diferentes autoridades administravam a questão nas Províncias. O objetivo deste texto é refletir sobre o tratamento oficial dos quilombos no Brasil das primeiras décadas do Oitocentos a partir de uma documentação ainda não explorada, especialmente as correspondências relativas a um quilombo encontrado e “destruído” na Serra do Cubatão, Província de São Paulo. Indica-se as leis e práticas dirigidas a esses agrupamentos na década de 1820, como as diligências contra o quilombo paulista foram organizadas, que escravos o compunham e de que forma é possível compreender o retrato atribuído a eles na ocasião
Algumas palavras sobre Torto Arado
Review of:
VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019, 262 p.Resumo de:
VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019, 262 p
Cruzando caminhos em Ibicaba: escravizados, imigrantes suíços e abolicionismo durante a Revolta dos Parceiros (São Paulo, 1856-1857)
This article examines the relations between the enslaved and European immigrants in western São Paulo against the background of the 1856 Sharecroppers’ Revolt that took place in Limeira. Considered a benchmark in the history of immigration in Brazil, the uprising of Swiss colonists against the “sistema de parceria” at the Ibicaba plantation also counted on support from enslaved populations in the vicinity of the Colônia Senador Vergueiro. Erased by the historiography, the 1856 black conspiracy shows that interactions between slaves and settlers in the context of the ban on the African slave trade sparked the circulation of abolitionist ideas in Brazil. By revisiting the revolt in Limeira, this paper explores how subaltern perspectives of the Atlantic world met in Ibicaba and claims a place for black geopolitics in defining Brazilian labor history in the 1850s.Este artigo explora as relações entre escravizados e imigrantes europeus no oeste paulista tendo, como pano de fundo, a Revolta dos Parceiros, ocorrida em Limeira no ano de 1856. Considerado um marco na história da imigração no Brasil, o levante de colonos suíços contra o sistema de parceria na Fazenda Ibicaba contava também com o apoio dos cativos que trabalhavam nos cafezais adjacentes à Colônia Senador Vergueiro e demais fazendas vizinhas. Apagada pela historiografia, a conspiração negra de 1856 revela que a convivência entre colonos e escravizados no contexto do fim do tráfico acelerou a circulação de ideias sobre o fim da escravidão no Brasil. Ao retornar à Revolta em Limeira, este artigo aborda o encontro de perspetivas subalternas sobre o abolicionismo atlântico em Ibicaba para afirmar a geopolítica negra como elemento constituinte dos significados do mundo do trabalho na década de 1850.
A espetacularização do sofrimento dos outros pelas fotografias da hanseníase na África da primeira metade do século XX
Colonial images of Africa include a strange set of photos depicting “sick bodies”. Photography was an efficient visual resource in constructing anideological justification of the “civilizing mission” of a self-proclaimed “altruistic” and “scientific” colonialism. By analyzing photographs of Africans suffering from Hansen’s disease in the first half of the twentieth century, we unravel the relationship between this “leprous Africa” and the coalescing interests of missionaries, physicians, and colonial authorities. Based on images from international archives, this study approaches the visual derogatory representation of African alterity, to which photography lent its “objectivity” and contributed to the spectacularization of the suffering of others.Na iconografia colonial sobre a África, há um conjunto heteróclito de fotografias sobre “corpos enfermos”. A fotografia foi um recurso visual eficiente para justificar ideologicamente a “missão civilizatória” de um colonialismo autoproclamado “altruísta” e “científico”. A análise de fotografias sobre a hanseníase no continente africano na primeira metade do século XX permite deslindar a relação entre a construção imagética de uma “África leprosa” e a coalescência de interesses de missionários, médicos e demais autoridades coloniais. Com base em imagens de arquivos estrangeiros, o estudo aborda a visualidade de uma representação negativa da alteridade africana, para a qual a fotografia emprestou sua “objetividade” e concorreu para a espetacularização do sofrimento dos outros
Diferenciáveis:: multiculturalismo, Islã e configuração da identidade no Reino Unido
This article reflects on how issues related to multiculturalism are articulated in the process of shaping Muslim identities in the United Kingdom, by examining the recent history of immigration and policies aimed at managing cultural differences in British territory. The analysis centers on dynamics related to loyalty disputes – religious, ethnic and national – typical of diasporic communities, as well asthe tensions and conflicts that pervade these processes. The text shows that the essentialization and exceptionalism of Muslim identity, whether or not it is anchored in religious practice, and the related government policies exerted a major influence on the countries’ multicultural coexistence, contributing to dilemmas of belonging in a context of a crisis of national identity.Este artigo reflete sobre os modos como questões relativas ao multiculturalismo se articulam no processo de formação da identidade de muçulmanos no Reino Unido, por meio de um exame da história recente da imigração e das políticas voltadas para a administração da diferença cultural no território britânico. Dinâmicas relacionadas às disputas de lealdade – religiosas, étnicas e nacionais –, características de comunidades diaspóricas, e os tensionamentos e conflitos que permeiam esses processos têm centralidade na análise. O trabalho evidencia que a essencialização e a excepcionalização da identidade muçulmana, sejam ancoradas em uma religiosidade praticada ou não, e as correspondentes políticas governamentais tiveram influência primordial na convivência multicultural nos países integrantes, contribuindo para dilemas de pertencimento em um contexto de crise na identidade nacional.