Afro-Ásia
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Sobre nós: corpos e corpas que contam histórias!
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BERNARDINE Evaristo. Garota, mulher, outras. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. 496 p.Resenha de:
BERNARDINE Evaristo. Garota, mulher, outras. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. 496 p
Estudantes africanos no Brasil: desejo ou contingência?
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REIS, Luiza Nascimento dos. Estudantes africanos e africanas no Brasil (Anos 1960). Recife: Ed. UFPE, 2021. 192 p.Resenha de:
REIS, Luiza Nascimento dos. Estudantes africanos e africanas no Brasil (Anos 1960). Recife: Ed. UFPE, 2021. 192 p
Bahia, a terra do dendê: uma história transnacional e complexa do dendê
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WATKINS, Case. Palm Oil Diaspora: Afro-Brazilian Landscapes and Economies on Bahia’s Dendê Coast. Cambridge: Cambridge University Press, 2021. 347 p.Resenha de:
WATKINS, Case. Palm Oil Diaspora: Afro-Brazilian Landscapes and Economies on Bahia’s Dendê Coast. Cambridge: Cambridge University Press, 2021. 347 p
A mitologia maldita do racismo nosso, de cada dia
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SILVEIRA, Renato da. A mitologia maldita: estereótipos políticos e raciais na gênese da indústria cultural. Salvador: Edufba, 2021. 436 p. il.Resenha de:
SILVEIRA, Renato da. A mitologia maldita: estereótipos políticos e raciais na gênese da indústria cultural. Salvador: Edufba, 2021. 436 p. il
O que nos contam as pedras pisadas do cais? Usos e disputas políticas das memórias da escravidão e do tráfico transatlântico
Over the past thirty years there has been increasing interest in the memory of slavery and ways of expressing the past, including places of memory, museums, and cultural heritage. By accessing slavery’s past, groups and individuals build their own narratives about it and break with places that, historically, have erased, even silenced and marginalized Africa and the Black diaspora. Given this demand for recognizing the legacy of the memory of slavery, this paper raises questions about the Cais do Valongo archeological site, [which came to be recognized] as cultural heritage of humanity, as a result of the agency of Black social actorsin the Pequena África district. It also examines the political uses of the past by these contemporary actors in the struggle for identification, recognition, and reparation, as well as in the fight against racism.Pode-se observar que, nos últimos trinta anos, o interesse pelas memórias da escravidão e as expressões do passado, como os lugares de memória, os museus e o patrimônio cultural, intensificou-se. Ao acessar o passado da escravidão, grupos e indivíduos constroem narrativas próprias sobre esse passado e rompem com espaços que, historicamente, produzem um apagamento, quando não um silenciamento e uma marginalização da África e das populações negras em diáspora. Assim, diante desse quadro de reivindicação recente por reconhecimento e patrimonialização das memórias da escravidão, este texto se propõe a interpelar um bem cultural e patrimônio da humanidade, o Sítio Arqueológico Cais do Valongo, a partir das agências de atores sociais negros da região da Pequena África, e os usos políticos do passado por esses atores contemporâneos na luta por identificação, reconhecimento e reparação, bem como na luta contra o racismo
A racialização da cidadania
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GATO, Matheus. O massacre dos libertos: sobre república e raça no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2020. 163 p.Resenha de:
GATO, Matheus. O massacre dos libertos: sobre república e raça no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2020. 163 p
Um novo cativeiro? O fim do tráfico de escravizados e os engagés à temps no Senegal (1817-1848)
In the first decades of the nineteenth century, bilateral agreements initiated by Great Britain led to the prohibition of the slave trade in several parts of the Atlantic World. In these processes, new categories of workers emerged that often had in common labor experiences that were theoretically conceived of as free, but that, in practice, represented new forms of exploiting and controlling the labor of African peoples. In this article, I examine the trajectories of these workers in Senegal, then a French colonial possession on the West African coast, where the slave trade was prohibited in 1818. There, workers known as engagés à temps included both former captives rescued from vessels engaged in the illegal slave trade and those who were “rescued” or acquired outside Senegal and freed after a long “apprenticeship in freedom,” in which they had to work for a certain period of time. By connecting the journeys of these hired workers and the contractors who employed their services (“engagistes”), I explore the different meanings conferred on slavery and freedom as expressed by men, women, and children.Nas primeiras décadas do século XIX, acordos bilaterais propostos pela Grã-Bretanha levaram à proibição do comércio de escravizados em diversos territórios do mundo atlântico. Nesses processos, emergiram novas categorias de trabalhadores que, muitas vezes, tinham em comum experiências de trabalho teoricamente livres, mas que, na prática, representavam novas formas de exploração e controle da “mão de obra africana”. Meu objetivo, neste artigo, é examinar as trajetórias desses trabalhadores no Senegal, então possessão colonial francesa na costa ocidental africana, onde o tráfico foi proibido em 1818. Conhecidos ali como engagés à temps, eles incluíam tanto os escravizados recuperados no comércio negreiro ilegal, como aqueles que fossem “resgatados” ou adquiridos fora do Senegal e alforriados depois de um longo “aprendizado da liberdade”, em que deviam trabalhar por um período determinado. Conectando percursos de contratados e contratadores (os engagistes), busco compreender diferentes significados conferidos à escravidão e à liberdade expressos por homens, mulheres e crianças
O processo do Clementina e o combate ao comércio transatlântico de africanos escravizados na Província de Pernambuco (1831-1839)
This article analyzes the case of the French schooner Clementina, seized on January 21, 1831, under suspicion of involvement in the transatlantic slave trade. When captured, the ship had 175 enslaved Africans on board. The main objective of this article is to elaborate a case study. Utilizing as its main source material the correspondence exchanged between the French consulate in Recife and the government of the Province of Pernambuco, as well as the sentences handed down in Brazil and France, we frame the analysis within the debate surrounding Brazil’s first anti-trafficking law of November 7, 1831. Particularly, we seek to understand what the seizure of the Clementina reveals about the social scenario of the period, from which one can infer both the involvement of slave traders based in Recife and their strategies to perpetuate the smuggling of human beings, as well as understand the role of this government in combating this infamous trade.O presente artigo analisa o processo da escuna francesa Clementina, apreendida no dia 21 de janeiro de 1831, com 175 africanos escravizados, suspeita de realizar o tráfico transatlântico para o Brasil. O objetivo geral desse artigo é elaborar um estudo de caso, tendo como fontes primárias a correspondência intercambiada entre o consulado francês no Recife e o governo da Província de Pernambuco, assim como as sentenças prolatadas no Brasil e na França, inserindo nossa análise no contexto do debate que antecede a primeira lei antitráfico de 7 de novembro de 1831 e seus desdobramentos. Em particular, buscamos entender como a apreensão da Clementina pode ser reveladora de uma conjuntura social característica, da qual inferimos, ao mesmo tempo, a participação dos traficantes estabelecidos no Recife e suas estratégias para perpetuarem a ilegalidade do contrabando de seres humanos, bem como compreender o papel desse governo no combate a este infame comércio
A Bahia e a Costa da Mina no alvorecer da Segunda Escravidão (c. 1810-1831)
This paper examines the relations between Bahia and Costa da Mina at the dawn of the Second Slavery (c.1810-1831). Although scholars have focused their attention on the slave trade between Southeast Brazil and West-Central Africa, the Bight of Benin region in West Africa remained an important supplier of slaves. Beginning in 1815, Bahian slave traders developed strategies to circumvent British antislavery measures. At the same time, African slave ports organized trade operations to meet the demand for captives. The article also discusses the participation of African freedmen in the illegal slave trade. Although their involvement became more visible in the 1830s, prior to this they already present as members of the crew on slave ships or as small merchants, participating in transoceanic trading networks. Finally, the paper reassess the number of Africans trafficked from the Bight of Benin to Bahia.Este artigo investiga as relações entre a Bahia e a Costa da Mina no alvorecer da Segunda Escravidão (c. 1810-1831). Apesar do foco historiográfico no Sudeste e no tráfico para a África Centro-Ocidental, a região do Golfo do Benim, na África Ocidental, continuou um importante mercado negreiro atlântico. A partir de 1815, os traficantes baianos desenvolveram estratégias para burlar a repressão antitráfico inglesa. Ao mesmo tempo, os portos africanos de embarque se organizaram para suprir a demanda baiana por cativos. Discute-se a participação de africanos libertos no comércio atlântico ilegal. Embora sua participação seja mais visível a partir da década de 1830, eles já compunham a tripulação das embarcações negreiras como pequenos negociantes e utilizando redes comerciais transoceânicas. Ao fim, reavalia-se números de africanos traficados da Costa da Mina por navios baianos