Afro-Ásia
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Conselhos noturnos num quintal de Nampula: uma narrativa etnográfica a partir de um rito de iniciação feminino em Moçambique
Archaeologists dig through layers, looking for fragments that make it possible to retell a story. Observing the archaeologists’ work technique, I think of this work with Makua dances as a search for stratigraphy, for tracing the trajectory of the dance through its vestiges and different levels of depth: movements, narratives and relationships between people and objects. In this excavation, I found fragments of narratives, images, videos, texts and sounds that led me to reconstruct meanings, describe and trace movements. I seek to understand female initiation rites through the intersection between the experience lived by my body as a black diasporic woman, guided by the hands of Makua women and the narratives of Makua women and men.Na arqueologia, escava-se por camadas em busca de fragmentos que torna possível recontar uma história. Observando a técnica de trabalho das arqueólogas, penso neste trabalho com as danças makuas como a busca por uma estratigrafia, por traçar a trajetória da dança através dos seus vestígios e diferentes níveis de profundidade: os movimentos, as narrativas e as relações entre pessoas e os objetos. Nessa escavação, encontrei fragmentos de narrativas, imagens, vídeos, textos e sons que me levaram a reconstruir sentidos, descrever e traçar movimentos. Busco compreender os ritos de iniciação femininos através do cruzamento entre a experiência vivida pelo meu corpo de mulher negra diaspórica, guiada pelas mãos das mulheres makuas e as narrativas dessas mulheres e dos homens makuas
Escrevendo a diferença : kikuyus, Mau Mau, Home Guards, missionários
In this article I describe the practices of agents involved in the 1957 reopening of Kenyan independent schools that had been closed in 1952 because they were considered “guerrilla hotbeds”, as well as the establishment of new schools under the direction of Consolata missionaries. The missionaries’ involvement in the reopening of old schools and the creation of new ones is the fruit of relationships built during the guerrilla war, when huge numbers of Kikuyu Kenya’s largest ethnic group, were imprisoned in concentration or detention camps. The analyses in this paper is based on data gathered from the field, along with archival and library research, utilizing a perspective focused on relational processes.
Neste artigo são descritas práticas de atores envolvidos na reabertura das antigas escolas independentes no Quênia após 1957, fechadas em 1952 por serem consideradas “celeiros de guerrilheiros”, e a construção de novas escolas sob a direção de missionários da Consolata. A escolha destes missionários para dirigi-las e os esforços para construir novas escolas são fruto de relações que foram se constituindo ao longo do período da guerrilha, iniciada em 1952, em que a maior parte dos kikuyus, maior grupo populacional do Quênia, ficou aprisionada em campos de concentração ou detenção. Para a análise basear-me-ei em dados colhidos em pesquisas de campo, documental e bibliográfica, analisados a partir de uma perspectiva focada em processos relacionais
Diferenças e desigualdades vivenciadas por afrodescendentes na Índia
Review of:HOFBAUER, Andreas. Diáspora africana na Índia: sobre castas, raças e lutas. São Paulo: Editora Unesp, 2021. 414 p.Resenha de:HOFBAUER, Andreas. Diáspora africana na Índia: sobre castas, raças e lutas. São Paulo: Editora Unesp, 2021. 414 p
Feitiçaria ou gentilismo? lideranças religiosas africanas no Brasil colonial
Review of:RODRIGUES, Aldair; MAIA, Moacir (Eds.). Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário. Mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII). São Paulo: Chão, 2023. 192 p.Resenha de:RODRIGUES, Aldair; MAIA, Moacir (Orgs.). Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário. Mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII). São Paulo: Chão, 2023. 192 p
Entre as Linhas 14 e 15: histórias, trajetórias e contextos de mestres alabês soteropolitanos
This article presents and discusses stories, trajectories and dynamics of religious drum masters (Alabês) from Salvador, Bahia, their connections and contexts, announcing a socio-religious collectivity. Initially, data from interviews with three drum master are shared, emphasizing some approximations regarding their formative processes as candomblé musicians and sociocultural conditions. Bibliographic and ethnographic data are added to the informations provided from the interviews, thus providing an overview of this collective of Alabês masters and their surroundings. Finally, the scope of this religious collectivity is expanded from the presentation of transits and connections between religious temples to which the interviewees have ties, thus demonstrating how imbricated are the music of candomblé and its characters with the events and dynamics of religion in a general way. From the particular to the universal, the aims is to demonstrate how these layers overlap, being, at the same time, constituted and constituents of this universe.Este artigo apresenta e discute histórias, trajetórias e dinâmicas de alabês soteropolitanos, suas conexões e contextos, anunciando assim uma coletividade sociorreligiosa. Inicialmente são compartilhados dados provenientes de entrevistas realizadas com três mestres dos tambores, sendo enfatizadas algumas aproximações no que concerne aos seus processos formativos enquanto músicos de candomblé e condições socioculturais. Às informações fornecidas a partir das entrevistas, são acrescidos dados bibliográficos e etnográficos, fornecendo então um panorama desta coletividade de mestres alabês e seus entornos. Finalizando, os alcances desta coletividade religiosa são expandidos a partir da apresentação de trânsitos e afinidades existentes entre terreiros com os quais os entrevistados têm vínculos, demonstrando assim o quão imbricados estão a música de candomblé e seus personagens nos acontecimentos e dinâmicas da religião de uma forma geral. Do particular para o universal, o intuito é demonstrar como estas camadas se sobrepõem, sendo, concomitantemente, constituídas e constituintes deste universo
Um manual de como fazer Sociologia a partir do continente asiático
Review of:ALATAS, Syed Farid; SINHA, Vineeta. Teoria sociológica além do cânone. São Paulo: Editora Funilaria, 2023. 336 p.Resenha de:ALATAS, Syed Farid; SINHA, Vineeta. Teoria sociológica além do cânone. São Paulo: Editora Funilaria, 2023. 336 p
Os recortes e as bordas
Review of:PRICE, Richard. Inside/Outside: Adventures in Caribbean History and Anthropology. Athens: University of Georgia Press, 2022. 272 p.Resenha de:PRICE, Richard. Inside/Outside: Adventures in Caribbean History and Anthropology. Athens: University of Georgia Press, 2022. 272 p
Os beneméritos de Santa Efigênia:: sobre a ascensão de uma devoção negra no Alto da Cruz de Vila Rica, 1733-1832
This paper analyzes the involvement by pardos in the devotion of an African saint, Saint Iphigenia, in the Irmandade do Rosário dos Pretos do Alto da Cruz, in Vila Rica. The analysis is based, in particular, on documents of the confraternity’s treasury, and a record book entitled Livro dos Brancos, as well as the life trajectories and social networks of pardos who belonged to the brotherhood. We noticed that the investment in the celebrations of this brotherhood reveals that the Alto da Cruz sodality chose the invocation of Santa Efigênia as the main symbol of their sociability. Pardos, who we refer to as beneméritos [patrons], played a decisive role. The important presence of free and freed pardos in the worship of Iphigenia highlighted their social ascension and prestige in the black community at the same time bringing a sense of social autonomy and mobility, without the stigma of slavery, to the way the devotion to the saint was perceived.Nosso objetivo é analisar o envolvimento de indivíduos pardos com a devoção de uma santa africana, a Santa Efigênia, na Irmandade do Rosário dos Pretos do Alto da Cruz, em Vila Rica. A análise tem como base, especialmente, os documentos da tesouraria da confraria e o Livro dos Brancos, bem como as trajetórias de vidas e redes sociais de pardos da confraria. Percebemos que o investimento nas celebrações desta irmandade revela que o sodalício do Alto da Cruz elegeu a invocação de Santa Efigênia como símbolo principal de sua sociabilidade. Os irmãos pardos, aos quais nos referimos como beneméritos, tiveram atuação decisiva. O investimento votivo de pardos livres ou libertos na celebração de Efigênia tanto representou uma tentativa de demonstração de ascensão e prestígio social, a partir de uma comunidade negra, como, ao mesmo tempo, conferiu a esta solenidade um caráter de autonomia e mobilidade frente aos estigmas do escravismo
Neoliberalismo, Estado e território : as “guerras pela terra” na Índia
This paper critically discusses the implementation of Special Economic Zones (SEZ) and the construction of the Delhi-Mumbai Industrial Corridor (DMIC) as projects that resulted in a regressive redistribution of land ownership in India after the 1991 liberalizing reforms. Based on official documents, land legislation and the discussion of protests against deterritorialization, I propose a re-reading of the strategies designed by the Government of India to make land available for capitalist infrastructure. Against the notion of “domestic regimes of dispossession”, I show that SEZ, CIDM and the most recent ‘Make in India’ are programs to attract foreign investment, transform the country into a ‘manufacturing hub’ and increase the volume of exports. In this way, I argue for a rearticulation of the “interior-exterior dialectic”, in which the coercive measures for the dispossession of the peasantry are not analytically separated from the strategies to promote India’s insertion and competitiveness in the global scenario.O presente trabalho discute criticamente a implementação de Zonas Econômicas Especiais (ZEE) e a construção do Corredor Industrial Delhi-Mumbai (CIDM) como projetos que resultaram numa redistribuição regressiva da propriedade agrária na Índia após as reformas liberalizantes de 1991. Com base na análise de documentos oficiais, da legislação agrária e na discussão de protestos contra a desterritorialização, proponho uma releitura das estratégias do Governo da Índia para promover a disponibilização de terras para grandes empreendimentos. Contra a vertente que se apoia na noção de “regimes domésticos de despossessão”, argumento que as ZEE, o CIDM e o mais recente Make in India foram concebidos para atrair investimentos estrangeiros, transformar o país num “manufacturing hub” e aumentar o volume de exportações. Trata-se, portanto, de uma rearticulação da “dialética interior-exterior”, na qual as medidas coercitivas internas não são analiticamente separadas das estratégias para promover a maior inserção e competitividade da Índia no cenário global
Entre jongos, jilós e piruetas do pensamento científico
Review of:Agostini, Camilla, Entre lugares. Rio de Janeiro: Paisagens Híbridas, 2022. (Coleção Memórias de Paisagens). 102 p.Resenha de:Agostini, Camilla, Entre lugares. Rio de Janeiro: Paisagens Híbridas, 2022. (Coleção Memórias de Paisagens). 102 p