Afro-Ásia
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Na esteira do terreiro: religiões afro-brasileiras e associativismo na Bahia (1930-1970)
This article brings together notes and new data on a topic that is still rare in studies of Afro-Brazilian religions, although it is a very widespread phenomenon: associativism linked to terreiro religions. Through newspapers published in Salvador, especially in the 1970s, as well as through ethnographic and historiographical data, the article shows subjects, interpretations, proposals and associations linked to Afro-Brazilian religious communities that allow a better understanding of the relationships between the experiences of people linked to terreiros and those involved in Afro-Brazilian struggle for political and civil rights, above all, in efforts to attain full citizenship and to overcome racism. The movement for the legitimation of ancestral rites as religious in nature, which included notions of appreciation and respect, reveals similarities between the terreiros’ struggle and those of the black social movement, active at the national level from the 1930s onwards.Este artigo reúne notas e explora novos dados sobre um tema ainda pouco visitado nos estudos sobre a religiosidade afro-brasileira, embora seja um fenômeno bastante difundido: o associativismo vinculado às religiões de terreiro. Através de jornais publicados em Salvador, especialmente nos anos 1970, bem como por meio de dados etnográficos e historiográficos, apresentam-se sujeitos, interpretações, propostas e associações vinculadas à religiosidade afro-brasileira, que permitem compreender melhor as relações entre a experiência dos povos de terreiro e as lutas por direitos do negro no Brasil, sobretudo os esforços pelo reconhecimento de sua cidadania plena e pela superação do racismo na sociedade brasileira. A pauta do reconhecimento dos rituais ancestrais como religião, que incluía noções de valorização e respeito, evidencia que os terreiros não estavam distantes da agenda do movimento social negro, que procurava se articular nacionalmente a partir dos anos 1930
Sob o prisma das mulheres afro-atlânticas
Review of:FARIA, Sheila de Castro; REIS, Adriana Dantas (orgs.). Mulheres negras em perspectiva: identidades e experiências de escravidão e liberdade no espaço atlântico (séculos XVII-XIX). Feira de Santana: UEFS Editora; Cantagalo: Editora Cantagalo, 2021. 440 p.Resenha de:FARIA, Sheila de Castro; REIS, Adriana Dantas (orgs.). Mulheres negras em perspectiva: identidades e experiências de escravidão e liberdade no espaço atlântico (séculos XVII-XIX). Feira de Santana: UEFS Editora; Cantagalo: Editora Cantagalo, 2021. 440 p
Escolarização e subalternidades na América Latina
Review of:Veiga, Cynthia Greive. Subalternidade e opressão sociorracial: questões para a historiografia da educação latino-americana. São Paulo: Editora da UNESP; Sociedade Brasileira de História da Educação, 2022, 376 p.Resenha de:Veiga, Cynthia Greive. Subalternidade e opressão sociorracial: questões para a historiografia da educação latino-americana. São Paulo: Editora da UNESP; Sociedade Brasileira de História da Educação, 2022, 376 p
Performance e autonomia subjetiva
Review of:PINHO, Osmundo. Cativeiro: antinegritude e ancestralidade. Salvador: Segundo Selo, 2021, 300 p.Resenha de:PINHO, Osmundo. Cativeiro: antinegritude e ancestralidade. Salvador: Segundo Selo, 2021, 300 p
A família Fortunato da Costa: de Portugal a Angola, via São Tomé, c. 1808 a 1859
This paper reconstructs the history of the Fortunato da Costa family, from the first appearance of its constituting members in Portugal, during the Napoleonic invasion of 1808, through the nation’s political turmoil of the late 1820s and early 1830s, the family’s relocation to São Tomé and Príncipe around 1838-1839, amidst significant Creole-metropolitan tensions on the islands, as well as “intrusions” from the British Anti-Slave Trade Squadron, to its settlement in Angola during an intense period of illegal slave trading and the transition to legitimate commerce, until 1859, when the last known member passed away. The story of the Fortunato da Costa family is an odyssey stretching over half a century, marked by some of the most important processes in Atlantic history. Negotiating these historical developments was anything but easy sailing: in fact, for some it created a series of contradictions, at times leading to the kind of dark moments that families often face. Reconstructing the lives of this unique family thus also presents us with a particularly striking example of the human condition in all its frailties, with a story that is far from unilinear.Esta contribuição reconstrói a história da família Fortunato da Costa à medida que os seus membros constituintes aparecem pela primeira vez em Portugal durante a invasão napoleônica de 1808, vivem as turbulências políticas da nação no final da década de 1820 e início da década de 1830, mudam-se durante 1838-1839 para São Tomé e Príncipe quando as ilhas vivem tensões crioulas-metropolitanas significativas e “intrusões” do esquadrão britânico de combate ao tráfico de escravos na África Ocidental, e depois se estabelecem em Angola, onde experimentaram um período intenso de comércio ilegal de escravos e transição simultânea para o comércio legítimo até 1859, quando o último membro conhecido faleceu. Assim, a vida da família Fortunato da Costa apresenta-nos uma odisseia que se estende por meio século durante a qual navegaram alguns dos processos mais importantes da história do Atlântico. Negociar com esses desenvolvimentos históricos foi tudo, menos fácil: na verdade, para alguns, criou uma série de contradições. E, às vezes, isso conduzia a momentos sombrios que muitas famílias enfrentam. Reconstruir a vida desta família singular Fortunato da Costa, apresenta-nos assim também um exemplo particularmente agudo da condição humana em todas as suas fragilidades, sendo a sua história longe de ser unilinear
Dos retornos à África Ocidental: semelhanças e diferenças
There are many studies on communities in Africa founded by so-called “returnees”, but there are no in-depth studies comparing the trajectories of these “returns”. This paper is a comparative study with a specific focus: its central concern is the relations that the returnees – specifically the first two generations – established with the local populations. Besides identifying similarities, the paper points out substantial differences, relating them to specific conjunctures and contexts. The experiences of returnee communities in Sierra Leone, Liberia, Benin and Ghana serve as examples that allow the reconstruction of different “modes” of “reinsertion” of populations, once kidnapped from their communities of origin, into the African continent.Existem diversas pesquisas sobre comunidades na África fundadas pelos chamados “retornados”, mas não há estudos aprofundados que busquem comparar as trajetórias desses “retornos”. O que se propõe neste ensaio é, portanto, um estudo comparativo que tem um foco específico: no centro das preocupações analíticas estarão as relações que os/as retornados/as – mais especificamente as primeiras duas gerações – estabeleceram com as populações locais. Além da identificação de semelhanças objetiva-se apontar para diferenças substanciais e relacioná-las com conjunturas e contextos específicos. As experiências em Serra Leoa, na Libéria, no Benim e em Gana servirão como exemplos que permitem reconstruir “modos” de “reinserção” de populações, sequestradas das suas comunidades de origem, em terras africanas
Testemunhos da luta antirracista brasileira no tempo presente
Review of:CARDOSO, Edson. Nada os trará de volta: escritos sobre racismo e luta política. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. 456 p.Resenha de:CARDOSO, Edson. Nada os trará de volta: escritos sobre racismo e luta política. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. 456 p
Um bom e velho tema para um novo livro
Review of:BEZERRA, José Maia Neto. Fugindo, sempre fugindo. Escravidão, fugas escravas na Amazônia Brasileira (1840-1888). Teresina: Cancioneiro, 2023. 364 p.Resenha de:BEZERRA, José Maia Neto. Fugindo, sempre fugindo. Escravidão, fugas escravas na Amazônia Brasileira (1840-1888). Teresina: Cancioneiro, 2023. 364 p
As histórias plurais da antropologia e da sociologia na Índia: fronteiras disciplinares, continuidades e rupturas em sua institucionalização (1910-1970)
In this article, I address the history of sociology and anthropology in India, from their institutionalization in the 1910s to recent years, focusing on the theoretical and political clashes peculiar to the formation of these disciplines in India. First, I demonstrate that for reasons intrinsic to the Indian colonial context, social anthropology is subsumed under sociology. Next, I historically restore the hegemony of G. S. Ghurye and the University of Bombay in defining the research and teaching of the discipline in the country. I then explore the emergence of the University of Delhi with M.N. Srinivas as a symbol of a new institutional and theoretical hegemony, invested in a structural-functionalist analysis engaged with newly independent India. In counterpoint to narratives about Srinivas as a towering Indian sociologist, I discuss alternative currents of thought, notably the Lucknow School. I conclude with debates that begin in the 1970s in the context of regionalization of the university and diversification of the public in intersectional terms, pointing to contemporary challenges that have reshaped the discipline.Neste artigo, abordo a história da sociologia e da antropologia na Índia desde a sua institucionalização nos anos de 1910 até os mais recentes, focando nos embates teóricos e políticos próprios à formação dessas disciplinas naquele país. Primeiramente, demonstro que, por razões próprias ao contexto colonial indiano, a antropologia social é abarcada pela sociologia. Em seguida, restituo historicamente a hegemonia de G. S. Ghurye e da Universidade de Bombaim na definição da pesquisa e do ensino da disciplina no país. Exploro então a emergência da Universidade de Deli com M. N. Srinivas como símbolo de uma nova hegemonia institucional e teórica, investida numa análise estrutural-funcionalista engajada com a Índia recém-independente. Em contraponto às narrativas sobre Srinivas como grande sociólogo indiano, apresento correntes alternativas, notadamente a Escola de Lucknow. Finalizo com debates que se iniciam nos anos de 1970 no contexto de regionalização da universidade e diversificação do público em termos interseccionais, apontando para os novos desafios contemporâneos do campo disciplinar
Reis e rainhas negros no mundo atlântico
Review of:VALERIO, Miguel A. Sovereign Joy: Afro-Mexican Kings and Queens, 1539-1640. Cambridge: Cambridge University Press, 2022. 264 p.Resenha de:VALERIO, Miguel A. Sovereign Joy: Afro-Mexican Kings and Queens, 1539-1640. Cambridge: Cambridge University Press, 2022. 264 p