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    O Reino Lozi e o Mundo Atlântico: comércio, escravidão e contato (in)direto com Angola no século XIX

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    The Lozi Kingdom, located in the western part of present-day Zambia, was one of the last polities of West Central Africa to have direct contact with Angola’s Atlantic zone. Very far from being isolated from global processes, the kingdom’s direct (and indirect) connections to long-distance trade networks were the result of conscious political decisions on the part of its leaders, in response to internal and external demands as the kingdom expanded during 18th and 19th centuries. With a special focus on the mid-1800s, when the conditions of its contact with Angolan networks changed radically, this paper analyzes transformations in the governance of the peoples of the Upper Zambezi floodplain, in relation to the arrival of new military and commercial agents in their lands. The paper also argues for the need to conceptualize Atlantic history in a way that takes into account political upheavals that occurred thousands of kilometers inland.O reino lozi, localizado no oeste da atual Zâmbia, foi uma das últimas regiões da África Centro-Ocidental a ter contato direto com a Zona Atlântica de Angola. Longe de estar isolado dos processos globais, as conexões diretas (e indiretas) dessa região a redes comerciais de longa distância foram produzidas por decisões políticas conscientes de seus líderes, enfrentando demandas internas e externas dessa organização imperial africana, que se expandiu durante os séculos XVIII e XIX. Com foco especial em meados do Oitocentos, quando as condições desse contato com as redes angolanas mudaram radicalmente, esse texto analisará as transformações na governança dos povos da planície alagada do Alto Zambeze, relacionadas à chegada de novos sujeitos militares e comerciais em suas terras, assim como defenderá a necessidade de pensar a história Atlântica de forma integrada às disputas políticas que ocorriam a milhares de quilômetros do mar

    E a igreja se fez negra: a missa dos quilombos

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    The article examine the Missa dos Quilombos, held in the city of Recife, on November 22, 1981. The idea is to demonstrate how the liturgical celebration was reported by the Brazilian press, attracting the attention of various sectors of civil society and the clergy. Although with a single edition and banned by the Vatican, the Missa dos Quilombos gained national prominence, provoked controversy and became re-semantized over time: it lost parto f its religious meaning and was appropriated by cultural manifestations as an ecumenical symbol of black, popular and decolonial resistence.O artigo examina a Missa dos Quilombos, realizada na cidade do Recife, em22 de novembro de 1981. A ideia é mostrar como a celebração litúrgica foi reportada pela imprensa brasileira, despertando a atenção de diversos setores da sociedade civil e do clero. Embora com uma única edição e proscrita pelo Vaticano, a Missa ganhou projeção nacional, provocou polêmicas e se ressignificou no decorrer do tempo: perdeu parte de seu sentido religioso, sendo apropriada pelas manifestações culturais como símbolo ecumênico de resistência negra, popular e decolonial

    Gana independente: a participação afro-americana no projeto panafricanista de K. Nkrumah

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    Between 1950 and 1960, Ghana emerged as a “Mecca” for Pan-Africanist activism, a status closely tied to the political mobilization spearheaded by Kwame Nkrumah. This article explores how Pan-Africanist ideas, shaped through the dialogue between African-American intellectuals and African elites, influenced the formulation and implementation of a Pan-Africanist project on the continent. The focus is on the pivotal moment when Nkrumah urged African militants to join his political cause, examining the interactions between Africans and Afro-descendants from the diaspora who settled in Ghana to contribute to nation-building. The analysis delves into the diverse dynamics of collaboration, alliances, divergences, and conflicts among key players: Nkrumah’s government, the African-Americans he invited, the local Ghanaian population, and the internal relations among the African-Americans themselves. The goal is to understand the underlying causes of the alliances and tensions that characterized these experiences.Entre 1950 e 1960, Gana consolidou-se como uma “Meca” para a militância pan-africanista, uma posição estreitamente ligada à mobilização política liderada por Kwame Nkrumah. Este artigo analisa como as ideias pan-africanistas, desenvolvidas no diálogo entre intelectuais afro-americanos e a intelligentsia africana, influenciaram a concepção e implementação de um projeto pan-africanista no continente. O foco recai sobre o momento em que Nkrumah convoca militantes africanos a se engajarem em seu projeto político, analisando as interações entre africanos e afrodescendentes da diáspora que se estabeleceram em Gana para contribuir com o nation-building. A análise abrange as diversas dinâmicas de colaboração, alianças, divergências e conflitos entre diversos agentes: o governo de Nkrumah, os afro-americanos que ele convidou, a população ganesa local e as relações internas entre os afro-americanos. O objetivo é compreender as causas das alianças e tensões que marcaram essas experiências

    A abolição em Minas Gerais: um olhar a partir do ponto de vista dos escravizados/as e das mulheres livres

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    Review of: MACENA, Fabiana Francisca. Outras faces do abolicionismo em Minas Gerais. Práticas políticas de escravizadas/os e mulheres livres (1850-1888). Salvador, Sagga: 2024, 206p.Resenha de: MACENA, Fabiana Francisca. Outras faces do abolicionismo em Minas Gerais. Práticas políticas de escravizadas/os e mulheres livres (1850-1888). Salvador, Sagga: 2024, 206p

    Agostinho da Silva e o CEAO: meu testemunho

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    Remembrance: 65 Years of the Afro-Oriental Studies CenterMemória: 65 anos do Centro de Estudos Afro-Orientais&nbsp

    1798 – Revolta dos Búzios - Resenha

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    Review of: 1798 – Revolta dos Búzios. Documentário Histórico, Portfolium. Produção: Raimundo Bujão, Josias Santos, Daiane Rosário, Leda Sacramento, Antônio Olavo. Direção: Antônio Olavo. Com Valdinéia Soriano. 2024. 1 h 13 min.Resenha de: 1798 – Revolta dos Búzios. Documentário Histórico, Portfolium. Produção: Raimundo Bujão, Josias Santos, Daiane Rosário, Leda Sacramento, Antônio Olavo. Direção: Antônio Olavo. Com Valdinéia Soriano. 2024. 1 h 13 min

    Ilê Aiyê, de bloco racista à elite negra

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    Review of: AGIER, Michel. Ilê Aiyê: A Fábrica do Mundo Afro (Carnaval da Bahia, 1974-2024), São Paulo: Editora 34, 2024. 176 p.Resenha de: AGIER, Michel. Ilê Aiyê: A Fábrica do Mundo Afro (Carnaval da Bahia, 1974-2024), São Paulo: Editora 34, 2024. 176 p

    O futuro da memória da escravidão no Índico: Lembrar e esquecer na Ilha de Moçambique e Zanzibar

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    Memorizing slavery is not a normal or natural phenomenon, it is quite the opposite. This is particularly evident on the Indian coast of Africa. Enslavement is often cited as part of the demand for social justice or reparation, but it is generally not displayed spectacularly, especially when social relations are still shaped by extreme and long-lasting inequalities rooted in slavery. In this text, we briefly describe how UNESCO developed two important projects, directly or indirectly related to the patrimonialization of the memory of transoceanic slavery, the General History of Africa and the Slave Route program. We will then highlight the challenges of preserving the memory associated with slavery in two important places in the history of transoceanic slavery, the islands of Zanzibar and Mozambique.Memorizar a escravidão não é um fenômeno normal ou natural. Isso é particularmente evidente na costa índica da África. A escravização é frequentemente citada como parte da demanda por justiça social ou reparação, mas, geralmente, não é exibida de forma espetacular, sobretudo quando as relações sociais ainda são pautadas por desigualdades extremas e duradouras enraizadas na escravidão. Neste texto, começamos descrevendo, brevemente, como a Unesco desenvolveu dois importantes projetos, direta ou indiretamente relativos à patrimonialização da memória da escravidão transoceânica – História Geral da África e o programa Rota dos Escravos. A seguir, evidenciaremos os desafios para a preservação da memória associada à escravidão em dois importantes lugares na história da escravidão transoceânica: as ilhas de Zanzibar e de Moçambique

    Corpos africanos, índices e mensurações: a antropometria na Angola colonial

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    This paper suggests a reading on the “anthropological attention” devoted to Africans in anthropometric studies conducted in Angola during the first half of the 20th century. Journals, conference proceedings, books, reports, and monographs have provided descriptions, classifications, images, and patterns concerning native peoples under the Portuguese empire, which have been linked, partially or completely, to modes of categorizing, representing, and analyzing the “indígenas” of the colonies. Bodily measurements, physical characters, and biological indexes have contributed to the repertoire of racial and ethnic classifications, as well as perspectives on the place of the “indígena” in the colonial economy. By contextualizing anthropometric practices, their results, and references, this work intends to discuss discourses on the Indigenous bodies elaborated in colonial context.Este artigo propõe uma leitura da “atenção antropológica” voltada aos africanos em estudos antropométricos realizados em Angola na primeira metade do século XX. Em artigos de periódicos, anais de congressos, monografias, relatórios e livros, circularam descrições, classificações, imagens e padrões atribuídos a povos nativos sob o império português, que estiveram vinculados, parcial ou integralmente, a modos de categorizar, representar e analisar os “indígenas” das colônias. Mensurações corporais, caracteres físicos e índices biológicos contribuíram com um repertório de classificações raciais e étnicas, bem como com interpretações relacionadas aos debates em torno do lugar do “indígena” na economia colonial. A partir da contextualização das práticas antropométricas, de seus resultados e referências, busca-se discutir as construções discursivas em torno do corpo indígena elaboradas em contexto colonial

    “Vinde à praça pública proclamar a sua liberdade”: o republicanismo popular e a luta pela abolição

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    Review of: SANTOS, Cláudia. Disputas Políticas pela Abolição no Brasil. São Paulo: Vozes, 2023. 424p.Resenha de: SANTOS, Cláudia. Disputas Políticas pela Abolição no Brasil. São Paulo: Vozes, 2023. 424p

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