Estudos Bíblicos
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A duração da vida do meu povo será como os dias de uma árvore (Is 65,17-25)
Por meio de uma análise exegética do anúncio de salvação de Isaías 65,17-25, procura-se refletir sobre o sentido da vida e longevidade na perspectiva da promessa. Em vez de procurar definir o referente histórico ou empírico dessa promessa, e numa perspectiva semiótica discursiva, sugere-se que os temas, figuras e símbolos do texto constroem uma estrutura conceitual em que “lugar”, “tempo” e “pessoas” são concebidas não em termos de livramento e distanciamento temporal ou físico da situação de oposição. São entendidos como inserção e superação de situações conflituosas, e em termos de um ideal de vida em que prevalece o desfrute do trabalho, a qualidade de vida, a longevidade, a relação harmoniosa com o criador e a paz entre criaturas antagônicas
Espetáculos de derrota no século XXI
Este artigo faz um diálogo com o artigo anterior. A autora trabalha com a noção de “o caminho dos frágeis” presente no pensamento paulino. Seu propósito é contradizer a lógica da competição que há neste mundo atual, a qual privilegia o “campeão” o “vencedor”, mostrando que na fraqueza encontra-se algo da excelência humana, isto é, a sua vulnerabilidade. No entanto, a autora não se propõe a trabalhar com Paulo, mas “refletir sobre o legado, cultivado e ampliado exponencialmente no mundo atual, da cultura agonística grega a partir da visão do perdedor, ou melhor, dos malsucedidos que não lograram o primeiro lugar, os derrotados, os marginais, os fracassados, e pensar que talvez eles estejam muito bem acompanhados nos seus insucessos”. A cruz de Cristo espelha essa vitória em meio à derrota. Conclui: “somos responsáveis uns pelos outros, e as nossas fragilidades podem ser nossa fortaleza”
A prostituta Babilônia – leitura de Apocalipse 17 e 18
O artigo faz uma leitura dos capítulos 17 e 18 do Apocalipse no contexto do atual domínio exercido pelo mercado sobre a sociedade no mundo, de modo especial na América Latina, considerando igualmente o contexto que originou essas páginas. O Apocalipse não se apresenta como futurologia, mas como anúncio de uma boa notícia a realizar-se em breve: a presença (parusia) do “Senhor Jesus”. Este é o “evangelho eterno” proclamado por ocasião da queda da Babilônia. Apocalipse 17–18 é a celebração da condenação de “Babilônia”, que foi efetivada pela sétima taça em 16,19. Apocalipse 17 a associa ao nunca nomeado Império Romano,que combate “o Cordeiro” vencedor. Apocalipse 18 insere essa derrota na tradição profética sobre as grandes cidades dominadoras, principalmente, Babilônia e Tiro. O Apocalipse nos ensina a ver a figura idolátrica por detrás do sistema do comércio mundial, e não precisamos de muita imaginação para ver a mesma coisa hoje
A bênção de Javé através da água
A água uniu e dividiu os grupos humanos no decorrer da história. No contexto do povo bíblico do Antigo Testamento, a água foi percebida como bênção de Javé, mas também foi motivo de descontentamento e de revolta. Depois de estabelecidos na terra, os hebreus incorporaram na liturgia do seu culto a provisão de água presenteada por Deus. A profecia, algumas vezes, encarou a falta de água como consequência do pecado humano, mas a sua abundância foi festejada como sinal de salvação. Na contemporaneidade, a água continua a ser motivo de dor de cabeça. Ao refletir sobre a sustentabilidade da vida, os participantes da Rio+20 manifestaram preocupação em relação à transformação da água, de dom de Deus em bem privatizado com consequências danosas ao ser humano. O sistema capitalista foi apontado como pernicioso à vida sustentável
O perfil de Deus nos Salmos
Os salmistas apresentam a Deus nos Salmos como Ser Absoluto pessoal que manifesta seus desígnios divinos de salvação com respeito aos homens. Logo de início o estudo se concentra no caráter marcante como Deus da Aliança vinculado com o Povo Eleito com laços de amor e fidelidade. Através de sua comunicação na oração da comunidade litúrgica se levanta o pensamento dos fiéis para um ideal de vida mais solidária. A partir dos dados sobre a natureza e atributos de Deus se explicitam os títulos divinos, como ocorrem também na linguagem dos livros bíblicos. Por fim, segue um capítulo sobre as metáforas aplicadas a Deus nos Salmos
Doença, castigo de Deus pelo pecado?
Doença, castigo de Deus pelo pecado? Este estudo tem o propósito de apresentar os textos bíblicos que deram base a esse modo de pensar. E, a partir deles, comparando-os com outros textos bíblicos e com as atitudes de Jesus de Nazaré, desmistificar a compreensão de Deus como castigador e punidor de pecadores com doenças, exclusão e até a morte. A pergunta dos discípulos de Jesus, em Jo 9,2, serve de base para toda a argumentação desenvolvida. Evidencia o modo como já no Primeiro Testamento a visão de Deus libertador, misericordioso, amoroso e bondoso é apresentada, e, depois, é reforçada por Jesus de Nazaré, que cura, perdoa, liberta e inclui as pessoas consideradas como pecadoras
A superação dos limites da injustiça e da violência a partir da prática da solidariedade
A violência e a injustiça fazem parte dos relatos que formam a história do povo de Deus. No entanto, não devemos compreender tanto um quanto outro como se fossem dados naturais ou mesmo como fruto da ação divina. Injustiça e violência são intoleráveis nas narrativas bíblicas e, diante delas, somente cabe a ação solidária de Deus que permite a superação da contradição social e econômica. A solidariedade para com a vida implica o exercício do amor, do comprometimento com a justiça e a não solidarização com o cultivo da violência. Solidariedade é superação das contradições do cotidiano
A cruz como superação e libertação
O presente estudo tem por objetivo apresentar uma reflexão acerca da cruz de Cristo. Para isso, trataremos da superação de Paulo após vivenciar o insucesso de sua missão em Atenas (At 17,22-34). Tal superação está ligada à missão a ser posteriormente realizada na cidade de Corinto. Nessa cidade, o apóstolo utiliza a linguagem da cruz como expressão de loucura e contradição para o mundo acostumado com vitórias e conquistas. A sabedoria para Paulo passa ser o Cristo crucificado. Na cruz de Cristo, o apóstolo funda a comunidade de Corinto e sustenta que é somente nela que os conflitos serão superados. Jesus propõe aos seus discípulos que se disponham a passar pelas mesmas consequências da práxis libertadora, pela cruz, para que a dor e o sofrimento humano também sejam superados