Estudos Bíblicos
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Análise decolonial em Paulo em 1 Coríntios
O texto discute o pensamento decolonial em sua história e contexto, na superação, mas articulação com a abordagem pós-colonial e anti-imperial. Fenômeno desenvolvido na América Latina, mas que guarda relações com o que foi adiantado no pensamento alternativo europeu e norte-americano. Nesta perspectiva, analisa-se a Primeira Carta aos Coríntios. Verifica-se que Paulo incide em praticamente todos os pontos que interessam à análise decolonial; revela-se forte inspiração a quem queira desenvolver uma abordagem da Bíblia comprometida com os pobres e com aqueles a quem falta a consciência de seu ser e de seu saber imersos na colonialidade/modernidade que ainda mais do que nunca os domina
As mulheres seguiam e serviam jesus em Lc 8,1-3
O texto de Lc 8,1-3 relata que um grupo de mulheres da Galileia seguia a Jesus e o servia. Há uma dificuldade em precisar a que tipo de bens o autor estava se referindo. Uma análise do termo grego yparchónton é imprescindível para compreender o alcance teológico que Lucas quis dar à expressão. O termo não pode ser traduzido apenas como se referindo aos bens econômicos e materiais, pois reduziria a ação desta diaconia feminina. A interpretação mais apurada da expressão grega yparchónton indica que as mulheres serviam a Jesus a partir de suas possibilidades, de acordo com o carisma que cada qual possuía. Então pode-se afirmar que o serviço e o seguimento não dependem da posição social, política ou religiosa para servir a Jesus, à Igreja e à sociedade. Com suas condições e possibilidades as mulheres contribuem muito em nossas comunidades na conquista de políticas públicas para o bem comum e para o Reino de Deus
Editorial. Dossiê: Jesus em confronto com as forças do mal no Evangelho de Marcos
Editorial, v. 34, n. 135 (2017)
Jesus em confronto com as forças do mal: uma abordagem teológico-espiritual de Mc 1,12-13
The Gospel according to Mark was the first to be written and served as the source for the gospels according to Matthew, Luke and John, respectively. Mark is the only evangelist who calls his work “gospel”, a word from the Greek language, euangélion, “good news”. For him, the good news is Jesus Christ himself. This article intends to focus on the person of Jesus in confrontation with the forces of evil, symbolized by temptations and at the same time his victory over them, which encourages us to reform our lives and feeds our hope in an ecclesial and social reality more fraternal, humane and just.O Evangelho segundo Marcos foi o primeiro a ser escrito e serviu de fonte para os evangelhos segundo Mateus, Lucas e João, respectivamente. Marcos é o único evangelista que intitula sua obra de “evangelho”, palavra proveniente da língua grega, euangélion, “boa-nova”. Para ele, a boa nova é o próprio Jesus Cristo. Este artigo pretende focalizar a pessoa de Jesus em confronto com as forças do mal, simbolizadas pelas tentações e, ao mesmo tempo, sua vitória sobre elas, que nos anima à nossa própria reforma de vida e alimenta a nossa esperança em uma realidade eclesial e social mais fraterna, humana e justa
A vida nos biomas do Brasil e de Israel
O artigo propõe uma análise dos biomas de Israel dos tempos bíblicos, em comparação com os biomas do Brasil, numa proposta de preservação e defesa da vida. Na primeira parte, apresenta uma síntese dos seis principais biomas brasileiros, Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, com alguns destaques mais curiosos. Na segunda parte, expõe a geografia de Israel, com suas quatro faixas naturais, planície costeira, montanhas centrais, vale do Jordão e Transjordânia, com os dados e informações pertinentes. Na terceira parte, avalia os três biomas principais de Israel, deserto, estepe e bosque, com as respectivas características. Conclui pela emergência em preservar os biomas naturais para o bem-viver das pessoas no planeta
Editorial. Dossiê: “Aprendei: quero misericórdia e não sacrifício!” (Mateus 9,13)
Editorial, v. 33, n. 129 (2016)
Caim e Abel: duas oferendas – duas atitudes de Deus. Uma análise narrativa de Gn 4,1-16 em perspectiva cultual
O foco das leituras de Gn 4,1-16 tem se concentrado na violência e no fratricídio, temas perceptíveis mesmo numa leitura de superfície. Este artigo privilegia a questão cultual, considerando a importância que as oferendas de Caim e de Abel, com as respectivas reações de Deus – aceitação e rejeição –, são um marco na ruptura das relações entre os irmãos. A análise da narração, salientando o enredo, explicita o desenrolar da ação que desemboca no fratricídio e suas consequências, decorrentes da insatisfação de Caim em face à atitude de Deus. O episódio contém elementos importantes para uma reflexão em torno do tema do culto na Bíblia. 
O livro de Isaías em grego: o tradutor-intérprete da Hazôn Yešayahu / visão de isaías
A transposição dessa grande obra da escatologia profética da Bíblia Hebraica para a língua grega revela um único tradutor com seus vínculos comunitários num determinado lugar histórico, perseguindo uma intencionalidade singular junto a seu público leitor e ouvinte. Sua competência de tradutor e intérprete da palavra profética isaiana e de seus complementos redacionais o faz transitar com liberdade entre o mundo da cultura judaica e o universo da cultura helenística representado pelo Egito ptolomeu do séc. II aC; escreve um grego koinê de bom nível com fluência e estilo, dando à Visão de Isaías com seus 66 cap. a unidade literária não existente no seu texto-base em hebraico. Seus mestres foram os redatores de notas explicativas, ainda escritas em hebraico, ensinando-lhe a arte de atualizar o legado isaiano e de seus discípulos para seus respectivos contextos. Além de tradutor, livre da escravidão à letra hebraica, ele crê na palavra profética, prenhe de sentido, que ultrapassa o momento de sua primeiraedição e a vincula à comunidade de fé de seu tempo. Esse ponto de partida hermenêutico é testado, pontualmente, no Isaías da Septuaginta; uma vez nos rastros deixados ao longo de sua tradução como pessoa inserida na comunidade judaica egípcia; uma segunda vez, os poemas messiânicos e o quarto cântico do servo são submetidos ao mesmo teste
A influência da tradução no sentido do texto bíblico: uma análise de 1Cor 13,1-7
Abordaremos, neste artigo, alguns desafios relacionados à tradução da Bíblia. Deparamo-nos, hoje, com uma infinidade de traduções da Sagrada Escritura, realizadas em praticamente todas as línguas. É possível traduzir um texto bíblico, mantendo seu sentido original? Veremos, brevemente, os contextos que provocaram as primeiras traduções e as dificuldades para adequar o texto bíblico original dentro de outras línguas e culturas, sobretudo em nossas línguas modernas. Uma tradução pode ser literal oudentro do princípio da equivalência dinâmica. Ambas têm o mesmo objetivo, mas adotam métodos diferentes. A crítica textual, com o auxílio das ciências modernas, pode ser instrumento para se chegar mais próximo do texto original. Com um recorte do hino do amor, analisamos brevemente a tradução de alguns termos e expressões, objetivando perceber que toda tradução, até mesmo a literal, não deixa de ser uma interpretação
O teólogo no banco dos réus: a tradução e interpretação da preposição ’el em Jó 42,7-8
A tradução do livro de Jó tem sido um dos grandes desafios para quem se ocupa com essa obra-prima da literatura sapiencial veterotestamentária. Nos últimos anos, a pesquisa tem trazido à tona alguns problemas de tradução do texto, que inclusive chegam a influenciar a sua interpretação. Um exemplo bastante discutido são os versos de Jó 42,7-8. Javé faz uma crítica veemente aos amigos de Jó, porque eles não teriam falado corretamente sobre Ele, como o seu servo Jó o fez. Mas no texto hebraico a preposição usada está no sentido de direção, ou seja, o correto seria traduzir o falar corretamente a Deus. É curioso que todas as versões deBíblias, tanto em língua portuguesa como em outras línguas não traduzem o texto no sentido de direção de discurso (falar a Deus ou para Deus). O presente artigo apresenta de forma breve as implicações desta tradução, a discussão a respeito desse problema na pesquisa exegética do livro de Jó e propõe uma tradução que seja coerente tanto com o termo hebraico como também com a teologia do livro