Estudos Bíblicos
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Paideia grega e apocalíptica judaica
O artigo mostra a reação de Israel ao processo de helenização, especialmente a partir do segundo século antes de Cristo, quando surge a apocalíptica judaica. Esse movimento, de cunho mais literário, é uma radicalização da escatologia já existente em Israel, com a finalidade de resistir à destruição da identidade e dos valores ético-religiosos do povo judeu. Como exemplo dessa reação, o autoranalisa um texto apocalíptico do livro de Daniel, o mais antigo de todos eles, provavelmente: 2,1-49. Face ao imperialismo, a sobrevivência passa por uma convicção de que nem a sabedoria nem o poder humano podem confrontar Deus verdadeiro de Israel
A Bíblia respira profecia: “se calarem a voz dos profetas...”
Oautor convida seus leitores a visitar algumas profecias bíblicas, especialmente das parteiras egípcias, de Elias, Amós, Miqueias e de Jesus de Nazaré, na esperança de que elas possam iluminar suas consciências e aquecer seus corações para discernir o que é preciso fazer e como fazer para um maior compromisso com a causa dos pobres. Contemplando como agiram profetisas e profetas da Bíblia – numa atitude anticonformista e de crítica às causas das injustiças sociais –, uma orientação surgirá para a nossa missão na atualidade deste mundo que ainda é uma terra com tantos males
Terra: revelação e dádiva (Êxodo 6,2-8)
The article deals with land care as an expression of a new vision of ownership and possession of assets. From the search for other possible worlds, it presents an exegesis of Exodus 6:2-8 that highlights its main themes: the revelation of YHWH and the liberation of the Israelites for a new and dignified life on earth given by YHWH to his people. Its basic hypothesis is that the pericope manifests the voice of the Judaite peasantry in the process of reorganization of Judah under the period of Persian domination and in the consequent composition of the normative form of the Pentateuch (Torah). Its hermeneutic inspiration comes from the popular reading of the Bible and its exegetical methodology is similar to the so-called Critique of Writing, with an emphasis on the role of sociocultural memory in the composition of texts.O artigo versa sobre o cuidado da terra como expressão de uma nova visão da propriedade e posse dos bens. A partir da busca por outros mundos possíveis, apresenta uma exegese de Êxodo 6,2-8 que destaca os seus temas principais: a revelação de YHWH e a libertação dos israelitas para uma nova e digna vida na terra dada por YHWH a seu povo. Sua hipótese básica é que a perícope manifesta a voz do campesinato judaíta no processo de reorganização de Judá sob o período da dominação persa e na consequente composição da forma normativa do Pentateuco (Torá). Sua inspiração hermenêutica vem da leitura popular da Bíblia e sua metodologia exegética se assemelha à chamada Crítica da Redação, com ênfase para o papel da memória sociocultural na composição de textos
Saúde na Bíblia Hebraica
A partir do texto bíblico, em sua forma final aceito como Escritura pela Igreja, sem deter-se na análise crítico-histórica, são analisadas diversas passagens que valorizam a saúde, tanto nas relações comunitárias como nas relações com o meio ambiente. Na sua percepção holística da saúde a Bíblia inclui não somente aspectos materiais mas, também, espirituais. Diante da sede de podereconômico, em busca do lucro egoísta, que ameaça a vida, a saúde, e a própria natureza, procura-se o caminho da valorização das dimensões totais do ser humano e do respeito às demais criaturas e ao meio ambiente
Crianças e jovens submetidos à opressão: uma abordagem da situação em Lm 5 e considerações sobre crianças e jovens no Brasil atual
O livro de Lamentações é constituído de cinco composições poéticas seguindo uma estruturação alfabética, sendo que os quatro primeiros poemas formam um acróstico e o quinto é alfabético. Esta forma de escrever estava ligada à facilidade de memorizaçãopelas pessoas ou até por uma questão estética1, mas certamente estas não eram as únicas justificativas para a estrutura acróstica/alfabética: dessa forma o poeta transmitia o sentido de completude do lamento2, havia esgotado tudo o que se podia dizer sobre a tristeza do povo ao ver o Templo em ruínas
Intolerância religiosa em Oseias 1–3
A intolerância sempre esteve presente na vida do ser humano e da sociedade. Tolerar é ser benevolente, respeitar a opinião alheia, ser complacente. Intolerar, ao contrário, é ser intransigente. No que diz respeito à intolerância religiosa muito já se tem dito, desde as Cruzadas ocorridas entre os séculos XI e XIII, passando pela terrível página do holocausto dos judeus na Europa, até os ataques suicidas de homens-bomba motivados por princípios do fundamentalismo islâmico ou os confrontos entre cristãos e muçulmanos na Nigéria, resultando na morte de muitas pessoas inocentes. O desrespeito às escolhas religiosas individuais gera violência. Em nome de Deus muitas tensões e conflitos são legitimados promovendo a exclusão de pessoas, no âmbito social, do sagrado e do direito à vida
Marta e Maria, diferentes níveis do conflito
O conflito entre Marta e Maria pode representar uma certa provocação aos muitos que, ingenuamente, elogiam o trabalho serviçal, a atividade doméstica e a disposição em servir, por servir, mesmo sem muito pensar.Emmuitos encontros de formação, de grupos paroquiais e outras formas de atividades participativas, não faltam os destaques a quem se dedica a trabalhos na cozinha, na limpeza de banheiros ou na preparação dos ambientes – essas são as “Martas”. Algumas vezes essa se torna uma realidade palpável. No entanto, o encontro de Jesus com Marta e sua irmã Maria revela um nível mais profundo de conflitos que podem ser de natureza cultural, ideológica ou eclesial. Porque Maria escolheu a melhor parte? Servir não é importante? Quem está, culturalmente, no lugar de Marta? Maria, a quem representa? 
De Malaquias a João Batista: a volta de Elias
João Batista pode ser considerado uma figura emblemática e que produz alta densidade simbólica.Não somente por conta de sua ação e reação diante das questões emergenciais relativas à vida que participou quanto de como essas mesmas ações e reações foram pensadas simbolicamente pelas primeiras comunidades cristãs. De fato, o João Batista das comunidades cristãs é muito superior ao Batista histórico. Amaneira como as primeiras tradições cristãs abordam a vida e ministério de João Batista faz com que ele transcenda tempo e espaço, tornando-o umpersonagemideal para os seus objetivos
Por uma hermenêutica dos tópoi bíblicos
Os artigos aqui reunidos, discutidos antes de escritos, não vão responder a todas as questões dessa nossa boa época de instabilidade, desse feliz desequíbrio. Tentarão, porém, sugerir direções partindo de um guia seguro: nossa base são os textos bíblicos. Vamos buscar o espaço para o qual a letra aponta em seu aspecto epifânico, metafórico e simbólico, real, concreto, objetivo e subjetivo também; queremos mapear o espaço sentido e o imperceptível. E mais, buscamos um espaço que, embora preso às letras inúmeras, a múltiplas partículas, em hebraico e grego e línguas outras mil – aquelas em que os livros da Bíblia foram traduzidos e até aquelas que só pertencem ao Espírito de Deus – , um espaço que se faz carne e corpo, deambula entre nós, às vezes muito sensorial (ou seria imaginário?)
A misericórdia e compaixão no Evangelho de Lucas: inspiração para uma Igreja em saída
Luke presents Jesus as himself being the expression of the Father's mercy. It is in his way of acting that his merciful attitude towards people, especially those most in need and marginalized, can be seen. Jesus is the Savior who brings salvation, freeing people from everything that prevents them from living a dignified life. Mercy and compassion are proper attitudes to be cultivated in current times. The Church which goes forth, as Pope Francis asks, with shepherds who can smell the sheep, is a merciful and compassionate Church, capable of going in search of the lost and marginalized sheep.Lucas apresenta Jesus como sendo ele próprio a expressão da misericórdia do Pai. É no seu modo de agir que se percebe a atitude misericordiosa diante das pessoas, sobretudo as mais necessitadas e marginalizadas. Jesus é o Salvador que traz a salvação, libertando as pessoas de tudo aquilo que as impedem de viver uma vida digna. Misericórdia e compaixão são atitudes próprias para serem cultivadas nos tempos atuais. A Igreja em saída, como pede o Papa Francisco, com pastores que sintam o cheiro das ovelhas, é uma Igreja misericordiosa e compassiva, capaz de ir em busca das ovelhas perdidas e marginalizadas