Estudos Bíblicos
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    Reclamando “de barriga cheia”: o maná e as codornizes em Qibrot-hatta’awah (Nm 11,4-35)

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    No contexto dos conflitos no deserto, a redação final do livro dos Números resgata os relatos de Ex 16–18, referentes ao maná, às codornizes e à divisão do governo de Moisés. Trata-se de um conflito em Qibroth-hatta’awah (Nm 11,4-35), guiado pelo desejo desenfreado por carne, manifesto por um grupo no meio do acampamento. Esse artigo apresenta uma análise teológica do texto de Nm 11,4-35, enfocando os aspectos relacionados ao alimento na Bíblia. O texto foi trabalhado em sua forma final, valorizando aspectos estilísticos e temáticos, bem como elementos de intertextualidade entre Nm 11,4-35 e Ex 16. Na ótica do alimento, foi destacado o desejo desmedido por comida, que gera o conflito contra o projeto de libertação de Deus, a necessidade de educar o povo colocando líderes animados pelo espírito de Deus e o caráter exemplar do relato, mostrando o castigo como consequência do desejo do povo. O texto manifesta a necessidade de uma verdadeira educação para a solidariedade. Necessitamos de estruturas estáveis que, profeticamente, lembrem o cristianismo de sua missão de incrementar o Reino de dignidade e justiça em nosso meio

    As refeições entre as primeiras comunidades cristãs

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    Na experiência das primeiras comunidades cristãs, encontra-se a dinâmica do Espírito que conduz a Igreja à superação das diferenças e à continuação do serviço do Reino de Deus. Nessa práxis libertadora e misericordiosa da Igreja, a questão alimentar e suas regras humanas são superadas. Destaca-se nesse artigo algumas características da Igreja primitiva: a fração do pão e sua partilha nas casas; o serviço em favor dos mais pobres, especialmente às viúvas; o derramamento do Espírito Santo sobre os pagãos; a realidade das comunidades mistas; o fim dos tabus alimentares que se davam como regras meramente humanas e excludentes, autorizado por Jesus Cristo são os sinais dos novos tempos, iniciados com a vinda do messias e continuados na Igreja, Sinal do Reino de amor, justiça e salvação para todos

    Editorial. Dossiê: Qumran e Manuscritos do Deserto da Judeia

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    Editorial, v. 34, n. 136 (2017)

    A halakhah de Qumran: entre a tradição e a inovação

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    Na região da Judeia, durante o período do Segundo Templo, havia uma pluralidade considerável de grupos religiosos de matriz judaica. Cada um deles possuía uma halakhah elaborada com base nas tradições antigas, mas que esteve também aberta para inovações. Um dos grupos em que a tradição e a inovação estiveram presentes foi o de Qumran. Em seus escritos é possível encontrar um número significativo de elementos halakhicos herdados do passado. Contudo, os que mais chamam a atenção são os elementos inovadores. São estes que necessariamente conduzem à seguinte questão: o que esteve por trás das inovações na halakhah de Qumran? Como será considerado neste artigo, o tempo presente foi o responsável por prover a matéria-prima necessária para as inovações em Qumran

    O messianismo de Qumran e o Quarto Evangelho

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    Desde que foram descobertos, os Manuscritos do Mar Morto têm lançado luzes sobre as tradições teológicas do Novo Testamento, dentre as quais o Quarto Evangelho, podendo assim ser de grande importância para um melhor entendimento dos escritos joaninos, os quais apresentam algumas peculiaridades que os diferenciam da teologia dos sinóticos. Neste sentido, a literatura de Qumran – a qual apresenta uma teologia messiânica peculiar – é de grande importância para se compreender alguns aspectos da teologia, e principalmente da cristologia do Quarto Evangelho

    A função dos exorcismos no Evangelho segundo Marcos

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    It has become usual nowadays to exhibit exorcisms on television shows. This article analyzes some exorcisms performed by Jesus to better understand this question. The study of some passages of the Gospel according to Mark will show whether demonic manifestations broadcast on TV programs are in accordance with Jesus’ practice or whether they are fruit of the postmodern horizon. Although in many aspects the current worldview coincides with the cultural context of the first century, Mark’s accounts of exorcisms are linked primarily to the proclamation of the Kingdom of God and its effects on human life.Tornou-se corriqueiro nos dias atuais a exibição de exorcismos em programas televisivos. Este artigo analisa alguns exorcismos realizados por Jesus para melhor compreender esta questão. O estudo de algumas perícopes do Evangelho segundo Marcos mostrará se as manifestações demoníacas veiculadas nos programas de TV estão de acordo com a prática de Jesus ou se são frutos do horizonte pós-moderno. Embora, em muitos aspectos, a cosmovisão atual coincida com o contexto cultural do primeiro século, os relatos marcanos sobre exorcismos estão vinculados principalmente ao anúncio do Reino de Deus e seus efeitos na vida humana

    Jesus em conflito com os discípulos

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    In the universe of evil’s manifestations, whether through imperial power, official religion, or the dominant segments of society, Jesus is in confrontation with evil spirits. But in the circles closer to Jesus, those of his relatives and his disciples, there are also conflicts caused by evil influences. It is the conflict with his disciples as to the true course he should take to fulfill his mission, in comparison with the various interests and understandings of the group of twelve, which this article deals with. Who is Jesus to his disciples and what is the meaning of his mission?No universo das manifestações do mal, sejam através do poder imperial, da religião oficial ou dos segmentos dominantes da sociedade, Jesus está em confronto com os espíritos maus. Mas nos círculos mais próximos de Jesus, os de seus parentes e de seus discípulos, também ocorrem conflitos causados por influências malignas. É do conflito de Jesus com seus discípulos sobre os verdadeiros rumos que deveria tomar para o cumprimento de sua missão, em confronto com os diferentes interesses e entendimentos do grupo dos doze, que trata este artigo. Quem é Jesus para os seus discípulos e qual o significado da sua missão

    “Nos salgueiros penduramos nossas harpas” (Sl 137,2): O exílio babilônico

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    As migrações são uma realidade complexa e de múltiplas causas. Assim como elas fazem parte da história brasileira, o mesmo ocorre em relação à história de Israel, registradas desde seus primórdios. Situado entre o Egito e a Mesopotâmia, Israel sempre conviveu com migrantes. A presença de estrangeiros em terras israelitas foi uma realidade contínua e a fome foi uma das principais causas das migrações bíblicas. Por isso a grande atenção da Sagrada Escritura para com os estrangeiros, a ponto de exigir amá-los como a si próprios (Lv 19,34). O exílio babilônico rompeu com uma trajetória de Israel. Com as deportações, Israel tornou-se migrante, não apenas em terras estrangeiras, mas também em sua própria pátria. A concepção pós-exílica de Israel ser um povo santo e  consagrado ao Senhor foi rompendo com os estrangeiros, passando a considerá-los impuros, com os quais deveriam evitar relações.

    A profecia da Terra e do universo: “A criação geme e sofre dores de parto” (Rm 8,22)

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    Faz-se cada vez mais necessário ouvir a “profecia da Terra”, prestar atenção à sua voz, entrar em comunhão com o universo. O primeiro grito da criação afirma que o ser humano não é o centro da natureza, mas faz parte da “comunidade da vida”. O universo é constituído como um todo, em expansão, como realidade relacional, num contínuo processo de criação. O texto de Rm 8,19-31 personifica a terra e o universo, ao afirmar que toda criação anseia pela libertação e vive um processo de salvação cósmica. Há uma coincidência entre os gemidos humanos e as dores de parto da natureza. O texto paulino estabelece um encadeamento entre os gemidos da terra, os gemidos da humanidade e os gemidos do Espírito. A humanidade é chamada a participar ativamente desse processo de aperfeiçoamento progressivo do universo, em vista do cuidado ecológico global

    Tradução: passar de uma língua a outra

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    A tarefa da tradução é mais complexa do que se pensa. Ao fazer uma tradução, o tradutor leva para o texto um aprendizado de pressupostos teológicos que influenciam sobre o resultado da tradução. Os autores procuram demonstrar que por mais que o tradutor esteja imbuído do sincero propósito de oferecer um texto isento de vícios, incorreções e imprecisões, por vezes, os obstáculos são intransponíveis e aquilo que pretendia ser uma tradução se torna inevitavelmente também uma interpretação

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