Estudos Bíblicos
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Paulo, hermenêutica e ecologia: Rm 8,18-23; Cl 1,15-20 e Rm 1,18-32
A pesquisa nas relações entre Bíblia e ecologia surge e vem se avolumando à medida que o tema ambiental cresce em interesse e alarme. A abordagem da ecologia na Bíblia e da Bíblia na ecologia enfrenta resistências de ambos os lados e pede uma hermenêutica adequada que respeite os dados das duas áreas. É possível ler a Bíblia com “lentes hermenêuticas” apartir de chaves heurísticas tanto bíblicas quanto ecológicas, elaborando construtos, por interesse e refocalização dos dados, como fazem outras teologias – a teologia da libertação e a teologia feminista – e assim aproximar biblistas e ecologistas. Propõe-se uma hermenêutica teológica narrativa de Paulo. Focalizam-se particularmente os textos de Rm 8,18-23 e Cl 1,15-20, que estão entre os textos mais visitados na pesquisa bíblico-ecológica. Confrontam-se estes textos com Rm 1,18-32; 5–7 na abordagem pós-colonial da Bíblia, a qual converge com a opção pelos pobres e sua libertação. São eles os mais atingidos pela crise ecológica. Pauloinfunde esperança. As propostas que emergem desta hermenêutica narrativa relacionam-se às concepções de reconciliação cósmica e pacificação da totalidade da criação, superando o antropocentrismo negativo e estrito
A interpretação da Bíblia e a leitura fundamentalista: literatura segundo o Magistério Católico desde o Concílio Vaticano II
Este artigo, partindo de uma preocupação prática pastoral, bem como levando em conta o diálogo que se realizou no Concílio Vaticano II entre a Igreja Católica e a razão moderna e a hermenêutica pós-moderna, apresenta brevemente as linhas mestras do magistério católico a respeito da interpretação da Bíblia e da sua leitura fundamentalista ou literalista, tendo por base a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina e o documento da Pontifícia Comissão Bíblica A Interpretação da Bíblia na Igreja
Um discipulado mais pleno: a mulher de Betânia (Mc 14,3-9)
O evangelho de Marcos (14,3-9) apresenta uma mulher que unge a cabeça de Jesus em Betânia com um perfume de nardo puro, o que revela um caminho de plenificação do discipulado a partir da superação de algumas estruturas. Neste estudo, foi conduzida uma análise sinótica do texto, uma explicação de termos (Betânia, a mulher sem nome, o puro nardo, quebrar o vaso) para partir para uma análise teológica, a partir das duas estruturas apresentadas na perícope em tom de superação: a visão deturpada sobre o messianismo e o seguimento exclusivamente ritualístico da Lei. Certamente, é uma narrativa paradigmática sobre o seguimento de Cristo. Somente a partir da superação de uma visão incompleta sobre o discipulado, o cristão poderia seguir a Cristo em sua plenitude e as primeiras comunidades cristãs, iluminadas pelo evangelho de Marcos, poderiam viver sua vida nova de forma também plena
Das sendas do direito e da justiça: educação para uma vida ética no profetismo bíblico
O autor ressalta que a leitura e interpretação dos textos proféticos permitem traçar um roteiro de educação para uma vida ética, que é tão necessária nos dias de hoje. As exigências éticas, para os profetas, encontravam seu valor na referência a Deus, não em si mesmas. É o próprio Deus, com seu agir libertador, no êxodo, que toma partido do fraco e oprimido. Areligião javista reconhece emDeus um propósito ético, por isso, a conduta humana deverá ser pautada por relações interpessoais de misericórdia e justiça,mais do que nas práticas cultuais. Ocaminho paraDeus passa, necessariamente, pela vivência da justiça, pela defesa do direito e da misericórdia para com os oprimidos. Jesus Cristo, o profeta de Nazaré, se distinguirá pela defesa do reinado de Deus neste mundo. Reinado, este, que se consolida no amor ao próximo, no testemunho de vida em favor dos pobres e desprotegidos. Sem profetismo, a fé perde a credibilidade. 
Jesus e a saúde do povo: uma abordagem sociorreligiosa de Mc 1,21-39
As narrativas dos evangelhos, baseadas em tradições elaboradas por comunidades primitivas vinculadas a Jerusalém, realçam a atividade pública de Jesus com um caráter marcadamente terapêutico. Assim acontece no Evangelho de Marcos, com a narrativa sobre o início da ação missionária de Jesus (Mc 1,21-39), a qual, submetida à análise literária, neste artigo, leva a um aprofundamento da reflexão sobre a prática de Jesus em prol da saúde de seu povo. E Jesus o faz, não sozinho, mas com um grupo de amigos e amigas, curando as pessoas e promovendo a saúde pública por meio de seu ensinamento prático, voltado para a preservação da vida em plenitude
Lucas 15,11-32: o que é dissipado e o que nunca está perdido no jovem
As parábolas de Lc 15,11-32 e aquela do Bom Samaritano (Lc 10,2-37) junto com o texto dos Discípulos de Emaús (24,23-35) unem-se nas mais belas páginas do material propriamente lucano, revelam o melhor da narrativa em Lucas e estão entre os textos do Evangelista mais comentados na história do cristianismo. Lc 15,1-32 é o texto que, mais do que qualquer outro texto dos evangelhos, suscitou uma variada discussão a respeito da conduta humana1 e uma interpretação elaborada na literatura, nafilosofia, na música, na arte cênica e na pintura2. Pode-se concordar com Jones que a estória que esta parábola revela “combina num padrão sucinto temas como liberdade e responsabilidade, desavença, caráter pessoal da vida, desejo, saudade e retorno, graça, angústia e reconciliação [...] características universais da vida e [...] necessidades humanas básicas”3. Recentemente privilegia-se a abordagem narrativa4 em Lucas, o que torna ainda mais instigante o enredo deste texto. Como toda parábola, especialmente esta tem levado a múltiplas interpretações, já que traz um percurso interrogativo e um final aberto. Como veremos, seu nível alegórico de significado é irresistível5, quanto à referência ao próprio Jesus e à sua divina misericórdia, aos publicanos e pecadores, aos fariseus e escribas, ao pai e aos filhos, de ontem e de hoje.Alinguagem parabólica anima a produção de novos sentidos. Temos aqui uma parábola em forma narrativa, mas faltando-lhe uma aplicação explícita, o que dá mais liberdade ao intérprete. A amplitude bibliográfica é indício da abundante semântica do texto parabólico
Tolerância e intolerância em Jeremias
Muito se tem discutido e escrito, sobretudo na Europa, sobre a questão da tolerância, tema sempre relacionado ao da intolerância. Recentemente a intolerância foi o tema de um Fórum Internacional promovido pela Academia Universal das Culturas1. É palpável também a intolerância de caráter religioso no Brasil, de católicos e evangélicos contra cultos africanos, de católicos contra evangélicos e de evangélicos contra católicos, sem falar na discriminação de minorias étnicas e de gênero2. Há também abordagens bíblicas sobre a questão da intolerância3
Universos virtuais bíblicos
Uma vez que a temática de fundo deste número de Estudos Bíblicos é o “lugar”, é lícito que nos perguntemos se há na Bíblia também lugares “virtuais”, isto é, universos regidos pelas leis do imaginário e do irreal. Aresposta é, sem dúvida, “sim”! Há também na Bíblia universos virtuais. É o que este artigo tentará demonstrar, lendo textos de dois livros de índoles bem diversas: um livro profético (Jeremias) e um livro sapiencial (Qohélet ou Eclesiastes)