Estudos Bíblicos
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Três palavras que fazem lembrar o Pe. José Comblin
Pe. José, como era carinhosamente chamado por seus amigos e amigas, evoca uma era da História da Igreja, da História do Brasil e do Continente. Ele trazia como “tatuagem” em seu corpo de venerável ancião as nossas sofridas e doces lembranças, as nossas inapagáveis esperanças. Quando penso em Pe. José, lembro-me naturalmente de três aspectos que formavam a sua personalidade: testemunha da Tradição, genialidade e admirável sabedoria. É o que tento passar aqui, de minha experiência com ele. O presente texto é um recorte de artigo que foi lançado há exatos dez anos atrás, por ocasião dos 80 anos do Pe. José Comblin: “A esperança dos pobres vive” (Paulus, 2003)
Os fundamentos do amor solidário para com os pobres estudo da bem-aventurança de Mt 5,3 em homenagem ao teólogo José Comblin
Quem são “os pobres” citados nos Evangelhos? Qual a diferença entre “pobres em espírito” das bem-aventuranças do evangelho segundo Mateus (5,3) e os “pobres” das bem-aventuranças do evangelho segundo Lucas (6,20b)? Quem são os pobres no âmbito social em que se encontrava Jesus de Nazaré? Estas perguntas sempre questionam quem se aproxima dos estudos bíblicos de modo mais profundo. Este artigo, em homenagem ao teólogo belga e nordestino José Comblin, busca nos escritos dele alguma luz para tais questões, fundamentais para a Teologia que foi elaborada no contexto latino-americano, no período posterior ao Concílio Vaticano II
“Céu como bronze e terra como ferro” (Dt 28,23): ecologia no Livro do Deuteronômio
O estudo sobre a ecologia no Deuteronômio contém duas partes. A primeira refere-se às questões preliminares a respeito do livro do Deuteronômio, como seu nome, sua composição, sua origem e seu processo de formação. A segunda parte concentra-se na análise de dois textos significativos que versam sobre a temática da ecologia. Um deles é Dt 28,1-68. Em Dt 28,1-14, seu redator elenca uma série de bênçãos para os e as israelitas quando suas relações com Deus, com os seres humanos e com o restante da criação forem harmoniosas, justas e humanas. Se estas, no entanto, forem rompidas, então, virá sobre os e as israelitas umaladainha interminável de maldições, pondo em risco sua sobrevivência no seu país. O texto Dt 20,19-20 proíbe terminantemente o barbarismo e o vandalismo bélico, muitas vezes aplicado aos bens e à população dos vencidos
Editorial. Dossiê: Monoteísmos: intolerância, discriminação e violências em nome de Deus
Editorial, v. 29, n. 116 (2012)
Mentir ao Espírito Santo ou enganar a comunidade? Superação como reconstrução da identidade em At 5,1-11
O presente trabalho tem por objetivo apresentar alguns aspectos fundamentais da identidade cristã primitiva, subjacente ao relato dos Atos dos Apóstolos. Para isso, busca-se contextualizar a teologia da história lucana no contexto da obra, apontando a influência exercida pela mesma sobre a idealização da comunidade jerosolimitana retratada nos cinco primeiros capítulos. Parte-se, portanto, da perspectiva, segundo a qual a história é regida pela providência. Ressalta-se a sensibilidade lucana em relação aos pobres e o papel da koinonia na configuração das relações. Sobre esse substrato teórico, encaminha-se a análise do episódio narrado em At 5,1-11, cujo enfoque principal consiste na violação da koinonia que conflui na inversão da identidade originária do cristianismo jerosolimitano. Estabelece-se, assim, a oposição entre teologia da ruptura, personificada na atitude de Ananias e Safira, e teologia da comunhão, evidente na atitude de Pedro e no conteúdo da perícope lido em correlação com os capítulos imediatamente precedentes. Disso resulta que, na compreensão lucana, superar a crise é reconstruir a identidade cristã original sob o prisma da koinonia
Nicodemo, un camino de discipulado
The Gospel of John allows one to immerse oneself through the character of Nicodemus in the adventure of believing, listening, acting and recognizing. He appears at three extremely important moments for the evangelist: at the beginning of Jesus' ministry in Jerusalem; then, at the Feast of the Tents, when it comes the division between those who believe in Him and those who do not and, finally, at the moment of his death. In each of them there are elements that reveal the different ways of responding to the person of Jesus: superficially, against Him, or with a committed adherence to concrete actions. Thus, Nicodemus serves the narrator to present a process of discipleship, with progressive changes in both perception and action; For this reason, the narrative plot of the character allows us to see the evolution of his faith, his ambiguities, his shyness and, finally, his decisions.El Evangelio de Juan permite sumergirse a través del personaje de Nicodemo en la aventura del creer, de la escucha, de la acción y del reconocimiento. Aparece en tres momentos sumamente importantes para el evangelista: al inicio del ministerio de Jesús en Jerusalén; luego, en la fiesta de las Tiendas, cuando llega la división entre quienes creen en Él y quienes no y, por último, en el momento de su muerte. En cada uno de ellos se presentan elementos que dejan ver los diferentes modos de responder a la persona de Jesús: de modo superficial, en contra de Él, o con una adhesión comprometida en acciones concretas. Así, Nicodemo sirve al narrador para presentar un proceso de discipulado, con cambios progresivos tanto en la percepción como en la acción; por eso, la trama narrativa del personaje permite ver la evolución de su fe, sus ambigüedades, su timidez y, finalmente, sus decisiones
“Deus não é de confusão, e sim de paz”: liturgia e paz em 1Coríntios 14,26-40
Paz está associada a um contexto litúrgico na parte final de 1Cor 14. Nem por isso deixa de ser significativa a evocação, pelo contrário. Essa paz, gerada em meio a cânticos e orações, nasce dentro dos muros de nossos templos e de nossas comunidades. Ela fertiliza consciências e as motiva a ser comprometidas com a não violência. Apresentam-se de forma breve considerações exegéticas que, espera-se, suscitem inquietações quanto aos diversos elementos que emolduram o texto, sobre o qual são projetadas possibilidades motivadoras de atualização, no que concerne à urgência da emersão de uma consciência de paz em nossas celebrações litúrgicas. Essa paz é inclusiva e surge da tensão que diz respeito à fala – ou melhor: do poder (falar)
Do mar Morto ao Brasil: história das publicações sobre os manuscritos de Qumran, dos inícios a 2003
Propõe-se, neste artigo, uma apresentação panorâmica das publicações sobre os Manuscritos do Mar Morto no Brasil, dos inícios até o ano de 2003. Tendo como referência os períodos das descobertas, de 1947 a 1999, constata-se que, no Brasil, ao longo destes anos, os conhecimentos giraram em torno a notícias, traduções e escassos estudos. Nos três anos seguintes, entre 2000 e 2003, intensificam-se as notícias em jornais e revistas, publicam-se alguns estudos especializados e são produzidas as primeiras dissertações e teses. O artigo se baseia em estudos da época, e manifesta a homenagem de gratidão ao saudoso Professor Archibald Mulford Hoodruff
Jesus de Nazaré, frente às forças do sistema opressor – ontem e hoje: uma leitura a partir de Mc 14,15-65
This article presents a study of the pericope (Mk 14:53-65). The text aims to present Jesus of Nazareth against the evil forces of his time. Jesus of Nazareth, condemned to death as blasphemous and bandit by a religious system, is the Messiah and the universal judge. History of yesterday and today. In Latin America we follow several cases of disrespect for Human Rights. In Brazil, after the 2016 coup, we watch this spectacle. To condemn Jesus authorities give the conviction an appearance of legitimacy.O artigo que apresentamos faz um estudo da perícope (Mc 14,53-65). O texto pretende apresentar Jesus de Nazaré frente às forças do mal do seu tempo. Jesus de Nazaré, condenado à morte por todo um sistema religioso como blasfemo e bandido, é o Messias e o Juiz universal. A história de ontem e a história de hoje. Na América Latina acompanhamos vários casos de desrespeito aos Direitos Humanos. No Brasil, depois do golpe de 2016, assistimos a esse espetáculo. Para condenar Jesus as autoridades dão aparência de legalidade à condenação