Estudos Bíblicos
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Palavra de Deus e palavra dos homens (Sl 12)
O presente artigo visa analisar o Sl 12, no qual o salmista denuncia os que oprimem os mais pobres pelo poder da palavra mentirosa. Em resposta à palavra mentirosa o salmista pede socorro a Deus e confia em sua palavra. Temos consciência do poder exercido pelos meios de comunicação na sociedade capitalista em que vivemos. Aparentemente é a mídia que forma a opinião pública, constrói as “verdades”. Mas ela é sustentada pelo capital e este está aliado ao poder político. Ela defende, com razão, a liberdade de expressão, mas essa liberdade é controlada pelos interesses do capital, não necessariamente os interesses do cidadão mais pobre. Esse conflito está presente na humanidade há milênios, como podemos ver na súplica do Sl 12
No Sermão da Montanha: as bem-aventuranças como incentivo aos desventurados em Mt 5,1-12
O texto das chamadas bem-aventuranças, por sua profundidade extrema em termos de orientação existencial, não pode escapar à temática do poder da comunicação na Bíblia. Nele o evangelista expressa pela voz de Jesus de Nazaré os pressupostos básicos para os cidadãos que fazem parte do Reino dos Céus. Neste artigo, a começar por uma breve análise do conjunto estrutural do Evangelho, bem como do Sermão da Montanha como um todo, será feita uma análise dos v. 1-12 do capítulo 5, o texto das bem-aventuranças. Num contexto de perseguição ético-social vivido pela comunidade mateana, a relação dos cristãos com o judaísmo reflete a postura desses cristãos inseridos nesse ambiente. O grupo de Mateus lutava então pela sua própria subsistência social, com o judaísmo formativo ganhando espaço religioso. Por isso muitas instruções se davam em função de responder ao que o judaísmo formativo exercia sobre os leitores de Mateus. Nesse contexto, as bem-aventuranças são primeiramente uma referência ao próprio grupo mateano, um incentivo à perseverança nas práticas cristãs adotadas por ele. Os cidadãos do Reino dos Céus e suajustiça, Reino esse que já havia sido inaugurado por Jesus de Nazaré, participam dessas bem-aventuranças, e como participantes devem almejar e lutar pela implantação desse Reino, pois o Reino dos Céus e sua justiça pertencem aos bem-aventurados (v. 11-12)
O poder da comunicação narrativa da Boa-Nova em Mc 1,16-45
A narrativa de Mc 1,16-45, longe de ser apenas uma sequência de fatos que descrevem a prática da Boa-Nova na vida de Jesus, quer ser um importante instrumento catequético para os leitores e leitoras que formam a comunidade cristã para quem o autor escreve. O presente artigo1 analisa esta narrativa em Marcos, dentro de duas perspectivas. Uma teológica bíblica, buscando os elementos próprios que o Evangelho procura transmitir dentro da sua proposta cristológica. Outra numa perspectiva bíblica pastoral, onde se observa o alcance catequético desta narrativa não só para a época do autor, mas hoje em nossas comunidades
“Procurai o bem e não o mal para que possais viver”. Resistência e esperança em Amós
O presente artigo analisa a profecia de Amós, especialmente a perícope Am 5,7-17, considerando a dinâmica das relações sociais presentes na profecia, permitindo o desvelamento das dores e articulações dos grupos oprimidos. O eixo analítico deste artigo é a ampla denúncia às injustiças sociais praticadas por diferentes grupos dentro da sociedade israelita, promovendo a desigualdade social. Conclui-se que a construção de uma sociedade justa e igualitária só se concretiza diante da promoção da justiça e do direito
Expressar a fé, manifestar a esperança e sonhar com a justiça: uma análise do Salmo 119,1-8
O ser humano, em qualquer época e lugar, busca não apenas se posicionar diante da realidade, mas superar as várias situações de morte às quais se vê continuamente exposto no dia a dia da sua existência. Viver com fé, nesse sentido, não é uma fuga e não é uma atitude ingênua, mas é um modo de se posicionar, com a esperança de que as estruturas promotoras de injustiças não terão a última palavra. O fiel, que acredita em Deus, espera que a sua justiça prevaleça, mas não faz disso um motivo para escapar da realidade. Pelo contrário, se compromete com a sua formação, desejoso de trilhar o caminho do bem, da justiça e da verdade, pois a última palavra de Deus acontece através do conhecimento e do comportamento de cada fiel no mundo. Esta experiência pode ser percebida no Salmo 119,1-8
O “Código da Aliança”: revisitando textos e reavivando saudades
Este artigo aborda o chamado “Código da Aliança” (Ex 20,22–23,19) em seu contexto literário e as suas diferentes partes. Analisa o processo de redação do código a partir de seus conteúdos, observando especialmente a relação do código com a história da religião de Israel como indicador para a datação de seu conteúdo e da redação final. Busca-se evidenciar as ambiguidades da legislação e das teologias oficiais no processo de composição do código para melhor perceber as ambiguidades e também para fornecer pistas para superação destas ambiguidades na vivência do cristianismoatual
Quando ditos proféticos viram poesias: salmo 51
A retomada da tradição profética, sobretudo dos primeiros profetas escritores, do século VIII, eclode na harmonia poética, de estilo penitencial, no salmo 51. Eis o objeto de pesquisa apresentado pelo autor. “Pecado” foi o denominador comum que melhor justificou as causas de anos vividos no exílio babilônico. O ato de ignorar os apelos proféticos acenando a prática da justiça e do direito aos pobres, como meio de agradar a Deus, foi a justificação do domínio das nações sobre Israel (722 aC) e Judá (586 aC). Para estar em pleno estágio de paz (Shalom), o perdão deve ser oferecido e recebido e, uma vez agraciado, buscar-se-á romper as estruturas injustas
A eternidade de Deus e a finitude do ser humano: uma análise do Salmo 90
O Salmo 90 trata da eternidade de Deus em comparação à finitude do ser humano. À humanidade não é permitido viver para sempre devido à queda. Sobre a eternidade apenas ouvem falar, mas somente quando chegam à velhice é que o conceito de eternidade se torna mais claro, quando olham para trás, para o seu passado, percebem o quão rápido passou toda a sua vida. Ao ser humano só resta clamar a Deus por direção e graça para seguir pela vida evitando o pecado. Somente assim a alegria fará parte de suas vidas e haverá esperança de que a morte não seja o fim, mas que haja um prosseguimento além
Editorial. Dossiê: A volta de Babel: a Bíblia e os megaprojetos
Editorial, v. 30, n. 120 (2013)
A simbologia da resistência política em textos sagrados: Hermenêutica a partir de Ap 17,1-18
O presente artigo versa sobre a simbolização da resistência política presente em Apocalipse 17,1-18. Nesse sentido, busca-se analisar as relações entre o conjunto de símbolos utilizados no texto e a resistência política das comunidades cristãs diante da opressão do Império Romano no alvorecer do cristianismo. A partir de uma metodologia de natureza bibliográfica, opresente trabalho fomenta uma reflexão crítica entre o texto e o contexto do Apocalipse enquanto literatura engajada diante da oposição a condições opressoras às quais muitas comunidades cristãs estavam submetidas. Está dividido em duas partes: o Apocalipse em seu contexto sociopolítico e análise hermenêutica de Ap 17,1-18 a partir do uso de símbolos no texto em questão como resistência política