Estudos Bíblicos
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Em favor de pessoas pobres, enfermas e prisioneiras
O artigo analisa os textos bíblicos que privilegiam categorias marginalizadas, com o propósito de reintegrá-las à vida saudável. São textos que se assemelham, com listas de pessoas com as mesmas características. Propõem- se motivações do ponto de vista econômico, social, político e religioso, visando a fraternidade e a justiça. As motivações teológicas provocam ações concretas e suscitam políticas públicas favoráveis a tais pessoas. Parte-se da opção inicial de Jesus, na sinagoga de Nazaré, em favor de pobres, presos, cegos e oprimidos (Lc 4,18-19). Prossegue-se com o texto citado pela passagem de Lucas, em que o Messias assume a mesma opção (Is 61,1-2). Igual escolha em favor de pobres e presos é declarada no jejum que Deus quer (Is 58,6-7). O próprio Deus faz justiça a oprimidos, famintos e presos (Sl 146,7-9). O Messias liberta pessoas, cura feridas, devolve a vida, num texto paralelo da comunidade de Qumran (4Q 521,8.12-13). O artigo elenca ainda, com breve apresentação, outras passagens bíblicas semelhantes
Um ensinamento novo que liberta: Mc 1,21-28
In this article the passage from Mk 1:21-28, will be analyzed in the context of his gospel, taking also in consideration the context in which this gospel was written, which involves considerations about the Christological tradition already circulating in the communities and about its roots in the Old Testament. We can see that Mark’s perspective in writing his gospel is to rescue Jesus in his life, in his acts and words, which was missing in the Christological tradition. Mark therefore aims to highlight the event of the Incarnation as the fundamental event in God’s design of communicating the fullness of life for all.Neste artigo a perícope de Mc 1,21-28 será analisada no contexto de seu evangelho tendo em vista, também, o contexto em que este evangelho foi escrito. Isto envolve considerações sobre a tradição cristológica que já circulavam nas comunidades e sobre as suas raízes no Antigo Testamento. Pode-se perceber que a perspectiva de Marcos ao escrever seu evangelho é resgatar Jesus em sua vida, em seus atos e palavras, o que estava omisso na tradição cristológica. Marcos, assim, tem em vista realçar o evento da Encarnação como o acontecimento fundamental no projeto de Deus de comunicar a vida plena para todos
Os Macabeus
Esta pequena pesquisa aborda a história do período dos macabeus (guerra pela liberdade religiosa como também a ascensão da dinastia asmoneia) na Palestina, de modo especial na província de Jerusalém, desde sua passagem sob o domínio dos ptolomeus (Egito) para o domínio dos selêucidas (Síria), como ainda os fatos que se seguiram e que se concretizaram num período de independência da Judeia por um período de cem anos, e ainda, também, a sucessiva derrocada dos asmoneus e a passagem da Palestina para o poder de Roma
Sacrifícios e o Dia das Expiações em Levítico Religião, economia e poder!
Neste ensaio procuramos demonstrar a importância dos sacrifícios e do Dia da Expiação no livro do Levítico, bem como a relação deles com o judaísmo do pós-exílio, que se firmou baseado na economia e no poder de um projeto litúrgico excludente. Os sacerdotes, revestidos de poder e pureza, entravam em contato com o Sagrado, força terrível que, irada por causa do contato com a impureza do povo, podia matar. O sumo sacerdote, considerado puríssimo, uma vez por ano, no dia das expiações, estava em contato direto com Javé e era poupado. O Dia da Expiação, colocado no centro da segunda parte do livro, é a condensação de todos os ritos anteriores, possibilitando o restabelecimento do estado de graça, perdido com o rompimento da Aliança. Desse modo, a classe sacerdotal passa a viver das ofertas levadas ao Templo, as quais são frutos da impureza do povo, que devem ser curadas com a pureza ritual
Mídia e profecia em Jeremias: quem fala em nome do povo?
Based on Jeremiah 28,1-17 we try to identify ideological disputes in Judaic society from VII/VI centuries B.C., since the Prophets were connected to different and opponent sides of society. We understand that prophetic voices in that moment were conflicting, becoming difficult to distinguish between a real prophet and a false one. We conclude that an authentic prophecy is closely related to the ideal of an equalitarian and solidary society.Com base em Jr 28,1-17 buscamos identificar as disputas ideológicas presentes na sociedade judaíta dos séculos VII/VI aC, subjacentes à profecia, visto que os profetas estavam vinculados a setores distintos e opostos da sociedade. Compreendemos que as vozes proféticas naquele momento eram conflitantes, tornando-se difícil distinguir entre um profeta verdadeiro e falso. Concluímos que a profecia autêntica está intimamente relacionada ao ideal de uma sociedade igualitária e solidária
Jesus entre o caminho e o templo: estudo a partir da parábola do Samaritano em Lc 10,29-37
O texto traz à tona o tema da espiritualidade do caminho com foco nas peregrinações acontecidas em suas várias formas. A parábola do Samaritano (Lc 10,29-37) mostra com clareza qual é o chão da peregrinação cristã. A misericórdia para com os caídos à beira do caminho é um sinal vivo do Evangelho de Jesus de Nazaré. Olhando as peregrinações a partir da parábola do samaritano Lc 10,29-37, podemos situar como, a partir do Evangelho, o caminho e o templo correspondem a duas espiritualidades que se completam e se conflitam. Essa espiritualidade corresponde a uma mística do caminho. As peregrinações na história do cristianismo tem sido uma forte fonte de inspiração para várias experiências místicas do caminho. De várias formas as peregrinações procuram viver dimensões essenciais do Evangelho que remontam ao cristianismo das origens. Percebe-se que descobrir a vida peregrina é descobrir um tesouro. Jesus compara o Reino de Deus a alguém que descobre um tesouro, deixa-o escondido, vende tudo e volta para comprá-lo; ou a um comerciante de pérolas que descobre uma valiosa, vende tudo o que tem e compra tal pérola. Essa parábola pode ser associada a cada peregrino e peregrina que descobre e garimpa pérolas em cada pessoa que conhece
O programa divino (algumas anotações sobre a mística do reino de Deus na Bíblia e na caminhada latino-americana)
No presente artigo, a partir do conceito de “reino”, procura-se aprofundar a mística do reino como força mobilizadora de transformação social e política. Recorrendo a uma pesquisa bibliográfica sobre o uso do termo “reino” no Primeiro Testamento, temos uma melhor compreensão do uso deste termo no Segundo Testamento. Pode-se reconhecer, assim, a mística de um reino libertador, com suas novidades em relação aos profetas antigos. Esta mística, que inspirou a Teologia da Libertação na América Latina, nos desafia a uma retomada, com maior entusiasmo, do empenho na conquista do mundo novo possível
A cidade, a crise e a Nova Jerusalém
Como ponto de partida, descrevem-se e se analisam as manifestações de rua em 2013 no Brasil e no mundo. Situa-se a atual realidade das cidades em sua história. A situação das cidades reflete sua história e a crise que foi desencadeada nos anos 2008 e 2009 pelo sistema financeiro internacional. A crise aponta para a catástrofe – econômica, social, ecológica, política, cultural e religiosa – da atual civilização ou para medidas a serem assumidas pelos sujeitos sociais em alternativas comunitárias focadas nos direitos humanos, o que parece muito difícil, senão impossível. Neste contexto surge o retorno do apocaliptismo com marca em 2012. Propõe-se no texto, em consequência, a Nova Jerusalém como horizonte alternativo a animar a esperança dos cristãos em sua fé, em meio à crise e ao sofrimento
Qohélet e o novo
Este artigo examina o novo no livro de Qohélet. Embora use bastante a repetição, Qohélet enuncia somente uma vez que não há nada novo sob o sol. Todavia, essa declaração revela-se uma verdadeira chave de leitura para a obra e um ponto de contato com a época atual. Hoje, graças à economia de mercado, troca-se continuamente o velho pelo novo, mas não há satisfação. No século III aC, Qohélet concluíra que a história nada mostrava de novo: os judeus encontravam-se outra vez subjugados por estrangeiros – os Ptolomeus – e a teologia sapiencial persistia em condicionar as ações de Deus aos méritos colhidos ou desperdiçados pela conduta individual. Qohélet desmente-o e ainda redescobre prazeres não exatamente novos, mas que qualifica como dom de Deus: comer, beber, conviver, partilhar, amar. Nestes nossos dias, o pertencimento, o afeto, a partilha permanecem valores velhos, entretanto podem proporcionar saúde e esperança em meio à procura incessante e desiludida pelo novo, a cada dia mais volátil