Estudos Bíblicos
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Resenha: "A chamada História Deuteronomista: introdução sociológica, histórica e literária" (Thomas Römer)
Resenha de:
Römer, Thomas. A chamada História Deuteronomista: introdução sociológica, histórica e literária. Trad. do inglês. Petrópolis, Vozes 2008, 207 p
A presença africana no jardim das origens
Este ensaio é fruto da reflexão sobre a presença de africanos negros nas narrativas de origem do povo de Israel, especialmente pela análise de Gênesis 2,10-14, uma subdivisão do relato da criação em Gn 2,4b-3,24. O intuito é recuperar a memória histórica negra nas narrativas cosmogônicas de Israel, que localizam os povos africanos antigos no cenário da criação. Ao evidenciar as ideologias colonialistas que atravessam os discursos bíblico-teológicos hegemônicos, atribuímos a dignidade devida aos afrodescendentes como pertencentes ao jardim do encontro com Deus
A maçã do paraíso. Sobre Gn 3,1-24
Diante da generalizada identificação do “pecado do paraíso” (e do pecado em geral) com o intercurso sexual (inclusive legítimo), convém uma leitura atenta de Gn 2–3 no seu contexto canônico, isto é, em continuidade com a criação de homem e mulher como imagem e semelhança de Deus, conforme Gn 1 (prescindindo da diacronia da gênese literária). Uma leitura narrativa, mesmo sem análise aprofundada, evidencia que se trata do querer ser igual a Deus de um modo que não é o de Gn 1,27. A continuação da história do paraíso nas outras narrativas de Gn 1–11 confirma isso
Justiça social em foco: o livro de Amós e suas influências para o movimento profético veterotestamentário
Este texto pretende visibilizar o senso de justiça social gerado na vida do profeta, mediante análise bíblica, utilizando-se de métodos históricos, gramaticais e teológicos para evidenciar os tipos de injustiças praticadas no período monárquico de Israel, assim como as formas de manifestações proféticas contrárias a práticas de governo em sua época. A profecia se dá diante de uma busca terrena por ordem social, onde seu precursor pode ter sido Amós, por possuir uma mensagem profética rica em relatos históricos que levam a compreender o motivo pelo qual era necessária a intervenção divina para alcançar a paz e a justiça. Sob essa conjuntura, ao analisar a paisagem vivencial do profeta, compreendem-se os fatores sociais que influenciaram suas decisões pessoais e as transformações engendradas no kerigma profético
“Legião é o meu nome, porque somos muitos”: exorcismo e resistência política em Mc 5,1-20
The text of Mk 5:1-20 combines narration of common exorcism with resistance to the Roman power. With beautiful literary art, the reader is led to the ways of an integral liberation. The aim of this paper is to discuss the contributions of historical-critical method to identify the likely reasons agglutination between exorcism and criticism of the Roman power in markan text. We shall take into consideration the proposals of scientific exegesis on the relationship between text, context and author in the appropriate update of the biblical material viewsO texto de Mc 5,1-20 une narração comum de exorcismo com resistência ao poder romano. Com bela arte literária, o leitor é conduzido aos caminhos de uma libertação integral. O objetivo deste trabalho consiste em problematizar as contribuições do método histórico-crítico para identificação das prováveis razões da aglutinação entre exorcismo e críticas ao poder romano no texto marcano. Serão levadas em consideração as propostas da exegese científica na articulação entre texto, contexto e autor em vista da adequada atualização do material bíblico
Jeremias e as refugiadas no Egito: uma desconstrução de Jr 44
O presente artigo apresenta um estudo exegético do capítulo 44 do Livro do Profeta Jeremias, à luz da realidade das pessoas refugiadas, traçando um paralelo entre o diálogo/debate deste profeta com a comunidade e, em especial, com as mulheres judaítas refugiadas no Egito no século VI a.C. Neste estudo se analisam as vozes participantes no processo tentando descobrir qual é a situação sofrida pelas pessoas refugiadas e quais os desafios que enfrentam diante de uma série de acusações e ameaças apresentadas na fala do profeta. Busca-se como chave de desconstrução a presença de Baruc como redator do texto e sua intencionalidade implícita como observador respeitoso das outras partes envolvidas. A desconstrução permite ouvir de uma forma mais qualificada a voz das mulheres refugiadas e, através delas, entender as dificuldades que temos de ouvir a voz de pessoas refugiadas, especialmente daquelas cujas características estão mais distantes do senso comum cultural, étnico, religioso ou político da comunidade onde estas pessoas se encontram. Tomamos, também, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, do caderno editado pelo Conselho Nacional de Serviço Social sobre Xenofobia, e do exemplo do trabalho ecumênico realizado pelo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI, SP), elementos que nos ajudem a entender a situação e desafios atuais na relação com as pessoas refugiadas
Espiritualidade e integridade da criação: uma nova percepção do ser humano a partir de Gn 2,4b-25
Neste artigo se pretende contribuir para uma (re)tomada de consciência, em que o ser humano, criatura de Deus, irmanado às demais criaturas, apresenta papel importante no cuidado e salvação do cosmos, encontrando no mandato de Deus “cultivar e guardar” o significado de sua missão existencial. Por meio de uma espiritualidade integrada, que rompe com uma visão antropocêntrica egoísta e leve a uma relação profunda com o Deus Criador e suas criaturas, capaz de promover uma mudança de comportamento, com ações efetivas em prol da preservação e da conservação ambiental. Gênesis 2,15 poderia ser considerado o primeiro e o mais fundamental dos mandamentos. Trata-se do mais fundamental dos mandamentos porque faz com que o humano olhe para a terra de onde ele procede; um olhar para a terra que o antecede e que precisa ser cultivada e guardada. Antes mesmo de cuidar um dos outros, seria necessário cuidar da própria casa que nos abriga