Estudos Bíblicos
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    Editorial. Dossiê: Resistência, esperança e justiça

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    Editorial, v. 32, n. 125 (2015)

    Dêutero-Isaías e o nascimento do monoteísmo

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    O grupo profético conhecido como Dêutero-Isaías atuou entre os exilados israelitas na Babilônia, entre os anos 550 a 540 aC. Na medida em que perdura o exílio cresce entre os deportados a tendência generalizada de absorver os costumes e os valores da população nativa. Javé, o Deus de Israel, é confrontado com Marduk, o Deus supremo da Babilônia. As vitórias e derrotas, sucessos e fracassos eram atribuídos à força ou à fraqueza de Deus. Os últimos acontecimentos pareciam apontar para a superioridade de Marduk e do panteão babilônico. A situação social dos exilados é de marginalização e de desprezo; também de desânimo e de frustração. A identidade do povo de Israel está ameaçada. Além disso, o povo judeu encontra-se disperso pelas nações. É urgente resgatar a autoconfiança, defender a identidade do povo eleito e motivar a esperança de um futuro novo. Para isso, Dêutero-Isaías combate os Deuses babilônicos e anuncia exclusivamente Javé como o único e verdadeiro Deus. Nasce, assim, o monoteísmoabsoluto

    Invertendo a lógica do Império: reflexões a partir de Mateus 11,25-30

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    Este artigo propõe a leitura da perícope de Mateus 11,25-30 como uma proposta que inverte a lógica escravagista e dominadora do Império Romano. O texto, utilizando um vocabulário característico do mundo do trabalho pesado, da opressão do império e do desejo dos grupos oprimidos aponta um caminho que denuncia a opressão e oferece esperança ao grupo de pessoas marginalizadas que compunham a comunidade de Mateus

    A justiça de Mateus (Mt 5,20) ilumina a injustiça vivida pelas comunidades quilombolas

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    A comunidade de Mateus foi um grupo dissidente do judaísmo, formada por judeu-cristãos. Que sofreram exclusão por parte da comunidade maior, do judaísmo formativo, depois do ano 70 dC, com a destruição do templo e expulsão dos judeus de Jerusalém, o judaísmo passa por uma mudança em sua estrutura. Durante essa mudança buscou-se uma nova identidade para a comunidade judaica. Nesse processo a comunidade judeu-cristã foi expulsa das sinagogas e teve que elaborar também a sua identidade. Delimitaremos a análise deste artigo ao versículo 5,20 do evangelho de Mateus, onde o texto nos apresenta os valores que identificarão e nortearão a vida das comunidades posteriores, que buscaram inspirações nesses escritos. Uma delas é a comunidade quilombola, que pode se encher de esperança ao aproximar delas palavras que motivaram a libertação de um povo, que vivia sem pátria, sem terra e sem aparo em uma terra estrangeira.&nbsp

    Paulo, os jogos e a linguagem esportiva

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    O esporte representa um dos principais componentes do mundo do espetáculo em todos os tempos. Paulo soube utilizar toda uma terminologia esportiva em suas cartas. O mundo helênico valorizava, sobremaneira, as atividades esportivas individuais, bem como, as disputas, torneios e competições em nível regional. A competitividade era uma marca registrada da cultura helênica. O “uso da linguagem e imagens desportivas, em Paulo, é semelhante ao uso simbólico-metafórico que verificamos no livro da Sabedoria, mormente para ilustrar elementos do agir cristão”. Paulo saberá fazer uso da linguagem que apela para a luta, a conquista, a competição (do grego agón: competição, lugar de luta, estádio; e agonízomai: lutar, competir) a fim de descrever a atitude que deve mover o cristão em sua missão evangelizadora. Essa linguagem “agonística” representa uma interessante pedagogia a ser seguida, inclusive hoje, a fim de atualizarmos a comunicação no processo da evangelização. Paulo procura aproveitar o que há de bom no “espírito esportivo” para aplicar aos evangelizadores

    Editorial. Dossiê: A esperança de um mundo novo estudos bíblicos em memória do profeta José Comblin

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     Editorial, v. 30, n. 119 (2013)

    Quando Deus faz mal e mata

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    Este artigo aborda a relação entre atitudes de intolerância, discriminação e violência perpetradas em nome de Deus e determinadas concepções teológicas, desenvolvidas ao longo do processo de instituição do monoteísmo em Israel. E a persistência dessa concepção monoteísta excluidora e homogeneizadora em determinadas compreensões e práticas do cristianismo na atualidade, associadas a Jesus Cristo, embora esta vertente do monoteísmo tenha sido a teologia das pessoas que condenaram Jesus à morte

    Monoteísmo e onipotência divina: inferências do Apocalipse

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    Através deste estudo, o autor procura oferecer aos leitores uma definição mais exata da onipotência divina partindo dos elementos da ação de Deus na história, enfocando alguns textos do Novo Testamento, de maneira mais especial os do livro do Apocalipse. A situação extremamente difícil em que se encontravam as comunidades cristãs no final do 1º século exigia posicionamento radical diante do poder despótico exercido pelo Império Romano, legitimado pelo culto ao imperador. Trata-se de uma “luta de deuses”. Quem, afinal, seria o verdadeiro dominador do mundo, aquele cujo poder seria o mais forte? Haveria em Deus e em Cristo um poder maior e mais forte no qual se amparar e confiar

    A ética da sustentabilidade e da re-inclusão uma leitura hermenêutica da parábola dos trabalhadores da undécima hora (Mt 20,1-16)

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    O texto propõe uma reflexão em torno do mundo do trabalho e a diferença entre a forma de julgamento do ser humano e de Deus. Na lógica do lucro, os mais fortes, competentes e privilegiados ocupam os primeiros lugares exercendo uma força centrífuga de exclusão dos mais fracos. Seguindo a mesma lógica, os mais fortes esperam retribuições diferenciadas, pouco se importando com aqueles que estão sendo empurrados para fora das esferas da competição e sobrevivência. Na parábola dos trabalhadores da undécima hora o redator mateano nos mostra que no juízo de Deus deve estar a preocupação com a inclusão de todos e por isso o olhar divino sobre a produção humana é diferente: aos fortes a justiça e aos fracos a misericórdia

    Assur no fogo cruzado da crítica profética: violência e opressão de um império (Is 10,5-15)

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    Procura-se ver como a literatura profética se debate com estruturas imperialistas que geram violência, criam dependência e opressão, quando não humilham povos inteiros, chegando a destruí-los com seu patrimônio cultural que lhes garantia a identidade. Nas coleções de ditos dos profetas, trazidos entre os poucos pertences de judaítas deportados para a capital do império babilônico,busca-se inspiração para elaborar teologia política. Fruto dessa busca de uma comunidade fragilizada, correndo risco de ser varrida do palco da história, é o poema construído em forma de drama que se encontra em Is 10,5-15. Com vivacidade e criatividade o poema faz alternar fala de Deus e fala humana. Em forma de lamento fúnebre, a voz divina confronta a missão original confiada àpotência estrangeira com o serviço prestado. Através de longos monólogos, colocados na boca do governante, cheio de si e de toda arrogância, o poema desmascara a ação do instrumento, do qual o Deus de Israel originalmente se servira, e que agora estava extrapolando todos os limites do tolerável. Apotência estrangeira arrogara-se o direito de juntar povos e Estados sob a sua batutaexploradora. O poema encerra com duas perguntas retóricas e didáticas demonstrando a irracionalidade da ação daquele que deveria limitar-se ao serviço para o qual havia sido contratado, mas agora usurpara o poder reservado unicamente a Deus. Os destinatários do poema, ouvintes ou leitores, até então vítimas dos desmandos imperialistas, ao tomarem conhecimento da notícia fúnebre, por antecipação, poderão assumir uma nova postura marcada pela ousadia de quem sabe: a potência exploradora está com seus dias contados

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