Estudos Bíblicos
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As carnes sacrificadas aos ídolos (1Cor 8–10)
Uma das marcas da sociedade atual é o pluralismo cultural, principalmente religioso. Este fenômeno, porém, não é de hoje. No tempo de Paulo ele também era expressivo, sobretudo nos grandes centros urbanos, como em Corinto. As comunidades cristãs enfrentaram diversas crises diante de práticas ligadas à cultura greco-romana. O culto às diversas divindades, expresso nas carnes sacrificadas, conflitava com a profissão de fé monoteísta, oriunda da tradição judaica. Escrevendo aos coríntios, Paulo orientou a comunidade cristã a viver a caridade, sobretudo, com os irmãos que tinham uma consciência sensível diante de tais práticas. Embora sabendo que Deus é único e que os ídolos não possuem existência própria, conforme a tradição judaica, o Apóstolo adverte para o cuidado do outro que não havia ainda alcançado tal conhecimento e liberdade. Mais do que aplicar uma lei, Paulo procurou argumentar sobre o tema, levando em conta a situação vital dos seus interlocutores
Editorial. Dossiê: Leitura popular da Bíblia: textos em homenagem a Gilberto Gorgulho
Editorial, v. 31, n. 123 (2014)
“Não tenha medo, Vermezinho Jacó, Bichinho Israel” (Is 41,14)
A mensagem do Segundo Isaías (40–50) tem como objetivo suscitar a fé e a esperança nas pessoas que se encontram no exílio da Babilônia. A partir da situação de opressão, o grupo profético faz releituras da “Criação” e do “Êxodo”, e apresenta uma nova liderança – a do“Servo”– e um projeto, baseado na partilha e na solidariedade. Esse grupo ainda destaca a presença de Javé, Deus único e poderoso, que apascenta e conduz, como pastor de ternura, seu povo no caminho da libertação
Palavras de Amós: em defesa do oprimido e pela dignidade do necessitado
Este artigo apresenta reflexões sobre a profecia de Amós. Descrevendo brevemente sobre a conjuntura política e econômica do governo de Jeroboão II, pretendemos discutir sobre o aumento da desigualdade social por meio do crescimento econômico da região. Com essa abordagem poderemos analisar os termos relacionados à pobreza presentes na profecia de Amós e compreender sua crítica em defesa dos que eram os mais fracos no sistema socioeconômico da época
Ação urgente e inteligente: estudo da parábola do administrador astuto em Lc 16,1-8
The article deals with the Parable of the astute administrator, recorded in Lk 16:1-8 and its theological and hermeneutical developments, aiming at christian action. The interpretation of this parable is marked by exegetical and theological discussions, due to the discussions regarding the delimitation of the parable, the relationship with the sayings of vv. 9-13, and the theological complication of Jesus telling a story highlighting a dishonest action. In order to contribute to the discussion, the article develops from the analysis of the literary context, delimitation, form, structure and environment, to then approach its contents considering the narrative dynamics proper to the parable. It concludes with a look at theology and hermeneutic updating. To this end it takes up the context and eschatological language of the parable and proposes that, in times marked by death, illness, neglect of the earth, biblical characteristics and theologically called the "present era", urgent and intelligent action by Christians. As a basis for the discussions, authors with important contributions to the understanding of the parable are revisited.O artigo aborda a Parábola do Administrador Astuto, registrada em Lc 16,1-8 e seus desdobramentos teológicos e hermenêuticos, visando a atuação cristã. A interpretação da presente parábola é marcada por discussões exegéticas e teológicas, devido às discussões quanto à delimitação da parábola, a relação com os ditos dos vv. 9-13, e à complicação teológica de Jesus contar uma história ressaltando uma ação desonesta. Com vistas a contribuir para a discussão, o artigo desenvolve-se partindo da análise do contexto literário, delimitação, forma, estrutura e ambiente, para então abordar seus conteúdos considerando a dinâmica narrativa própria da parábola. Conclui-se com um olhar para a teologia e atualização hermenêutica. Para tanto retoma o contexto e linguagem escatológicos da parábola e propõe que, em tempos marcados por morte, doença, descuido com a terra, características bíblica e teologicamente chamadas de “presente era”, a ação urgente e inteligente por parte dos cristãos. Como fundamentação das discussões, são revisitados autores com importantes contribuições para a compreensão da parábola
Editorial. Dossiê: Leitura Bíblica Latino-Americana a partir das culturas reprimidas
Editorial, v. 31, n. 121 (2014)
O evangelho do Padre Comblin
Este artigo tem o objetivo de fazer uma aproximação do Evangelho segundo Marcos com a vida do Padre Comblin, como também relatar as últimas palavras do Padre Comblin acerca do Caminho e de como fazer para continuar a fidelidade no seguimento de Jesus. O ponto de partida para sua elaboração foi o encontro entre o Grupo de Peregrinas e Peregrinos do Nordeste – GPPN e o Padre Comblin, alguns meses antes de fazer sua passagem, ocorrida no dia 27 de março de 2011. O método utilizadofoi o etnográfico, que possibilitou a vivência, a observação, bem como a descrição detalhada de peregrinação com o GPPN (utilizando o Diário de Peregrinação) e o encontro com o Padre Comblin, ocorrido na peregrinação à beira do Rio São Francisco, em julho de 2010. Identificou-se o Padre Comblin como grande amigo do povo peregrino e por isso muito carinhoso conosco que fazíamos peregrinações pelo Nordeste. Chamou-nos a atenção o testemunho da sua vida, correspondendo à eficácia evangélica,na luta para melhorar as condições de vida do povo; a gratuita presença solidária no meio popular gerando processos libertadores, alimentando e dando consistências às lutas econômicas e políticas
Editorial. Dossiê: Bíblia e ecologia em novos contextos: Rio + 20 e Fórum
Editorial, v. 30, n. 118 (2013)
Ela pode pensar e ele pode sentir
A abordagem deste texto sobre a sexualidade tem o olhar teológico e educativo. Na condição de teóloga penso em homens e mulheres como seres que refletem sobre suas vidas, tendo como base de pensamento o fato de que Deus os criou à sua imagem e semelhança. Acredito, como diz Foucault, que a sexualidade é um instrumento saudável na relação homem-mulher com os seus desejos “estabelecendo de si para consigo certa relação que lhe permite descobrir a verdade de seu ser”. No entanto, a sexualidade aparece, muitas vezes, ligada às relações de poder. Embora esta não seja a relação mais densa, é a que aparece como a mais dotada de massa de manobra, “utilizável no maior número de manobras, e podendo servir de ponto de apoio, de articulação às mais variadas estratégias”