Estudos Bíblicos
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Quem encontrou sabedoria, encontrou vida nas sendas da justiça e do direito (Pr 8)
No contexto de um mundo em transição, em vista da construção de uma sociedade mais justa e sutentável, este artigo apresenta um estudo do cap. 8 do livro dos Provérbios. Seguindo os passos da exegese bíblica, o texto é situado em seu contexto histórico, analisa a estrutura do texto, seus gêneros e estilos literários. No final, comenta os novos conteúdos que surgem do caminho percorrido, oferecendo uma nova visão de Deus que possibilita a prática da justiça e uma postura ética e cuidadosa com todas as formas de vida
O caminho por onde caminhamos
O artigo faz um resumo da caminhada da pastoral bíblica no Brasil nestes últimos 35 anos, mostrando a estreita articulação entre os desafios enfrentados pelo Movimento Popular e as hermenêuticas da Leitura Popular da Bíblia. Os autores apontam os desafios de ontem e de hoje, enfrentados pelos grupos populares, auxiliando na elaboração de uma leitura bíblica que busca fortalecer a efetiva participação das pessoas e das comunidades nas reivindicações dentro da dinâmica da sociedade civil, buscando quebrar os instrumentos de domínio do sistema sócio-político dominante
Salmo das travessias: conversa com Milton Schwantes sobre o salmo 121
Na Bíblia, a memória do Êxodo, da volta do exílio e da esperança messiânica são experiências transformadoras que serviram de motivação para o futuro. No livro dos Salmos temos uma coleção de cânticos de peregrinação (Sl 120-126) que recolhem tais experiências. Neste artigo propõe-se reler um destes cânticos, o Sl 121, à luz das romarias na experiência das ComunidadesEclesiais de Base e de um estudo de Milton Schwantes, que define este salmo como um salmo de parada, descanso ou travessia
Reflexões sobre a genealogia de Jesus em Mateus
O estudo aborda, sob uma perspectiva histórica, a genealogia de Jesus apresentada por Mateus. A leitura da obra do evangelista aponta a possibilidade de análise a partir do conceito foucaultiano de emergência, como irrupção de uma nova prática religiosa distinta das tradições do judaísmo, o que explica a presença feminina nessa construção genealógica. O feminino é abordado apartir da maternidade, a concepção e o nascimento do Cristo como obra de Deus, ressaltando a figura de Maria como síntese de uma abertura de gênero expressa pela presença de Tamar, Raab, Rute e Betsabeia na genealogia de Jesus apresentada por Mateus
A Criação e a lei do inquilinato. O inquilino não é dono: exegese de Gn 1,26-28
The article proposes a contextualized study of the account of Creation following the exegetical methodology of biblicar researh. Is is about rescuing the meaning of tne relationship between the Creator (Elohîms) and the creature that is the human being. The expected result is that in order to dominate nature is not the designation of authority, but of subordinate service. In this way, dominating the land (earth) and animals is, similaty, taking care of a house or rented property, that is, following the parameters of the law of tenancy. In hermeneutical terms, this cosmotheology advocated by Pope Francis emerges in the Letter Laudato Si. That which is the work of the Creator must not be destroyed by the creature. It is necessary to grow and develop respecting the law of tenancy. Nothing else is necessary, and within this proposal, not to create any debt, except love, because love builds, love overcomes everything and forgives everything, because it is the greatest of virtues. Preserving life is loving all creatures the way Jesus taught.O artigo tem como proposta um estudo contextualizado do relato da Criação seguindo a metodologia exegética de pesquisa bíblica. Trata-se de resgatar o sentido da relação entre o Criador (Elohîms) e a criatura que é o ser humano. O resultado esperado é que, na ordem de dominar a natureza não está a designação de autoridade, mas de serviço subalterno. Desta forma, dominar a terra e os animais é, de modo análogo, cuidar de uma casa ou imóvel alugado, ou seja, seguir os parâmetros da lei do inquilinato. Em termos hermenêuticos emerge esta cosmoteologia preconizada pelo Papa Francisco na Carta Laudato Si. Aquilo que é obra do Criador, não deve ser destruída pela criatura. É preciso crescer e desenvolver respeitando a lei do inquilinato. Nada mais é necessário, e dentro dessa proposta, não criar qualquer dívida, exceto o amor, pois o amor constrói, o amor tudo supera e tudo perdoa, porque é a maior das virtudes. Preservar a vida é amar todas as criaturas do jeito que Jesus ensinou
Pecado e doença na Bíblia: uma relação necessária?
A doença é uma realidade perturbadora na vida das pessoas e levanta interrogações sobre a sua relação com Deus. Neste texto, a partir do livro de Jó e da narrativa da cura de um cego de nascença, em Jo 9, é aprofundada a relação entre pecado e doença, para a qual a tradicional “doutrina da retribuição” procura dar uma explicação. No livro de Jó encontram-se explicações diferenciadas,em um texto mais antigo, em prosa, e em um texto inserido posteriormente, em diálogos, em forma poética. O fundamental é a confiança nos desígnios de Deus como aquele que tudo sabe e tudo faz de modo perfeito. Na cura do cego de nascença é posto em evidência que a cura não resulta de algum mérito ou da própria fé, como condição necessária, mas é uma manifestação da gratuidade do amor misericordioso de Deus. 
A morte de João Batista
A narrativa do episódio da morte de João Batista presente nos evangelhos sinóticos é complexa, pois envolve um fato e personagens históricos, ao mesmo tempo em que os autores dos evangelhos farão sua própria interpretação dessa realidade
Apontamentos sobre João Batista nos escritos não bíblicos da antiguidade cristã
João Batista aparece em todos os evangelhos canônicos, principalmente, relacionado ao início do ministério público de Jesus. Segundo o Evangelho de São Lucas, a mãe de João Batista, Isabel, era parenta de Maria, mãe de Jesus (Lc 1,36). Todos ossinóticos narram o batismo de Jesus por João Batista no Rio Jordão e o Quarto Evangelho também faz referências a João Batista no contexto desse evento (Jo 1,23-34). Após esta colocação inicial, este trabalho visa apresentar alguns apontamentos sobre a figura do Profeta João Batista, precursor de Jesus Cristo, em textos não bíblicos da Antiguidade cristã
João Batista e Jesus: dois profetas rejeitados: um estudo de Mateus 11,2-19
No relato de Mateus 11,2-19, os personagens interessados em Jesus dirigem-se até Ele com uma pergunta, na expectativa de terem uma solução. João, preso e encarcerado por ordem de Herodes Antipas, aguardava por sua sorte; encontrava-se ainda com vida, mas sem liberdade. O silêncio de João contrasta com as demais referências existentes no Novo Testamento onde, sem vacilar, ele exalta a dignidade de Jesus. Ao apresentar Jesus falando com os emissários de João, Mateus indica uma relação baseada no diálogo entre o movimento de João Batista e o de Jesus, no qual, do lado dos seguidores de João, predomina a dúvida e a incerteza; inseguranças oriundas da própria condição em que se encontravam, após o vazio deixado pelo seu líder e na demora quanto à realização do julgamento de Israel nos termos da escatologia de João. No desenvolvimento do texto, vemos também a acentuada rejeição desses dois profetas