Estudos Bíblicos
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    Editorial. Dossiê: Fraternidade e criação

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    Editorial, v. 34, n. 133 (2017)

    Migração: Uma perspectiva a partir de Paulo

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    A sociedade atual assiste perplexa à evolução dos movimentos migratórios que se avolumam por todos os cantos do planeta. Embora seja um fenômeno presente em todas as sociedades e em todos os tempos, as proporções e implicações dos atuais fluxos migratórios exigem a atenção cada vez maior dos mais diferentes setores da sociedade. Para alguns a migração é um problema. Para outros é a solução. Também a Bíblia testemunha a ocorrência de fenômenos migratórios. Nela as mais diferentes situações são apontadas para a ocorrência do fenômeno. Inclusive, a migração é estimulada. O presente texto percorre a narrativa bíblica, especialmente o testemunho de Paulo, perscrutando implicações do fenômeno migratório na disseminação da fé cristã. O objetivo é contribuir na discussão do tema. Chamar atenção para um aspecto não sempre considerado nas discussões: a migração como oportunidade. Há uma correlação entre viagens missionárias e processos migratórios. Trata-se de um trabalho de revisão bibliográfica.&nbsp

    A misericórdia de geração em geração no Livro do Gênesis

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    O artigo comenta, a partir do livro do Gênesis, a revelação de Deus em atos de misericórdia em favor dos pobres e desprotegidos. A misericórdia de Deus é revelada de geração em geração. Porém, os textos têm a marca de uma cultura da violência nos esquemas de culpa e castigo. Alguns textos apresentam reações contra a violência e a vingança. A bondade e misericórdia de Deus aparecem nos tratados de Aliança gratuita com os patriarcas. A promessa, bênção, descendência, movem a história do povo que vai progredindo na vida comunitária e adotando costumes e normas mais humanitárias. Assim também os textos bíblicos posteriores apresentam correções e complementos, em vista da vivência de uma nova aliança baseada no amor e na misericórdia

    A misericórdia em meio à violência no Israel pós-exílico: Ex 32–34 à luz de Nm 13–14

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    Um das narrativas mais intensas sobre o pecado do povo no contexto do Sinai é também um dos relatos de maior misericórdia, graça e bondade na Bíblia: o episódio da construção do bezerro de ouro e o consequente perdão divino e renovação da aliança (Ex 32–34). O objetivo deste artigo foi avançar teologicamente nos temas da misericórdia de YHWH reveladas em Ex 32–34, com particular ênfase na teofania presente em Ex 34,6-8 e à luz de Nm 13–14. O texto será considerado a partir de uma abordagem sócio literária, que destacará aspectos redacionais pós exílicos. Foram desenvolvidos os temas da ira e vingança divinas, do pecado incorrigível dos israelitas e da punição violenta. Em contrapartida, foi identificada uma teologia da misericórdia construída no texto, explicitada por suas relações com Nm 13–14. Mais além do pecado do bezerro de ouro, há o amor de Deus que tudo perdoa, faz e refaz aliança e põe o povo novamente a caminho. É o rosto misericordioso de Deus revelado no Sinai que acompanha a peregrinação do povo e o leva rumo à terra prometida

    “Porque para sempre é a misericórdia dele”: a Hesed do Senhor no Sl 136

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    O presente artigo tem como objetivo discutir a misericórdia do Senhor cantada no Sl 136 a partir do emprego do substantivo HeseD. O Antigo Testamento não revela um único termo que possa ser traduzido como misericórdia. E, entre os demais, com suas diferentes nuances, HeseD  é o termo mais recorrente no Saltério e retrata um feito do Senhor com profundo caráter existencial. O salmista percebe que a HeseD é abundante (cf. Sl 33,5; 119,64), é grande (cf. Sl 86m13) gera firmeza (cf. Sl 98,4) e permanece para sempre (cf. Sl 136). No Sl 136, um hino litânico, a HeseD do Senhor é cantada de forma esplêndida, e revela não uma noção etérea e conceitual da misericórdia do Senhor, mas aponta para uma experiência que se eterniza nas palavras daqueles que sabem que o Senhor tudo criou, libertou seu povo e continua protegendo-o, pois “para sempre é a misericórdia dele”

    Sacrifício: dor ou significado (Fl 2,5-11)

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    O artigo parte do conceito popular de sacrifício como dor e resignação, que chega ou chegava ao prazer em curtir o sofrimento. Busca em Fl 2,5-11 uma explicação para a morte de Cristo menos voltada para a dor como tal ou como obediência cega a um Deus sedento de vingança e, mais, como abertura de um novo caminho para uma nova humanidade. Quanto ao texto, primeiro o artigo procura desfazer a convencional perspectiva essencialista que o aborda com a pressuposição da preexistência e da divindade. Aponta as dificuldades dessa abordagem ao interpretar palavras importantes do texto e, à luz da retórica semita e da figura de Adão, propõe uma leitura mais lógica e coerente com o contexto do corpo da Carta, o sentido integral da vida cristã. Jesus é o novo Adão, tema caro a Paulo, início, portanto, de uma nova humanidade. Para nova humanidade, um novo paradigma: não a competição pelo poder e pela glória, mas o esvaziar-se a si mesmo pelo bem dos outros

    Pedra rígida ou gruta rochosa? (Mt 16,18)

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    O artigo procura analisar o dito de Mt 16,18, debruçando-se especialmente sobre o sentido da palavra “pedra”, proferida por Jesus ao comissionar Pedro como líder da Igreja. Seguindo fundamentalmente o estudo de dois autores, defende a ideia de que o termo usado por Jesus, na língua aramaica, teria sido “Kefá”. Resgata, então, o significado desta palavra nos únicos textos em que ela aparece no Primeiro Testamento: Jr 4,29 e Jó 30,6. Para isso, apresenta um campo fonético-semântico ilustrativo, nãosó de origem hebraica, mas também de outras línguas. Entra no Segundo Testamento, enfatizando a afinidade do texto de Mateus com o de Jo 1,42, onde se encontra a única referência explícita de “Kefá” (em gr. Kêfâs, port. Cefas) nos Evangelhos. Assim, busca trazer à tona o conteúdo “escondido” dentro desta palavra, revelando a importância de abrir-se aos novos conceitos derivados de interpretações que levam em conta o contexto histórico-cultural de onde emerge um texto bíblico

    A fé e as obras: perspectivas para uma espiritualidade integral

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    Neste trabalho, embora escrito numa perspectiva ecumênica, reflete-se sobre a espiritualidade principalmente sob o ponto de vista protestante, marcado pela reivindicação da coerência entre fé e obras ou contemplação e ação, atitude que pressupõe uma crítica a vivências de espiritualidade pautadas numa dicotomia entre esses polos ou que se orientem por apenas um deles. Partindo de um exame da relação entre as teologias de Tiago e de Paulo no Novo Testamento, discutem-se diferentes paradigmas contemporâneos de espiritualidade e conclui-se defendendo a necessidade de incorporação de uma dimensão utópica e não dicotômica na vivência contemporânea da espiritualidade

    “Novo” ou “Segundo” Testamento?

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    Este artigo tem como finalidade discutir a mudança de “Antigo” para “Primeiro” Testamento, e de “Novo” para “Segundo” Testamento. Vários setores acadêmicos, eclesiásticos e comerciais (autores, professores, pregadores, editoras etc.) assumiram a nova terminologia, muitas vezes com a reta intenção de eliminar rusgas, ressentimentos e preconceitos em relação à comunidade judaica, mas a maioria dos adeptos da nova nomenclatura não está inteirada das questões subjacentes. Este artigo elabora um mosaico crítico do que está envolvido e avalia se a mudança tem fundamentos exegéticos e teológicos

    A questão da justiça em Mateus: o caso dos santos ressuscitados em Mt 27,51b-53

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    O presente artigo pretende analisar um texto controverso, peculiar ao Evangelho de Mateus: 27,51b-53. A começar por uma breve análise do marco-social desse Evangelho, será feita uma leitura da perícope em questão a partir do contexto mateano. O termo “santos” aparece na perícope como sinônimo de “justos”, o qual aparece em outras partes do Evangelho. No capítulo 23, por exemplo, Jesus condena veementemente a atitude dos fariseus, os quais veneravam profetas que eles mesmos, segundo o narrador, ajudaram a matar, e caminhavam justamente para seu maior erro: matar o maior dos profetas, Jesus de Nazaré, o Messias divino. No entanto, corrigindo essa grave injustiça, o Pai ressuscita Jesus Cristo, assim como também os profetas e justos (designados na perícope como “santos”) mortos pelas autoridades judaicas. A ressurreição de Jesus em 27,51b-53 seria então paradigma para a deles e uma resposta divina e justa ao que fizeram as autoridades judaicas

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