Estudos Bíblicos
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Violência no céu: algumas considerações sobre Mateus 11,12
No presente artigo, estudamos o dito de Jesus em Mt 11,12: “Desde os dias de João, o Batista, o Reino dos céus é assaltado com violência; são violentos os que o arrebatam” (tradução da TEB), examinando a ideia de violência nele contida e sua possível aplicação no combate à violência nos dias presentes. O biblista alemão Joachim Jeremias inclui este texto na coleção que ele intitulade “ditos enigmáticos de Jesus”. Cientes da dificuldade do seu entendimento, passaremos pelas diferentes interpretações às quais tivemos acesso, fazendo uma análise dos três elementos constitutivos do texto: a questão da violência, os dois personagens envolvidos: João Batista e Jesus e o palco da violência: o Reino dos céus, em sua relação com os contextos imediatos, anterior e posterior, procurando ver neste dito uma síntese da harmonia entre violência e paz no ministério de Jesus
As juventudes na Bíblia e na vida
A Bíblia, como a Vida, está povoada de juventudes. Mapear as juventudes na Bíblia é uma tarefa quase impossível assim como é praticamente impossível mapeá-las na Vida. O Livro Sagrado é muito grande e complexo porque é do tamanho e complexidade da Vida. A Bíblia é a Vida vivida, contada, refletida, rezada, cantada e escrita em forma de mutirão, cuja construção contou com muitas juventudes que não aparecem de modo claro e distinto
Juventude e escolhas
Como bem sabemos a juventude é o período em que começam as escolhas e decisões da vida de cada ser humano. Se não formos protagonistas de nossa própria existência iremos vagar à deriva. E assim iluminamos nossa reflexão com a seguinte passagemde Eclesiastes 11,9: “Jovem, alegre-se na sua juventude e seja feliz nos dias da mocidade. Siga os impulsos do seu coração e os desejos dos olhos. Contudo, saiba que Deus vai pedir contas a você de todas essas coisas”1
Bebês esmagados contra as pedras: santidade intolerante no imaginário do expatriado (Sl 137)
Para compreender tanta intolerância e violência, precisamos entrar na mente do autor do salmo e do grupo que ele representa. Devemos nos aproximar de seu imaginário, o máximo que o abismo temporal que nos distancia do evento nos permitir chegar.Devemos tentar visualizar o cenário onde ele residia, no que ele trabalhava, que cenas ele testemunhava, enfim, se colocar no lugar deste personagem, experimentar uma ponta dos seus sentimentos para descobrir o motivo deste cruel desabafo
O lugar do profeta - a fuga não é solução: uma leitura de 1Rs 19,1-21 – Elias no Horeb
Este artigo pretende fazer uma leitura de 1Rs 19, levando em consideração o conjunto das tradições em torno do profeta Elias, sem se deter nas várias questões de crítica textual, de unidade, de relação com o capítulo precedente, de historicidade, de significado de certas palavras e expressões, evidentes no texto. O sentido do conjunto é claro, apesar dos entraves pontuais no texto hebraico1. No correr da leitura, será explicitado o que, em análise narrativa, é chamado de “ação transformadora”. Ou seja, o caminho percorrido pela ação desde a situação inicial até o seu desfecho (MARGUERAT-BOURQUIN, 2009, p. 59). O percurso da leitura mostrará como o profeta Elias, optando por fugir, foi para o lugar errado. Javé o faz voltar para o lugar onde deveria estar, pois, para um profeta verdadeiro, a fuga jamais será solução. Para ele, vale o que diz uma música brasileira bem conhecida: “Nada temer, senão o correr da luta!” O lugar do profeta é, sempre, o lugar do conflito. Afuga, mesmo para um lugar sacratíssimo – “o monte de Deus” – levá-lo-á ao lugar equivocado. É aí que ouvirá a ordem peremptória de Javé: “Vai e volta por teu caminho!” (v. 15a). Em outras palavras: “Volta para o teu lugar”
Os lugares de Paulo: “Para todos eu me fiz tudo” (1Cor 9,22)
Vamos tentar seguir os textos paulinos por uma ordem cronológica geralmente considerada mais provável (1Ts, 1 e 2Cor, Fl, Fm, Gl e Rm).Amimtem ocorrido a suspeita de que Filipenses e Filêmon possam ser anteriores a 1Cor, pois, quando escreve essa carta, Paulo já não está lutando contra as “feras” que o detinham no pretório em Éfeso (1Cor 15,32). Lembrar que Inácio de Antioquia também chama de “feras” os soldados que o mantinham prisioneiro1. Isso, porém, não invalida nossa busca dos lugares de Paulo