Estudos Bíblicos
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O Senhor dá pão para os famintos: estudo do salmo 146
O presente artigo propõe o estudo do Salmo 146, enfatizando o tema da fome e alimento, pois este é um dos Salmos que rendem louvores ao SENHOR por ele ter dado pão/alimento ao seu povo. O conflito fome versus alimento está presente no Saltério. E diante do “milagre” do alimento, o povo eleva seu louvor, entrevendo a existência de pessoas famintas, malvados desatentos a realidade da fome e revelando que este louvor é constituído a partir de uma experiência, e não mero dado etéreo. Após o invitatório inicial (vv. 1-2), o Sl 146 apresenta a tensão entre nobres e o SENHOR (vv. 3-5). Pouco é dito a respeito deles, enquanto o v. 5 rege uma seção (vv. 6-9) em que muito é dito acerca do SENHOR, com especial destaque para sua ação, caracterizada com o emprego de nove verbos particípios que destacam uma ação sempre contínua do SENHOR e apresentam um Deus que “é” e “faz”. Junto a três verbos no yiqtol (vv. 9bc.10a), constituem-se em doze atributos do SENHOR, revelando que a perfeição contida nesse número deve ecoar na sociedade através do cuidado dos grupos mais vulneráveis
Relendo Gn 1,28 em seu contexto: a questão ecológica e a des-brutalização das relações
Diante da imensa crise ecológica e do risco de extinção não somente de espécies, mas de todo o planeta, este artigo procura reler o texto de Gn 1 sobre a criação divina, sobretudo focando sobre a relação, esperada por Deus, entre a humanidade e a terra com os seus seres vivos. Procurase focar nos verbos “submeter” e “dominar” de Gn 1,28 procurando demonstrar que seu uso dentro da tradição sacerdotal expurga-o de toda conotação de violência e brutalidade. Relacionando essa leitura com a “dignidade humana” provinda de sua “imagem e semelhança” com o Criador, procura-se lançar luzes sobre a missão de realeza da humanidade em direção ao criado em termos de responsabilidade e cuidado na gestão da “casa comum”. Por fim, almeja-se superar a visão antropocêntrica para evidenciar os elementos “eco-cêntricos” dentro do projeto original do Criador
Jesus e os conflitos em família
Taking in consideration the conflict issues faced by Jesus, this text covers the opposition he suffered from his own family members, relatives and friends. Starting from Mk 3:20-21, when they accuse him to commit insanity, we seek to analyze the relationship between Jesus and his family. For this reason will look for background to demonstrate the relationship mode between Jesus, his land and his people. The text also presents the circumstances of Jesus departure from his own land and seeks to understand why he didn’t come back no live in Nazareth, even when he returned to Galilee. Also seeks to identify Jesus opponents, being the relatives or friends, and the reasons they had to behave that way. What is the new family of Jesus? There are examples of family relationship of Jesus followers, ending with the community meetings of the disciples with Jesus family, accordingly to Acts of Apostles.Atendendo ao tema dos confrontos enfrentados por Jesus, este artigo aborda a oposição por Ele sofrida da parte de seus próprios familiares, parentes e amigos. Partindo de Mc 3,20-21, quando os seus chegam a acusá-lo de cometer loucura, busca analisar o relacionamento de Jesus com seus familiares. Para isso vai à cata de antecedentes com demonstração do modo relacional de Jesus com sua terra e sua gente. Apresenta as circunstâncias da partida de Jesus de sua terra e procura entender por que não voltou a morar em Nazaré, mesmo quando regressou à Galileia. Busca identificar os opositores de Jesus entre parentes ou amigos e as razões que tiveram para assim proceder. Qual a nova família de Jesus? Apresentam-se exemplos de relacionamentos familiares dos seguidores de Jesus, concluindo com a reunião comunitária dos discípulos com a família de Jesus nos Atos dos Apóstolos
Babel e Pentecostes: entre a inversão e a renovação comunicativa
Quando comparamos os textos de Gn 11,1-9 e At 2,1-13, vemos um tipo e um antítipo de mitos sobre comunicação, um invertendo e complementando o outro. A Torre de Babel representa as dificuldades de comunicação como resultado das lutas de poder, enquanto o Pentecostes significa a confluência comunicativa a partir da igualdade, superando barreiras étnicas, de gênero e similares. Em comum a esses dois eventos a interação entre o divino e o humano e o desejo de Deus se comunicar com a humanidade. Este artigo procura demonstrar essa relação, utilizando a sincronia como ferramenta exegética, como resposta para as dificuldades da comunicação no mundo contemporâneo. Apesar dos textos bíblicos terem nascido em tempos e situações diferentes é possível analisá-los a partir de um olhar sincrônico, considerando que textos posteriores são, de algum modo, respostas, reações ou interpretações de produções anteriores. Na concepção de Northrop Frye, a Bíblia é um livro que deve ser compreendido na sua integralidade
Sara e Hagar: amor e sacrifício no caminho da família de Abraão
Nossa proposta é observar os temas do “amor” e do “sacrifício” na trama de Abraão, em Gênesis 15–22, comparando a situação do patriarca com o sacrifício de Agamêmnon (mostrado nos dramas de Ésquilo e Eurípides). É um contributo para as reflexões dos estudos conduzidos por René Girard, o qual, a nosso ver, compreende o sacrifício proposto pelos dramaturgos gregos como um mecanismo guiado pela inveja. De acordo com Girard, quando nos vemos no mesmo nível dos outros, durante o processo de admirar e imitar sentimos um movimento contrário: vendo outras pessoas como competidores, desejamos eliminá-las. Tudo isso pode ser aplicado à passagem mencionada em Gênesis, isto é, o estratagema de engravidar Hagar, a atitude de Hagar depois de engravidar, a conduta de Sara e a condescendência de Abraão com as duas, até o sacrifício de Isaac. Então Abraão parece ter finamente compreendido plenamente (como sentimento ou culpa?) a vontade de Deus, e se prepara para executar a morte de seu próprio filho (o que Sara teria pensado a respeito disso? – nos perguntamos)
O “Sacríficio” nas Cartas Protopaulinas
O artigo parte da seguinte pergunta: Paulo utiliza o termo “sacrifício” nas cartas chamadas Protopaulinas? Percebe-se que a linguagem cultual ou sacrifical para referir-se à morte de Jesus Cristo é rara nessas cartas. Porém, o termo “sacrifício” ou “oferenda” é utilizado em relação à ética e à missão do cristão. Deste modo, analisaremos Rm 12,1-2 ao relacionar o sacrifício à doação do cristão, Fl 2,17 e 4,18, quando Paulo estabelece uma ligação entre o sacrifício e a atividade apostólica. Por fim, aprofundaremos Rm 3,25, no qual o apóstolo menciona a morte salvífica de Jesus Cristo, utilizando o termo “instrumento de propiciação”
A recepção de Daniel no sermão profético de Jesus
Este artigo discute a forma como algumas passagens apocalípticas de Daniel foram lidas e atualizadas pelo movimento de Jesus nas últimas décadas do século I, intermediadas pelas pregações escatológicas de Jesus. Como resultado, um conjunto de perícopes e ditos foi organizado como o Sermão Profético em Mt 24,1-31, Mc 13,1-27, e Lc 21,6-36. Esta reflexão nos ajudará a compreender como textos religiosos são transmitidos e recebidos em novos contextos históricos por uma nova comunidade de leitores