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Atendimento ao público na perspectiva dos Direitos Humanos na UFRJ
Neste trabalho apresentamos a experiência da primeira edição do curso “Direitos Humanos no atendimento ao público” oferecido exclusivamente para servidores e servidoras da UFRJ na modalidade à distância. O curso tem uma trajetória anterior de 3 anos como extensão universitária, e acreditamos na sua relevância ao possibilitar a reflexão, a partir das referências teóricas e da prática profissional cotidiana, sobre as violências estruturais de gênero, raça e por falta de condições de acessibilidade que também se apresentam no âmbito da Universidade. Partimos do princípio de que que o debate em torno dos Direitos Humanos, com enfoque nos subtemas do Gênero e Diversidade, Questão étnico-racial e Acessibilidade, é primordial para qualificar as ações no atendimento ao público. Neste sentido, objetivamos mostrar a importância dos debates produzidos a partir do curso para a reflexão-ação dos servidores da UFRJ, na defesa dos direitos humanos e compromisso com uma universidade socialmente referenciada. Além disso, a partir da apresentação dos projetos de intervenção produzidos por cursistas, buscamos reafirmar a sua contribuição à comunidade acadêmica no enfrentamento ao racismo, à lgbti+fobia, ao sexismo e ao capacitismo. A metodologia do trabalho se baseia no levantamento bibliográfico sobre a temática dos Direitos Humanos, a partir das referências utilizadas no decorrer do curso e na análise dos projetos de intervenção dos cursistas relacionados aos subtemas expostos, caracterizando o público a que se destinam e as diferentes atividades e recursos planejados. Como resultados parciais apresentamos o planejamento de ações dos servidores no trabalho final do curso de capacitação, a partir do compromisso individual e coletivo dos servidores com a pauta dos Direitos Humanos em seu exercício profissional, nos diferentes setores de atuação. Por fim reafirmamos a importância da formação continuada em Direitos Humanos com vistas a possibilitar acesso a direitos à população, sob uma perspectiva inclusiva e humanitária
As ferramentas de TIC como propulsora do trabalho remoto em tempos de pandemia: o caso UFSJ
As universidades federais, como outras organizações públicas e privadas, diante da pandemia de Covid-19, tiveram que promover mudanças em seus processos de trabalho a fim de continuar prestando seus serviços, atender os anseios de seus usuários e ainda contribuir com distanciamento social. A alternativa mais usada para dar continuidade nas atividades administrativas foi a adoção do trabalho remoto. Para Eto (1998) apud Steil e Steil e Barcia (2001), essa configuração de trabalho ocorre quando as tecnologias de informação são aplicadas para possibilitar a realização de atividades à distância. Computadores e telecomunicações são utilizados para alterar a geografia aceita do trabalho. Com a necessidade imediata de adoção do trabalho remoto, os servidores técnico-administrativos estavam preparados em termos de ferramentas e tecnologias para desempenhar seu papel? Em busca de uma resposta, este estudo teve como objetivo verificar se os servidores da parte administrativa da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) possuíam acesso às ferramentas e tecnologias de informação necessárias à execução de suas atividades em trabalho remoto. Esta é uma pesquisa descritiva, do tipo estudo de caso, realizada a partir de análise de dados secundários quantitativos. Os dados foram extraídos do Mapeamento Técnicos UFSJ (2020) realizado pela UFSJ e foram analisados somente aqueles referentes aos recursos digitais e tecnológicos. Os principais achados da pesquisa demonstram que a maioria (90%) dos respondentes (n=429) usa frequentemente celular e computador para o trabalho remoto e que o compartilhamento desses equipamentos é baixo. A alta frequência de acesso à internet foi citada por 74% dos sujeitos, cuja conexão é via cabo e wifi, realizando-se em maior parte por condições ótimas ou aceitáveis. Em torno de 85% dos sujeitos conseguem participar de reuniões remotamente e poucos necessitam de capacitação. Por outro lado, apenas 25% usam com frequência impressoras e scanners. Pelo estudo, conclui-se que embora o trabalho remoto tenha sido iniciado repentinamente e sem planejamento prévio, observou-se que os sujeitos possuíam acesso às ferramentas e tecnologias de informação, possuindo baixa demanda por capacitação e detectando poucas dificuldades para a execução do trabalho. Esse estudo não esgota a discussão e tem como limitação a análise de dados secundários. É importante continuar as pesquisas, abordando outras questões como qualidade (eficiência) das tarefas executadas por trabalho remoto.
Servidor Técnico-administrativo Professor Colaborador Voluntário: relato de uma experiência.
A comunicação fará um relato de um servidor técnico-administrativo na UFRJ, sobre a sua experiência de atuação, desde 14 de agosto de 2019 e por 36 meses, como Professor Colaborador Voluntário, de acordo com o Termo de Adesão assinado em 14 de junho de 2018, após tramitação desde 07 de junho de 2017. Introdução A atividade de Professor Colaborador Voluntário, embora não conste explicitamente do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-administrativos em Educação no âmbito das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da Educação (Lei nº 11.091 de 12 de janeiro de 2005) é uma atividade que pode ser interessante para aqueles técnico-administrativos de nível superior que, ao longo de suas carreiras, tiveram em suas formações acadêmicas cursos de pós-graduação, com destaque para aqueles stricto sensu e de doutorado. Fundamentação Especialmente após a implantação do incentivo a qualificação a busca pela formação acadêmica se tornou algo cada vez mais buscado pelos servidores técnico-administrativos da IFES. Em especial a formação do doutorado stricto sensu prepara o servidor para além das fronteiras da atividade técnico-administrativa, ou seja, este servidor tem capacitação para desempenhar a atividade de professor, compartilhando a experiência e conhecimentos acumulados em sua carreira técnico-administrativa. Isso é atualmente possível devido a diversos dispositivos legais e resoluções institucionais Metodologia aplicada Nesta comunicação se fará uso de uma narrativa baseada em documentos e registros, mas com um estilo direto que pretende ser capaz de compartilhar a experiência vivida e com isso oferecer informações para aqueles servidores técnico-administrativos que almejem o desempenho de atividades de professor colaborador voluntário. Considerações finais Considera-se que a experiência de se manter ativo e interessado por um período após a aposentadoria tem sido exitosa e tem alcançado os seus objetivos. De forma resumida é a seguinte a produção técnico-científica neste período pós-aposentadoria, ocorrida em 25/11/2015: 7 artigos completos publicados em periódicos, 2 trabalhos completos publicados em anais de congressos, 4 apresentações em eventos tecnocientíficos, membro em 6 bancas acadêmicas de defesa Stricto Sensu (4 de Mestrado e 2 de Doutorado), membro de 7 bancas de qualificação stricto sensu ( 7 de Doutorado e 1 de Mestrado), participação na organização de 5 eventos tecnocientíficos, 1 orientação de mestrado concluída, 2 orientações de doutorado e 2 coorientações de doutorado em andamento e cerca de uma dezena de disciplinas ministradas para a pós-graduação. REFERÊNCIAS: PAIVA, E.P. Currículo na Plataforma Lattes: CV: http://lattes.cnpq.br/484693578263502
Bibliotecas universitárias nas redes sociais durante a pandemia: um relato de experiência da Biblioteca do Núcleo de Computação Eletrônica
O distanciamento social provocado pela pandemia do Covid-19 causou impactos no cenário mundial, bem como na rotina de cada indivíduo e/ou profissional. Neste contexto, as bibliotecas universitárias e, em especial, os profissionais da informação se viram na necessidade de adequar-se para manter os objetivos de apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão através dos produtos e serviços oferecidos de forma não-presencial. As redes sociais já representam há algum tempo uma ferramenta de grande eficácia como meio de comunicação e divulgação da informação para algumas bibliotecas universitárias. No entanto, com o fechamento das instituições por tempo indeterminado e a necessidade de dar continuidade a comunicação e a prestação de serviços aos usuários, as redes sociais se apresentaram para as bibliotecas como instrumento essencial e significativo no processo de aproximação com o usuário e também um desafio a ser superado pelas bibliotecas que não as utilizavam. O relato de experiência da Biblioteca do Núcleo de Computação Eletrônica do Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresenta alguns desafios na condução das atividades de toda a equipe neste momento sem precedentes na história das bibliotecas universitárias, visando o cumprimento de sua missão. Entre os quais, salientamos a utilização das redes sociais (Instagram e Facebook) como uma nova demanda de atividades inserida ao plano de trabalho da biblioteca no contexto do isolamento. Para dar conta dos desafios a serem enfrentados foi necessário delinear todos os serviços e produtos oferecidos presencialmente e que poderiam ser adaptados para o serviço remoto e as redes sociais. A partir daí, desenvolvemos alguns novos serviços/produtos, entre os quais listamos: Sugestão de e-books, Dicas de Normalização com base na ABNT, Conceitos de Metodologia da Pesquisa, Aula de Normalização de Trabalhos Acadêmicos, Orientações sobre o preenchimento do Curriculum Lattes, técnicas de estudo e dicas para elaboração de texto acadêmico, live com uma professora de educação física ensinando a fazer ginástica laboral, live com uma psicóloga, abordando a temática da ansiedade em tempos de isolamento social
Laboratório TecnoAssist: um encontro de conhecimentos para a inclusão de pessoas com deficiência na universidade.
Os últimos 30 anos trouxeram uma evolução sem precedentes que envolveram transformações políticas, econômicas e culturais na sociedade em muitos países do mundo, em particular o Brasil. Algumas situações em que se observou grande avanço foram as questões sociais e tecnológicas relacionadas às pessoas com deficiência. Surgiram novas possibilidades de estudo, trabalho e lazer, associadas a significativa diminuição do preconceito e aumento de oportunidades, muitas delas viabilizadas pela criação de artefatos tecnológicos direcionados ao apoio e amplificação do potencial físico e sensorial - o que conhecemos como Tecnologia Assistiva.Este trabalho tem o intuito demonstrar a relevância das atividades dos laboratórios universitários. Sem eles, existiria uma defasagem muito significativa quando comparamos as pessoas com deficiência brasileiras e do exterior. Com este objetivo, realizamos um estudo de caso o Laboratório TecnoAssist do Instituto Tércio Pacitti (NCE/UFRJ), que vem ao longo da sua história criando e desenvolvendo diversos produtos tecnógicos assistivos direcionados a inclusão social de pessoas com deficiência.O Laboratório TecnoAssist não apenas desenvolve artefatos de tecnologia mas promove uma série de cursos, na modalidade a distância, com objetivo de disseminar o conhecimento e levá-lo a diversos setores da sociedade, com ênfase nos professores, pais, amigos, e nas próprias pessoas com deficiência, informações sobre como romper, através da tecnologia, muitas barreiras de educação, trabalho e lazer e ver amplificado o potencial produtivo de centenas de milhares de pessoas no nosso paísO TecnoAssist NCE/UFRJ atua atendendo à máxima "nada sobre nós sem nós", considerando essencial que todos aprendam e evoluam juntos, na convivência, ação e desenvolvimento. Assim, como parte da metodologia deste trabalho observamos e registramos a participante de duas técnicas administrativas com deficiência (uma com deficiência visual e a outra com paralisia cerebral) como funcionárias do Laboratório TecnoAssist NCE/UFRJ, cuja atuação se dá respectivamente nas áreas de comunicação e educação, com plenitude de bons resultados.No trato com as pessoas com deficiência, o modelo de comunicação multisensorial que é aplicado no atendimento realizado pelo Laboratório TecnoAssist proporciona que uma gama extraordinária de conhecimentos se complementem, integrando experiências e modos de viver e sentir, interrelacionados às situações de deficiência, gerando como contribuição a oportunidade de sensibilizar e induzir à ação técnicos, alunos e professores da nossa Universidade Federal do Rio de Janeiro
Prefeitura Universitária da UFRJ - Desconstrução da Invisibilidade
A Prefeitura Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro é um órgão que desempenha um fazer fundamental e estratégico na instituição. A manutenção e conservação de equipamentos públicos; a criação de políticas de sustentabilidade; o gerenciamento da coleta e tratamento dos resíduos sólidos; o planejamento e execução de projetos e obras; a gestão dos serviços de transporte integrado da UFRJ e os serviços de vigilância e monitoramento dos campi são responsabilidade desta unidade. Destacamos que estas ações são desenvolvidas em uma instituição que é grande na importância e também no tamanho. A UFRJ compreende uma Ilha, o campus da Cidade Universitária; um campus na Praia Vermelha; o campus de Macaé; o campus em Duque de Caxias e não podemos esquecer das unidades localizadas em diversos bairros do Rio de Janeiro. A Prefeitura Universitária desenvolve um trabalho de alta complexidade de gestão e que durante o período de quarentena na pandemia covid-19 ampliou as áreas de ação. Este fazer laboral voltado para a infraestrutura possui, historicamente, um processo de não ser visto e, não ser valorizado. Somente, percebemos que há alguém para limpar determinado espaço quando ele está sujo. Só constatamos que há alguém para cortar a grama quando ela está alta. Todas estas atividades contam com a força de trabalho de servidores técnicos-administrativos de todos os setores dos campi universitário e com os trabalhadores terceirizados das firmas contratadas. O objetivo é questionar a racionalidade dominante que produz ativamente como invisíveis as experiências sociais não valorizadas. O caminho metodológico é o diálogo com os gestores e trabalhadores sobre o cotidiano na Prefeitura Universitária durante a pandemia e organização destas narrativas para dar visibilidade a estes fazeres. Gestores da Prefeitura contribuem para a mudança do “olhar que não vê” para “enxergar o valor de todo trabalho”. Destacamos a criação do atendimento à saúde dos trabalhadores (servidores e terceirizados) com ações de prevenção, promoção a saúde, através da Seção de Saúde dos Trabalhadores da Prefeitura Universitária (SST/PU) e da Comissão Interna de Saúde do Servidor Público (CISSP/PU). Para que essa infraestrutura funcione os trabalhadores precisam gozar de saúde física e mental. A pandemia escancarou a necessidade da segurança e do cuidado com a saúde no ambiente de trabalho. Os setores de Operações Urbanas, Segurança, Transporte e Infraestrutura atuam ancorados em modos de cooperação, em processos de organização investindo em um fazer laboral que caminha no sentido desnaturalizar esta invisibilidade.
A importância do Relatório Integrado nas Universidades públicas
Atualmente, com a necessidade de compactar os relatórios de gestão anuais e ao mesmo tempo apresentar uma visão mais holística às partes interessadas, emerge o Relato Integrado (IR-Integrated Report). Através deste tipo de divulgação voluntária as instituições públicas podem ser mais transparentes e agregar valor comunicativo aos seus pares. O objetivo desta pesquisa é disseminar as contribuições dos relatórios integrados para as Universidades Públicas Federais e seus stakeholders (partes interessadas) através de experiências práticas e explicar a importância na implantação desta ferramenta como um meio sistêmico que envolve os ambientes internos e externos em todos os tipos de organizações. No estudo discute qualitativamente os benefícios causadores de agregação de valor para as IFES através das melhores práticas implantadas e divulgadas às partes interessadas. Usando uma abordagem qualitativa de estudo de casos, faz parte desta pesquisa uma análise de conteúdo de alguns artigos sobre os resultados benéficos após a implantação dos relatórios integrados. Este trabalho contribui de forma abrangente para a literatura e suas partes interessadas por tratar-se de um assunto relativamente novo e incentivado pelos pesquisadores por ainda abordar limitações de estudos anteriores (Perego et al. , 2016 ; Burke e Clark, 2016 ; Humphrey et al. , 2017). O assunto contribui também aos órgãos fiscalizadores, elaboradores e especialistas através da transparência nas divulgações e criação de valor para seus usuários.
A desnaturalização do dispositivo machista na obra O irmão alemão, de Chico Buarque
Este artigo tem por objetivo propor uma leitura do livro O irmão alemão (2014), de Chico Buarque, analisando quatro personagens femininas, a fim de debater a postura misógina do narrador personagem. A partir dos teóricos Giorgio Agamben e Roland Barthes, busca-se uma aproximação entre obra e sociedade, com base nos olhares lançados à organização social por Walter Benjamin, Pierre Bourdieu e Achille Mbembe. Assim, intenciona-se, com este trabalho, expor, através da literatura, a existência de ficções, presentes no meio social, criadas para controlar os sujeitos femininos
Corpo, erotismo e transgressão: a poética de Gilka Machado e Florbela Espanca
Em fins do século XIX e início do século XX, as mulheres, tanto em Portugal, quanto no Brasil, não possuíam autonomia sobre seus corpos, sobre sua sexualidade, nem sobre a sua escrita. Na vida e na poesia, as mulheres deveriam seguir os preceitos impostos pela moral conservadora, a qual pregava um modelo de feminilidade recatado, gracioso e submisso. Num momento em que há uma forte interdição à expressão da sexualidade feminina, as vozes carregadas de erotismo de Florbela Espanca e Gilka Machado surgem como elementos de transgressão, os quais abriram as portas para que as mulheres conseguissem conquistar cada vez mais autonomia na vida e na literatura. Mesmo sob forte repressão, as autoras conseguiram romper com o padrão de poesia feminina e com o papel passivo da mulher. Diante disso, este trabalho tem como objetivo analisar o erotismo enquanto um elemento de transgressão nos livros Charneca em Flor (1931), de Florbela Espanca, e Meu Glorioso Pecado (1928), de Gilka Machado. Além disso, procurarei promover o diálogo entre estas obras, refletindo sobre suas aproximações e seus distanciamentos
Fadiga e tecnologia: reflexões provisórias sobre o trabalho remoto de TAEs em contexto de pandemia
Com a crise humanitária gerada pela pandemia de SARS-CoV-2, trabalhadoras e trabalhadores têm migrado para o trabalho remoto, que, apesar de existir previamente às diretrizes de distanciamento físico, não era realizado de forma massiva como no momento. Essa mudança, de cunho temporário e emergencial, tem acontecido nas instituições federais de ensino e suscita reflexões em âmbitos os mais variados, que vão desde o fazer pedagógico, passando pela saúde do trabalhador e os aspectos ergonômicos do trabalho feito em casa, até o problema da disponibilização de dados e metadados de alunos e profissionais em plataformas digitais estrangeiras. Levando-se em conta a heterogeneidade da categoria dos técnico-administrativos em educação (TAEs), seus diferentes ofícios e formações profissionais, o objetivo deste texto é discutir o problema mais específico da fadiga relacionada ao uso da tecnologia. A abordagem teórica desta pesquisa pauta-se na Saúde do Trabalhador, que considera a determinação social nos processos de saúde-doença, evitando individualizar o adoecimento no trabalho. Esta pesquisa é de cunho teórico, calcada em levantamento bibliográfico e de notas técnicas atuais sobre a COVID-19, produzidas por instituições de pesquisa como a Rede Covida, da Fiocruz, entre outras. No entanto, a vivência do cerne da pandemia concomitante à produção de conhecimento sobre seus efeitos é algo que nos leva, por enquanto, a pistas provisórias sobre a temática, baseadas nos dados reunidos por essas instituições e relatos não-sistematizados que podemos acompanhar na mídia e em atendimentos psicológicos realizados ao longo desses meses. Neste sentido, tem havido relatos frequentes de situações de extremo cansaço, que pode ser atribuído à sobrecarga de trabalho (acentuado pelas fronteiras ainda mais imprecisas entre tempo de trabalho e tempo livre quando vigora a modalidade de teletrabalho) e à própria lida com a tecnologia. Tal cansaço é maior do que o que se percebia quando as mesmas atividades eram realizadas presencialmente. Sem desconsiderar outras variáveis e cientes da limitação de tais pistas descoladas de um estudo empírico sistemático, nossas hipóteses provisórias referem-se ao excesso de atividades realizadas simultaneamente e à própria dinâmica de funcionamento da internet, em que a cadeia de cliques em sites que oferecem sempre a promessa de uma novidade cria um modo de interação que é infinito, exaustivo e viciante. Trazemos a conclusão de que é importante ampliar o debate sobre essas novas formas de trabalho, uma vez que a relação entre fadiga e tecnologia é complexa e não pode ser tomada de forma individual