Estudos Semióticos (ISSN 1980-4016)
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Du concept d’immanence chez Hjelmslev
Algumas questões que se colocam como problemas intrincados para as ciências podem advir de uma espécie de permanência em uma crença. A linguística combateu esse tipo de crença da gramática tradicional e a chamou de norma. Assim como a lei, a norma não possui fundamento lógico, e consiste na imposição de uma verdade. Para a ciência, ao contrário, não existem verdades irrefutáveis. Um problema que se coloca recorrentemente às ciências da significação é aquele que concerne ao conceito de imanência e, talvez, seja razoável pensar que tal problema permanece pelo motivo de se acreditar que a imanência é um conceito fechado em si e já resolvido. Em outras palavras, uma vez que o conceito de imanência é fundamental em nossas investigações, cumpre saber em que ele consiste, para que seja possível descobrir a origem das dúvidas que ele gera. Nesta investigação, buscamos propor uma distinção entre duas acepções do conceito de imanência, que já se encontram na obra Prolegômenos a uma teoria da linguagem, de Louis Hjelmslev, bem como buscamos verificar se essa distinção afeta de algum modo a teoria semiótica da Escola de Paris. A reflexão que se segue é parcial e não tem qualquer pretensão de ser exaustiva.Certaines questions apparaissant comme des apories dans le domaine scientifique peuvent à l’occasion résulter de la persistance de telle ou telle croyance. La linguistique a battu en brèche un certain nombre de ces croyances, dont par exemple la norme en grammaire traditionnelle ; à l’instar de la Loi, la norme est dépourvue de fondement logique et relève plutôt, comme celle-là, de l’imposition d’une vérité. Aux yeux de la science, pourtant, il n’y a pas de vérité irréfutable. Les sciences de la signification butant souvent sur le concept d’immanence, il est permis de penser que celui-ci ne constitue un écueil que parce qu’on le conçoit comme quelque chose d’autocentré et d’arrêté une fois pour toutes. Puisque la notion d’immanence occupe une place non négligeable dans nos propres recherches, un examen de sa signification s’impose afin de mieux cerner les tenants et les aboutissants des perplexités qu’elle suscite. Dans la présente étude nous essayons de faire le point sur deux acceptions de l’immanence telle que celle-ci se donne à lire dans les Prolégomènes à une théorie du langage de Louis Hjelmslev ; en outre, il s’agit de vérifier si et dans quelle mesure une telle distinction aurait des retombées pour la théorie sémiotique de l’École de Paris. Loin de prétendre à une quelconque exhaustivité, les résultats qu’on va lire ne sont pour l’instant que le bilan partiel d’une réflexion en cours de développement
A Semiotic Study of the Poem “Para um monumento ao antidepressivo”, by Paulo Henriques Britto
Poeta, prosador, tradutor renomado e professor de literatura, Paulo Henriques Britto faz parte da chamada “literatura brasileira contemporânea”. No poema que aqui analisamos, cujo título é “Para um monumento ao antidepressivo”, e que está publicado no livro Tarde (2007), Britto presta uma homenagem ao poeta João Cabral de Melo Neto, ao retomar o poema “Num monumento à aspirina”, integrante do livro A educação pela pedra (1966). O objetivo de nosso trabalho é realizar a análise do poema de Britto, com base nos conceitos da semiótica greimasiana, observando de que modo ocorre a intertextualidade, que pode ser percebida não apenas pelo título dos poemas, mas também pela figura do “sol” portátil que é associada a medicamentos em ambos os textos. O poema de Britto configura um exemplo de intertextualidade que podemos chamar de condensação (Lopes, 2003, p. 70). Procuramos, ainda, reconhecer a organização do plano da expressão, com suas equivalências e descontinuidades, bem como suas relações com o plano do conteúdo. Apesar do crescimento considerável dos estudos semióticos, ainda são relativamente poucas as análises de textos literários que se valem desse instrumental teórico tão proveitoso. Assim, nosso trabalho se justifica ao contribuir para a expansão dos estudos semióticos de poesia.Poet, prose writer, renowned translator and professor of literature, Paulo Henriques Britto is part of the so-called “contemporary Brazilian literature”. In the poem we have analyzed, entitled “Para um monumento ao antidepressivo”, published in the book Tarde (2007), Britto pays homage to João Cabral de Melo Neto (an important Brazilian poet), referring to the poem “Num monumento à aspirina”, which is in the book A educação pela pedra (1966). Our work aims to analyze Britto’s poem taking the French semiotics point of view. We try to understand how intertextuality is built, since it can be found not only in the titles, but also in the figure of a “portable sun”, associated with medicines in both texts. Britto’s poem is an example of intertextuality that can be called “condensation” (Lopes, 2003, p. 70). We also seek to put in evidence the organization of the expression plan and its relation with the content plan. Despite the substantial growth of semiotic studies of poetry, there are still few of them. Thus, our research is also justified in that it contributes to the expansion of semiotic analysis of poetry
Quelques réflexions sur le concept d’union dans la théorie sémiotique française
Desde os primeiros momentos de seu desenvolvimento teórico, a interação esteve presente no quadro conceitual da semiótica greimasiana, mesmo que não tenha sido um ponto contemplado de forma explícita. A noção de interação encontra atualmente desdobramentos teóricos mais profundos na obra de Eric Landowski. O referido autor propôs o conceito de união como sendo uma outra forma de se compreender a interação, que até então havia se desenvolvido a partir da noção de junção. Como todo novo conceito, o de união produz algumas implicações para o quadro epistemológico da teoria semiótica elaborada por Algirdas Julien Greimas. Fazemos, assim, neste trabalho, uma reflexão sobre esse conceito, proposto por Landowski, como uma forma de recuperar, na análise do sentido, a instância do sensível e não apenas a do inteligível nas interações. Para isso, apresentamos algumas reformulações propostas pelo autor no que tange ao modo como a semiótica pode entender a manipulação e as paixões, compreendidas ainda pela noção de junção. Retomamos o percurso teórico de Eric Landowski para mostrar como o conceito de interação se formou inicialmente na semiótica e as propostas posteriores do autor, chegando à já referida integração da dimensão estésica e sensível na interação.Même si elle ne devait être formulée de façon explicite qu’un peu plus tard, la notion d’interaction était présente dès les premières étapes du développement théorique de la sémiotique. Dans ses travaux récents, Eric Landowski s’est efforcé de travailler ce concept. Il a avancé l’idée d’union comme une autre manière de comprendre l’interaction, développée au niveau narratif à partir de la notion de jonction. Comme tout nouveau concept, l’union entraîne des conséquences pour l’épistémologie de la théorie sémiotique créée par Algirdas Julien Greimas. Nous proposons, dans le présent travail, une brève réflexion sur ce concept, proposé par Landowski comme un moyen d’incorporer dans l’interaction l’instance du sensible (et pas seulement celle de l’intelligible). Pour ce faire, nous présentons quelques modifications apportées par l’auteur à la conception sémiotique de la manipulation et des passions, envisagées le plus souvent en termes de rapports jonctifs. Nous reprenons brièvement le parcours théorique d’Eric Landowski pour montrer comment s’est construite la notion d’interaction en sémiotique et pour commenter les développement ultérieurs intégrant l’esthésie et le sensible à l’interaction
Myself and the Other in the Discourse of Deafness
Alicerçados pela academia e por movimentos sociais, os discursos sobre a surdez vêm se movimentando e se alterando ao longo do tempo. Neste estudo, voltamos nosso olhar para os discursos sobre a surdez produzidos pelos próprios surdos. Para tanto, partimos da tríade universo, campo e espaço discursivo (Maingueneau, 2005) para focalizar, no campo discursivo da surdez, o embate de duas formações discursivas (FD) que se opõem: uma de base clínico-terapêutica, donde se origina um discurso de fundamentação ouvintista (DFO); outra de base linguístico-antropológica, que possibilita o surgimento de um discurso de fundamentação surda (DFS). De maneira bastante resumida, podemos dizer que, enquanto a primeira FD concebe a surdez a partir do estigma da deficiência, a segunda a caracteriza a partir do valor da diferença. Vemos, no campo em questão, que posicionamentos e identidades enunciativas definem-se, sobretudo, a partir da negação do outro, ou, pelo menos, daquele que se estabelece como “o outro”. A partir da análise de textos sobre a surdez escritos por surdos universitários, podemos constatar, no corpus da pesquisa, prevalência do discurso de fundamentação surda (81%). Constatamos que é, sobretudo, a partir da negação do simulacro do DFO que o DFS se constitui e que a interação entre as FDs no espaço discursivo em questão permite que elas se delimitem e se definam reciprocamente.The discourse on deafness has been changing over time influenced by academic and social movements. In this study, we will focus on the discourses on deafness produced by deaf people. We start from the triad universe, space and discursive field (Maingueneau, 2005). In the discursive field of deafness we found two discursive formations (DF) which oppose each other. One from a clinical and therapeutic background — from which an Hearing-Based Discourse originates — and another of anthropological-linguistic origin, which enables the emergence of a Deaf Based Discourse. While the first DF sees deafness from the stigma of disability, the second conceives deafness from the value of difference. In the field in question we notice that positions and enunciative identities are defined from the denial of the other. From the analysis of texts written about deafness by deaf graduate students we have found the prevalence of the Deaf Based Discourse (81 %). We have noticed that it was from the denial of the simulacrum of the Hearing-Based Discourse that the Deaf Based Discourse was established. We have also noticed that the interaction between the DFs, in the discursive space in question, allows for the clarification and the definition of each other
A “amizade” em uma comunidade do Orkut
Este trabalho analisa uma das muitas comunidades do Orkut, a “Solteiros BH” (cujo objetivo é o de promover encontros e encetar amizades), a fim de avaliar as configurações discursivas que a paixão “amizade” adquire no meio virtual. Essas configurações produzem um efeito que denominamos de “intimidade”, ou seja, um efeito em que o locutor/narrador se mostra íntimo de seu alocutário/narratário e passa a ser alguém que possui acesso privilegiado aos demais do grupo. A expressão dessa intimidade, que recebe o rótulo (conteúdo) de “amizade”, pode dar-se de diversas formas, dependendo do grupo social em que a amizade coletiva é estabelecida. Assim, pretendemos investigar como essas comunidades, virtualmente estabelecidas, irão agenciar o conteúdo amizade. No Orkut, sua expressão é produzida, essencialmente, pelo meio escrito, adornado por fotografias e elementos gráficos que compõem a mensagem. Tais elementos gráficos são preestabelecidos e pré-moldados, permitindo ao usuário do Orkut colá-los na tela de acordo com um esquema de composição pré-customizado pelo ambiente gráfico do programa. O conteúdo é, então, regulado por uma espacialidade pré-distribuída e submetido a uma receita de “como fazer amizades”, na certeza eufórica de que elas acontecerão inexoravelmente por meio desse mecanismo. Este artigo é resultado de uma pesquisa piloto que buscou investigar um texto que abre uma dessas comunidades virtuais, avaliando-o nos três níveis do percurso gerativo: fundamental, narrativo e discursivo. Com relação ao nível discursivo, foram levantados os temas e as figuras dessa pretensa amizade e examinados seus aspectos tensivos e argumentativos.This paper analyzes one of the many Orkut communities - “Solteiros BH” (which aims at promoting encounters and friendship), in order to assess the discursive configurations the passion Friendship acquires in virtual environments. These configurations produce an effect we call “intimacy”, i.e., an effect through which the addresser/narrator shows he is intimate with his addressee/narratee and becomes someone who gets privileged access to others in the group. The expression of intimacy, labelled friendship, can occur in several ways, depending on the social group in which that collective friendship is established. Therefore, we intend to investigate how those virtually established communities will negotiate the “friendship” content. The expression of friendship on Orkut is essentially produced on a written basis and adorned by photos and graphics that compose the message. Orkut-based friendship is set through pre-determined and pre-framed graphics, allowing the user to paste such items on the screen according to a compositional scheme already pre-customized by the graphic environment of the program. Its content is, thus, governed by a pre-distributed spatiality and subject to a recipe of “how to make friends”, in the euphoric certainty that friendship will inexorably happen through this mechanism. This article is the result of a pilot study that investigated a text that opens one of those virtual communities, assessing it at the three levels of the generative path: fundamental, narrative and discursive. At the discursive level, the themes and figures of that alleged friendship were collected and their tensive and argumentative aspects were examined
The Text and its Environments: the Production of Meaning and the Pertinence Levels in Jacques Fontanille’s Proposal
Levando em conta o interesse cada vez maior dos semioticistas por outros objetos semióticos que não apenas o verbal, reavaliar certos dogmas da teoria torna-se necessário. Entre as novas propostas que a partir daí surgem, está a de Jacques Fontanille, que propõe a integração da situação semiótica ao campo de pertinência da análise dos textos. Sua ideia interessa na medida em que permite formalizar semioticamente o que se considerou, por muito tempo, como extrapolação do texto ou violação do princípio de imanência. Para explicitar e melhor compreender as especificidades do percurso de análise proposto pelo teórico francês, bem como as contribuições que ele traz à teoria semiótica, escolheu-se analisar uma fotografia de imprensa vinculada a uma notícia divulgada pela mídia eletrônica. A intenção é mostrar como o conjunto da situação semiótica permite ao texto-objeto funcionar segundo as regras de seu próprio gênero, regulando sua interação com os percursos e os usos dos enunciatários potenciais, suas expectativas e suas competências modais e passionais. O objetivo desse trabalho é, portanto, mostrar a validade e eficiência do instrumental proposto por Jacques Fontanille para a análise dos textos verbais e não-verbais, bem como os ganhos da teoria ao estender sua preocupação ao nível da manifestação, respeitando, todavia, o princípio de imanência.Among the new proposals of the semiotic theory, there is one by Jacques Fontanille that proposes the integration of the semiotic situation in the pertinence levels of analysis of texts. His idea is interesting as it allows formalizing what was considered, for a long time, an extrapolation of the text or violation of the immanence principle. This way, to explain and to have a better understanding of the specificities of the analysis process proposed by the French semiotician, as well as the contributions that he brings to the semiotics, we have chosen to analyze a photograph of press linked to a news piece published by an electronic media. The purpose is to show how the semiotics situation allows the text-object to work according to the rules of his own genre, regulating its interaction with the process and the uses of the potentials enunciatee, their expectations and their modal and passion competences. The objective of this work is, therefore, to show the validity and efficiency of the theoretical instrument proposed for the analysis of the texts, verbal and non verbal, as well as the gains to the theory when we extend its reach to the level of manifestation
A Study about the Symbol Based on Peirce’s Semiotics
Vivemos rodeados por símbolos, são eles desde o aceno de mãos em uma despedida ao alfabeto que utilizamos para falar e escrever. Embora a literatura sobre o simbólico se utilize de diversas definições reducionistas para a palavra "símbolo", é certo que, ao explicarmos o simbólico, sempre resta algo intraduzível, pois o símbolo aponta para algo que está ausente, representando-o, mas sem apreender todas as suas possibilidades. A redução ou especialização extrema do sentido de um símbolo costuma ter como consequência a degradação do significado, tornando-o uma insignificância alegórica ou atributiva (Cirlot, 1984, p. 5). Além disso, a percepção do símbolo é também pessoal, visto que, em seu processo de formação, o ser humano acrescenta às experiências pessoais valores culturais e sociais herdados da humanidade que o precedeu até então. Nesse sentido, o presente artigo discute o simbólico com base em Charles Sanders Peirce, buscando mostrar como tal signo é constituído e entendido na semiótica criada pelo referido autor americano. Anteriormente, porém, na primeira parte do trabalho, foi necessário fazer algumas considerações gerais sobre o termo "símbolo", suas origens e os vários significados que a ele são atribuídos. Em seguida, na segunda parte, tratamos da compreensão e interpretação dos símbolos em geral. Esperamos que o trabalho esclareça o papel do símbolo nos estudos semióticos, bem como fundamentalmente interpretações e análises do símbolo na literatura, cinema e nas culturas de uma forma geral.We live surrounded by symbols, from the waving hands in a farewell to the alphabet we use to speak and write. Although literature about the symbolic brings diverse reductionist definitions for the word “symbol”, it is true that, while explaining the symbolic, there will always be something untranslatable, because the symbol points to something that is absent, representing it, but without apprehending all its possibilities. The reduction or extreme specialization of a symbol’s meaning usually leads to its degradation, making it an allegorical or attributive insignificance (Cirlot, 1984, p. 5). Besides that, the perception of the symbol is also personal, since, in its formation process, human beings add to their personal experience cultural and social values, which are inherited from previous generations. In this sense, the current article aims at discussing the symbolic based on Charles Sanders Peirce, in order to show how such a sign is constituted and understood in the semiotics founded by the referred American author. Before that, however, in the first part of this paper, it is necessary to make some general remarks about the term “symbol”, its origins and the various concepts it receives. Then, in the second part, we focus on the comprehension and interpretation of symbols in general. We expect the current reflection to make clear the role of the symbol in semiotic studies, and to justify interpretations and analysis of the symbol in literature, cinema and culture
Toward a Semiotics of the Digital Interfaces: Subjectivity and Intersubjectivity in a Virtual Environment of Formation
La emergencia de nuevos espacios virtuales de formación caracterizados por el empleo de nuevas tecnologías, más precisamente, por el empleo de recursos hipermediales dinámicos a través de Internet, nos enfrenta a una serie de problemáticas que merecen nuestra atención en virtud de las cualidades que comportan. En este sentido, debemos considerar, en primer lugar, que un entorno virtual para educación constituye un dispositivo socio-tecnológico en el que se articulan prácticas pedagógicas y formas de la comunicación mediatizada. Por ello mismo, los intercambios discursivos, los desplazamientos enunciativos y los diversos tipos de vínculos y nexos intersubjetivos que se establecen entre los actores se dan a través de una serie de configuraciones textuales y tecnológicas que encontrarían en las pantallas electrónicas el soporte de dichos intercambios. De ese modo, los sujetos operarían con – y a través de – una interfaz en pantalla para acceder a diversos conjuntos textuales (mediatizados) y para establecer, a través de sus intercambios discursivos, una serie de nexos intersubjetivos. Por otra parte, el sujeto que participa en estos espacios ya no opera – discursivamente – únicamente en reconocimiento, sino también en producción: deviene así en sujeto enunciador que, como tal, se inscribe en su propio discurso y deja en éste marcas de su subjetividad. En esta nueva dinámica discursiva, la subjetividad y la capacidad crítica del sujeto ocupan un lugar central. Nos ocuparemos aquí de un conjunto de problemáticas referidas a los modos en que se establecen las relaciones intersubjetivas en estos espacios virtuales, dando cuenta, de ese modo, del estatuto semiótico del dispositivo enunciativo en el que se emplazan los discursos de los actores.The emergency of new virtual spaces designed for formation and education by the employment of new technologies, more precisely, by the employment of hypermedial dynamic resources through the Internet, brings forth a number of problematics that deserve our attention by virtue of the qualities that they present. In this sense, we should consider, first of all, that a virtual environment for education constitutes an associativetechnological device in which pedagogical practices and forms of mediated communication are associated. That is why discursive exchanges, enunciative displacements, and diverse types of links being established between the actors are supported by a series of textual and technological configurations found on electronic screens. Therefore, the subjects would operate with — and through — an interface on screen to access diverse (mediated) textual assemblies and to establish, through their discursive exchanges, a series of intersubjective links. On the other hand, the subject that participates in these spaces no longer operates — discursively — only in the comprehension, but also in the production of texts, thus becoming an enunciator that, as such, is inscribed in their own discourse, leaving marks of their subjectivity. In this new discursive dynamics, the subjectivity and the critical capacity of the subject occupy a central place. We will investigate here a set of problems related to the ways in which the relations are established in these virtual spaces, therefore approaching the semiotic statute of the enunciative device which hosts the discourse of the actors
“Deus Caritas Est”: Basis for the Operation of the Concept of Ethos
Este trabalho tem por objetivo amplo desenvolver interpelações a respeito da conexão entre o nível profundo da geração do sentido e a instância enunciativa, respeitado o ponto de vista tensivo que, segundo Zilberberg (2006), torna possível a articulação da tensividade com a retórica. A fundamentação teórica utilizada, para atingirmos os objetivos do estudo proposto, consiste nas bases teóricas da semiótica greimasiana, de linha francesa, tomada também em seus desenvolvimentos tensivos por Zilberberg (2006) e os enfoques contemporâneos da Nova Retórica obtidos, principalmente, por meio dos trabalhos de Meyer (2007) e Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005). Desenvolvemos, dessa forma, a noção semiótica de estilo, com vistas às propostas de operacionalização da noção de éthos, conforme subsídios encontrados tanto numa estilística discursiva, como no referido “ponto de vista tensivo”. Procuramos, portanto, mediante essa conexão, fornecer as bases para a operacionalização da noção de éthos, observado no discurso de divulgação religiosa da carta encíclica “Deus caritas est”, documento promulgado pelo sumo pontífice Bento XVI, em 25 de dezembro de 2005. A análise da encíclica levou a caracterizá-la pela presença de um estilo marcado por conteúdo doutrinário, clareza, referências à língua latina e pelo efeito de inquestionabilidade, consumado pela utilização da narrativa bíblica fundadora, o que configura um éthos de tom de voz altivo e apegado aos valores da tradição. Observamos, assim, o éthos de um intelectual católico, de um teólogo que pretende defender, construindo e não apenas transmitindo, as bases de uma doutrina universal. Esse sujeito, apesar de seu caráter doutrinário e injuntivo, apresenta, ao mesmo tempo, traços de uma imagem benevolente, ao englobar em sua exposição da dimensão caritas-ágape as demais concepções de amor.This paper aims to study the relations between the deep level of the generative path of meaning and enunciative level in the framework of tensive semiotics (Zilberberg, 2006), which enables an articulation of the semiotic theory and the new rhetoric (see Meyer 2007 and Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2005). In this light, we investigate the semiotic notion of style in order to bring together the stylistic approach to discourse and the tensive view. We seek, therefore, to provide the basis for the operationalization of the concept of ethos, observed in the religious diffusion discourse of the encyclical “Deus Caritas Est”, a document promulgated by Pope Benedict XVI on 25 December 2005. The analysis of the encyclical revealed a style marked by its doctrinal content, clarity, references to the Latin language and the effect of indisputableness created by the use of the biblical narrative. Thus, we conclude that the ethos apprehended is that of a superior tone of voice, tied to the values of tradition. Moreover, we also found the ethos to be that of a Catholic intellectual, a theologian who wishes not only to transmit, but also to defend and build the foundations of a universal doctrine. Finally, in spite of its doctrinal and imperative qualities, this subject reveals traits of a benevolent image, as he includes other conceptions of love into the concept of caritas-ágape