Estudos Semióticos (ISSN 1980-4016)
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    Le corps propre en sémiotique

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    Neste artigo, apresenta-se uma reflexão sobre como o conceito de corpo passou a fazer parte do conjunto epistemológico da teoria semiótica. Com esse propósito, estabeleceu-se um percurso que se iniciou com os estudos referentes às paixões desenvolvidos por Fontanille e por Greimas, em Semiótica das paixões (1993), e nas reflexões de Greimas sobre a estesia, em Da imperfeição (2002), obras que introduziram a problemática em relação ao conceito de presença, tema que, neste trabalho, será apresentado com base nos estudos desenvolvidos por Fontanille e por Zilberberg, em Tensão e significação (2001). Para esses autores, a presença semiótica baseia-se nas interações entre sujeito e sujeito, e entre sujeito e objeto, que ocorrem em um domínio discursivo denominado campo de presença. Jacques Fontanille dedicou grande parte de seus estudos a essas questões, porém, o autor propôs a denominação de campo posicional. Em busca de estabelecer um elo entre a noção de corpo e a de actante, Fontanille considerou que o corpo, operador da semiose, constitui-se pela carne e pelo corpo próprio. A carne, denominada moi, seria a instância enunciante, responsável pela tomada de posição no processo de semiose. O corpo próprio, que o autor designou soi, seria portador da identidade que se constrói no processo de semiose e no desenvolvimento sintagmático de cada semiótica objeto. As considerações de Fontanille em relação ao conceito de corpo próprio finalizam o desenvolvimento do tema discutido neste estudo, cujos objetivos foram de refletir sobre a maneira pela qual a noção de corpo foi incorporada à teoria semiótica e de como esse conceito foi tratado pelo autor.Dès ses premiers instants, la sémiotique greimassienne apparaît en évolution constante. Fondée au cours des années 1960 par un groupe dirigé par Algirdas Julien Greimas, elle s’est attachée à développer une méthodologie d’analyse orientée vers la compréhension de la construction du sens dans tout type de texte. Pour des raisons méthodologiques, la préoccupation théorique initiale était tournée vers la recherche des éléments discontinus. Organisée sous la forme d’un parcours génératif composé par des niveaux — fondamental, narratif et discursif —, la méthodologie sémiotique a toujours privilégié la cohérence de ses concepts, en cherchant à procéder à des ajustements dans son cadre théorique lorsque, à un de ces niveaux, surgissaient des instabilités qui compromettaient l’ensemble théorique. À la fin des années 1980, la thématique passionnelle, qui intéressait les études sémiotiques de l’époque, pointait la nécessité d’une amélioration dans l’ensemble épistémologique, cristallisée dans l’intérêt pour la recherche des éléments continus qui participent à la construction du sens. À partir de ces études, la notion de corps, laissée de côté par la Sémiotique en vertu du développement d’une théorie de l’action, au nom d’un formalisme et d’un logicisme qui ont régné sur la Linguistique structurale des années 1960, en vient à occuper une place de choix dans la théorie. Cherchant à établir un lien entre la notion de corps et d’actant, Jacques Fontanille considère que le corps, opérateur de la sémiose, est constitué par la chair et par le corps propre. La chair, appelée le moi, serait l’instance énonçante, responsable pour la prise de position dans le processus de sémiose. Le corps propre, que l’auteur nomme le soi, serait porteur de l’identité qui se construit dans le processus de sémiose et dans le développement syntagmatique de chaque sémiotique-objet. L’objectif de ce travail est de réfléchir sur la manière dont la notion de corps a été incorporée à la théorie Sémiotique et comment elle a été traitée par Jacques Fontanille

    Apprehension and signification in “Funes, the memorious”, by Jorge Luis Borges

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    A partir das noções de apreensão, significação, stase e estetização desenvolvidas pela semiótica da Escola de Paris, e valendo-se de algumas elaborações teóricas próprias da fenomenologia, notadamente as de Husserl, empreende-se neste artigo a análise do conto "Funes, o memorioso", de Jorge Luis Borges. Esse texto foi escolhido como objeto de análise não por outro motivo senão o fato de nos apresentar a fascinante e assombrosa figura de seu protagonista, Irineu Funes, cuja percepção o permite tudo perceber e cuja memória o permite de tudo se lembrar. Sujeito de percepção sobre-humana e memória prodigiosa, Funes instaura a expectativa de ser aquele que de tudo sabe. Porém, o que nos parece ser o aspecto mais inquietante desse conto, originalmente publicado em 1942, e suscitou o desenvolvimento da análise ora apresentada, é o fato de essa excepcional percepção do mundo por Funes e sua acumulação enciclopédica de informações, ao invés de torná-lo um gênio, fazer com que o memorioso paralise-se diante dos fenômenos que o cercam, renegue a linguagem, feneça e morra. Desse modo, por meio da abordagem semiótica de seu percurso narrativo, dispensando maior atenção ao modo de apreensão que Funes estabelece com o mundo discursivizado, busca-se melhor compreender qual é a natureza do liame entre apreensão e significação e também entre memória e linguagem.The text that constitutes the object of analysis of this article is Funes, the memorious, a short story originally published in 1942, by well-known argentine writer Jorge Luis Borges. It has been chosen due to the fascinating and astonishing figure of its protagonist, Ireneo Funes, subject whose perception and memory allow him to perceive and remember absolutely everything. However, the most striking feature of this short story, and also the aspect that motivated this study, is the fact that the prodigious perception and the amazing memory of Funes, despite any expectation, don’t make him a genius. Instead, he becomes paralyzed by the phenomena that surround him, denies language and dies. According to notions developed by the Paris School of Semiotics such as apprehension, signification, stase and aesthetization, and some theoretical concepts provided by phenomenology, especially by Husserl, we examine this narrative focusing on how Funes apprehends and signifies the ‘reality’ around him. Moreover, as we approach this text using the tools offered by the Greimasian semiotic theory and keeping some Husserl’s phenomenology notions in mind, we seek to discuss how a perception becomes language in order to better comprehend the nature of the bond between apprehension and signification and also between memory and languag

    Matéria e expressão no desenho a pastel seco

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    A estrutura material significante presente em um texto plástico esteve por muito tempo relegada a umsegundo plano nas artes plásticas. Mesmo na atualidade, as análises do plano da expressão tendem a privilegiaras categorias eidéticas, cromáticas e topológicas, tradicionalmente responsáveis pela manifestação do discursoplástico. O conceito de categoria matérica, cunhado pela semiótica plástica, prevê uma série de contrastesmatéricos, como /empastado/ vs. /diluído/ para uma tinta ou /áspero/ vs. /liso/ para uma superfície, porexemplo. Entretanto, o emprego das oposições matéricas pode ser observado em meios de expressão cujamaterialidade é menos evidente: é o caso de trabalhos realizados com pastel seco, um bastão colorido paradesenho. Uma análise plástica do plano de expressão de desenhos produzidos na técnica do pastel seco podesublinhar o papel que as propriedades materiais têm no processo de significação do texto plástico. Por meio daarticulação de categorias semânticas do nível fundamental com categorias plásticas do nível de manifestação econceitos tensivos ligados à noção de ritmo em Zilberberg (2004, 2006), este artigo pretende destacar o valor e afunção dos contrastes matéricos na construção do sentido de obras de expoentes universais do desenho e dapintura, como Monet, Redon e Toulouse-Lautrec.The significant material structure of a plastic text has long been left in the background of the fine arts. Even nowadays, analyses of the expression plane tend to focus on eidetic, chromatic and topological categories, which are traditionally responsible for the manifestation of artistic discourse. The concept of materic category, coined by plastic semiotics, provides a series of material contrasts, such as /pasted/ vs. /diluted/ to an ink or /rough/ vs. /smooth/ to a surface, for example. However, the use of materic oppositions can be observed in means of expression whose materiality is less clear; for instance, in the case of work done with pastel crayons. A plastic analysis of the expression plane of pastel drawings can shed light on the role that material properties have in the creation of meaning in plastic texts. Through the articulation of semantic categories on the fundamental level with categories on the plastic level, and tensive concepts related to the notion of rhythm in Zilberberg (2004; 2006), this article aims at highlighting the value and the role of materic contrasts in the construction of meaning in the works of masters of drawing and painting such as Monet, Toulouse-Lautrec and Redon

    Sincere lies or the song of the grain of love

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    Este trabalho investiga como as poéticas da canção, a partir da perspectiva da voz dos sujeitos cancionais, podem auxiliar na discussão sobre as categorias fluidas da verdade e da mentira. Intensificando a discussão que se localiza na fronteira movediça entre ficção e realidade, tais personagens são a proposição possível de investigação, posto que se situam na fronteira. Uma das características mais radicais da verdade, prima-irmã da realidade, é ser incapturável. A verdade, no sentido de essência, é impossível de ser percebida, pois ela se prolifera em várias e insuspeitadas direções, dificultando a apreensão de sua origem. No entanto, amparados pela hegemonia de uma filosofia que tem na desvocalização do logos sua base, temos atravessado épocas em busca de uma lógica clara. Analisando o discurso, a fala, a voz de três sujeitos cancionais – a saber: os das canções “Rock’n’Raul”, de Caetano Veloso, “Para mano Caetano”, de Lobão e “Lobão tem razão”, também de Caetano, seguindo a cronologia de suas feituras –, o objetivo é entender os cantos (existenciais) sugeridos dentro das três canções: a construção metacancional, aquilo que está atrás da superfície do que é cantado. Ou melhor, aquilo que faz da superfície o profundo. Este ensaio é atravessado pela leitura atenta e analítica dos ensaios que compõem o livro Crítica e verdade, de Roland Barthes, e visa a lançar contribuições àquilo que se tem classificado de semiótica do discurso.This paper investigates how the poetics of the song, from the perspective of the voice of the subjects of songs, may assist in the discussion about the fluid categories of truth and falsehood. Intensifying the discussion, which is located on the border between fiction and reality, such characters are the possible proposition of the investigation, since they straddle the boundary. One of the most radical characteristics of the truth, cousin-sister of the reality, is to be uncatchable. The truth, in the sense of essence, is impossible to be perceived, as it proliferates in various unsuspected directions, hindering the apprehension of its source. However, supported by the hegemony of a philosophy that has basis in a voiceless logos, we have gone through times in search of a clear logic. Analyzing the speech, the three voice subjects - the songs: “Rock’n’Raul”, by Caetano Veloso, “Para mano Caetano”, by Lobão, and “Lobão tem razão”, also by Caetano, following the chronology of their composition – the goal is to understand the song (existential) within the three suggested songs: the metasong construction, what is behind the surface of what is sung. Or rather, what makes the surface to be profound. This essay is crossed by close and analytical reading of the essays in the book Criticism and Truth by Roland Barthes, and aims to launch contributions to what has been classified the semiotics of discourse

    Prejudice and intolerance: some considerations on obstinacy and obsession

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    No presente artigo, retomamos o assunto da nossa tese de doutoramento em que trabalhamos o percurso narrativo de rejeição ou de aceitação de mães heterossexuais de filhos(as) homossexuais e as consequências passionais resultantes desse vínculo construído entre mães e filhos. Partimos do pressuposto, permitido pelo nosso trabalho de campo no GPH – Grupo de Pais de Homossexuais, de que as mães sentem dificuldade de aceitação de seus filhos homossexuais. Especificamente, analisamos depoimentos presenciais e não presenciais dessas mães, cuja temática é a homossexualidade de seus filhos. A partir desse corpus, levantamos e organizamos algumas paixões decorrentes dos processos de aceitação da condição sexual dos filhos desses sujeitos, considerando o relacionamento conflituoso que se estabelece entre mães e filhos. Na enunciação, está, principalmente, o “narrador” (mãe), construído pelas apreciações e interpretações discursivas, que indicam um ponto de vista do “observador discursivo”. Desse modo, pesquisamos o tipo de interação semiótica entre os sujeitos, mães e filhos. Escolhemos, para análise, neste trabalho, o preconceito e a intolerância, além de paixões características desse percurso: o “desespero”, a “obstinação” e a “obsessão”, por hipótese, configurações temático-figurativas e passionais, relacionadas à enunciação e às formações discursivas e sociais. Além disso, exemplificamos a diferença semiótica entre a paixão do desespero, a obstinação e a obsessão, paixões recorrentes nos depoimentos examinados.This paper discusses the construction of heterosexual mothers’ rejection and/or acceptance discourses with respect to the homosexuality of their offspring, as well as the resulting passional trajectories of the mother and offspring bond, both themes developed in our PhD thesis. Our active participation in a parental LGB support group, GPH – Grupo de Pais de Homossexuais, allows for the assumption that mothers face difficulty in accepting their children’s homosexuality. Considering the conflicting relationship established in the disclosure and process of acceptance of their offspring’s sexual orientation and in search of its resulting passions, gays’ and lesbians’ mothers’ presential and non-presential testimonies were analyzed. Based on the discursive interpretations and appreciations conveyed, the enunciations built a narrator (mother) who established the point of view of a discursive observer. From this corpus, the type of semiotic interaction taking place between mothers and their offspring was studied. For this, we privileged the analysis of passional configurations related to prejudice and intolerance, besides others, hypothetically assumed as typical of this trajectory, such as despair, obstinacy, and obsession, all of which passional, thematic and figurative configurations which link the enunciations and the social and discursive formations available. Finally, we pointed out and exemplified the semiotic difference in the recurring passions in the testimonies: despair, obstinacy, and obsession

    Dialogic hieroglyphs: Brief analysis of Monteiro’s palimpsest

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    A análise da obra de João César Monteiro, enquanto unidade textual plural, implica um trabalho de pesquisa baseado na procura dos loci similes: segmentos dialógicos em que se ouve o eco de outros aglomerados textuais. A procura da cadeia de “textos nos textos” na obra de Monteiro, a análise da tipologia das relações transtextuais e dos lugares em que se manifestam permitem demonstrar o caráter de “palimpsesto” que caracteriza o seu cinema. Para que essas relações aconteçam, é necessária a presença de um elemento “estranho”, ou seja, de um outro texto e/ou de um leitor que, por sua vez, não é mais do que um outro texto, como o próprio Jurij Lotman o definiu. Trata-se, portanto, de analisar também as relações que se instauram entre o(s) indivíduo(s) e os excertos textuais, os quais, para funcionarem, precisam de alguém que os reconheça. Por essa razão, utilizamos os conceitos, elaborados por Umberto Eco, de “leitor empírico” e de “leitor modelo”, justificando, desta forma, o trabalho filológico regressivo cuja finalidade é a individuação e a interpretação dos elementos dialógicos presentes no universo monteiriano. O sincretismo linguístico e a coexistência de elementos heterogêneos proporcionam, desse modo, uma nova perspectiva exegética da obra de Monteiro, cuja matéria teórica está relacionada com os conceitos de não-linearidade e leitura vertical. Tais noções permitem-nos explicar a natureza profunda dos blocos narrativos autônomos que compõem a narrativa fílmica e que libertam Monteiro da constrição da verosimilhança própria das práticas cinematográficas ditas dominantes.The analysis of João César Monteiro\u27s work, as a plural textual unity, implies an investigation based on the search for loci similes, which are dialogic segments in which the reverberation from other textual collections can be heard. The search for the “texts within texts” chain in Monteiro\u27s work, along with the typologic analysis of both transtextual relationships and the point where they unfold, enables us to demonstrate the “palimpsest” aspect, which defines his filmography. For these very relationships to be possible the presence of a “strange” element is necessary, that is to say, the presence of another text and/or reader that, in turn, is nothing but another text, as defined by Jurij Lotman. Therefore, our aim is also to examine the relationships established between the person(s) and textual excerpts, which require someone in order to be acknowledged. For this reason, we use Umberto Eco\u27s concepts of "empirical reader" and "model reader" in order to justify the regressive philological research whose purpose is individuation and interpretation of the elements in the monteirian dialogical universe. A fresh exegetic perspective of Monteiro\u27s work is eventually made possible due to linguistic syncretism and the coexistence of heterogeneous elements. The theoretical content of such movies is related to the concepts of nonlinearity and vertical reading, both of them capable of explaining the profound nature of the independent narrative unities which create the film narrative and disengage the artist from the constriction of verisimilitude

    Chronopoiesis and chronotrophy in comics

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    Neste artigo, propomos uma reflexão sobre as “paradas” nas narrativas, definidas pelo fechamento doespaço e pela espera no tempo (cronopoiese), e sobre as “paradas da parada” nas narrativas, definidas pelaabertura do espaço e pelo repouso no tempo (cronotrofia). Na proposta de Claude Zilberberg sobre o fazermissivo, o fazer profundo que rege o devir das narrativas, a temporalidade e a espacialidade relacionam-se comas categorias fechamento e abertura. Os termos cronopoiese e cronotrofia, cunhados por Zilberberg a partirde radicais gregos, têm em comum etimologicamente “khrónos”, o “tempo”. O primeiro termo vem acrescidode “poiêsis”, “criação”; o segundo vem acompanhado de “trophê”, o “alimentar”, o “desenvolver-se”. O fazerremissivo, portador das paradas, é cronopoiético (a temporalidade expectante, isto é, que cria o tempo da espera)e fechado espacialmente. Já o fazer emissivo, portador das paradas da parada, é cronotrófico (a temporalidade“originante”, pois “alimentada”, que cria o tempo passante) e aberto espacialmente. Nossa reflexão sobrecronopoiese e cronotrofia tem como objetivo verificar se, em narrativas verbovisuais, mais especificamente emHQs, essas operações temporais da missividade necessariamente correspondem, respectivamente, a fechamentose a aberturas espaciais, como prevê o modelo desenvolvido por C. Zilberberg.This article proposes a reflection on the “continuities of the process” in narratives, defined by the closure of the space and by the waiting in time (chronopoiesis), as well as on the “halts of the process” in narratives, defined by the opening of the space and by the repose in time (chronotrophy). In Claude Zilberberg?s proposal about the missive making (le faire missif ), it means, the profound making that governs the becoming of the narratives, temporality and spatiality are related to the categories of closure and opening. The terms chronopoiesis and chronotrophy, established by Zilberberg from the Greek stems, have etymologically in common the stem “krónos”, the time. The first term is added to “poiesis”, “creation”; the second comes together with “trophê”, the “feeding”, the “development”. The remissive making, that carries the “continuities of the process”, is chronopoietic (the expectant temporality, which creates the waiting time), and spatially closed. On the other hand, the emissive making, which carries the “halts of the process”, is chronotrophic (the “originating” temporality, because it is “fed”, creating the passing time) and spatially open. Our reflection on chronopoiesis and chronotrophy aims at verifying if these temporal operations of the missivity necessarily correspond to spatial closures and openings, respectively, as the Zilberberg’s model proposes, in verbo-visual narratives, specifically in comics

    Aspectualisation et modalisation dans le journal : l’attente et l’événement

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    O trabalho aborda, primeiramente, as inter-relações entre modalização e aspectualização no texto jornalístico. A enunciação, ao escolher o ponto de vista a partir do qual os eventos são relatados (como virtualidades, como possibilidades, como realizados; em seu início, em seu desenrolar ou em seu fim), instaura no discurso uma aspectualização, que sobredetermina a temporalização das ações ou estados. As categorias aspectuais, então, podem ser analisadas como uma faceta da conversão em discurso das estruturas modais invariantes que explicam a lógica dos percursos narrativos. Entretanto, tratamos da aspectualização não só como discursivização das etapas modais das estruturas narrativas mas também como um processo mais amplo, concernente ao discurso, a partir da semiótica de linha tensiva (Zilberberg, 2006, 2007). Apontamos as compatibilidades e incompatibilidades das categorias modais e aspectuais no discurso, ora favorecendo o encadeamento progressivo das ações, atendendo a uma expectativa dos sujeitos, ora fazendo surgir o inesperado. Observamos, enfim, que tanto o regime implicativo, constitutivo do exercício, quanto o regime concessivo do acontecimento, que instaura a surpresa e o choque (Zilberberg, 2006), caracterizam o texto jornalístico, que busca regular esses dois regimes, modulando-os por reverberações ou antecipações dos eventos narrados nas sucessivas edições do jornal. A manutenção da curiosidade e a captação da fidelidade do leitor podem também ser explicadas como um jogo tenso desses procedimentos.Le travail traite d’abord des interrelations entre modalisation et aspectualisation dans le texte journalistique. L’énonciation, en choisissant le point de vue à partir duquel les événements sont relatés (virtualisés, potentialisés ou réalisés ; au début, dans leur déroulement ou à la fin), instaure dans le discours une aspectualisation qui surdétermine la temporalisation des actions ou des états. Les catégories aspectuelles peuvent donc être analysées comme une facette de la mise en discours des structures modales invariables qui expliquent la logique des parcours narratifs. Cependant, nous abordons l’aspectualisation non seulement comme mise en discours des étapes modales des structures narratives, mais aussi comme un procès plus ample, concernant le discours, à partir de la sémiotique de ligne tensive (Zilberberg, 2006 ; 2007). Nous mentionnons les compatibilités et les incompatibilités des catégories modales et aspectuelles qui, dans le discours, favorisent l’enchaînement progressif des actions et répondent à une expectative des sujets, ou qui font surgir l’imprévu. Enfin, nous observons qu’à la fois le régime implicatif, constitutif de l’exercice, et le régime concessif de l’événement, instaurant la surprise et le choc, caractérisent le texte journalistique, qui cherche à modérer ces deux régimes (Zilberberg, 2006), en les modulant avec des renvois ou des anticipations aux événements décrits dans les éditions successives du journal. Le maintien de la curiosité et la captation de la fidélité du lecteur peuvent aussi être expliqués comme un jeu tendu/tensif de ces procédures

    Dès le bercement des vagues à le bercement de la jupe : par un projet secret en visant l’extroversion

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    Conforme explicam Luiz Tatit e Ivã Lopes no capítulo “ ‘Olê Olá‘ – sol contra samba” (2008, p. 78-80), no início dos desenvolvimentos da semiótica da Escola de Paris, o tratamento da aspectualização e datemporalização foi alocado exclusivamente ao nível discursivo. Mais tarde, esse quadro metodológico teve deser revisto, na medida em que o enquadramento dessas categorias nem sempre dava conta da adequação aoobjeto. Então, o “ponto de vista tensivo” da teoria, passou a considerar os componentes aspectuais e temporaiscomo elementos “proto-estruturais”, pertencentes ao nível fundamental – ou tensivo – do percurso gerativo dosentido, trazendo a oportunidade de observar valores de significação que nem sempre chegam a ser investidossemanticamente nas manifestações textuais. Além disso, seria esse o ingrediente responsável pela consideraçãodo plano da expressão na análise semiótica, e ainda, valendo-se dos mesmos parâmetros teóricos utilizados paraa análise do plano do conteúdo. Com efeito, a análise que apresentamos é mais um exemplo de produtividadeda conquista teórica advinda da “semiótica tensiva”, na medida em que a canção analisada não chega a investirsemanticamente os valores que estão em comércio no discurso, ao passo que a análise do plano da expressão édecisiva para a constituição de sua significação particular de canção. No caso de nosso texto, o não investimentosemântico dos valores em jogo, bem como a disposição modal apresentada, levaram à investigação de umapeculiaridade da relação entre campos objetivo e subjetivo do enunciador, cuja organização talvez seja extensívela outros textos.Selon Luiz Tatit et Ivã Lopes (2008, p. 78-80), la sémiotique de L’École de Paris, dans ses premiers développements, a reléguée l’analyse de la temporalisation aussi bien que de l’aspectualisation au niveau exclusivement discursif. Plus tard, ce cadre méthodologique a dû être révisé, car cette organisation des catégories ne se correspondait pas toujours à l’adéquation à l’objet. Donc, le « point de vue tensif » de la théorie a incorporé ensuite l’examen des éléments et aspectuel et temporel en les considérant des éléments «proto-structuraux», appartenant au niveau fondamental – ou tensif – du parcours génératif du sens. Ce tournant a fourni l’occasion d’observer les valeurs significatives qui ne sont pas toujours investies sémantiquement dans les manifestations textuelles. En outre, ce serait l’ingrédient responsable de l’examen du niveau d’expression dans l’analyse sémiotique en utilisant, en plus, les mêmes paramètres utilisés pour l’analyse théorique du plan du contenu. En effet, l’analyse qui nous allons présenter est encore un exemple de la productivité de la conquête théorique de la «sémiotique tensive», dans la mesure où la chanson analysée n’arrive pas à investir sémantiquement les valeurs qui sont à l’oeuvre dans le discours. Au même temps, l’analyse du plan de l’expression est décisive pour la constitution de la signification particulière de chanson. Dans le cas de notre texte, le manque d’investissement sémantique des valeurs en jeux, aussi bien que la disposition modale présentée, ont conduit à l’investigation d’une particularité concernant la relation entre les champs objectif et subjectif de l’énonciateur, dont l’organisation peut être étendue à d’autres textes

    Le renard, le fromage et le corbeau: analyse de sémantique interprétative de “fable”de Jean-Pierre Verheggen

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    O texto que analisaremos segundo os desenvolvimentos propostos pela semântica interpretativa pertence à coletânea On n’est pas sérieux quand on a 117 ans [Não se é sério quando se tem 117 anos] e mais especificamente ao capítulo “Portrait de l’artiste en enfant idiot” [Retrato do artista quando criança boba], uma seção que reúne textos relativos às lembranças da infância do autor belga, Jean Pierre Verheggen. O texto “Fable” aparece como uma paródia da fábula “Le Corbeau et le Renard” [A Raposa e o Corvo], de Jean de La Fontaine. Com efeito, algumas fórmulas emblemáticas da fábula original foram mantidas, os atores são parecidos e, apesar de estar parodiado, a progressão é idêntica. Numa primeira etapa breve, mostraremos as semelhanças com a fábula de origem. Em seguida, será preciso efetuar uma primeira leitura do texto para caracterizar a impressão referencial e descrever os efeitos produzidos. Finalmente, vamos nos concentrar numa outra leitura, através da identificação das redes isotópicas subjacentes, da descrição da organização destas redes e dos efeitos produzidos referentes a suas relações. Após a análise, tentaremos esclarecer os processos formais e as recorrências semânticas no texto e na obra geral de Verheggen. Por isso, proporemos expandir a análise temática com as denominações das várias isotopias e compor as moléculas de relações sêmicas a partir desta nova base.Le texte sur lequel nous nous penchons dans cette analyse de sémantique interprétative fait partie du recueil On n’est pas sérieux quand on a 117 ans et se situe dans la section « Portrait de l’artiste en enfant idiot » dudit recueil. Cette section comporte des textes relatifs à des souvenirs de l’enfance de l’auteur. Le texte étudié apparait d’emblée être un pastiche de la fable « Le corbeau et le renard », de La Fontaine. En effet, quelques formules phares de la fable originale ont été conservées, les acteurs y sont semblables et, bien que détourné, le procès y est identique. Une première étape, brève, consistera en la démonstration de cette parenté avec la fable d’origine. Il s’agira ensuite d’effectuer une première lecture, toute symbolique, de la fable étudiée afin d’en caractériser l’impression référentielle et en voir les effets produits. Enfin, nous nous attacherons à relire la fable à la manière dont le texte lui-même semble le proposer, en en extrayant des faisceaux isotopiques sous-jacents. Il s’agira, au terme de l’analyse, de mettre en lumière à la fois des procédés formels et des récurrences sémantiques à l’œuvre chez Verheggen. À cette fin, nous proposons d’étendre l’analyse thématique aux dénominations des isotopies et de composer les molécules sémiques sur cette base nouvelle

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